Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.
Chegada ao fim a primeira semana de jogos, começa o atletismo. E foi aí que tudo aconteceu. Foi aí que surgiu a grande revolta do povo português contra os Jogos Olímpicos, as despesas com os atletas olímpicos, o brio dos atletas olímpicos. A seu tempo, lá chegaremos. Para já, vou só falar do caso do Marco Fortes, que foi o início da polémica.
Marco Fortes, após a prova do lançamento do peso, referiu que não se dá bem com provas de manhã, que para ele, de manhã, é só na caminha. A frase foi muito mal escolhida. Caiu muito mal. Foi repetida mais de 100 vezes. Toda a gente a cita agora, quando quer atacar os atletas olímpicos. Claro que nem por uma vez, após o próprio dia, se ouviu a repetição das declarações de Marco Fortes na conferência de imprensa na véspera da qualificação. Ele foi um dos atletas que respondeu às questões dos jornalistas. E sobre as suas expectativas referiu que em provas internacionais anteriores se sentiu um pouco deslumbrado pelo ambiente do estádio, era a sua estreia em provas de topo, e se desconcentrou. E continuou dizendo: "desta vez vai ser diferente. Amanhã só vou disfrutar do ambiente lá mais para o fim do dia quando me entregarem a medalha". A audiência respondeu com risos. Afinal, só para conseguir a qualificação directa teria de bater o seu record pessoal por 27cm (a melhor marca é de 20,13, era exigido 20,40 para passar). E depois concluiu com "Porque eles são grandes, mas não são Fortes". A audiência voltou a responder com risos. As piadas da véspera, cairam bem. A do dia da prova, não. Mais vale cair em graça do que ser engraçado, e Marco Fortes aprendeu esta lição da pior maneira possível.
A frase, a famosa frase, era uma piada. Já tinha dado para perceber que ele é o homem das piadas na comitiva, é o que está sempre bem disposto. Foi uma piada mal escolhida, uma piada sem graça, uma piada infeliz. Mas, tirando o facto de Marco Fortes não ter grande jeito para fazer piadas em situações sérias, não percebo do que pode ser acusado.
Após estalar a bronca, e após se repetirem acusações aos atletas olímpicos e, por seu lado, aparecerem várias pessoas a defendê-los, a comunicação social começa a sua dança. No site do Público, por exemplo, não foram referidas as marcas atingidas por Marco Fortes na qualificação. Nem qual era o seu record pessoal.
Uns dias mais tarde, Marco Fortes marca presença no programa Noites Olímpicas da RTP. Uma das coisas que o jornalista lhe perguntou foi se ele não se sentia um pouco injustiçado, porque toda a gente repete a frase, mas ninguém sabe quais são as suas marcas. A resposta por parte do Público não se fez esperar: no dia seguinte o Público noticia a ida de Marco Fortes à RTP. Acham que foi pôr água na fervura? Não, foi mesmo para responder à letra à acusação da RTP que na comunicação social só foi dado ênfase à reacção após a prova em vez de aos resultados desportivos. E por isso o Público achou por bem referir, coisa que não tinha feito na notícia anterior referente à sua eliminação, que Marco Fortes fez 18,05m num dos ensaios e 2 ensaios nulos, sendo a sua melhor marca pessoal de 20,13 e que terminou em 38º entre 45 atletas. Assim, o Público já pode estar defendido, está lá toda a informação! E agora, sim, quem quiser pode ofender o Marco Fortes, porque a informação factual até aponta para a falta de empenho do atleta(coisa que pelos vistos a opinião pública já tinha decidido há muito tempo).
O problema da cobertura destas situações na comunicação social, no Público em particular, não tem sido a informação que é dada. Essa é factualmente correcta (em regra, há excepções miseráveis!). O que é lamentável é que haja informação relevante que não é dada. Por exemplo, o facto de, à partida, Marco Fortes ter a 39ª melhor marca pessoal entre em 45 atletas. No que toca às melhores marcas desta época era 33º. Ficou em 38º. É uma prestação assim tão baixa?
