25 maio 2009

IRS, parte II

Pronto, já está entregue. E, como podem comprovar pela data e hora de publicação deste post, perfeitamente dentro do prazo! Agora é esperar que as contas batam certo... (espero bem que sim, por uma vez a simulação deu-me boas notícias!)

IRS

Mas porque raio é que isto acontece uns 800 milhões de anos depois de aparecerem as declarações electrónicas? Hoje é o último dia para entregar a declaração de IRS para gente como eu (escravos miseráveis, mas independentes) e o site das declarações electrónicas tá em baixo. Tem sido sempre assim? (eu costumo entregar uns dias antes do fim do prazo, este ano é que me distrai com as datas...)

LEIRIAAAAAAAAAA

Foi quase épico. Só não foi porque se tratava do campeonato da II Liga, se fosse da primeira seria épico.

A União de Leiria (o meu clube do coração) depois de ter descido à segunda na época passada passou as passas do Algarve no início do campeonato. À jornada 12 eram 15º (e penúltimos) e estavam nos lugares que davam acesso directo a nova descida de divisão (coisa que acabou por acontecer ao Boavista por sinal). À 14ª jornada estavam em 14º. E de repente... começou uma extraordinária reviravolta! De 14º para 9º, depois para 7º, 6º, 4º, 3º e na última jornada, precisando de ganhar e que o Santa Clara empatasse ou perdesse... ganhámos, eles perderam e voltámos a subir!

Duas palavras mais sobre o campeonato da II Liga que este ano até fui acompanhando (embora, pelos resultados até meio, em silêncio): para o Santa Clara que esteve nos lugares que dão acesso à I divisão desde a jornada 4 deitou tudo a perder com uma ponta final bastante abaixo do nível inicial; e para o Major Valentim Loureiro que viu os "seus" dois clubes, Boavista e Gondomar, ocuparem os últimos dois lugares e descem ambos à II Divisão B.

P'ró ano há bola à séria em Leiria outra vez. Só é pena o estádio ter uma audiência média de 1000 pessoas (isto já contando com os jogos com Benfica, Porto e Sporting, se tirarmos esses são 500 gatos pingados a ver os jogos). Mas, estádio vazio por estádio vazio, mais vale jogar na I que na II!

20 maio 2009

Atchim?

Estive perto do México (ok, não muito perto, mas consideravelmente mais perto do que estou agora). Até ver não, não estou a espirrar.

Mas vi uma coisa que nunca tinha visto: um avião demorar mais de 1 hora para descolar depois de ter entrado no taxiway (éramos 30º na fila!). Na descolagem anterior (no mesmo aeroporto, que me serviu só para escala nos dois sentidos), quando o avião virou para a pista contei 16 aviões atrás de nós, todos alinhadinhos à espera. Isso sim, são aeroportos movimentados! (na Portela o pior que me aconteceu foi ter 5 ou 6 à frente, mas também não costumo viajar na "hora de ponta").

13 maio 2009

Afinal, cura-se!

E não é que afinal a homossexualidade cura-se!? Ou melhor, há terapias para "reorientação da orientação sexual", diz a notícia.

Sobre os méritos ou deméritos desta posição, não me pronuncio. Seria como pronunciar-me sobre o criacionismo versus evolucionismo ou sobre as teorias que dizem que o Sol anda em torno da Terra. Não me pronuncio sobre absurdos.

Mas acho que devo dizer alguma coisa sobre a expressão "reorientação da orientação sexual": não se reorienta uma orientação. Muda-se uma orientação. Dizer que se "reorienta uma orientação" quer dizer que inicialmente a orientação foi orientada. A orientação sexual pode ser escolhida, assumida, descoberta, mas não é orientada. Quem se orienta é a pessoa que escolhe, assume, descobre uma orientação sexual. Logo, a pessoa que escolhe, assume, descobre uma orientação sexual pode ser reorientada, a própria orientação sexual, não.

