22 novembro 2008

P'ra que servem as gajas?

Toda a gente sabe que trabalho de mulher é secretária.



Confesso, a piada não é minha, foi inspirada num diálogo de Boston Legal: Denny Crane reencontra Shirley Schmidt, antiga namorada:
DC: You left me, Shirley. Women don't leave Denny Crane. And for a secretary?
SS: It was the Secretary of Defense.
DC: It doesn't matter. I have an image.

21 novembro 2008

Matrículas

Não são as da escola, são as outras, as dos carros.

A minha não foi cancelada. E a vossa? (se compraram um carro em segunda mão e não procederam ao registo pode-vos acontecer...)

Euribor

A Euribor, depois de passar uns tempos nas nuvens, começou a descer. A taxa de juro da maior parte dos créditos está indexada à Euribor e por isso prevê-se uma descida, daqui a algum tempo, das prestações. Mas como os cálculos são feito apenas no vencimento dos contratos e tomando como referência a Euribor nos últimos 30 dias, pode demorar uns meses até se sentir a diferença na conta bancária.

Pois bem, NÃO TEMAM!!! O Ó faxavor! antecipa-se aos bancos e resolve, de forma arrojada e altruísta, pensando no bem-estar das famílias portuguesas, BAIXAR A SUA TAXA DE JURO!!!

Se olharem ali para cima, para as letras pequeninas a seguir ao título, poderão constatar que a taxa baixou! Sim, baixou! Dantes o Ó faxavor! era vendido com uma TAEG de 8,62% e baixou uns espectaculares... 0,3%!!! Sim, 0,3! Agora a taxa de juro do Ó faxavor! é de apenas 8,32% para um leasing ou ALD a 48 meses, com 20% de entrada! E SEM QUAISQUER COMISSÕES!!!

Nota: alguns de vós poderão interrogar-se porque é que com a Euribor abaixo dos 5 pontos continuam a pagar um juro acima dos 8. Bom, compreendo a vossa posição, mas não posso fazer nada. Alguns problemas de liquidez impedem-me de baixar o vosso spread. Além disso, como nenhum de vós é particularmente bom cliente (não consigo nomear um leitor sequer, que tenha feito um PPR com o Ó faxavor!), não dá mesmo para vos dar um spread abaixo dos 3,5%. É a vida, o que querem?

20 novembro 2008

Escalfetas (agora é que é!)

Há palavras assim, como escalfeta. Não se percebe bem de onde vieram, nem porque raio soam como soam. Não têm nada a ver com a coisa que designam.

São estas palavras que definem a dificuldade ou facilidade em aprender uma língua. As outras, como batata, fragilidade ou arco-íris, para citar apenas substantivos e adjectivos, são mais ou menos normais, mas... escalfeta? Quem é que baptizou a escalfeta de escalfeta? É por estas e por outras que aprender uma língua estrangeira é tão complicado, no caso presente, o português. Para um estrangeiro é de uma enorme complexidade dominar vocábulos como escalfeta.

É que escalfeta não soa nada ao que é. A que raio soa escalfeta? A nada! A monte de lixo, a inflamação de uma qualquer mucosa, a bactéria. Sobretudo não soa a coisa agradável, e olhem que bem que sabe uma escalfeta no inverno para aquecer os pés... a única palavra minimanente parecida com escalfeta é escalfado, mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Escalfado diz-se de um ovo descascado mergulhado em água a ferver até cozer. Uma escalfeta não é um ovo, não se descasca e não se mergulha em água a ferver (nem em água fria, que electrodomésticos e água fria são mais ou menos como as claques de futebol e o corpo de intervenção: é melhor mantê-los separados. Claro que esta metáfora é parva e só a uso porque vem a propósito, ainda esta semana uns quantos tipos de uma claque de futebol foram detidos e são acusados de uma série de crimes. Mas, admito, é uma metáfora um bocado parva. Bom, adiante...)

Estava eu a dizer que escalfeta não soa ao que é. Há palavras assim, não soam ao que querem dizer. Como comezinha. Comezinha é outra daquelas palavras que um estrangeiro nunca conseguirá dominar. É, até, um bom truque para apanhar estrangeiros a tentarem passar-se por portugueses, atirar para o meio de uma frase duas ou três escalfetas e mais uma ou duas comezinha a ver se caem na esparrela (olha, por falar em palavras que não soam ao que significam, aqui está um belo contra-exemplo: esparrela! É que nota-se logo que não pode ser coisa boa, tem o seu quê de artimanha. E olha, mais uma, artimanha, soa precisamente ao que é!).

São estas palavras que definem a complexidade de uma língua. Nenhum estrangeiro poderá alguma vez dominar o português se não conseguir compreender em que situações se devem usar palavras como escalfeta ou comezinha. E o mesmo se passa nas outras línguas, há palavras que não lembram ao diabo. Claro que não me lembro de nenhuma, não domino assim por aí além nenhuma língua estrangeira, mas lembro-me de exemplos ao contrário. Por exemplo, a minha palavra preferida da língua inglesa é exquisite. Que é precisamente uma palavra ao contrário de escalfeta: uma palavra que só de pronunciar percebe-se logo o seu significado. Exquisite é (e, perdoem-me, requinte não é tradução que lhe faça juz) uma palavra de um tal refinamento, de uma tal elegância ao articular que assim que se ouve nem nos precisam de trazer um dicionário, percebe-se logo que é algo... bom!, assim como o Ferrero Rocher, mas sem o vestido amarelo e o ridículo chapéu de 4m^2 do anúncio.

Exquisite é daquelas palavras que só mesmo um ser iluminado por uma profunda e quasi-ilimitada sapiência poderia inventar. Alguém tão dotado nestas coisas do discurso que é capaz de aparecer com uma palavra nova e deixar todo um povo perplexo (olha, esta por acaso também é boa, perplexo. Gosto desta palavra, sim senhor, ainda vamos a pronunciar o ple e já se percebe onde isto vai dar!) com tamanha arte em forma de aglomerado de sílabas. O gajo que inventou a palavra exquisite é uma espécie de Miguel Ângelo do vocabulário. Ficam gerações pasmadas com a sua obra e mesmo volvidos séculos continuamos a admirar o fruto da sua genialidade em total deslumbramento.

Já escalfeta, está no extremo oposto. O gajo que inventou o nome para a escalfeta merecia ser entalado entre duas escalfetas tamanho XXL ligadas no máximo até se lembrar de um nome melhor.

19 novembro 2008

Ratos

As cidades têm ratos. É daquelas coisas que nunca dá para exterminar completamente. Há ratos em prédios abandonados, em lixeiras, nos esgotos... Lisboa tem ratos, o Porto tem ratos, Faro tem ratos. Nova Iorque, Paris ou Londres também os têm. Mas... Hamelin? Há ratos em Hamelin? Eu pensava que o flautista tinha dado cabo dos bichos todos há não sei quanto tempo, mas pelos vistos... voltaram.

(obrigado, Pedro)

18 novembro 2008

Escalfeta

Pois, isto tem andado um bocado parado... tenho andado metido no meio do código daquilo que será o meu futuro novo site (cujo endereço não indicarei aqui, a coisa é profissional, pouco ou nada tem a ver com o blog; tal como não pretendo que os meus "clientes" vejam o blog, não quero que os fregueses do blog saibam o que raio faço eu na vida).

Mas pronto, tou a fazer uma página e depois de ter andado a vasculhar tudo o que é CMS (Content Management System, coisas que ajudam a criar sites de forma mais ou menos automatizada, para quem não sabe) e programas que constroem sites de forma mais ou menos fácil, mais ou menos sofisticada, mais ou menos automática, decidi que o melhor mesmo era programá-lo eu do zero. Assim controlo o que o site faz e deixa de fazer e a forma como as coisas são apresentadas (e testo tudo o que faço no Google Chrome, que é, em princípio, igual ao Safari, no Firefox e no IE, que é para ter a certeza que a coisa faz o que deve fazer.

Para quem não sabe como se faz um site, aqui fica a ideia geral:
1. Primeiro constrói-se a base de dados em MySQL. Nesta base de dados estarão todos os artigos, notícias, categorias e demais itens que serão o conteúdo do site propriamente dito. Cada registo terá um número identificador, um nome, uma descrição e mais uns quantos atributos que dependem do que se quer fazer com ele.
2. Depois desenha-se a página usando CSS e usa-se uma página HTML como exemplo para ver o aspecto da coisa.
3. Depois faz-se o código em PHP que pega nos dados relevantes da base de dados e constrói as várias páginas.
4. Finalmente povoa-se a base de dados com o que interessa pôr no site e começa a fase de criação dos conteúdos.

Ah, claro, e assim que a coisa está pronta ou perto disso lembramo-nos que falta uma coisa e temos de voltar ao passo 1 e começar a fazer alterações.

Depois de uns 3 ou 4 dias de volta disto, o passo 1 já está concluído, o passo 2 também (a menos de um problema com o IE que ainda está por resolver), o passo 3 também (falta testá-lo a ver se funciona sempre como o esperado) e vou começar o passo 4 (o mais aborrecido de todos).

Claro que me lembrei agora de uma coisa importante: falta-me um atributo na base de dados que indique se um determinado registo está visível ou não. É que pode apetecer eliminar um item sem o eliminar de facto, mas marcá-lo como invisível. Continua na base de dados (e pode voltar a ser usado no futuro) mas não se vê.

Pièce de resistence: eu sei muito pouco de MySQL, menos ainda de PHP e quase nada de CSS. Ou seja, isto está a ser uma grande aventura, lá isso tá. É um milagre que a coisa funcione!!! Mas funciona! E em dois idiomas!!! Lista categoria, sub-categorias e artigos, mostra os conteúdos de cada um, tem botoezinhos para navegar para o registo anterior/seguinte, tem um rodapé e indica na parte de cima da página em que zona do site estamos e tudo! Não tá muito bonito, mas a seu tempo o design será melhorado (volta e meia contrato uma designer de comunicação que me ajuda com essas coisas e geralmente não cobra cachet).

E o que tem isto a ver com escalfetas? Nada! Mas a verdade é que ando há uma semana para escrever sobre escalfetas e por causa disto não tive tempo nem me ocorreu nada de jeito para dizer. Mas queria dizer-vos que não me esqueci de vós e que o post sobre as escalfetas está na calha! Pode parecer que não ligo nenhuma ao blog, mas isso não é verdade. Às vezes distraio-me e passo uns dias sem aparecer cá, mas depois passa.

12 novembro 2008

Os animais são nossos amigos!

E ensinam-nos coisas muito giras. Por exemplo,ensinam-nos a reciclar, poupar energia, ou produzir menos poluição.

(obrigado Margot)

Tequilla is a girl's best friend

Foi a primeira coisa que me passou pela cabeça quando li esta notícia. Depois fui ao supermercado, comprei duas ou três garrafas de tequilla e comecei a fazer experiências. Se resultar, aviso-vos.

(obrigado pelo link, Pedro)

11 novembro 2008

Aquecimento global

Por cá as consequências do aquecimento global podem ser gravíssimas. Se o nível do mar subir a nossa faixa litoral pode ficar descaracterizada. As praias podem desaparecer e uma quantidade significativa de pessoas pode ter de mudar de casa.

Além disso, a alteração do clima pode afectar a nossa já fraca agricultura. Já para não falar no facto do turismo, 11% da nossa economia, poder ser seriamente afectado por alterações ao ritmo normal das estações do ano.

Mas... bem pior estão estes gajos!!! Ao menos nós, por mais que suba o nível do mar, continuamos a ter país...

Árbitros

Domingo houve um Sporting-Porto. O Sporting fez uma grande primeira parte mas só marcou um golo, o Porto equilibrou o jogo na segunda parte e Hulk marcou um golo extraordinário, no fin ganhou o Porto em penalties.