Um pormenor que talvez escape a uma leitura na diagonal: Marco Fortes ficou em 38º, quando a sua melhor marca era a 39ª. Contudo, ficou a 2 metros do seu record pessoal. Não é estranho que um atleta fique tão longe da sua melhor marca e, apesar de tudo, não desça lugares na classificação? É estranho. E é mais estranho que em 45 atletas tenha havido apenas um record pessoal e uma melhor marca da época na qualificação. Estranho, sobretudo tendo em conta que apenas 6 atletas conseguiram a qualificação directa, logo outros 6 tiveram de lutar pelas repescagens. Apenas 6 atingiram os 20,40m necessários, quando havia 31 atletas com record pessoal superior a essa marca. Efectivamente, os resultados foram tão maus que caso Marco Fortes tivesse igualado o seu record pessoal tinha-se qualificado em 10º lugar! Isto para um atleta que estava à partida em 39º lugar, é notável! Algo de muito errado se terá passado no lançamento do peso. Ou não?
A parte curiosa é que o cenário se repetiu um pouco por todos os concursos de lançamentos. Nas qualificações as marcas foram todas, em geral, baixas. Os próprios comentadores (Eurosport e RTP2) referiam o facto falando das queixas dos atletas sobre o horário das provas e referindo que os concursos estão a começar bastante cedo, tendo em conta o normal horário em meetings, campeonatos da Europa ou do Mundo.
E esta é que é a parte irónica da bronca toda: a piada que Marco Fortes escolheu foi muito mal escolhida e não teve grande graça. Mas... até é bem verdade. De manhã, para ele e para todos os outros lançadores do peso, só na caminha!
Se uma prova que começa às 9 da manhã o atleta tem a acordar bem antes das 7 horas. Não sei como é a generalidade dos portugueses, mas quando eu acordo às 7h preciso de 2 cafés para despertar e mesmo assim só lá para as 11 é que rendo o máximo. Entre as 9 e as 11 vou acelerando...
Nota: Marco Fortes tem 25 anos, estuda no ensino secundário e é atleta do Sporting. É recordista nacional de lançamento do peso e é o primeiro atleta português a conseguir a qualificação para uns Jogos Olímpicos nesta modalidade. O seu record pessoal foi atingido esta época, quer ao ar livre quem em pista coberta. Passou de 19,13 ao ar livre e 18,33 em pista coberta em 2007 para records pessoais de 20,08 em pista coberta e 20,13 ao ar livre. Foi integrado no Projecto Pequim 2008 em Março deste ano, quando conseguiu os mínimos, no nível IV (bolsa de 500 euros por mês).
27 agosto 2008
26 agosto 2008
Prémios Ó Faxavor!
A redacção do "Ó faxavor! É uma imperial e um pires de tremoços" tem o prazer de atribuir à leitora a.i. uma menção honrosa, na categoria Imperial e Tremoços, pela sua notável contribuição para elevar a média de page views do blog.
Para que percebam a importância desta contribuição, ontem houve 250 pageviews; na semana passada o número oscilou entre as 150 e 200. Hoje já vão mais de 400!!! Só numa das visitas registadas conta com mais de 100 page views, o que é notável! Mesmo lendo depressa são umas boas 3 horas a ler posts e caixas de comentários.
Para que percebam a importância desta contribuição, ontem houve 250 pageviews; na semana passada o número oscilou entre as 150 e 200. Hoje já vão mais de 400!!! Só numa das visitas registadas conta com mais de 100 page views, o que é notável! Mesmo lendo depressa são umas boas 3 horas a ler posts e caixas de comentários.
JO2008 - Parte V, A Natação
Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.