Seria bom que, sobretudo em temas tão delicados, houvesse o cuidado por parte de pessoas com responsabilidade em não utilizar expressões que não fazem qualquer sentido, do ponto de vista lógico. Mas acho que isso é um pedido tão absurdo como esperar que os dirigentes políticos discursem com conteúdo e não apenas com chavões vazios de sentido, ou que nos debates sobre futebol a argumentação fosse com base em factos e não acusações repetidas e não fundamentadas. Enfim, eu sou um sonhador...

08 maio 2009

Fontes fidedignas

Já se sabe que a Wikipedia não é uma fonte fidedigna. Apesar de a quase totalidade da informação nela contida estar devidamente referenciada e ser correcta, porque os artigos podem ser editados por qualquer um corre-se o risco de estar a ler apenas um dos lados de uma questão ou estar a ler apenas parte da informação.

Seria de esperar que os jornalistas soubessem disso: lá porque está na wikipedia não quer dizer que seja automaticamente verdade!

Pois, seria de esperar que todos soubessem mas, pelos vistos, nem todos sabem.

A propósito desta história (que é hilariante, confesso), a senhora que ocupa um cargo parecido com o de provedor do leitor no The Guardian escreve: The moral of this story is not that journalists should avoid Wikipedia, but that they shouldn't use information they find there if it can't be traced back to a reliable primary source. Ao que eu respondo: Nãaaaaaaao, a sério??? Então, a lição de moral que se tira desta história é que os jornalistas devem confirmar as informações junto de fontes primárias? E eu que quase que jurava a pés juntos que esse princípio é ensinado em tudo o que é curso de jornalismo: só se escreve o que pôde ser confirmado! Pelos vistos enganei-me. A obrigatoriedade de confirmar informações é coisa recente, motivada apenas por este caso de fraude que enganou "jornalistas" do mundo inteiro. E limita-se à confirmação de informações da wikipedia. O que estiver num blog, por exemplo, fica aparentemente isento desta obrigatoriedade de confirmação.

Um pormenor delicioso: os tais jornalistas não acharam estranho que a citação não estivesse referenciada numa qualquer nota de rodapé. Já os editores da wikipedia acharam que essa informação, por não indicar as fontes, não era fidedigna e removeram-na. Se calhar devíamos trocar: púnhamos os jornalistas a editar a wikipedia e os editores da wikipedia iam escrever histórias para jornais. Perdíamos uma enciclopédia, mas ganhávamos uma melhor comunicação social.


(obrigado Pedro)

06 maio 2009

Okapi

Fui ao Zoo. Já não ia lá há perto de... 25 anos?! Devo dizer que o Zoo de Lisboa já não tem nada a ver com as recordações que eu ainda tinha. Quando lá fui a última vez era velho, com muitas estruturas em mau estado e o deprimente elefante a tocar a sineta a troco de moedas.

O elevante das moedas já terá morrido, ou pelo menos já não toca a sineta, as estruturas estão recuperadas, os animais têm boas condições de habitabilidade (tanto quanto se consegue ter num Zoo, sobretudo um tão pequeno como o nosso) e o programa de apadrinhamento de animais por parte de empresas está a funcionar. Garante receitas para o Zoo e retorno publicitário para as empresas (adivinhem quem patrocina o jaguar!).

A malta em geral só vai ao Zoo quanto tem miudos pequenos (filhos, sobrinhos, primos, etc). Não façam isso. Vão lá, mesmo que não tenham a desculpa de ir só "fazer compania ao miudo".

Pontos altos da visita:

Vi os okapis ao vivo! Yeeee! Há já uns anos que o Zoo tem anunciado os okapis como as estrelas da companhia e devo confessar a minha ignorância: quando vi o anúncio as primeiras vezes não fazia ideia do que raio era um okapi. É engraçado em fotografia, mais ainda ao vivo.