E, como não podia deixar de ser, num jogo destes há sempre quem se queixe dos árbitros. Eu vi a primeira parte toda, vi um bocado da segunda parte e bocados do prolongamento. E vi os lances polémicos nos resumos. E acho que a arbitragem foi fraca, mas com os prejuízos repartidos por ambas as equipas. Ninguém pode dizer que foi roubado sem esquecer outros lances em que foi beneficiado. Se houve algum excesso na expulsão de Caneira (embora se aceite o critério, amarelo para cada um pela picardia) a verdade é que ficou por marcar penalty sobre Hulk no mesmo lance; se houve um penalti por assinalar contra o Porto por mão, a verdade é que Liedson devia ter sido expulso por entrada "a matar" sobre Bruno Alves. Bruno Alves que até deveria ter sido expulso por entrada muito violenta sobre Moutinho ainda na primeira parte. E houve mais uns quantos lances em que os critérios, se fossem mais apertados, fariam com que o jogo nem sequer acabasse, por ficarem as equipas reduzidas a 6 jogadores.

No fim de contas, quem tem razões de queixa? Os espectadores, que viram mais uma batalha campal que um jogo de futebol, e os restantes clubes que vão ver grande parte destes lances passar impunes sem as respectivas penalizações.

Quanto ao Sporting, só tem razões de queixa de si próprio, fez uma segunda parte miserável e deixou o Porto empatar, quando teve oportunidades suficientes para chegar ao intervalo a ganhar por 3 golos ou mais.

E o Porto, se tem razões de queixa, é do seu treinador, que pôs em campo uma equipa muito fraca na primeira parte e se foi para o intervalo ainda com hipóteses de dar a volta só tem a agradecer ao desperdício de oportunidades pelos avançados do Sporting.

10 novembro 2008

Raios partam os horários...

Quinta-feira passada não pude ver o Benfica, porque tinha treino de badminton. Menos mal porque perdemos. Hoje o Benfica joga para a Taça e volto a não pode ver o jogo: tenho treino de badminton. Raios partam os horários dos jogos do Benfica, pá!

PS: apesar de injusto pelo que fizeram na primeira parte e pelos erros de arbitragem que os prejudicaram, sabe sempre bem ver o Sporting perder. Só é pena que tivesse de ser contra o Porto, preferia que ficassem os tripeiros pelo caminho. Mas pronto, a vida é injusta...

07 novembro 2008

Levar pancada

Ontem estive umas duas horas a levar pancada no badminton. Fartei-me de correr e, aparentemente, chegava sempre atrasado ao volante.

Bom, antes assim. Ter passado o serão a levar pancada no badminton impediu-me de ficar em casa a ver o Benfica levar pancada dos turcos.

Moral da história: há sempre alguma coisa boa em cada história. É preciso saber procurá-la.

05 novembro 2008

Camisolas, casacos, gabardines e sobretudos

O tempo de frio e chuva chegou. Podia dizer-se que é o Inverno, mas tecnicamente esse só começa daqui a mais ou menos mês e meio. Com o tempo de frio e chuva muda o estilo de roupa que as pessoas vestem e mudam também os adereços. Passa-se a usar camisolas de lã e casacos compridos, leva-se o guarda-chuva. Ao passo que no Verão qualquer T-shirt nos serve e o casaco fica guardado no roupeiro.

Esta mudança na roupa tem outras consequências, além da óbvia questão do isolamento térmico. Sobretudo ao nível da logística. Não tanto a logística de cada um, decidindo o que quer vestir ou onde pendurar tantos casacos lá em casa que ficaram guardados num qualquer recanto quasi-inacessível durante o Verão, mas logística num sentido mais amplo: nos transportes públicos.

O facto de toda a gente levar camisolas quentes e casacos faz com que todas as pessoas ocupem muito mais espaço no Inverno que no Verão. E isso, numa rede de transportes já sobrelotada, é bastante incomodativo. Os comboios que no Verão estão apinhados de gente no Inverno acomodam pessoas que, não sendo em maior número, ocupam ainda mais espaço e vão balouçando ao ritmo do amortecimento produzido por tais agasalhos. Numa carruagem de comboio em pleno Inverno estamos comprimidos contra o vizinho do lado, a nossa camisola grossa de lã contra o seu sobretudo. O mesmo se passa nos autocarros, no metro, em todo o lado onde as pessoas se juntam em grandes números sem ser por razões sociais.

É desagradável o aperto acrescido quando chega o tempo do frio e da chuva. Por isso eu acho que o preço dos transportes públicos devia aumentar durante o Outono e Inverno. Para ver se a coisa alivia um bocado. Se aumenta o preço diminui a procura, fica mais espaço livre! Mas não pensem que eu acho que a solução seria o pessoal ir de carro em vez de usar os transportes públicos, claro que não! Isso é que era bonito, toda a gente a ir de carro!!! Já bem chegam os engarrafamentos extra porque em dia de chuva aparecem sempre pessoas que se esquecem que os travões perdem eficácia. Também defendo um aumento do preço dos combustíveis! Quem quer ir trabalhar, porque vai incomodar os outros nos transportes, tem de pagar mais por isso. Se não quer pagar, não vá trabalhar, que o objectivo é mesmo esse! Menos gente a sair de casa, logo mais espaço para cada um!

O mesmo devia acontecer nos restaurantes. Enquanto que no Verão podemos andar entre as mesas livremente, no Inverno é impossível levantarmo-nos para ir à casa de banho sem arrastar pelo caminho duas gabardines, três casacos e um guarda-chuva. Olhamos para o espaço entre as cadeiras e constatamos que está totalmente ocupado por roupa, não deixando qualquer espaço vazio. Os restaurantes deviam aumentar o espaço entre mesas no Inverno, para permitir às pessoas circular, e para isso deviam reduzir o número de mesas. Ora a única forma de fazer isso sem provocar escassez de lugares seria aumentar os preços, eu diria uns 20%, e com isso incentivar mais pessoas a trazer farnel de casa, para mais quando este aumento seria complementado com aumentos generalizados nos transportes públicos e combustíveis.

Eu não gosto do Inverno. Tá frio e aborrece. Apetece ficar quentinho na cama de manhã. Por isso gosto muito da minha nova actividade profissional. Isto de trabalhar por conta própria tem as suas vantagens. Uma delas é poder começar a trabalhar mais tarde, se me apetecer, que o chefe não se importa. E escuso de apanhar o comboio na hora de ponta (que não apanharia de qualquer forma, porque ando de carro).

04 novembro 2008

Boas ideias

Boas ideias são difíceis de encontrar. Por isso, quando se vê uma, convém dar-lhe o destaque devido. Esta ideia é tão boa, tão boa, que merece um post no Ó faxavor!

Os CTT convidam toda a gente a ser Pai Natal: de uma lista de instituições e respectivas necessidades, cada um escolhe o que quer oferecer para este Natal, vai aos correios e entrega. A distribuição é gratuita e os CTT tratam de tudo, nem precisamos saber a morada da instituição. Sem morada nem código postal, chega ao sítio. Ah, e quem não quiser oferecer coisas, por não saber o que pode oferecer, os donativos também podem ser em dinheiro, nos balcões dos CTT ou nas lojas PayShop.

Sigam o link!

Voltei

Ah, sim, já voltei de lá, o tal sítio onde fui fazer não sei o quê. E não nevou, pelo menos não no centro da cidade. Nos arredores parece que sim e nas montanhas também.

Eleições

Hoje vamos a votos. Bom, não vamos, mas devíamos! Hoje elege-se o presidente dos EUA e o resultado significa a diferença entre a vida e a morte para muita gente. Por isso nós também devíamos votar.

Infelizmente os gajos não vão nisso (se fossem, o Obama ganhava com 800% dos votos), por isso resta-nos acompanhar as notícias e viver com o resultado.

A propósito, a avó do Obama morreu ontem. Ele já tinha interrompido a campanha para a visitar e ontem a senhora morreu vítima de cancro. Pronto, já tinha 86 anos, não era propriamente uma jovem com a vida toda pela frente, mas é sempre chato.

Claro que no que a coisas chatas diz respeito, havendo eleições hoje, é capaz de ser das coisas chatas que melhor servem os interesses de Obama: toda a gente sabe que o pity factor contribui decisivamente para as intenções de voto de última hora, é capaz de haver um boost de votos no coitadinho do neto que perdeu a avó.

Imagino as reacções na sede de campanha de Barack Obama:

Alguém próximo de Obama: Amigos, tenho uma triste notícia. Faleceu a avó do Barack.
Gajo do marketing eleitoral: Mas, isso é excelente!!! Bora já fazer uma sondagem relâmpago para tentarmos perceber o efeito "dead grandma" nas intenções de voto dos indecisos!
Director de campanha: para quê, pá? Se já estava ganho, mais ganho ficou!!! De facto, esta é a melhor notícia que podíamos receber hoje!
Fulano do staff em surdina: Errrr... o Barack está mesmo atrás de ti!
Director de Campanha e gajo do marketing eleitoral, em coro: Senhor Senador, os nossos sentidos pêsames. Esta triste notícia deixou-nos arrasados. Não imaginamos o que estará a sentir neste momento.
Obama: Sim, sim, vão-se foder os dois. Quando for eleito estão despedidos e desterro-vos para um qualquer city hall de 3ª no Alaska. Para fazerem companhia à Palin.

Mais tarde, quando está apenas na companhia da mulher:
Obama: bem, a velha não podia ter escolhido melhor altura para bater a bota, já viste?
Mulher do Obama: sim, a gaja já não andava cá a fazer nada. Mas pelo sim, pelo não, quando fores eleito manda fazer-lhe uma estátua, ou baptiza uma rua em homenagem a ela, ou assim.
Obama: sim, claro! Eu não podia com ela, mas se calhar ela deu-me a presidência. É para compensar as prendas de Natal que se esqueceu...

29 outubro 2008

Teclados...

Tou num sítio em que os teclados sao nao standard. Por causa disso nao tenho til, nem acento circunflexo. Vá lá, tenho os acentos grave e agudo, já nao é mau... Ah e tenho uma tecla para este símbolo: ß. Nao me serve de muito, mas está cá, caso seja preciso.

Parte chata: o teclado tem o Y trocado com o Z e isso às veyes dá chatices. Enfim, ayar...


PS: está frio e a chover. Preve-se neve para amanha.

28 outubro 2008

Antes de ir...

Uma pessoa preconceituosa é aquela que julga os outros sem quaisquer factos ou argumentos que fundamentem a sua opinião. Julga sem conhecer, julgando que conhece e toma o todo pela parte.

É opinião mais ou menos generalizada que as pessoas preconceituosas são intolerantes. Aliás, isto é quase uma tautologia. Se uma pessoa forma juizos precipitados será naturalemente intolerante em relação a quaisquer pessoas que se enquadrem num grupo que o próprio discrimina.

Mas... não será esta ideia ela própria um preconceito? Afinal, julgar que todas as pessoas preconceituosas são intolerantes é em si própria uma conclusão precipitada sobre as pessoas preconceituosas, não havendo factos que suportem a conclusão geral e está-se a tomar o todo pela parte!

E sendo um preconceito, à luz desse preconceito não serão as pessoas que julgam que os preconceituosos são intolerantes elas próprias intolerantes?

Devo dizer que depois de umas quantas cervejas comecei a pensar nesta e noutras questões, num dia em que tinha pouco que fazer, e a única conclusão a que cheguei é que precisava de mais cerveja. Depois de mais umas quantas descobri a solução para o problema, mas já não me lembro a que conclusões cheguei.

É o eterno paradoxo do álcool: quando bebo muito consigo descobrir coisas maravilhosas, mas quando o efeito passa esqueço-me delas. Por outro lado, se beber mas não o suficiente para me esquecer, continuo na mesma como estava antes, só que bêbado.

Pronto, vou fazer a mala e vou-me embora.
Até para a semana.

Até já

Eu sei que tenho andado um bocado desaparecido. Acontece, pá. Muito que fazer, e poucos assuntos de que me apeteça falar. Só se ouve falar na crise internacional e agora também o orçamento de estado e sinceramente não tenho pachorra.

Já agora, desculpem lá o mau jeito, mas vão ficar mais uns dias sem ouvir falar de mim. Vou "ali" e já venho (sexta-feira).

Eu nem era para dizer nada...

Até tenho andado a evitar falar de bola, mas... viram os resultados deste fim de semana? Já olharam bem para a classificação? Os líderes do campeonato são o Nacional da Madeira (!!) e o Leixões (!!!!!!!!) com 13 pontos em 6 jogos?! Em apenas 6 jornadas o Benfica já perdeu 6 pontos, o Porto perdeu 7 e o Sporting 8!

Este ano vai ser divertido, lá isso vai...