A onda de críticas ao desempenho dos atletas portugueses em Pequim que se seguiu à eliminação de Telma Monteiro (ver post anterior) teve ainda mais eco depois das declarações do Presidente da Federação de Natação. Disse que dos 8 atletas presentes, Tiago Venâncio decidiu abandonar o programa de treino da federação e preparar-se sozinho. E que os 7 atletas restantes melhoraram os seus máximos, mas Tiago Venâncio não. E disse ainda que um nadador brasileiro, que há 3, 4 anos perdia para o Venâncio, sagrou-se campeão olímpico.
Até pode ser verdade. Mas acho que é o tipo de recado para mandar em privado. Acho que era escusado referir esse facto na conferência de imprensa. Fica mal a um dirigente vir, a posteriori, comentar em público a decisão de um atleta em mudar o seu programa de treino. Se o erro de Tiago Venâncio era assim tão clamoroso, competia à Federação Portuguesa de Natação ter dado por ele a tempo e ter alertado o atleta ou tê-lo retirado da equipa olímpica. Se não o fizeram, foi uma decisão da Federação, pela qual apenas a Federação é responsável.
Vir a público, numa altura em que a comunicação social já reclama sangue pela falta de medalhas, criticar um atleta de 21 anos, e que, portanto, ainda está em início de carreira dispondo de mais 2 campanhas olímpicas pela frente, é contra-producente e deselegante, para não dizer mais.
Até pode ser verdade. Mas isso é o mesmo que ver o treinador de uma equipa de futebol queixar-se de um atleta e do seu método de treino depois de uma derrota. Se o atleta estava em má forma não devia ter alinhado. A culpa, num tal caso, é sempre do treinador.
Nota: Tiago Venâncio é estudante do ensino secundário e atleta do Palmela Desporto EM. Participou nos Jogos de Pequim em 100 e 200m livres. A sua estreia olímpica foi em Atenas, nos 100m livres. Foi 19º e 20º em 100m e 200m livres, respectivamente, nos campeonatos do Mundo de 2007. Foi integrado no projecto Pequim 2008 em Abril de 2005, tendo estado 1 ano no nível III (bolsa de 750 euros por mês) e o resto do tempo com o nível IV (bolsa de 500 euros por mês).
Próximos capítulos (amanhã):
- Marco Fortes
- Jessica Augusto
- As outras frases chave do atletismo
A onda de críticas ao desempenho dos atletas portugueses em Pequim que se seguiu à eliminação de Telma Monteiro (ver post anterior) teve ainda mais eco depois das declarações do Presidente da Federação de Natação. Disse que dos 8 atletas presentes, Tiago Venâncio decidiu abandonar o programa de treino da federação e preparar-se sozinho. E que os 7 atletas restantes melhoraram os seus máximos, mas Tiago Venâncio não. E disse ainda que um nadador brasileiro, que há 3, 4 anos perdia para o Venâncio, sagrou-se campeão olímpico.
Até pode ser verdade. Mas acho que é o tipo de recado para mandar em privado. Acho que era escusado referir esse facto na conferência de imprensa. Fica mal a um dirigente vir, a posteriori, comentar em público a decisão de um atleta em mudar o seu programa de treino. Se o erro de Tiago Venâncio era assim tão clamoroso, competia à Federação Portuguesa de Natação ter dado por ele a tempo e ter alertado o atleta ou tê-lo retirado da equipa olímpica. Se não o fizeram, foi uma decisão da Federação, pela qual apenas a Federação é responsável.
Vir a público, numa altura em que a comunicação social já reclama sangue pela falta de medalhas, criticar um atleta de 21 anos, e que, portanto, ainda está em início de carreira dispondo de mais 2 campanhas olímpicas pela frente, é contra-producente e deselegante, para não dizer mais.
Até pode ser verdade. Mas isso é o mesmo que ver o treinador de uma equipa de futebol queixar-se de um atleta e do seu método de treino depois de uma derrota. Se o atleta estava em má forma não devia ter alinhado. A culpa, num tal caso, é sempre do treinador.