E fiz festinhas num leão marinho! Parte do show de acrobacias dos leões marinhos e golfinhos (com a participação de uma guest star, uma baleia piloto que deu à costa há uns tempos na Nazaré e que se chama... Nazaré) consiste em levar o leão marinho a passear-se no meio do público e "dar beijinhos" (ou melhor, marradas) às pessoas. Eu ainda levei um beijinho na bochecha do anfíbio gordo (nota: para mim mamíferos que passam a maior parte do tempo na água são anfíbios ou peixes; os golfinhos e baleias são peixes, as focas e leões marinhos são anfíbios). O animal pesa uns 400 milhões de quilos e quando o vi esticar-se na minha direcção fiquei um bocado surpreendido (diria que apanhei um susto, mas sou demasiado macho para admitir uma coisa dessas).

Preço do bilhete: 16 euros. Dinheiro bem gasto!

30 abril 2009

Conflito de interesses?

Serei eu o único a achar que não deve ser o Parlamento a decidir sobre assuntos que directamente influenciam os partidos políticos? É que, não sei, mas parece-me que há assim um ligeiro conflito de interesses.

Por exemplo, o Parlamento aprovou um aumento do valor máximo permitido de donativos em dinheiro de cerca de 22 mil euros para mais de 1.25 milhões. Assim de repente, sem olhar para em pormenor para as motivações dos vários partidos representados no Parlamento que decerto serão as mais honestas e bem-intencionadas, mas assim de repente parece-me, sei lá... pouco transparente.

27 abril 2009

email descartável

Quando me registo num site qualquer penso sempre se devia ou não dar o meu endereço de email. É que há sempre o risco de começar a receber spam à conta desse registo. Mas agora há a solução ideal: o mailinator!

Como funciona?

1. Inventam um endereço de email qualquer. A sério, qualquer um serve. pode ser abracadabra@mailinator.com.

2. Registam-se no tal site do qual contam receber spam com alguma frequência dando o endereço do mailinator como se fosse o vosso endereço de email.

3. Vão ao site do mailinator ver o mail. Não há registos, não há passwords, não há nada. Assim que um mail chega a uma conta de email, a conta é criada.

Depois podem esquecer-se desta conta e da próxima vez inventam um endereço novo.

Ah, sim: é bem possível que encontrem mails nessas mailboxes que não eram para vocês. Outras pessoas podem ter dado o mesmo endereço num qualquer site. Mas como à partida estas contas só servem para receber lixo...

(obrigado Pedro)

14 abril 2009

Fool me once

Há um ditado em inglês, tornado célebre por George W. Bush, que diz qualquer coisa como "Fool me once, shame on you, fool me twice shame, errr..., fool me once, shame on me, fool me... errr... well, you can't fool me twice!"

Ah não?

(Nota: o ditado na verdade diz "Fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me", mas o GWB às vezes tinha estes problemas de fluidez no seu discurso)

13 abril 2009

Há boas ideias e há Boas Ideias!

Nunca vos aconteceu fechar uma janela do browser e no instante seguinte dizerem "Merda! Não era para fechar esta!"?

Bom, a vós talvez nunca tenha acontecido, a mim está sempre a acontecer... é por isso que adoro o Google Chrome! Se fechei um separador (ou uma janela) que não queria ter fechado, basta abrir um novo separador. Por defeito aparecem, além de outras coisas úteis, a lista dos separadores que fechei recentemente. Com a grande vantagem de manter o histórico de navegação. Ou seja, posso re-abrir uma página e carregar no back para voltar ao sítio onde estava antes...

É por estas e por outras que sou fan dos produtos Google! (além do Chrome e do Blogger, uso o Gmail, iGoogle, Youtube, Google Docs, Google Calendar, Google Maps, Google Analytics, Google Images, Google Desktop, Google Groups e, claro, o próprio Google!)

06 abril 2009

Acredita quem quer...