20 outubro 2008

Tempo de vacas magras

Em tempo de vacas magras um gajo fica feliz por ganhar em casa a uma equipa da II Divisão B. Mesmo que seja nos penalties. São estas pequenas ironias que dão tempero aos dias mais cinzentos...

E por falar em dias cinzentos: no sábado saí de casa uns 10 minutos depois de começar a tromba de água e nem queria acreditar no que estava a ver. Passei por 4 ou 5 sítios em que fiquei com água pela matrícula! Tava a ver que era desta que Sete Rios ficava com água ao nível do viaduto do Eixo N-S...

17 outubro 2008

Contradição

Diz o Público: Quem mais sabe sobre sexo, mais tarde inicia as relações . O que vem contrariar um pouco a ideia que sexo é bom, não vem?

Nova época

Depois de 2 meses e meio de paragem, por causa das férias, voltei ao badminton. Está a ser doloroso... já tava com os bofes de fora logo no aquecimento e a coisa não melhorou muito depois disso... ah, sim, e continuo sem grande jeito para acertar no volante, mas até seria de estranhar que tivesse.

Deus não existe

e eu posso prová-lo!

Se Deus existisse, o autor deste processo judicial tinha sido fulminado por um raio em pleno tribunal.

E mesmo que Deus achasse que um raio no meio de um tribunal dava demasiado nas vistas, o juiz não teria sido obrigado a inventar uma qualquer desculpa legal, tinha pegado numa espada flamejante e resolvia o problema à antiga.

15 outubro 2008

Buraco negro

Há uma anedota que reza assim:

"Dois homens e uma freira sobrevivem a um naufrágio. Descobrem uma ilha deserta e lá vão vivendo. Passado um ano, envergonhada com a vida que levava, a freira suicida-se. Passado mais um ano, envergonhados com a vida que levavam, os homens resolvem enterrar a freira. Passado outro ano, envergonhados com a vida que levavam, resolvem desenterrá-la".

Bom, parece que vamos assistir a um remake desta anedota: "Há uns anos Pedro Santana Lopes decidiu candidatar-se à Câmara de Lisboa. Passado um ano, envergonhado com a vida que levava, saiu para ir para o Governo. Passados 6 meses, envergonhados com a vida que levaram, os portugueses tiram-no de lá. Passados 3 anos, envergonhado com a vida que levava, PSL resolve recandidatar-se".

O cenário para as próximas autárquicas é mau de qualquer das formas. Se PSL perde demite-se de todos os cargos políticos, ofendido com os eleitores, amua durante 3 meses e depois volta a líder parlamentar do PSD e ainda se recandidata a líder do partido (outra vez). E lá temos nós de aturar as birras do menino (o menino guerreiro, lembram-se?), e ouvi-lo nos noticiários a toda a hora. Se PSL ganha o melhor que toda a gente tem a fazer é mudar-se para Oeiras, Vila Franca ou Almada, porque tá-me a parece que não demora nem 2 anos até nascerem 3 ou 4 projectos essenciais para a cidade de Lisboa: (1) pôr a segunda circular toda em túnel desde o aeroporto até Pina Manique; (2) substituir a ponte 25 de Abril por um túnel Alcântara-Almada; (3) fazer um túnel através de Monsanto, desde o nó da CRIL até às Amoreiras para retirar a A5 do parque e (4) pôr o aeroporto todo debaixo de terra, com os aviões a entrarem no sub-solo ao pé dé dos Jerónimos e a fazerem o percurso através da cidade todo em túnel.

13 outubro 2008

Eleições EUA

Tá tudo à espera que os americanos vão a votos para decidir se o próximo presidente dos EUA é o Obama ou o McCain (que não é, tanto quanto se sabe, familiar da Maddie).

Claro que é uma expectativa moderada, já que a eleição do presidente americano tem efeitos sobre a nossa vida mas apenas de forma indirecta (já se fôssemos cidadãos do Iraque, Irão ou outro país invadido ou prestes a sê-lo, a situação seria muito diferente). Mas isso não é verdade para todos: o Banco BEST criou um produto financeiro sui generis: o depósito a prazo Obama-McCain, em que o depositante aposta no candidato que acha ter mais hipóteses de ganhar as eleições nos EUA. Se acertar, o depósito rende 8% (TANB); se errar, o depósito só rende 2% (TANB).

A parte curiosa é o disclaimer no fim que começa por dizer que "o Banco Best não se responsabiliza por eventuais anomalias nas Eleições de 2008 para a Presidência dos EUA". Pois claro, já está toda a gente de pé atrás com eleições naquele país, dono de uma democracia tão frágil...

(obrigado Gonçalo)

09 outubro 2008

Espanto!

Acabei de ouvir na televisão: a propósito do Suécia-Portugal, Zlatan Ibrahimovic, reconhecido como o melhor jogador sueco, afirma-se um admirador de José Mourinho. É de admirar, sobretudo porque Ibrahimovic é treinado por... José Mourinho! Que espanto, pá, nem consigo disfarçar a minha surpresa por tais declarações, tão inesperadas!

Expectativa...

Depois dos campeonatos do mundo de atletismo de 2003 e dos jogos olímpicos de 2004 em que se veio a descobrir substâncias dopantes à posteriori, desta vez a coisa pia mais fino: as amostras são guardadas e podem ser re-analisadas quando se descobrir um novo agente dopante indetectável na altura.

No final dos anos 90 e até se tornar conhecida pelas agências anti-doping a droga da moda era a THG (Tetrahidrogestrinona), sobretudo em modalidades de sprint, que requerem poder de explosão e grande massa muscular.

Já no ciclismo ou noutras modalidades de endurance, há muito que se conhece a preferência pela EPO (Eritropoitina), que premite aumentar os números de glóbulos vermelhos e consequentemente a oxigenação dos músculos.

Agora a droga da moda é uma coisa chamada CERA (Continuous erythropoitin receptor activator), também referida como EPO de terceira geração. Permite efeitos mais prolongados e é menos susceptível de detecção.

Menos susceptível, mas não impossível: houve 3 análises positivas no Tour deste ano e agora o COI vai re-analisar 5000 amostras recolhidas durante os Jogos Olímpicos. Fico à espera dos resultados com muita, mas mesmo muita curiosidade...

08 outubro 2008

Google Chrome

O Google fez um browser. Chama-se Google Chrome e por enquanto é beta. Ainda não sei se é uma boa ideia ou não. Vou usá-lo, depois decido.

Uma coisa parece certa: a guerra pela supremacia no fornecimento de serviços Internet entre a Microsoft e a Apple ganhou uma nova frente de batalha.

Página do Google Chrome.

Perguntas sem resposta

Quem é que se lembrou de chamar às misturas de bebidas, alcoólicas e não alcoólicas, Cocktail, que traduzido literalmente quer dizer "rabo de pila"? Que raio de expressão é essa?

07 outubro 2008

Olhos nos olhos

Mulheres sauditas só devem mostrar um olho.

Eu até consigo perceber a motivação por detrás da regra do "olho único": quando um gajo quer esbofetear uma gaja (o que, obviamente, ela fez por merecer), se ela tiver um olho tapado não consegue avaliar bem as distâncias e isso limita a sua capacidade de se esquivar.

Satisfação pessoal

Há já algum tempo que isto não acontecia: o prémio Nobel da Física foi atribuido pela descoberta de uma coisa de que eu até percebo um bocadinho! É só um bocadinho muito pequeno, mas já não acontecia desde 1999 (supostamente eu deveria perceber um bocadinho do assunto premiado em 2004, mas era a última parte da cadeira, já não percebi nada daquilo).


Nota: perceber um bocadinho quer dizer que fiz uma cadeira sobre o assunto, fiz um ou outro exercício sobre isso e passei à cadeira; não quer dizer que tenha gostado nem sequer que consiga explicar o assunto a outros. Se têm curiosidade, perguntem a um físico de partículas teórico. Eu só fiz duas cadeiras disso e não gostei particularmente de nenhuma.

Ironias do destino...

O Magalhães é a nova grande aposta de José Sócrates. Todos os anos tem uma. Uma empresa pioneira, um projecto tecnológico, o choque tecnológico todos os anos tem uma nova coqueluche.

Este ano é o Magalhães, o tal "computador português". Uso aspas porque o Magalhães é apenas um projecto da Intel em dezenas de países, um dos quais Portugal, e o nome é escolhido localmente por questões de marketing. O mesmo produto tem outros nomes noutros países.

Mas não venho cá para discutir os méritos, ou falta deles, do projecto Magalhães. Independentemente da euforia governamental, é um bom projecto (embora não excepcional) e irá permitir aos mais pequenos um contacto mais precoce com a informática (coisa de que necessitamos bastante, a iliteracia informática em Portugal é gritante).

Outra das bandeiras do governo Sócrates é o combate à evasão e fraude fiscal. Desde há uns anos que os controlos do fisco e segurança social têm apertado, o encaixe fiscal tem aumentado em parte graças e esse maior controlo e o governo, desde que tomou posse, declarou guerra à economia paralela. E nem se tem safado mal, as medidas têm dado resultados. Bons resultados, mesmo que não sejam excepcionais.

A ironia do destino é o facto de a JP Sá Couto, empresa que irá produzir o Magalhães, ser arguida num processo de fraude e evasão fiscal.

Ó senhor Primeiro-Ministro: há dias em que um gajo mais valia não ter saído da cama, pá!

06 outubro 2008

Beu-beu-beu

Se acharem que a ideia de acordar de manhã com lambidelas peganhentas na cara é interessante, então talvez vos interesse isto:

"Somos 10 Labradores Retriever puros que queremos arranjar uma casa onde nos encham de miminhos. Nascemos no dia 21 de Agosto e a nossa mãe diz que podemos sair de casa a partir de 15 de Outubro. Somos 7 machos (3 pretos e 4 brancos) e 3 fêmeas (1 preta e 2 brancas) como podem verificar nas fotos em anexo. Se gostarem de cães e quiserem ter o privilégio de ser nossos donos liguem para Isabel - 9XXXXXXXX para combinar os detalhes, se não gostarem ou não puderem ficar conosco, mandem este e-mail para todos os vossos amigos e ajudem-nos a arranjar uma caminha fofinha......"

As fotos referidas são esta e esta.

Nota: o número de telefone foi ocultado para proteger a privacidade da autora da mensagem. Se alguém estiver interessado, mandem-me um mail (link no canto superior direito da página) e eu dou-vos o contacto.

Nota 2: os cães não são para vender, são para dar.

Nota 3: não tenho terraço; se tivesse já não eram 10 cães, eram só 9. Ou talvez 8 (uma fêmea branca e um macho preto, era o ideal para mim). Mas num apartamento não dá mesmo jeito nenhum, os bichos gostam de correr.


Actualização: esta informação já tem um mês de idade. Provavelmente já está obsoleta, por isso não irei responder a mais mails de interessados nos cachorros (que provavelmente já terão sido todos entregues aos novos donos)

03 outubro 2008

Perseguições

Mário Machado, líder dos Hammerskins, mostrou-se indignado com as penas de prisão efectiva a que ele e alguns outros membros do grupo foram sentenciados e disse que o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, persegue os nacionalistas.

Eh pá, não me querendo meter muito ao barulho, até porque os meus dentes podem não ser bonitos mas são os únicos que tenho e prezo-os bastante, mas não vejo aí grande problema. O MAI persegue os nacionalistas, que por sua vez perseguem os imigrantes que por sua perseguem... bom, na verdade os imigrantes não perseguem ninguém. Para se concluir o círculo era preciso que os imigrantes por sua vez perseguissem o MAI, mas não vejo grandes riscos de isso vir a acontecer.

Mário Machado foi condenado pelos crimes de "ameaça, coacção agravada, detenção de arma ilegal, dano, ofensa à integridade física qualificada e discriminação racial". E admira-se que lhe tenha sido ordenada uma pena de prisão efectiva. Diz ele que "quem merecia estar na prisão eram os ciganos e os pretos que andam aos tiros". Pois, tadito do rapaz... até é bom moço, de boas famílias, educado. Pronto, gosta de bater em pretos de vez em quando, qual é o mal?

30 setembro 2008

Ainda os combustíveis...

Segundo a Autoridade da Concorrência, noticia o Público, o gasóleo subiu 28% no segundo trimestre de 2008, e a gasolina subiu 8%, face a igual período de 2007.