Nota: Tiago Venâncio é estudante do ensino secundário e atleta do Palmela Desporto EM. Participou nos Jogos de Pequim em 100 e 200m livres. A sua estreia olímpica foi em Atenas, nos 100m livres. Foi 19º e 20º em 100m e 200m livres, respectivamente, nos campeonatos do Mundo de 2007. Foi integrado no projecto Pequim 2008 em Abril de 2005, tendo estado 1 ano no nível III (bolsa de 750 euros por mês) e o resto do tempo com o nível IV (bolsa de 500 euros por mês).
Próximos capítulos (amanhã):
- Marco Fortes
- Jessica Augusto
- As outras frases chave do atletismo
JO2008 - Parte IV, Telma Monteiro e os árbitros
Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.
Telma Monteiro é (ou pelo menos era) a menina bonita do judo português. Antes do início dos jogos era uma das atletas mais mediáticas da comitiva portuguesa: a miuda é nova, é gira, fotogénica, e fica muito bem de kimono. Por todo o lado multiplicavam-se as entrevistas, reportagens sobre a judoca, sobre os seus métodos de treino, a sua disciplina, os resultados que conseguiu, as expectativas para Pequim. Em regra, acompanhadas de fotografias de página inteira, que a miuda é mesmo gira.
Era candidata a uma medalha, mas falhou o pódio. Perdeu o 2º combate contra a chinesa que veio a ganhar a medalha de ouro, foi repescada e perdeu o combate de repescagem. No fim queixou-se das arbitragens. E foi isso que os portugueses levaram a mal.
Claro! Porque em Portugal NINGUÉM SE QUEIXA DOS ÁRBITROS! Aliás, este país nem ficou 2 anos com azia por causa de um penalty (a mão do Abel Xavier) no Euro 2000 nem nada! Ainda por cima, um penalty bem assinalado e durante 2 anos a desculpa serviu para justificar a nossa derrota no europeu. No mundial de 2002 pudemos ver o João Pinto a bater no árbitro, não foi a queixar-se dele! Ainda neste europeu ouvimos repetidas vezes falar da falta do Ballack sobre o Paulo Ferreira no lance do terceiro golo da Alemanha nos quartos de final. Ainda no Euro-2008 falou-se durante semanas do golo marcado pela Holanda contra a Itália, se era ou não fora de jogo, se a posição do Panucci já fora das 4 linhas validava o golo, a UEFA até veio a público comentar o lance. Por estes lados terminou apenas recentemente um processo judicial sobre corrupção no futebol, em que foram condenados dirigentes e árbitros por crimes de corrupção e coacção. O caso deu (e ainda dá) que falar durante longos anos. No fim de cada jornada de futebol fala-se nos lances mal assinalados. Queixam-se os treinadores, os dirigentes, os jogadores, os adeptos. Ainda este fim de semana, em que arrancou o campeonato, vimos esmiuçado o lance do penalty contra o Sporting (que foi incorrectamente assinalado), e o treinador do Belenenses, após perder 2-0 no Estádio do Dragão veio dizer que a arbitragem foi tendenciosa. Há duas épocas falou-se durante um ano no famoso golo do Paços de Ferreira marcado com a mão em Alvalade, que fez com que o Sporting perdesse 1-0. A desculpa serviu o ano todo e era exemplo sempre chamado quando um sportinguista se queria lamentar do grave prejuizo sentido pelo seu clube. Há uns anos Vítor Baía defende um remate do Benfica já dentro da baliza, o árbitro não assinalou o golo e este lance até teve honras de rábula no Diz Que É Uma Espécie de Magazine. O golo de Vata, marcado com a mão, mas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus em 1991 e que levou o Benfica à final ainda é lembrado. Nos jornais desportivos todos os lances de arbitragem são esmiuçados, analisados, comentados. Os adeptos multiplicam-se em acusações de favorecimento de árbitros ao clube do lado. Qualquer discussão sobre futebol em Portugal rapidamente evolui para uma contagem de casos. E não falta quem consiga enumerar, por época, 5 ou 6 casos de prejuizo claro ao seu clube e 5 ou 6 casos de benefício aos adversários.