Ao que parece, "a acreditar no regime norte-coreano, há músicas de louvor ao “Grande Líder” e ao “Querido Líder” a ecoar no espaço" (ver notícia). Acredita quem quer, mas como no espaço não há ar, logo não há som, eu não acredito que ecoem cânticos. Mas isso sou eu, que tenho mau feitio e sou desconfiado.

03 abril 2009

A pergunta do momento!

Foi a Raínha que abraçou Michelle ou Michelle que abraçou a rainha?. Dá que pensar. A importância dada a este episódio pelos media britânicos (e não só, como o comprova o texto do Público) diz-nos que a crise já acabou! Afinal, num país cujo sistema financeiro foi de tal forma abalado pela crise do subprime, com bancos a falir, despedimentos em massa e uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, se este episódio não protocolar provoca tamanhas reacções, só se pode concluir que tudo vai bem, a crise já passou e nada mais preocupa os súbditos de sua Majestade, além de quem são as pessoas que abraçam ou são abraçadas pela sua soberana.

É bom saber que pelo menos num dos países da UE os fait divers já assumem esta importância, depois de um ano em que só se ouviu falar em falências, crise hipotecária, despedimentos, subida dos preços do petróleo e coisas afins. Espera-se para breve uma qualquer especulação acerca da marca da cera depilatória de Angela Merkl ou sobre o tamanho da copa dos soutiens de Carla Bruni para que se possa anunciar oficialmente que a crise acabou, a tranquilidade volte aos mercados financeiros e a retoma seja uma realidade.

Ah, e também parece que houve uma fulana qualquer que morreu há 15 dias e vai amanhã ser enterrada... em directo na TV! (não perguntem, não faço ideia de quem é, nem que história é esta ou porque é que é tão importante assim; apanhei uma meia conversa na diagonal, e ainda não percebo grande coisa)

30 março 2009

Mundial 2010

Esta semana jogamos contra a África do Sul, um jogo particular de preparação para o mundial do ano que vem. Este jogo vem em muito boa hora. Porque, pelo andar da carruagem, vamos ficar de fora do próximo mundial e tão cedo não teremos outra oportunidade de jogar contra os sul-africanos.

Mas, bem vistas as coisas, não é nenhuma calamidade ficar de fora de um mundial. Afinal, já aconteceu a todos (ou quase). A Inglaterra ficou de fora em 1994, a Holanda ficou de fora em 2002, a França ficou de fora em 1990 e 1994 (e veio a sagrar-se campeã em 1998), e por aí fora.

As selecções com melhor historial acabam por ser a Itália (o último mundial em que não esteve presente foi 1958, mas falhou a qualificação para os europeus de 84 e 92), a Alemanha que esteve em todos os mundiais (excepto 1930 em que não participou e 1950 em que foi banida) mas falhou o apuramento para o euro de 1968; e até a Argentina falhou a qualificação para o mundial de 1970. A excepção notável é o Brasil, que marcou presença em todos os mundiais, sem excepção.

Por isso, não é nenhuma desgraça nem vergonha ficar de fora. É pena, e havia a obrigação de conseguir a qualificação, mas não é nenhuma vergonha. Sobretudo num país que até há 10 anos atrás comemorava as qualificações para fases finais com dia feriado (ou quase). Há que lembrar que a história da selecção portuguesa de futebol fez-se com um mundial em 1966 e outro em 1986, um europeu em 1984 e outro em 1996. Depois, a partir de 2000, estivémos em todos e com muito bons resultados (só por uma vez ficámos na primeira fase, no mundial de 2002). Estamos mal habituados, sem dúvida. Pelo caminho convém não esquecer que falhámos a qualificação para 11 mundiais e 8 europeus!!!