No mesmo período, o preço do petróleo (em euros) subiu 54,8%. Dá que pensar, não dá?

O preço do gasóleo mantém-se 1,7% abaixo da média europeia, ao passo que o da gasolina está 4,25 acima da média (média dos 27 estados-membros da União). Se no caso da gasolina, estar uns pontos acima da média é algo com que nos devemos preocupar, embora a diferença para a média não seja muito grande, no caso do gasóleo continuo sem perceber como é que afinal o nosso gasóleo está "entre os mais caros da Europa".

O preço à saída das refinarias subiu 19,7% no caso da gasolina sem chumbo 95 e 62,2% no caso do gasóleo. Novamente, comparando com as subidas dos preços finais, há aqui alguma disparidade que convinha explicar.

Gostava que o senhor camionista que me veio insultar a propósito das minhas conclusões sobre o artigo publicado na Visão da semana passada (post de 25 de Setembro), viesse com a sua sapiência e longa experiência de vida, explicar esta aparente contradição.

Nota 2: o que diz o Público não é lei, e cada vez dou menos crédito às notícias publicadas no site, sobretudo quando se trata de analisar números; de igual modo, não considero que a AdC goze de particular credibilidade. Contudo, números são números. Se os números estão correctos, queria mesmo que alguém conseguisse explicar tamanha discrepância entre o que pensa o comum dos tugas e os factos; se os números estão errados gostaria que me indicassem uma fonte segura para poder confirmar os dados correctos.

Entendam-se, pá! - parte II

Afinal o plano Bush foi aprovado ou não foi aprovado?

Diz o Público, em notícia publicada ontem às 15h19: Nova Iorque reage em forte queda ao plano Bush.

Mas já a notícia publicada ontem às 22h08 dizia: Bolsa de Nova Iorque afunda-se com rejeição do plano Paulson. (Nota: Paulson é o Secretário do Tesouro da administração Bush)

Seria bom que o Público verificasse as suas histórias antes de as publicar, não? Eu andei ontem umas horas (até o André me mandar outra notícia que diz que o plano chumbou; curiosamente uns minutos depois o Queiró escreve um comentário com o endereço da mesma notícia; obviamente, não era no site do Público) a tentar perceber como raio cai a bolsa após a aprovação dos 700 mil milhões de dólares que iriam salvar a banca...

29 setembro 2008

Entendam-se, pá!

Os bancos abrem falência, as bolsas caem.
O Presidente americano anuncia um plano de recuperação, as bolsas crescem.
O Congresso aprova o pacote de medidas, as bolsas caem outra vez.

Não há quem entenda estes gajos da bolsa...

Aconteceu o pior...

Aconteceu o que eu temia: logo este ano que nem estou a ligar nada ao futebol, recebemos o Sporting à 4ª jornada e ganhamos 2-0. Que autoridade moral tenho eu agora para vir gozar com a lagartada? (só vi bocados da segunda parte, mas pelo menos vi o que mais importava: os dois GOLAÇOS!!!)

25 setembro 2008

Et tu, Brute?*

*"Também tu, Brutus?", para quem não sabe latim (dispenso comentários a corrigir a sintaxe, gramática ou ortografia da frase, se tiverem queixas dirijam-nas directamente à Wikipedia)



Já se sabe que a comunicação social deixa algo a desejar; ponho a frase assim porque sou bonzinho, porque se quisesse ser mauzinho diria que a única coisa que preocupa os órgãos de comunicação social é o aumento das tiragens/audiências e as receitas de publicidade que daí advêm, sem qualquer tipo de preocupação por coisas tão comezinhas como verdade/honestidade/factos/fundamento/etc.

Mas... também a Visão?

No número desta semana o assunto de capa da Visão é o sobe e desce dos combustíveis (nem de propósito ainda ontem/hoje de manhã - riscar o que não interessa, tou demasiado preguiçoso para ver a data do post que eu próprio escrevi e acontece tanta coisa ao longo do dia que os dias confundem-se e já nem me lembro do que comi ao almoço; por acaso até me lembro, foi chili com carne, mas isso agora nem vem ao caso. Errr... onde é que eu ia? É melhor fechar este parêntesis e voltar ao princípio.)

No número desta semana o assunto de capa da Visão é o sobe e desce dos combustíveis e a sua correlação, ou ausência dela, com o sobe e desce da cotação do crude (aproveito para abrir mais um parêntesis: tou a ripar uns DVDs para copiar para um amigo meu fazer cópias de segurança e como estão protegidos por copyright o Nero é maricas e não os copia; vai daí tive de usar o DVD Decrypter, que usa um sinal sonoro para indicar que a sua missão de crackar o DVD está concluída; mas em vez dos habituais sinais sonoros que se ouvem no Windows, com uma ou duas notas, o DVD Decrypter usa uma música que faz lembrar os luaus do Hawaii; tem uma certa piada; a propósito, o DVD Decrypter é, para os devidos efeitos, ilegal, embora o uso que lhe dou não o seja... eventualmente... bom, mas é ilegal e já não existe, o desenvolvimento parou e já não se encontra disponível; por isso, eu nego que tenha o DVD Decrypter no meu computador. DVD Decrypter? Quem é que falou em DVD Decrypter? Não faço ideia do que isso seja... bolas, perdi-me outra vez. Vamos começar lá do princípio outra vez que isto hoje está a correr mal).

No número desta semana o assunto de capa da Visão é o sobe e desce dos combustíveis e a sua correlação, ou ausência dela, com o sobe e desce da cotação do crude. A reportagem começa na página 52 se alguém estiver interessado.

Independentemente das razões que assistem ao jornalista, que decerto as terá, na página 56 está um quadro comparativo dos preços do gasóleo e gasolina, aumentos verificados este ano e respectivas cargas fiscais, em 15 estados membros da EU (os que já pertenciam à União antes do alargamento de 2004). O título é: "Caros, mas a subir menos que os outros". E lê-se no texto que acompanha o quadro que "Portugal continua a ser um dos países europeus onde os combustíveis são mais caros - e o peso dos impostos maior." E continua dizendo "Mas tem sido um dos estados-membros da UE onde os preços registaram menor variação desde Janeiro." Presumo que ambas as frases se refiram aos países da UE15, que são os que constam do quadro, e que a referência a "países europeus" e posteriormente a "estados membros da UE", sem especificar quais, sejam abusos de linguagem sem grande relevância. Portanto, considero que a informação, tal como o quadro, se refere aos países da UE15, como deve ser. Se o texto acompanha o quadro as conclusões para que aponta devem ser as que estão fundamentadas pela informação apresentada.

Diz a Visão, e o quadro está lá para confirmar, que somos um dos países onde os combustíveis são mais caros e a carga fiscal é maior. Não fiquei admirado, e olhei para o quadro para ver até que ponto o cenário era o esperado. E fiquei espantado. Não por ser assim tão grande a diferença, por termos combustíveis tão caros que dão vontade de emigrar ou porque os nossos impostos sejam tão elevados que dá vontade de gritar "CHULOS!" e outros impropérios dirigidos ao Governo ali no meio da rua. Não. Fiquei espantado porque a frase está completamente... ao contrário em relação aos dados! Na Visão!? Não pode ser... mas é.

É que:
- Na gasolina temos o 5º preço mais elevado; a Bélgica e Itália têm em relação a nós diferenças de apenas 0,6 e 0,2 cêntimos por litro, o que é quase nada. Ou seja, há 8 estados membros com preço inferior ao nosso em pelo menos 1 cêntimo/litro, 4 em que é mais caro e 2 em que o preço é sensivelmente o mesmo; Ok, somos um dos países com gasolina mais cara nesta comparação, mas nem é nada de extraordinário, estamos ligeiramente abaixo de meio da tabela.
- Na carga fiscal, a nossa é muito elevada: 57% na gasolina. Mas 6 estados-membros têm impostos mais elevados, 2 têm precisamente a mesma carga fiscal que nós e outros 6 têm carga fical inferior; estando precisamente a meio da tabela, dificilmente concordo que somos um dos estados-membros onde "a carga fiscal é maior".
- No gasóleo a coisa até me deixou pálido! Há 10 países na lista com gasóleo mais CARO e apenas 4 com o gasóleo mais barato que o nosso: Bélgica, Espanha, Grécia e Luxemburgo. Dizer que temos dos gasóleos mais caros é, objectivamente, falso.
- Quanto à carga fiscal do gasóleo, a nossa é de 44%. Mais baixa que em 8 dos 15 países referidos e mais alta que em 6 outros. Sendo que em 2 desses 6 a carga fiscal no gasóleo é de 43%, apenas 1 ponto abaixo da nossa, até se pode dizer que temos uma carga fiscal razoável a tender para o baixo, em comparação com a UE15.

O texto só concorda com os dados na questão dos aumentos: quer no gasóleo, quer na gasolina somos o 3º dos 15 com aumentos menores este ano.

Independentemente das razões que motivaram a reportagem, independentemente da discrepância observada entre a cotação do crude e os preços praticados ao consumidor, que credibilidade pode ter um jornalista que diz que temos dos combustíveis mais caros perante aqueles dados?

Por isso, olhei com olhos de ver, olhos desapaixonados, apesar do que me custa pagar quando atesto o carro, para o gráfico da página 55. Onde comparam a evolução da cotação do crude com os preços da gasolina e gasóleo desde 2004.

E diz o título: "Caminhos separados: Até 2007, a relação entre o preço do petróleo e o dos combustíveis esteve em sintonia. Com a escalada do crude tudo mudou, em desfavor do consumidor". E os factos dizem?...

Os factos dizem que desde 1 de Janeiro de 2004, dia da liberalização, o gasóleo subiu 85.03% e a gasolina subiu 53.26%. Mas o petróleo subiu... 283.06%!!! É a este "desfavor do consumidor" que se referem?

Continuo a olhar e noto que, tendo subidas e descidas mais ou menos sincronizadas, as flutuações do preço final estão suavizadas em relação ao crude. Quer na subida, quer na descida: sobre o petróleo 10% sobrem os combustíveis 5%; desde o petróleo 15% e descem os combustíveis 10%. Em 2007 uma alta do petróleo ao longo de 4 meses foi acompanhada, de forma amortecida, pelos combustíveis.

E em 2008? Bom, em 2008 a gasolina foi acompanhando a subida mas de forma muito discreta, subindo sempre metade ou menos do que subiu o petróleo e até descendo em Março quando o petróleo subia quase 10%. Já o gasóleo subiu, mas bastante menos que o petróleo, até Abril, em Abril e apesar da alta do petróleo (subiu uns 12 ou 13%) o gasóleo DESCEU mais de 10%, em Junho dá-se o fenómeno inverso e o petróleo sobre apenas 1% mas o gasóleo compensa com um disparo de 25% e no único, repito, no ÚNICO mês que pode servir de razão de queixa, Agosto, desce o petróleo 15%, desce o gasóleo 7.5% e desce a gasolina 3.5%.

Não percebo como é possível ver no gráfico (aconselho-vos a comprar a Visão e a ver com os vossos olhos) qualquer discrepância. Consigo, isso sim, é ver que o petróleo não é o único responsável pelos preços, sendo os seus aumentos/descidas responsáveis por metade do aumento/descida dos combustíveis. O que eu até agradeço. Prefiro ter subidas de 2, 3 ou mesmo 6, 7 cêntimos por litro e descidas da mesma magnitude que ter os preços a variar todos os dias com subidas e descidas de 10, 15 ou mesmo 20 cêntimos de cada vez.

Cada vez mais me convenço que apesar de não o parecer, tem razão a autoridade da concorrência: não há nada na política de preços das gasolineiras que sugira cartel. O que há é a sensação que os combustíveis só aumentam e nunca descem, muito alimentada também por uma comunicação social espalhafatosa, sensacionalista e desonesta.

Estimated Time of Arrival

Tempo de entrega de uma carta, em correio normal por via terrestre, para uma aldeia remota no Sudão: sei lá, talvez um mês?

Tempo de entrega de uma carta, em correio prioritário, por via aérea, para uma aldeia ainda mais remota no Nepal: p'raí uma semana, talvez menos.

Tempo de entrega de uma carta em correio azul para um estado-membro da União Europeia: 2 ou 3 dias.