Mas... mas isso é só no futebol. Nas outras modalidades levamos muito a mal que se queixem da arbitragem. No futebol, pode ser. Mas no judo, não, que é isto? Há que assumir as derrotas e não inventar desculpas como essa da arbitragem, que só serve para o futebol. Porque é de futebol que a malta gosta, é de futebol que a malta (acha que) percebe, é futebol que a malta vê.
Foi pena a Telma Monteiro não ter conseguido a medalha. Sem dúvida que foi. Mas daí a termos um país ofendido porque ela se queixou dos árbitros, é preciso uma boa dose de falta de vergonha na cara, lá isso é...
E também foi pena que os que agora aparecem a criticar as "desculpas" de Telma Monteiro não tivessem visto o combate. Eu também não vi. Por isso não avalio a justiça dos comentários de Telma. Mas já ouvi dizer, por mais que uma pessoa que viu o combate, que Telma Monteiro até tem razão nas suas queixas, foi mesmo muito prejudicada pelas arbitragens.
Nota: Telma Monteiro é estudante do ensino superior e atleta do Benfica. É campeã europeia e vice-campeã mundial. Está integrada no Projecto Pequim 2008 desde Outubro de 2004 no nível III (bolsa de 750 euros por mês), tendo sido integrada no nível I (bolsa de 1250 euros por mês) em Outubro de 2007. Participou nos Jogos Olímpicos de Atenas, tendo conseguido na altura o 9º lugar, o mesmo que conseguiu em Pequim.
Telma Monteiro é (ou pelo menos era) a menina bonita do judo português. Antes do início dos jogos era uma das atletas mais mediáticas da comitiva portuguesa: a miuda é nova, é gira, fotogénica, e fica muito bem de kimono. Por todo o lado multiplicavam-se as entrevistas, reportagens sobre a judoca, sobre os seus métodos de treino, a sua disciplina, os resultados que conseguiu, as expectativas para Pequim. Em regra, acompanhadas de fotografias de página inteira, que a miuda é mesmo gira.
Era candidata a uma medalha, mas falhou o pódio. Perdeu o 2º combate contra a chinesa que veio a ganhar a medalha de ouro, foi repescada e perdeu o combate de repescagem. No fim queixou-se das arbitragens. E foi isso que os portugueses levaram a mal.
Claro! Porque em Portugal NINGUÉM SE QUEIXA DOS ÁRBITROS! Aliás, este país nem ficou 2 anos com azia por causa de um penalty (a mão do Abel Xavier) no Euro 2000 nem nada! Ainda por cima, um penalty bem assinalado e durante 2 anos a desculpa serviu para justificar a nossa derrota no europeu. No mundial de 2002 pudemos ver o João Pinto a bater no árbitro, não foi a queixar-se dele! Ainda neste europeu ouvimos repetidas vezes falar da falta do Ballack sobre o Paulo Ferreira no lance do terceiro golo da Alemanha nos quartos de final. Ainda no Euro-2008 falou-se durante semanas do golo marcado pela Holanda contra a Itália, se era ou não fora de jogo, se a posição do Panucci já fora das 4 linhas validava o golo, a UEFA até veio a público comentar o lance. Por estes lados terminou apenas recentemente um processo judicial sobre corrupção no futebol, em que foram condenados dirigentes e árbitros por crimes de corrupção e coacção. O caso deu (e ainda dá) que falar durante longos anos. No fim de cada jornada de futebol fala-se nos lances mal assinalados. Queixam-se os treinadores, os dirigentes, os jogadores, os adeptos. Ainda este fim de semana, em que arrancou o campeonato, vimos esmiuçado o lance do penalty contra o Sporting (que foi incorrectamente assinalado), e o treinador do Belenenses, após perder 2-0 no Estádio do Dragão veio dizer que a arbitragem foi tendenciosa. Há duas épocas falou-se durante um ano no famoso golo do Paços de Ferreira marcado com a mão em Alvalade, que fez com que o Sporting perdesse 1-0. A desculpa serviu o ano todo e era exemplo sempre chamado quando um sportinguista se queria lamentar do grave prejuizo sentido pelo seu clube. Há uns anos Vítor Baía defende um remate do Benfica já dentro da baliza, o árbitro não assinalou o golo e este lance até teve honras de rábula no Diz Que É Uma Espécie de Magazine. O golo de Vata, marcado com a mão, mas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus em 1991 e que levou o Benfica à final ainda é lembrado. Nos jornais desportivos todos os lances de arbitragem são esmiuçados, analisados, comentados. Os adeptos multiplicam-se em acusações de favorecimento de árbitros ao clube do lado. Qualquer discussão sobre futebol em Portugal rapidamente evolui para uma contagem de casos. E não falta quem consiga enumerar, por época, 5 ou 6 casos de prejuizo claro ao seu clube e 5 ou 6 casos de benefício aos adversários.