Também não acho que seja uma tamanha desgraça a contratação do Carlos Queirós. Qualquer seleccionador, tal como qualquer treinador, precisa de tempo para fazer uma equipa. Claramente Queirós não o está a conseguir, mas já que está contratado, acho que é de ficar com ele até final do apuramento. A coisa há-de melhorar. Ou então não, e Queirós consegue a estranha acumulação de "honras" de ser o único treinador a ter ganho títulos com as selecções nacionais de futebol e por outro lado ter conseguido falhar apuramentos em mais de uma ocasião (era ele o treinador na qualificação para o mundial de 1994 nos Estados Unidos).

A reclamar de alguma coisa nem é do jogo de sábado. A bola estava enguiçada, não entrava nem por nada. 24 remates, alguns bem perigosos e ou ia ligeiramente ao lado, ou ao poste, ou Izaksson fazia uma excelente defesa. Reclamemos com a falta de eficácia dos nossos avançados (três jogos em branco, dois deles em casa), mas não é um jogo que estraga as contas. É uma sucessão de jogos com golos marcados a menos e, admito, algum azar à mistura.

Mas o que é mesmo digno de reclamação, é a atitude de Queirós no final do jogo. A primeira coisa de que falou é dos 4 penalties que ficaram por assinalar a nosso favor na qualificação. Nota-se logo que é sportinguista. Para já, o lance em questão no sábado não era penalty. A bola já tinha partido há que tempos. Se Cristiano a tivesse atirado à baliza o Izaksson teria provavelmente defendido e não era penalty. Só não lhe tocou porque foi 1 km ao lado. Além disso, uma equipa que em 5 jogos só conseguiu marcar em 2 deles (e um dos jogos foi contra Malta, terra de épicas cabazadas), só tem de se queixar de si própria, não dos árbitros. Não foi por o árbitro não ter marcado penalty naquele lance que não ganhámos. Foi por termos feito outros 23 remates que foram ao lado, ao poste ou encontraram o guarda-redes pela frente.

Mas pronto, nem estou particularmente chateado com os resultados. São coisas que acontecem.

E, claro, ainda há esperança! Ganhando ambos os jogos à Hungria (o que começo a duvidar) conseguimos ultrapassá-los; ganhando fora à Albânia ficamos em terceiro, atrás de suecos e dinamarqueses (supondo que a Suécia ganha o jogo que tem a menos). Ganhando à Dinamarca ficamos a 4 pontos da Dinamarca e estaremos a 3 da Suécia. Como Suécia e Dinamarca ainda têm de jogar entre si duas vezes, dependemos apenas de nós para nos apurarmos e até podemos chegar ao primeiro lugar, se suecos e dinamarqueses empatarem ambas as vezes (supondo que ganhamos por 2 de diferença na Dinamarca)

Por isso, acho que mais vale esperar pelos próximos jogos e evitar histeria colectiva.

22 março 2009

Benfica-Sporting

Não vi o jogo.

Tinha mais que fazer (já vos disse que fui passar o fim de semana a Paris?) e soube do resultado por sms. Hoje vinha eu descansadinho da vida (excepto as dores nos ouvidos - ler post abaixo) a ler o Record no avião e só leio sobre o penalty que o árbitro assinalou, e que não existiu e que o Sporting foi roubado e mais não sei o quê.

Como disse logo no princípio, não vi o jogo. Acredito que não tenha sido penalty. Que o Sporting tenha sido mesmo prejudicado. Que a verdade desportiva tenha sido falseada. Que a justiça desportiva esteja ofendida. E tou-me nas tintas!

Ganhar um título é sempre bom. Especialmente quando é tão raro (já lá iam 5 anos, se excluirmos o torneio do Guadiana de que o Fernando Santos tanto gostava). Ganhar um título ao Sporting é melhor ainda, é algo que dá uma satisfação particular. Não é apenas ganhar um título, é ganhar um título e o Sporting perder um título, tudo ao mesmo tempo!