Tempo de entrega de uma carta em correio azul em Portugal: 1 dia ou 2.

Tempo de entrega de uma carta por DHL ou outro transportador, usando o serviço urgente: até ao meio dia do dia seguinte.

Tempo de entrega de um postal dentro do Reino Unido: depende; em geral é só 1 ou 2 dias, mas pode demorar 79 anos. Acho que nunca mais me vou queixar dos CTT...


(obrigado Bruno)

Cotações e efeitos diferidos

Desde o início do ano que andamos a ouvir falar sobre a correlação (ou ausência dela) entre as cotações do barril de petróleo e o preço da gasolina ou gasóleo.

Já houve um estudo da Autoridade da Concorrência, artigos em todos os jornais, opiniões avulsas um pouco por todo o lado, argumentos da associação de revendedores, comunicados das petrolíferas.

O argumento vigente oficial é que quer para a subida, quer para a descida, uma alteração nas cotações reflecte-se no preço final após um determinado tempo, qualquer coisa em torno das duas semanas.

O que é bom! É bom porque eu não tenho jeito nenhum para adivinhar se amanhã o petróleo sobre ou desce. Mas tenho um certo jeito para dizer se subiu ou desceu há 2 semanas! (confesso que tenho ajuda) E tenho atestado o depósito ao sabor dessas notícias: quando o petróleo está a subir, vou enchendo o depósito assim que possível; faço uns 100 km e vou meter 10 euros; faço mais 100 km e volto a atestar; e assim vou vivendo, já que o gasóleo que não comprar hoje hei-de comprar daqui a umas semanas ou uns dias e já estará mais caro. Quando o petróleo está a descer espero, deixo o depósito chegar ao fim e atesto já a um preço mais baixo.

À conta disso ainda consigo poupar algum dinheiro, jogando com as cotações. Passei o fim da Primavera e início do Verão a meter gasóleo quase todas as semanas e de cada vez que ia à bomba o gasóleo estava mais caro. Depois passei o resto do Verão a atestar só quando está na reserva. A última vez que tinha atestado tinha sido a 1,36; esta semana fui atestar (1 dia depois de saber que a BP tinha baixado os preços e porque já tinha o carro a entrar na reserva) a 1,26. E ainda juntei mais 5 cêntimos por litro de desconto de um vale qualquer. Consegui atestar por 41 euros, o que já não acontecia há quase 1 ano!

Agora estou com um dilema: na sexta-feira passada o petróleo subiu de 90 para 126 dólares (em Nova Iorque) numa única sessão! São 36 dólares de aumento de uma vez. Já o Brent (o que nos interessa), recuperou para 100 dólares depois de ter estado a cotar a 85 há uma semana. O mais certo é que retorne à tendência de descida, mas nada é garantido (sabe-se lá se os americanos não decidem invadir o Irão!?). E aqui entra a minha dúvida: atesto outra vez ainda esta semana, ou deixo andar à espera de mais descidas, uma vez ultrapassado o choque a nacionalização da banca americana? Nos dias que correm um gajo tem de perceber de economia e de politica internacional para decidir coisas tão simples como quando atestar o carro...

24 setembro 2008

Notícias

Há, de certeza, notícias. Algumas serão mais interessantes, outras serão menos. Algumas merecerão uma referência, outras nem por isso. Mas indiscutivelmente acontecem coisas e aconteceram coisas hoje. Podia-se dizer muita coisa. E devia-se dizer alguma coisa. Podia, devia, mas não me apetece. Parece que hoje estou de greve (ou com falta de imaginação, riscar o que não interessa).

23 setembro 2008

Ó faxavor! É uma imperial e um pires de tremoços

O Ó Faxavor! É uma imperial e um pires de tremoços faz hoje 3 anos.

22 setembro 2008

Bola

Caso ainda não tenham reparado, já vamos quase no fim da terceira jornada, houve um jogo para as competições europeias e uma eliminatória da Taça da Liga e eu ainda não falei de futebol. Tirando a selecção, claro.

Mas não tirem conclusões precipitadas, é mesmo porque não tenho prestado atenção nenhuma ao campeonato (sobretudo desde que soube que o Benfica jogava com o Porto à 2ª jornada e com o Sporting à 4ª; foi aí que percebi que o interesse deste campeonato para mim ia-se prolongar, no máximo, p'raí até inícios de Outubro). Nem sequer foi por causa dos resultados.

(claro que, dependendo do resultado do próximo fim de semana, a coisa pode mudar consideravelmente)


PS: este post tem uma tag exactamente igual ao título; é um acontecimento raro e, portanto, digno de nota.

Parecia boa ideia...

A União Europeia é um bocado chata com essas coisas de direitos alfandegários. Há sempre quem ache que o interesse dos seus clientes sobrepõe-se a questões como taxas aduaneiras. E volta e meia consegue-se arranjar forma de contornar as regras, prestando um serviço valioso que é o fornecimento de material de contrabando e, ao mesmo tempo, ganhando uns trocos para alimentar a família.

Pelo menos presumo que seja para alimentar a família, e não por pura ganância.

Todos conhecemos as histórias dos barcos semi-rígidos com 800 biliões de cavalos que cruzam os mares a uns 3000 à hora para descarregar fardos de substâncias psico-trópicas de origem vegetal (e não só) nas praias de um qualquer estado membro da UE. Também conhecemos as histórias das pessoas que tentam contrabandear produtos nas viagens de avião, usando frequentemente o forro das malas de viagem ou do estômago para dissimular a carga. E histórias de pessoas a atravessar as fronteiras por meios cada vez mais criativos de forma a ludibriar as autoridades.

Só que todas estas estratégias têm um grande defeito: é preciso que alguém passe a fronteira acompanhado da mercadoria, e é aí que a coisa costuma dar para o torto.

Houve uns gajos na fronteira Rússia-Estónia (convém lembrar que como a Estónia é um estado-membro, transportar qualquer coisa para a Estónia com sucesso abre as portas a um mercado de 500 milhões de habitantes) que pensaram numa forma mais segura de fazer o seu contrabando. Neste caso, era de vodka, que na Rússia custa menos que água mas na Estónia é um nadita mais cara (p'raí umas 20 vezes mais). Ora como dá um bocado de cana passar a fronteira terrestre com um camião cheio de vodka de segunda ou terceira qualidade, o que pode trazer problemas, e como nas malas do avião não dá para levar quantidades grandes o suficiente que compensem o risco, o que é que os gajos pensaram?

Vá, dou-vos um minuto para pensar... e até dou uma dica: ao contrário do haxixe ou cocaína, a vodka é, por natureza, um líquido. À semelhança, por exemplo, do petróleo.

E deve ter sido mais ou menos este o raciocínio dos homens. Ora se o petróleo é líquido e é transportado através de longas distâncias por oleadutos, porque não construir um pipeline de vodka através da fronteira? Bravo, Melga! Brilhante!!!

Foram apanhados, mas acho que quando forem julgados e a sua sentença for lida a originalidade da ideia deve ser tomada em conta. Afinal, não é todos os dias que se descobre um pipeline clandestino numa fronteira com o intuito de fazer contrabando, pois não?

(obrigado Gonçalo)

20 setembro 2008

Nacionalizações

A crise do subprime está aí em força e os EUA anunciaram que vão investir, há quem fale em um milhão de milhões de dólares (soa mal, mas se dissesse um bilião podia-se perceber que queria dizer mil milhões e mil milhões de dólares... bom, são trocos!), para salvar os bancos, fundos e seguradoras ameaçados de falência.

Na prática o que se está a fazer é compensar com dinheiro público a exposição dos privados aos créditos e investimentos de alto risco. Ou seja, quando a coisa aperta, nacionaliza-se parte da banca para aguentar o barco.

Não quero entrar em juizos de valor sobre ao mérito das medidas, haverá gente bem informada que disso percebe mais que eu, mas gostava de enfatizar a minha surpresa ao ler no site do Público o anúncio de uma gigantesca operação de nacionalização da banca precisamente nos EUA, pátria do capitalismo e o principal opositor a qualquer regime de nacionalizações. Que quase não possui sistema público de saúde, nem sistema público de educação, nem sistema público de nada.

Mas que, quando os calos de quem tem dinheiro se apertam, se apressam em nacionalizar a banca. Quem durante 20 anos andou a ganhar rios de dinheiro com a promessa de rendimentos milionários com investimentos arriscados agora chora que perdeu tudo o que tinha. E o governo, usando o dinheiro de todos, corre a acudir.

A vida tem destas ironias...

19 setembro 2008

Imigração

Eu sou a favor da imigração. Tal como os portugueses ao longo do século XX emigraram para procurar fortuna noutras paragens e contribuiram também para a economia desses países (sendo França o caso mais paradigmático), acredito que temos muito a ganhar com a imigração. A minha mulher-a-dias é ucraniana, estou contentíssimo com ela; muito mais do que com as anteriores, brasileiras, que eram funcionárias de uma empresa de limpezas domésticas gerida por portugueses, e muito mais que a empregada anterior a essas, portuguesa de gema. Também não tenho razão de queixa dos vários médicos e enfermeiros estrangeiros com que me cruzei. Acho que quer em funções especializadas, quer em trabalhos não especializados mas que nós não queremos fazer, a imigração ajuda-nos.

Mas imigração com regras. Existem problemas de criminalidade associados a alguns imigrantes, sendo os bairros degradados da periferia de Lisboa o caso premente, existem muitos imigrantes que vivem da mendicidade, do tráfico de drogas, da prostituição. A esses, tenho muita pena, mas não estão cá a fazer nada, o vosso país que vos receba de volta. Recebo de braços abertos qualquer pessoa que vinda de outro país aproveita o que temos para oferecer e desempenha o seu papel na sociedade, recuso a integração de pessoas que vêm para cá procurar uma vida melhor e optam por obtê-la à custa da segurança dos outros.

Defender a extradição de imigrandes condenados por crimes (mesmo que ligeiros como a posse de drogas) não entra em contradição com a vontade de receber imigrantes honestos que estão dispostos a trabalhar no duro para conseguir uma vida melhor do que a que tinham na sua terra natal. Há que não tomar exigência como intolerância e há que não confundir tolerância com ingenuidade.

Por isso, não percebo uma frase nesta notícia: fala num grupo de miudos das favelas brasileiras que andam a praticar vários crimes na margem Sul. E diz que "Não têm documentos mas sim cadastro". É esta a frase que não percebo. Porque não posso aceitar que um imigrante sem documentos, logo ilegal, possa ter cadastro neste país e não ser dada imediatamente a ordem de extradição. Mesmo que seja só suspeito e não tenha sido sequer condenado. O facto de estarem neste país ilegalmente, tendo sido detido pelas autoridades e não tendo autorização de residência é suficiente para os expulsar! Não percebo porque não o foram. Gostava que alguém pudesse explicar.

17 setembro 2008

Olha, afinal parece que não!

Anda um gajo a lamentar-se de falta de assunto, abre o site do Público e dá de caras com isto!

Combate aos cocós de cão no passeio em três tempos:

1. Recolhe-se uma amostra de DNA do cocó deixado no passeio para análise;
2. Compara-se com as amostras de DNA dos cães da vizinhança que estão numa base de dados de veterinária;
3. Multa-se o proprietário.

CSI ao serviço das populações, muito bem!

E se... e se fosse cá?

Bom, se fosse cá haveria imediatamente duas actividade económicas novas:
1. Criação de cães para fornecer amostras de DNA falsas;
2. Serviço de "dog waling" em cidades distantes: um gajo paga 30 ou 40 euros para alguém pegar no cão, metê-lo numa carrinha em Lisboa e levá-lo a aliviar a tripa nos jardins de Santarém!

Irregularidade

Há dias em que me lembro de assunto para 8 posts. Depois há dias em que não me lembro de nada para dizer em nenhum. E olhem que eu até tento poupá-los, assim se apanho qualquer coisa que pode ser abordada uns dias mais tarde guardo-a para os dias mais fracos. Mas mesmo assim... hoje tenho a despensa vazia.

Pronto, vim cá só para dizer isto.


Nota: este é provavelmente o post que mais merece a etiqueta que tem.

16 setembro 2008

(Ainda o) Subprime

E a crise lá continua, impávida e serena, apesar dos esforços de todos nós em fingir o contrário...