Mas... mas isso é só no futebol. Nas outras modalidades levamos muito a mal que se queixem da arbitragem. No futebol, pode ser. Mas no judo, não, que é isto? Há que assumir as derrotas e não inventar desculpas como essa da arbitragem, que só serve para o futebol. Porque é de futebol que a malta gosta, é de futebol que a malta (acha que) percebe, é futebol que a malta vê.
Foi pena a Telma Monteiro não ter conseguido a medalha. Sem dúvida que foi. Mas daí a termos um país ofendido porque ela se queixou dos árbitros, é preciso uma boa dose de falta de vergonha na cara, lá isso é...
E também foi pena que os que agora aparecem a criticar as "desculpas" de Telma Monteiro não tivessem visto o combate. Eu também não vi. Por isso não avalio a justiça dos comentários de Telma. Mas já ouvi dizer, por mais que uma pessoa que viu o combate, que Telma Monteiro até tem razão nas suas queixas, foi mesmo muito prejudicada pelas arbitragens.
Nota: Telma Monteiro é estudante do ensino superior e atleta do Benfica. É campeã europeia e vice-campeã mundial. Está integrada no Projecto Pequim 2008 desde Outubro de 2004 no nível III (bolsa de 750 euros por mês), tendo sido integrada no nível I (bolsa de 1250 euros por mês) em Outubro de 2007. Participou nos Jogos Olímpicos de Atenas, tendo conseguido na altura o 9º lugar, o mesmo que conseguiu em Pequim.
Dr. House
Um grupo de médicos na Itália está a tentar que a série Dr. House seja eliminada da televisão italiana. Protestam contra a falta de rigor médico nos episódios.
Ora aí está uma excelente ideia, mas acho que peca por escassa. Os médicos podiam (e deviam) ter protestado também contra a série Nip Tuck, ER e Grey's Anatomy. Os advogados deviam protestar contra Boston Legal ou The Shark, ambas as séries retraram advogados muito pouco escrupulosos e que ganham os seus casos quebrando a maior parte das regras. Qualquer cientista forense, bioquímico, biologo, químico ou mesmo informático deve sentir-se ofendido com as várias versões do CSI, pelo que também devem ser eliminadas. Os psiquiatras forentes devem bradar aos céus com os atropelos cometidos por Mentes Criminosas.