Mas... ganhar um título ao Sporting com um penalty roubado? Eh pá, isso ainda é melhor! É da forma que dói mais aos lagartos!!! Esta Taça da Liga irei recordá-la com carinho durante décadas! É que nem lhes serve de consolo o facto de o Benfica ter jogado melhor, porque não jogou, nem o facto de terem desperdiçado oportunidades que os teriam deixado descansados e sem depender do tal penalty inventado, porque em termos de oportunidades parece que a coisa também foi equilibrada. Não, o Sporting não se pode queixar de ter jogado mal, nem de ter encontrado um adversário forte, nem de ter desperdiçado as ocasiões de que dispôs e o adversário ter sido mais eficaz, nada! Não há nada de que se possam queixar, a não ser do tal penalty. Lendo o que se diz do jogo, não parece haver ninguém que defenda que o Benfica mereceu ganhar a Taça (tirando a equipa técnica e a direcção do clube, claro!). E isso, sim, é doce! O título seria entregue, na óptica sportinguista, sempre ao Sporting. Isso sim, seria justo. A vitória seria sempre sua, havia todas as razões para o ser. E, contudo, não foi.

Essa azia que fica no estômago dos sportinguistas durante semanas, meses, talvez anos, essa sensação de injustiça que corrói a alma e arrasa o ânimo é a cereja no topo do bolo que dá ainda mais alegria à conquista, sempre importante, de um trofeu. Mesmo que seja o mais pequeno da época, mesmo depois de uma eliminação humilhante da Taça Uefa, mesmo depois de uma eliminação às mãos de uma equipa de menor gabarito na Taça de Portugal, mesmo estando em terceiro no campeonato. Ganhar ao Sporting é bom, ganhar ao Sporting causando o maior dano possível, melhor ainda!


Claro que o dano também se poderia causar com uma cabazada histórica, mas o Sporting já se habituou e os adeptos já desenvolveram uma qualquer anestesia que faz com que cabazadas não doam tanto. Por isso prefiro mesmo ganhar com um penalty roubado.

Ar de turista

Descobri que não tenho ar de turista. Ontem estava eu ao pé do Louvre (han, gostaram da maneira que arranjei de dizer que fui passar o fim de semana a Paris?) e sou abordado por um miudo francês. Pensei eu que me ia pedir lume, porque vi-o com um cigarro na mão e eu estava a fumar. Não. Vira-se para mim e pergunta onde fica Chatelet? Para quem não sabe, Chatelet é uma das estações de metro/comboio mais importantes de Paris (na realidade são 3 estações, 2 de metro e 1 de comboio, interligadas) onde se cruzam 8 linhas. Bom, eu sabia, por isso lá lhe respondi, no meu francês que até é bastante razoávelzinho.

Uns metros mais à frente vem outro gajo ter comigo a perguntar-me se eu sei onde fica uma ponte qualquer. Esta já não sabia, não conheço os nomes das pontes de Paris.

Hoje vou a entrar no comboio e vira-se um tipo (aparentemente francês) para mim na estação e pergunta se este comboio pára em La Croix de Berny! O mais incrível é que eu sabia a resposta e informei-o, correctamente, que seria a 4ª (ou 3ª, agora já não me lembro) paragem do comboio! É que por acaso eu ia sair na estação seguinte e tinha confirmado uns minutos antes em que estações parava aquele comboio.

Mas é que já não é a primeira vez! Já tive austríacos a pedirem-me indicações em Viena, franceses a pedirem-me indicações me Estrasburgo (morei lá um ano, mas na altura estava na cidade há 15 dias) e turistas a perguntarem-me em Veneza como se ia para a ponte Rialto! Para onde quer que vá tenho alguém que acha que eu sou de lá e devo saber onde ficam as coisas. Ou então que tenho uma antena de GPS implantada e um qualquer software de localização a correr em tempo real dentro da cabeça.

A parte mais estúpida é que às vezes até sei mesmo onde ficam as coisas que me perguntam!