Para quem (ainda) não sabe o que é a crise do subprime, aqui ficam as ideias principais: há muito tempo uma pessoa que não tinha rendimentos para pagar um empréstimo tinha sérias dificuldades em conseguir a aprovação da hipoteca. Mas isso foi antes da securitização. A securitização consiste em vender hipotecas aos magotes a fundos de investimento de alto risco (e alta rentabilidade quando a coisa corre bem, claro). Um banco faz 30 mil hipotecas, dessas 3 mil são de gente que mal consegue pagar a bica todos os dias, mas como as outras 27 mil são quase isentas de risco, o pacote de hipotecas vende-se facilmente por duas razões: em primeiro lugar, porque o risco médio é baixo; em segundo lugar porque em clima de expansão económica há uma forte probabilidade de valorização dos activos no curto prazo, pelo que, caso um devedor falhe os seus compromissos, a garantia pode sempre ser vendida por um valor igual ou superior ao valor da dívida. A subsequente procura imobiliária levou a um aumento sem par nos preços das casas, a famosa bolha especulativa. Mas, como todas as bolhas, esta rebentou: começaram a aparecer as hipotecas em execução, os imóveis desvalorizaram (na Europa pela subida da taxa de juro, nos EUA porque a seguir a um período de expansão económica vem, naturalmente, um período de arrefecimento), e de repente aqueles grandes pacotes de hipotecas valem pouco mais que o papel em que foram escritas.

E foi mais ou menos neste ponto que começaram a chover falências. Depois de uns meses de relativa acalmia, pensou-se que o pior tinha passado. Só que as falências voltaram: ontem foi um grande banco de investimentos, o Lehman Brothers, a anunciar a sua falência, depois de anunciar perdas de quase 4 mil milhões de dólares por causa da crise e de o seu valor em bolsa ter desvalorizado uns módicos 94% só ESTE ANO!!!

Agora é a vez da AIG, uma grande seguradora (que também tem voto na matéria, porque deu o aval a muitos negócios do subprime e agora tem de pagar os seguros) que, ao que parece, tem de reunir uns módicos 75 a 80 mil milhões de euros até AMANHÃ! E neste momento convém fazer um parêntesis. Um parêntesis tão grande que até dá jeito fazê-lo num parágrafo à parte.

(apesar de ser num parágrafo à parte continua a merecer um parêntesis como deve ser; 75 a 80 mil milhões de dólares é qualquer coisa como 53 a 56 mil milhões de euros; ou seja, mais ou menos um quarto do que vale a economia portuguesa por ano; quer dizer que se todos os portugueses trabalhassem apenas para sustentar este gigante era preciso esperar 3 meses para conseguirmos tapar o buraco; isto é bué guito. Mas para se perceber melhor, aqui fica a comparação: 50 mil milhões de euros é o equivalente a:
- 3 meses de produção da economia portuguesa, mais coisa, menos coisa;
- 50 anos de Imposto Sobre o Tabaco cobrado pelo estado português, mais coisa, menos coisa;
- 25 aeroportos de Alcochete
- 500 estádios de futebol à la Euro 2004 (a 100 milhões cada um)
- 5000 jackpots do Euro-milhões (a 10 milhões cada um), ou seja, 96 anos de Jackpot
- 2 milhões e meio de automóveis utilitários a gasóleo (a 20 mil euros cada)
Basicamente é dinheiro que nunca mais acaba! Se fosse angariado e distribuido pelos portugueses dava 5 mil euros a cada um, incluindo recém-nascidos, velhos e gente que não sabe contar até 5000)

Feito o parêntesis para que se perceba do que estamos a falar, convém referir que esta crise traz aspectos positivos e aspectos negativos. Assim de repente apetece-me referir 1 de cada:

Aspecto positivo: Hoje o petróleo abriu em queda, baixando dos 90 dólares em Londres; isto é bom, porque daqui a 15 dias volta a baixar o gasóleo e sou capaz de ter de atestar por essa altura (ando tão pouco de carro que posso escolher em que altura é que me dá mais jeito atestar o depósito em função da cotação do Brent)

Aspecto negativo: A eventual falência da AIG vai afectar todos os portugueses naquilo que nos é, como povo, mais querido: Futebol. É que a AIG é o principal patrocinador do Manchester United onde jogam Cristiano Ronaldo e Nani. E sem patrocinador, os pobres rapazes podem vir a passar dificuldades, sabe-se lá se o Cristiano vai conseguir acabar de pagar o Rolls... ou era um Bentley?

Recolher obrigatório

O que se faz quando falta a luz? A resposta é: nada! A televisão, obviamente, não funciona. O computador também não. Mesmo que o computador fosse portátil, a box precisa de corrente, por isso a net não funciona. O telefone fixo tá ligado à box, fica também desligado. E mesmo que tivesse uma UPS para garantir que estas coisas funcionavam todas, a célula de distribuição de sinal aqui do bairro também não funciona sem electricidade. Por isso... não há nada a fazer, a não ser esperar. Ou então aproveitar para ir dormir mais cedo.

(raios partam a EDP, pá...)

12 setembro 2008

Assunto do momento: a destruição da Terra (e tudo o que nela vive, incluindo nós, mas acho que isso está implícito)

Como de vez em quando se diz que o LHC tem o potencial para destruir o mundo, nomeadamente pela criação de buracos negros e/ou um novo big bang (na verdade, um big bang é, na prática, um buraco negro, dependendo de onde se olha: do lado "de fora" é um buraco negro, do lado "de dentro" é um big bang), acho que há três links aconselháveis para quem se preocupa com assuntos como "O Fim do Mundo como nós o conhecemos":

Link nº1: Status actual da destruição do mundo por causa do LHC (actualizado instantaneamente) - gosto particularmente da palavra "yet" no título.
Link nº2: Feed video em tempo real do CERN (câmara interior e exterior). Se o vídeo parecer alarmante, não se preocupem. Pelas minhas contas uma expansão rápida demorará pelo menos uns 6 centésimos de segundo a chegar cá (número completamente atirado ao acaso, escusam de o corrigir).

Link nº 3: Caso não acreditem que o LHC tenha de facto o potencial para destruir o mundo, mas estejam preocupados com o assunto, recomendo vivamente a leitura atenta nesta página.

Nota: no link nº 3, apesar de ser questionável a "feasability rating" enunciada, os argumentos fazem sentido e sim, parecem-me capazes de conseguir o efeito desejado. As contas também parecem razoáveis, mas não as verifiquei em detalhe.

11 setembro 2008

Verão

O Verão é para as pessoas como o Inverno para os ursos polares. Eles hibernam todo o Inverno e despertam quando o frio começa a aliviar. As pessoas passam o Verão numa espécie de torpor de férias e aos poucos, quando chegamos a Setembro, retomam lentamente as suas rotinas.

A primeira coisa que um urso polar faz ao acordar é procurar comida e tomar um belo pequeno-almoço. O Inverno foi longo e as reservas de energia estão no mínimo. Já as pessoas quando voltam ao trabalho tentam por tudo juntar uns trocos extra. O Verão foi longo e os saldos do cartão de crédito estão todos esgotados.

Para os ursos a Primavera é uma época complicada. É preciso recuperar peso e ao mesmo tempo começar a pensar na época de acasalamento que se avizinha, e a pressão para ter sucesso acumula-se. Já as pessoas passam o Outono a tentar recuperar a estabilidade financeira e começam a planear como vai ser o Natal, que a necessidade de mostrar sucesso, na forma de presentes ou ostentação de nível de vida, é premente.

Depois da época de acasalamento os ursos polares passam os meses restantes antes do Inverno a acumular gordura para poderem hibernar outra vez. Já os humanos passam os meses de Inverno e Primavera a apertar o cinto para poderem ir de férias no Verão seguinte.

Mas chega de comparações entre seres humanos e mamíferos que, apesar do seu aspecto fofinho, têm muito mau feitio.

Eu queria mesmo era falar do Verão. E este, o Verão de 2008, tá quase a acabar-se. E AINDA BEM! Não me entendam mal, eu até gosto bastante do Verão, não dou daquelas pessoas que diz que não gosta do Verão, que se queixa que a praia tem areia, que o mar tem sal, que o calor incomoda, que o Sol queima e por aí fora. Gosto de Sol, gosto de calor, gosto de praia e, sobretudo, gosto de ver (alguns) corpos femininos com pouca roupa e preferencialmente nenhuma.

Mas estou mesmo contente que este Verão esteja a acabar. É que o Verão de 2008 não vai ficar na história. Por nada. Não houve nada neste Verão que seja digno de nota. Não foi muito quente nem muito frio, não foi muito chuvoso nem muito seco. Não foi nada de especial. Este ano, mais que em qualquer outro, quando alguém que já não vejo há 3 meses pergunta "Então, como foi o teu Verão?" faz mais sentido que nunca a resposta "Eh, passou-se". Sem mais. Não se fala das vagas de calor, que não houve, ou na ausência de dias bons para a praia, porque os tivémos q.b. Não se fala na vaga de incêndios, porque não houve nem muitos, nem poucos. Não se fala da chuva, porque só choveu a meia dúzia de vezes que é normal, nem nas nuvens porque também só as houve em quantidade certa.

Mas, pior que tudo, além da metereologia, nada de especial aconteceu! Houve um campeonato europeu de futebol e a nossa prestação não foi nem boa, nem má, ficámos pelo caminho não tendo jogado nem muito mal, nem muito bem. Tivémos os Jogos Olímpicos e os nossos ateltas portaram-se, em média, assim-assim. Na política nacional houve umas notícias escassas e umas tentativas de polémicas mas até Manuela Ferreira Leite com as suas ausências contribuiu para um ambiente de pré-época política apenas morno. Nem quente, nem frio. O PR ainda tentou um ar de sua graça com aquela comunicação ao país mas no fim só nos perguntámos "O quê, era só isto?". Os camionistas bloquearam as estradas mas a coisa arrefeceu em 3 dias e depois a gasolina começa a descer, longe das previsões cataclísmicas da altura.

Não houve nada de especial a acontecer no Verão. Por isso, este Verão não me deixa saudades. Não sinto saudades dos dias de Verão que já passaram, nem deixo de sentir. Por mim, acabava-se já o Verão, venha um Outono com personalidade, que Verões desenxabidos não têm grande graça. E que depois tenhamos um grande Inverno, uma bela Primavera e que o Verão do ano que vem seja mais que um mero bluff, como foi este.

LHC

Alguém pediu que eu pusesse um post a explicar o que é o LHC. Acontece que eu tenho uma regra básica: nunca falar sobre um assunto na presença de quem me possa desmascarar. E há físicos de partículas na audiência (alguns lêm *avidamente* o Ó Faxavor a partir do próprio CERN).

Por isso, passo a palavra a quem percebe mais disto que eu: o Rap do LHC




Nota: A palavra *avidamente*, assim entre asteriscos e tudo, foi acrescentada após solicitação do adavid nos comentários ;)

Séries de TV

Eu não gosto particularmente de televisão. Há séries que aprecio, e muito, mas a generalidade passa-me ao lado.

A semana passada regressou uma das excepções que me faz marcar na agenda a data de emissão dos vários episódios: começou a 3ª season de Dexter. Infelizmente não posso fazer com a terceira como fiz com a segunda que vi toda de seguida num único fim de semana. Esta vai mesmo ter de ser vista aos poucos, ao ritmo das emissões nos EUA (o próximo é dia 28).

Outra das excepções é Boston Legal. Como a FOX Crime costuma dar os episódios em vários horários, volta e meia lá tou eu a ver um qualquer episódio da 1ª, 2ª ou 3ª temporada (ainda não começaram a emitir a 4ª). Há diálogos que são inimitáveis. Este é de um episódio da 2ª temporada (a propósito, umas linhas antes o Alan Shore tinha usado a palavra "inimitable" para descrever o Denny Crane):

Denny Crane: It's fun being me. Is it fun being you?
Alan Shore: Most of the time, yes, indeed.
Denny Crane: Well, what else is there?