E qualquer pessoa com formação em ciência, em física em particular, deve protestar e exigir a remoção das grelhas de programação, dos títulos de DVD disponíveis e dos cartazes de cinema de coisas como:
- Star Wars
- Star Trek
- Stargate
- Armagedon
- 2001, Odisseia no Espaço
- Qualquer outro filme com naves espaciais, excepto o Apolo XIII
- Roswell
- ET
- Predador
- Coccoon
- Qualquer filme ou série que meta ETs
- Os ficheiros de Dresden
- As feiticeiras
- Buffy
- Qualquer série ou filme que envolva vampiros, demónios, bruxos e afins
- Homem Aranha (ambos)
- Batman (todos)
- Super-Homem (todos)
- Hulk (ambas as versões)
- Matrix
- Qualquer outro filme com super-herois ou gente a voar, em geral
- Medium
- O Sexto Sentido
- The Others
- Poltergeist
- Ghostbusters
- Qualquer filme que envolva gente morta ou fantasmas, gente que fala com gente morta ou fantasmas ou que vê gente morta ou fantasmas
- The Evil Dead (A Noite dos Mortos-Vivos)
- The Evil Dead II (A Morte chega de madrugada)
- Army of Darkness (O Exército das Trevas, 3º filme da trilogia Evil Dead)
- Qualquer filme com zombies
E, para acabar em beleza, é escandaloso que se permitam na televisão:
- Bip-bip
- Bugs Bunny
- Tom&Jerry
- Qualquer desenho animado em que: a) personagens morram num episódio e apareçam no seguinte; b) personagens expludam mas não morram, fiquem só chamuscadas; c) personagens sejam atingidas por pianos a cair escadas abaixo e saiam ilesas após sacudir a cabeça; d) personagens fiquem a pairar sobre um precipício e só caiam depois de olhar para baixo
Esta falta de rigor na televisão e no cinema TEM DE ACABAR E JÁ! Basta de fantasias! A partir de agora, só se permitem na televisão os seguintes conteúdos:
- Noticiários (sem opiniões de comentadores);
- Documentários (após passar pelo crivo da censura, a avaliar o seu rigor);
- Desporto;
E mai nada!
Ora aí está uma excelente ideia, mas acho que peca por escassa. Os médicos podiam (e deviam) ter protestado também contra a série Nip Tuck, ER e Grey's Anatomy. Os advogados deviam protestar contra Boston Legal ou The Shark, ambas as séries retraram advogados muito pouco escrupulosos e que ganham os seus casos quebrando a maior parte das regras. Qualquer cientista forense, bioquímico, biologo, químico ou mesmo informático deve sentir-se ofendido com as várias versões do CSI, pelo que também devem ser eliminadas. Os psiquiatras forentes devem bradar aos céus com os atropelos cometidos por Mentes Criminosas.
E qualquer pessoa com formação em ciência, em física em particular, deve protestar e exigir a remoção das grelhas de programação, dos títulos de DVD disponíveis e dos cartazes de cinema de coisas como:
- Star Wars
- Star Trek
- Stargate
- Armagedon
- 2001, Odisseia no Espaço
- Qualquer outro filme com naves espaciais, excepto o Apolo XIII
- Roswell
- ET
- Predador
- Coccoon
- Qualquer filme ou série que meta ETs
- Os ficheiros de Dresden
- As feiticeiras
- Buffy
- Qualquer série ou filme que envolva vampiros, demónios, bruxos e afins
- Homem Aranha (ambos)
- Batman (todos)
- Super-Homem (todos)
- Hulk (ambas as versões)
- Matrix
- Qualquer outro filme com super-herois ou gente a voar, em geral
- Medium
- O Sexto Sentido
- The Others
- Poltergeist
- Ghostbusters
- Qualquer filme que envolva gente morta ou fantasmas, gente que fala com gente morta ou fantasmas ou que vê gente morta ou fantasmas
- The Evil Dead (A Noite dos Mortos-Vivos)
- The Evil Dead II (A Morte chega de madrugada)
- Army of Darkness (O Exército das Trevas, 3º filme da trilogia Evil Dead)
- Qualquer filme com zombies
E, para acabar em beleza, é escandaloso que se permitam na televisão:
- Bip-bip
- Bugs Bunny
- Tom&Jerry
- Qualquer desenho animado em que: a) personagens morram num episódio e apareçam no seguinte; b) personagens expludam mas não morram, fiquem só chamuscadas; c) personagens sejam atingidas por pianos a cair escadas abaixo e saiam ilesas após sacudir a cabeça; d) personagens fiquem a pairar sobre um precipício e só caiam depois de olhar para baixo
Esta falta de rigor na televisão e no cinema TEM DE ACABAR E JÁ! Basta de fantasias! A partir de agora, só se permitem na televisão os seguintes conteúdos:
- Noticiários (sem opiniões de comentadores);
- Documentários (após passar pelo crivo da censura, a avaliar o seu rigor);
- Desporto;
E mai nada!