PS: Paris estava bonita, como sempre, o tempo estava bom e a Torre Eiffel ainda está no mesmo sítio; só a constipação que apanhei no fim da semana passada é que estragou um fim de semana quase perfeito, porque fiquei com dores de ouvidos na aterragem de ambos os voos, fiquei quase surdo de ambos os ouvidos ontem o dia todo e hoje a maior parte, e ainda estou surdo do ouvido direito (o esquerdo já estalou e eu ia caindo para o lado!). Ah, sim, e os franceses continuam pedantes, mas isso já nem é defeito, é feitio.

19 março 2009

Big Brother is watching you!

A partir de agora todos os cidadãos do mundo terão de declarar perante as autoridades o que fazem a cada instante. Através de um serviço centralizado na internet as declarações são obrigatórias!

Exemplos:
O cidadão vai à casa de banho e escreve nesse serviço: "tou a cagar".
O cidadão está parado no trânsito e envia uma mensagem a partir do seu telemóvel: "Tou parado no IC19".
O cidadão está envolvido num momento romântico com a sua respectiva namorada/esposa e envia uma mensagem "estou a treinar para ser papá".
O cidadão chega a um país estrangeiro e envia a mensagem com o seu blackberry "acabei de aterrar em Pago-Pago".

E por aí fora.

Se tal legislação fosse aprovada, quais seriam as reacções da população? Imagino que ficasse toda a gente completamente histérica com tamanha invasão de privacidade, com os governos a controlarem todos os movimentos dos seus cidadão.

Mas... então porque raio é que anda meio mundo a abrir uma conta no twitter? Não chega já termos telefones disponíveis 24h por dia, recebermos alertas onde quer que estejamos a informar que chegou uma nova mensagem de mail e os programas de instant messaging a mostrar-nos disponíveis (ou indisponíveis) para uma conversa em qualquer parte do mundo onte tenhamos um computador? A malta quer mesmo aderir a um serviço em que voluntariamente informa de todos os seus passos ao longo do dia???

13 março 2009

O érre e o tê

QWERTY. O meu teclado é QWERTY. O que quer dizer que o R está ao lado do T. E o Q ao lado do W, e o A ao lado do S, e o N ao lado do M, e por aí fora, mas isso pouca relevância tem. O que importa mesmo é que o R está ao lado do T.

E eu tenho a mania de escrever o mais rapidamente que os meus dedos permitem, não olhando para o teclado mas para o ecrã, de modo a perceber em tempo útil que cometi uma gaffe qualquer. Felizmente hoje em dia existe corrector ortográfico para tudo e assim que me emgano e escrevo uma palavra mal, fica logo sublinhada com aquele sublinhado esquisito assim parece uma lombriga mal esticada.

O problema é quando uma pessoa se engana na palavra e a palavra errada também é uma palavra bem escrita em português. Por exemplo, Pata em vez de Para. E lá vem o R e o T à baila outra vez. Ou Casa em vez de Cada.

Mas o pior de tudo (e já me aconteceu umas quantas vezes, felizmente dei por ela a tempo), foi enganar-me a escrever a expressão "pura e simplesmente".

Será que no caso de pessoas que escrevem sem olhar para o teclado e conhecem as posições das teclas de cor, este tipo de gralhas é o equivalente informático a um lapso freudiano? (a bem da honra da pessoa a quem estava a escrever o mail em questão, espero que não...)


PS: quem é que reparou, à primeira, que me enganei a escrever a palavra engano, no segundo parágrafo?

11 março 2009

Quase...

Não tive oportunidade de ver o jogo do Sporting. Quer dizer, até tive oportunidade, mas como não sou lagarto e eles perderam 5-0 em casa, não tinha grande interesse. Ou melhor, não tinha interesse nenhum.

Depois, quando ouvi que o resultado foi de 7-1 até me caiu tudo ao chão. Pensei "Caramba, conseguiram dar a volta e eliminar o Bayern em Munique?". Na verdade, nem pensei caramba, pensei num palavrão bem sonoro, mas caramba serve para este propósito.