Madonna

Domingo vão estar presentes 65000 pessoas para assistir ao concerto da Madonna no Parque da Bela Vista. Espera-se uma multidão composta por:
- 45000 mulheres adultas heterossexuais
- 20000 homens homossexuais
- 9000 adolescentes que só gostam das músicas mais recentes
- 998 homens heterossexuais (um deles sou eu)
- 2 lésbicas que ganharam bilhetes num concurso da Mega FM e como detestam galinhas e bichas vão ao concerto só para chatear, vão ver a primeira parte e depois ficam a aborrecer-se durante 2 horas

2-3

Alguém me consegue explicar o que raio aconteceu ontem?!

Jogámos bem, a Dinamarca pouco ou nada fez durante 80 minutos, tivémos oportunidades mais que suficientes para ganhar por 2 ou 3 nas calmas, e em 10 minutos levamos 3 golos. Como? Como raio é que os vikings conseguem ir três vezes à baliza e marcar 3 golos? E porque é que nós tivémos pelo menos 4 oportunidades descaradas para fazer o 2-0 (Simão, Nani, Danny e Nuno Gomes) e não concretizámos nenhuma?

Aspecto positivo: não nos limitámos a gerir o 1-0 e continuámos a atacar, como era hábito nos tempos de Scolari.

Aspecto negativo: perdemos por não saber gerir nem dilatar a vantagem, coisa que não era habitual nos tempos de Scolari.

10 setembro 2008

Coerência

Alguém que me explique, se faz favor.

Notícia 1, publicada dia 9 de Setembro, às 13:47: O colectivo que julga o chamado "megaprocesso do álcool" deu hoje como provado que o produto, importado de França por algum dos arguidos, provocou a morte de uma mulher e foi causa provável de morte de quatro homens na Noruega.

Notícia 2, publicada no mesmo dia, às 16:45: A juíza-presidente do colectivo, Maria Amélia Lopes da Silva, afirmou na leitura do acórdão que o tribunal entendeu "não se terem provado factos suficientes" que permitam estabelecer a ligação directa entre as mortes ocorridas na Noruega pela ingestão de álcool misturado com metanol e o facto de os arguidos terem importado álcool de França sem pagar impostos.


Ajuda precisa-se. Acho que estou com um caso agudo de iliteracia. Ou isso ou os juizes deste processo andaram a ingerir álcool com metanol misturado...

Caboum!!!

Naaaaa.... ainda não foi desta! O LHC começou (ainda não se sabe se correu bem ou mal) a funcionar hoje de manhã, mas o Apocalipse ainda vai demorar uns meses. Meanwhile... vivam cada dia como se fosse o último que mais tarde ou mais cedo acertam!

8:30 da manhã

Se já passa das 8:30 da manhã e estás a ler isto, então o Mundo não acabou!

Esta afirmação, assim de repente, pode parecer algo parva. E é, claro. Se o mundo tivesse acabado não estavas aqui a ler isto. Mas...

É que o mundo podia mesmo ter acabado às 8:30. Porque às 8:30 (9:30 CET) vai ter lugar a primeira tentativa de injecção de um feixe de partículas dentro do novo acelerador de partículas do CERN, o LHC.

E porque é que isto é um problema? Bom, porque já se ouviu dizer (por gente que provavelmente pouco percebe de física, mas isso agora não importa) que as energias em jogo no LHC são de tal monta que poderiam dar origem a um buraco negro que rapidamente e de forma descontrolada iria sugar o mundo todo para o seu interior! Baril, não é?


Para saber mais:
Site oficial do LHC First Beam
Artigo (em francês) sobre esta apocalíptica possibilidade

(obrigado Jorge!)



PS: Não, a entrada em funcionamento do LHC não irá provocar o fim do mundo. Temos muito mais que 9h para disfrutar deste planeta.


PPS: o post inicialmente referia as 9:30 da manhã, mas afinal foi uma hora mais cedo. Olha se o mundo tem acabado, han? Tinham-me roubado a última hora...

09 setembro 2008

Stocks

Diálogo numa bomba de gasolina:

Eu: São 2 maços de Marlboro, se faz favor
Ele: Só 100's.
Eu: Então 2 maços de Português vermelho.
Ele: Só dos pequenos.
Eu: Então 2 maços de LM.
Ele: Só tenho 1.
Eu: ...

Gestão de stocks, please?!

A nossa selecção

Amanhã há bola. É a selecção. Já fizemos o primeiro jogo, ganhámos 4-0 a Malta, e agora vamos jogar contra a Dinamarca. Como quer a Suécia, quer a Dinamarca, os nossos principais adversários, empataram na primeira jornada, já vamos com 2 pontos de avanço. E já ouvi algures (um programa desportivo ou assim) a habitual futurologia futebolística a estabelecer os vários cenários, apontando para os 5 pontos de avanço que podemos passar a ter em relação à Dinamarca.

Moral da história: já estamos apurados!!! (claro que, caso a situação fosse invertida, já muita gente auguraria o desastre iminente, mas como não é, já podemos cantar vitória ainda antes da festa...)

Não tou a perceber

Quando as notas dos exames são más e chumbam muitos alunos é sinal que o ensino está mau.

Quando o número de chumbos desce para valores históricos, é sinal que os exames foram fáceis e o ensino está mau.

Alguém pode explicar-me como é que vou perceber que o ensino está bom? Ou é incontornável que esteja sempre mau?


Nota: dispenso comentários de quem ache mesmo que o ensino está mau ou de quem ache mesmo que o ensino está bom. Não faço ideia como está o ensino (por acaso até faço, mas a minha ideia não é para aqui chamada), só queria mesmo perceber é que indicadores me servem para analisar a situação.

Regresso

Pronto, ao fim de 1 semana tou de volta. Foi bom, gostei, vi coisas giras (outras que nem tanto), encontrei pessoas interessantes (outras que nem tanto), fiz trabalhos de qualidade (outros que nem tanto) e apanhei dias de bom tempo (outros que nem tanto).

Durante a semana de ausência tive uma carrada de ideias para posts excelentes (e outros que nem tanto), mas como não me apeteceu tomar nota num papel esqueci-me delas todas. Olha, azar, fica para a próxima.

Se tudo correr bem a coisa vai voltar à produção habitual em breve. E como já acabaram os Jogos Olímpicos (mas estão a decorrer os para-olímpicos) e começou o campeonato, volta à baila um dos assuntos mais falados no blog: a bola! ;)

JO2008 - Parte XV, Conclusão

Este post conclui uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.

(antes de mais, desculpem lá a demora na publicação deste post... estive a semana passada toda fora e julgava que ia ter ligação à net, mas não tive)



A minha análise dos Jogos Olímpicos, da participação portuguesa e de tudo o que a rodeou deixa-me sentimentos mistos: por um lado tivemos uma boa prestação desportiva, talvez um pouco aquém dos resultados de Atenas. Por outro, foi a prestação olímpica mais polémica, carregada de críticas aos atletas e dirigentes do Comité Olímpico Português.

É visível a melhoria nas condições de trabalho e treino dos atletas, o projecto do COP tem pernas para andar e há condições para que o investimento continue, de preferência com valores maiores aos que foram investidos para Pequim 2008.

Após Atenas 2004 tivémos pela primeira vez verbas para o projecto "Esperanças Olímpicas", em que são apoiados atletas cuja participação olímpica se prevê apenas num prazo de 8 anos. Isto faz toda a diferença, as grandes potências desportivas mundiais, além de apoiarem os seus atletas, apoiam os jovens promissores. Mesmo sabendo que muitos nunca irão além de promessas por cumprir. Mas o apoio dado a dezenas de atletas terá os seus frutos no futuro, quando meia dúzia das dezenas acolhidas pelo projecto se tornarem atletas de nível olímpico, tendo beneficiado e muito da evolução que lhes permitiu o investimento do COP.

Os resultados desportivos ficaram aquém das expectativas criadas, muito por culpa do COP que criou essas expectativas, em particular do seu presidente, Vicente Moura. Um país que ganha dezenas de medalhas pode estipular como objectivo atingir uma determinada fasquia. Um país com o palmarés do nosso não pode colocar fasquias ambiciosas, que constituiriam a melhor prestação olímpica de sempre, e depois agir como se de um grande fracasso se tratasse não atingir esse mesmo objectivo. O objectivo mínimo nunca pode ser "o melhor resultado de sempre". Os melhores resultados de sempre surgem como resultado do trabalho à mistura com alguma sorte. Lembremo-nos de Atenas em que a medalha de prata conseguida por Sérgio Paulinho no ciclismo era tudo menos previsível. E a medalha de Obikwelu também não era nada certa, na altura havia um grande domínio norte-americano. Lembrem-se que os EUA conseguiram o pleno na corrida de 200m e só não fizeram o mesmo nos 100m porque Obikwelu fez a corrida de uma vida, batendo o seu record pessoal e igualando o record europeu. Não é algo que se possa prever.

Ter como objectivo 4 medalhas é como o Porto traçar como objectivo mínimo a presença na final da Liga dos Campeões. Não que o não consigam fazer, ainda há meia dúzia de anos ganharam a Champions, mas não foi apenas mérito seu, houve alguma sorte à mistura e alguma incapacidade misturada com azar dos seus adversários. Obviamente que, tendo em conta a estrutura da equipa, o objectivo tem de ser sempre realista. Neste caso, uma passagem à segunda fase e depois logo se vê.

Contudo, e apesar do irrealismo dos objectivos, todo o país se comportou como se já estivesse ganho! Criou-se o já habitual clima de euforia que facilmente contagia os portugueses, com sede de coisas que lhes animem o espírito procurando, talvez, no desporto o escape para os problemas das suas vidas pessoais ou profissionais.

Os resultados até não foram maus, trouxemos duas muito merecidas medalhas, e a generalidade da comitiva portou-se bem tendo em conta as suas expectativas pessoais. Alguns ficaram abaixo, talvez à conta dos nervos misturados com algum azar (Naide Gomes e Gustavo Lima parecem-me ser disso exemplo), algum deslumbramento misturado com arbitragens questionáveis (caso da Telma Monteiro), ou imponderáveis da prova (como aconteceu com Jessica Augusto). Outros houve que excederam as expectativas criadas (caso de Ana Cabecinha nos 20km marcha, as 3 tripulações da canoagem, a equipa de remo ou Daniela Inácio nos 10km de natação em águas abertas). Em balanço final, até nos portámos bem.

Mas as reacções às prestações da equipa cobriram-se de um negativismo impensável à partida. Alguma comunicação social empolou polémicas irrelevantes, os atletas mostraram-se particularmente inábeis na forma de lidar com a comunicação social (aspecto a rever, sff.) e sobretudo o presidente do COP borrou a pintura toda. E fê-lo em 2 momentos (depois de ter dado o mote com a criação de expectavivas mirabolantes): quando anuncia durante a prova que não se recandidata a novo mandato e dá mostras de insatisfação com o empenho dos atletas (com a prova a decorrer deveria ter sabido manter-se calado e não deitar ainda mais achas para a fogueira, em vez de sacudir a água do capote e apontar o dedo ao bode expiatório mais a jeito); e sobretudo quando, 2 dias depois, a medalha de Nelson Évora muda completamente as circunstâncias e afinal já são os melhores resultados de sempre e já está disponível para novo mandato.

Vicente Moura fez-me lembrar um determinado primeiro-ministro português (que o foi apenas por meia dúzia de meses) que anunciou diversas vezes a sua "reforma" da vida pública, seja como membro do Governo ou da Assembleia da República, como dirigente desportivo ou partidário. Quando a coisa não lhe corria de feição vinha com grande dramatismo e lágrima ao canto do olho dizer que se vai embora, magoado; para voltar, uns meses mais tarde, assim que visse uma possibilidade de regresso. Duvido que Vicente Moura siga conscientemente o exemplo deste senhor ex-Primeiro Ministro, mas foi precisamente isso que fez: tornou-se o Santana Lopes do Comité Olímpico Português.

Por estas razões, concordo com a intervenção de Vicente Moura antes da medalha de Nelson Évora: não há condições para um novo mandato. Não concordei quando o anunciou, achei que era demasiado teatral, mas em balanço, as suas intervenções são o aspecto mais digno de crítica em toda a participação olímpica portuguesa. Ouviu-se dizer que Rosa Mota era uma possibilidade avançada pela Federação Portuguesa de Atletismo, mas a própria já veio dizer que nem pensar nisso. É pena, acho que, à semelhança do que acontece noutros Comités Olímpicos Nacionais, um atleta olímpico pode ser um grande dirigente olímpico. Espero que outro candidato surja, que seja uma escolha razoavelmente consensual, e que tenha a força de impedir certos atropelos que ocorreram em Pequim (nomeadamente as viagens de dirigentes federativos em detrimento de treinadores de atletas). Além, claro, de continuar e ampliar o bom projecto de preparação olímpica que começamos a ter.

Em relação à opinião pública (refiro-me à minoria muito barulhenta, acredito que a maioria se quedou silenciosa), são como um mendigo, cheio de fome, mas que desdenha da comida que lhe oferecem. Não são dignos da representação olímpica que têm. Exigem resultados, mas contestam o investimento. E não percebem absolutamente nada dos desportos olímpicos, tirando um, em que não participámos: o futebol. Ao longo de 4 anos este país só tem olhos e ouvidos para o futebol e de 4 em 4 anos aparecem os senhores do costume a exigir prestação de contas.

Lamento muito que os atletas portugueses tenham sido sujeitos às barbaridades ditas por uma cambada de idiotas. Espero que esqueçam os idiotas e que compreendam que em Portugal não há só idiotas. E espero ver-vos, a todos, em Londres 2012 (sobretudo à Naide Gomes que precisa de uma séria desforra, e nós também!)

06 setembro 2008

Pedimos desculpa pela interrupção

Desculpem lá qualquer coisinha, era para ter avisado, mas não deu. Fui para fora na segunda-feira, contava ter acesso à net, mas não tive. Acabei de chegar, deixem-me arrumar as malas.

Em relação aos jogos olímpicos, em breve prometo que vou ler os comentários todos (e responder, se relevante), e pelas minhas contas ainda falta um post.

01 setembro 2008

JO2008 - Parte XIV, O dinheiro dos contribuintes

Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.



Se há coisa que a malta gosta de puxar à conversa é o "dinheiro dos contribuintes". De cada vez que o tuga quer reclamar de alguma coisa surge o assunto do dinheiro público à baila.

Na Expo 1998 houve muita gente a queixar-se do dinheiro público e o mesmo se passou com o Euro-2004. Questiona-se o gasto de dinheiro público com o TGV, com a OTA. E este ano, surgiu uma novidade: questiona-se o dinheiro púlico gasto com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos.

Mas... quanto foi o dinheiro dos contribuintes gasto com a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim? A resposta é: 14 milhões de euros. Nem mais, nem menos. Foi esta a verba atribuída pelo estado ao Comité Olímpico Português, para preparação da participação portuguesa: subsídios a federações, despesas com o programa, criação de infra-estruturas, bolsas a atletas, bolsas a treinadores, etc.

Só como curiosidade, a RTP investiu (ou gastou, depende da perspectiva) 22 milhões de euros para adquirir os direitos de transmissão dos jogos da I Liga de Futebol em canal aberto (a Sport TV continua a deter os direitos para a competição mas ao abrigo do serviço público 1 jogo semana é transmitido em canal aberto). Não ponho em causa o investimento (ou despesa, depende da perspectiva) da RTP nas transmissões futebolísticas, mas não gosto que haja dois pesos e duas medidas.

Do orçamento do COP para a preparação dos Jogos Olímpicos de Pequim quanto é atribuído aos atletas? Com que critérios? Como são avaliadas as suas prestações?

Bom, aqui vêm os números, cada um avalie por si: Um atleta é integrado no programa olímpico ao atingir resultados de relevo. Estes podem ser resultados em provas do programa olímpico, Campeonato do Mundo ou Jogos Olímpicos. No caso de Campeonatos da Europa compete à Federação respectiva a criação de critérios adequados.

E os critérios são:
- Um atleta medalhado (3 primeiros lugares) é integrado no nível I;
- um atleta finalista (8 primeiros classificados) é integrado no nível II;
- um atleta semi-finalissta (10, 12 ou 16 primeiros classificados) é integrado no nível III;
- um atleta pode ser ainda integrado no nível IV, dependendo de critérios específicos de um determinado evento ou modalidade (por exemplo, atingindo os mínimos de qualificação).

Aos atletas do programa olímpico são atribuidas bolsas, cujo objectivo é financiar a sua actividade. Estas bolsas são de:
Nível I: 1250 Euros/mês
Nível II: 1000 Euros/mês
Nível III: 750 Euros/mês
Nível IV: 500 Euros/mês.
Semestralmente, o desempenho do atleta é avaliado e de acordo com os resultados obtidos será atribuido um nível para o semestre seguinte. Dependendo dos resultados há períodos de permanência mínima no projecto. Por exemplo, um finalista olímpico tem garantida a sua continuidade durante todo o ciclo olímpico seguinte; um semi-finalista tem a sua continuidade assegurada durante 2 anos. Mas... e alguém que fique aquém das expectativas, por exemplo Naide Gomes? Pode ler-se no contrato-programa que "Quando um atleta for excluído do projecto por incumprimento dos objectivos desportivos, beneficia de uma continuidade do apoio de 50% da bolsa de nível 3, por um período máximo de três meses". Ou seja, como Naide ficou claramente aquém das expectativas, quer dizer que vai receber 375 euros durante 3 meses. Depois, ou bem que tem resultados de topo para mostrar ou deixa de receber bolsa.

Além das bolsas para a preparação olímpica, há prémios para os atletas que atingem medalhas. Segundo ouvi na comunicação social, Nelson Évora irá receber 30 mil euros do COP como prémio pela medalha de ouro.

Para Londres 2012 o COP propôs ao governo um aumento de 14 para 17 milhões de euros (aumento de 20%) e o aumento das bolsas de preparação olímpica para, respectivamente, 1500, 1200, 900 e 600 euros/mês. Já é qualquer coisa, mas acho que continua a ser um projecto modesto e por isso apenas pode almejar a resultados igualmente modestos.

Mesmo sendo realidades totalmente distintas, gostaria de lembrar o caso do futebol: no mundial de 2006 os jogadores da selecção portuguesa receberam, de prémio de participação, 50 mil euros cada um. Isto é independente dos resultados. Não sei qual o montante dos prémios em caso de vitória no mundial (espero bem que sejam avultados!) nem qual o prémio efectivamente pago pela presença nas meias-finais. No Euro-2008 foi noticiado que o prémio em caso de vitória seria de 300 mil euros a cada atleta. Não sei (porque não foi anunciado) qual o montante do prémio de presença pago pela FPF. Não quero contestar os valores pagos ao futebol, acho que é dinheiro bem empregue. Além disso, é dinheiro da FPF que faz com ele o que bem entende. Mas gostaria de apontar o paradoxo de o prémio a ser pago aos futebolistas da selecção nacional em caso de vitória no Euro-2008 chegar para cobrir METADE do programa olímpico. Ou seja, seria suficiente para pagar a totalidade das despesas do COP (bolsas, infra-estruturas, viagens e ajudas de custo, formação, despesas administrativas) durante 2 anos!!! Das duas uma: ou a FPF paga muito ou o COP paga pouco. Eu voto na segunda.

E como acho que não são as verbas que a FPF disponibiliza que devem ser contestadas, fui procurar informações sobre outras selecções olímpicas. Encontrei dados referentes a 3: a preparação olímpica espanhola para os jogos de Barcelona 1992, a preparação olímpica inglesa para Pequim e a preparação olímpica Chinesa para Pequim.

Penso que o caso espanhol deve servir-nos de modelo e o caso inglês deverá ser um objectivo. Não tanto pelos números, mas sobretudo pela forma como conseguem obter os financiamentos necessários.

O caso espanhol
Espanha foi anfitriã dos jogos de 1992 e investiu seriamente na preparação dos seus atletas. O objectivo era obter a melhor participação de sempre e deixar as bases para uma melhoria significativa dos resultados olímpicos para o futuro. O objectivo foi, a todos os níveis, conseguido. De entre os vários números que podemos consultar no documento, saliento os valores obtidos através de patrocinadores (7 mil milhões de pesetas, 42 milhões de euros), e os valores das bolsas aos atletas olímpicos, entre 840.000 e 7.800.000 pesetas anuais (entre 5 mil e 47 mil euros anuais), sendo o valor médio de 3 milhões de pesetas por atleta (18 mil euros, ou seja, 1500 euros/mês). E isto era em 1992, há 16 anos, numa altura em que se faziam campeões olímpicos por muito menos que agora!

O caso inglês
Em antecipação à organização dos jogos de 2012 a Inglaterra aumentou substancialmente o seu investimento. Dos 59 milhões de libras (cerca de 70 milhões de euros) para Sidney e 70 milhões para Atenas (90 milhões de euros) passou para 235 milhões para Pequim (cerca de 300 milhões de euros). (Nota: usei como taxa de conversão 1.3; o euro neste momento está valorizado em relação à libra, mas é um fenómeno relativamente recente, sendo 1.3 um valor mais justo para fazer a comparação a longo prazo; a libra chegou a valer 1.6 no início de circulação do Euro). Como resultado, obtiveram em Pequim 47 medalhas (19 de ouro). O ratio investimentos/medalhas para Portugal e Grã-Bretanha é mais ou menos id~entico (cerca de 7 milhões de euros por medalha conseguida). Ou seja, os nossos resultados estão perfeitamente enquadrados dentro do investimento realizado.

Note-se no caso inglês que, tal como nós, possuem vários níveis de apoio aos atletas. Os ingleses usam apenas 3 níveis: podium, development e talen. Podium é o nível onde são integrados os atletas com boas perspectivas de obtenção de medalhas olímpicas; development é a segunda linha de investimentos; talent é o equivalente ao nosso programa de Esperanças Olímpicas (que é uma novidade por cá: desde 2005 decorre o programa Esperanças Londres 2012 e vai arrancar agora o programa Esperanças 2016). A diferença está nos números: A grã-Bretanha tem mais de 1500 atletas nos níveis Podium e Development. Sendo que apenas 300 e tal foram integrados na equipa olímpica. Ou seja, a sua "pool" de atletas é grande, permitindo à chegada aos jogos seleccionar apenas os que estão em melhor forma. Em Portugal, por outro lado, praticamente todos os atletas no programa olímpico são seleccionáveis, já que não temos mais por onde escolher. Na maior parte das modalidades ou eventos temos apenas 1 atleta de nível internacional, capaz de fazer mínimos.

O caso chinês
O caso chinês, obviamente, não serve de exemplo para ninguém. A partir de 2000 o investimento anual cifrou-se em mais de 700 milhões de dólares anuais! O que dá 2.800 milhões de dólares por cada ciclo olímpico!!! São números avassaladores, que só podem ser conseguidos por governos ditaturiais com uma base de contribuintes na casa do bilião. Claro que alguma coisa fica para trás, e num país ainda muito pobre (para a esmagadora maioria da população), gasta-se mais que em qualquer outro no programa olímpico. Mas serve de lição: sem ovos (guito!) não se fazem omeletes (campeões olímpicos). E se queremos muitos campeões, temos de gastar muito, mas mesmo muito dinheiro.

Voltando ao nosso caso
O investimento português é razoável e estão a criar-se condições para que os resultados apareçam no longo prazo. Infra-estruturas, centros de alto rendimento, apoio aos clubes, às federações. Mas demora tempo. E aos 4 milhões de euros por ano vai demorar muito até conseguirmos sequer apanhar países como a Holanda, por exemplo (a Holanda tem cerca de metade da nossa população e conseguiu 16 medalhas, sendo 7 de ouro). Espero que com estes números a nossa participação, bem como os objectivos traçados ao início, possam ser devidamente analisados, em condições justas.

E que, de futuro, se pense mais nas modalidades desportivas além-futebol. Ou então, que nos deixemos de preocupar com os resultados dessas modalidades e assumamos por uma vez que apenas o futebol interessa. Durante 4 anos ninguém ouve falar da preparação olímpica e a cada 4 anos vem toda a gente pedir contas do que se fez com o dinheiro. Como se fosse uma grande fortuna. Como se ser atleta olímpico em Portugal fosse o caminho mais fácil para uma vida financeiramente desafogada.


Referências:
- Página do COP sobre o programa Pequim 2008 (ao fundo da página têm os links relevantes)
- A participação do CO Espanhol no sucesso de 1992 (PDF)
- UK Sport a entidade responsável pela preparação olímpica britânica
- Artigo de opinião sobre o investimento chinês