Só depois é que percebi que como o jogo foi lá, 7-1 quer dizer que não foi bem isso que aconteceu, o Sporting não eliminou o Bayern de Munique. Muito pelo contrário, levou 7 a 1 depois de ter levado 5 na pá em casa. Tudo junto soma uns módicos 12-1 de desvantagem. Não sendo nenhum dos resultados um record europeu absoluto, o resultado final da eliminatória, sobretudo na fase em que só resistem 16 equipas na principal prova da UEFA, deve ser um record pelo menos dos últimos 30 anos!

Enfim, foi quase o resultado desejado. Foi mesmo quase, faltou-lhe só um pormenorzinho: é que tinha de ser ao contrário.

Mas há coisa em que o Sporting tem mérito e esse tem de ser dado. Paulo Bento tinha dito que, apesar de a passagem à próxima eliminatória não estar em discussão, havia que lugar pela dignidade do clube. E de facto, assim fizeram. Se após a pesada derrota em Alvalade havia dúvidas sobre a dignidade do clube, agora essas dúvidas ficaram desfeitas: o Sporting não tem dignidade nenhuma! Se dúvidas houvesse da dimensão europeia do Sporting, algo que o clube tem tentado construir nos últimos anos, também ficaram completamente desfeitas: o única dimensão em que o Sporting consegue ser "europeu" é a quinta dimensão. E àqueles que criticam o Sporting por não saber rentabilizar os jogadores que saem da formação, de cujas transferências vivem as finanças de Alvalade, eu digo apenas o seguinte: Toda, mas mesmo TODA, a Europa do futebol vai ver e rever e rever e rever e rever estes dois jogos do Sporting contra o Bayern de Munique. Que é muito mais do que se pode dizer dos jogos europeus do Porto, Benfica, Braga ou qualquer outro! Uma equipa pequena nesta competição de gigantes só consegue dar nas vistas de duas formas: ganhando por muitos ou perdendo por muitos. E o Sporting, humilde e ciente das suas reais capacidades, sabia que era impossível dar uma cabazada ao Bayern de Munique.

Parabéns ao Sporting e aos sportinguistas por este grandioso feito!


PS: apesar de ser lampião estava a torcer pelo Sporting; tive pena que perdessem contra o Bayern em casa e mais pena ainda que tivessem feito tão triste figura em Munique. Mas, já que perderam, deixem-me pôr sal na ferida enquanto ainda está aberta.

09 março 2009

O homem está de volta!!!

Quem diria? Aos 31 anos e 4 anos depois de ter ganho a última medalha numa grande competição (3º nos mundiais de 2005), Rui Silva voltou e ganhou ouro nos 1500m nos europeus indoor! É o fim de um calvário de lesões que o tem afastado dos bons resultados e, esperamos, o princípio de um belo período final de carreira, que pelo que dá para perceber ainda tem pernas para mais uns anitos!

Devo dizer que os 1500m são há muito tempo o meu evento preferido de corrida. É aquela mistura de velocidade e resistência, uma grande dose de táctica nos primeiros 2 minutos e meio a 3 minutos e um sprint final de arregalar os olhos. E também sempre gostei de ver as corridas do Rui Silva, embora metam nervos. Costuma arrancar nos últimos lugares, deixa-se estar por lá durante os primeiros 1000m e só no fim, no finzinho, é que decide vir para a frente e atacar (foi assim nos JO 2004 em que na última volta passou de último para terceiro). Ontem (não deu para ver a corrida, mas tive pena) parece que fez tudo ao contrário. E funcionou!

Bom, esta vai-se juntar às outras duas medalhas de ouro nos europeus indoor, além de várias outras em grandes competições. O que é notável é que, numa distância muito competitiva em que a forma física para o sprint final é essencial para conseguir bons resultados nos grandes campeonatos, entre a primeira medalha de ouro do Rui Silva e a última passaram-se... 11 anos.