Microsoft... o que se há-de fazer...
Tou de volta de um PC que não arranca. Tinha alguns problemas, é certo, mas tem vindo a ficar pior. O problema é que o computador é da "patroa", se lhe dou cabo do disco ela dá-me cabo do canastro.
Para que se perceba a enrascada em que me meti:
1. O PC tinha virus. Encontrei uns quantos, limpei, mas com o PC infectado é difícil garantir que a própria detecção é fidedigna. Vai daí, porque o filho da mãe continuava a aparecer (provavelmente um programa lança uma nova cópia do virus sempre que detecta que não está nenhuma a correr), resolvi limpar à mão algumas coisas que estavam a arrancar e que cheiravam a esturro.
2. Como consequência, deixei de conseguir entrar no PC: diz o windows que a conta de administrador (a única que existe) não tem privilégios ou há um problema com os privilégios da conta. Então, resolvi trazer o PC cá para casa, e reparar a instalação do Windows.
3. Aparentemente corria bem, mas agora o PC não arranca: ecrã azul logo no início, com um daqueles erros muito explícitos: diz "STOP: 0x0000007B", seguido de uns quantos endereços que a mim não dizem nada, mas que o Google encontra facilmente. Basicamente quer dizer "tás fodido".
4. Então resolvo correr as ferramentas para reparar o sector de arranque (é onde o windows vai buscar informações sobre os discos e sistemas operativos instalados para saber o que deve arrancar). Corro o ficheiro e recebo uma mensagem a dizer que o computador tem um sector de arranque inválido e correr o fixmbr (o comando que supostamente resolve problemas destes) pode dar cabo das partições.
5. Vai daí, volto ao site da Microsoft para perceber que raio de problemas pode isto dar. A resposta que obtive é: "Ignore a mensagem de erro. O Fixmbr dá sempre essa mensagem, seja o sector de arranque inválido ou não".
A pergunta que se coloca é: se o aviso ocorre sempre, como raio vou saber se alguma vez o sector de arranque estiver mesmo corrompido? Para que raio é que se põe uma mensagem de erro que dá a entender que algo foi testado e falhou no teste se não houve teste nenhum?
E ainda se admiram que a malta saque o Windows? Pudera! Quem no seu perfeito juizo é que paga por aquela merda?
Para que se perceba a enrascada em que me meti:
1. O PC tinha virus. Encontrei uns quantos, limpei, mas com o PC infectado é difícil garantir que a própria detecção é fidedigna. Vai daí, porque o filho da mãe continuava a aparecer (provavelmente um programa lança uma nova cópia do virus sempre que detecta que não está nenhuma a correr), resolvi limpar à mão algumas coisas que estavam a arrancar e que cheiravam a esturro.
2. Como consequência, deixei de conseguir entrar no PC: diz o windows que a conta de administrador (a única que existe) não tem privilégios ou há um problema com os privilégios da conta. Então, resolvi trazer o PC cá para casa, e reparar a instalação do Windows.
3. Aparentemente corria bem, mas agora o PC não arranca: ecrã azul logo no início, com um daqueles erros muito explícitos: diz "STOP: 0x0000007B", seguido de uns quantos endereços que a mim não dizem nada, mas que o Google encontra facilmente. Basicamente quer dizer "tás fodido".
4. Então resolvo correr as ferramentas para reparar o sector de arranque (é onde o windows vai buscar informações sobre os discos e sistemas operativos instalados para saber o que deve arrancar). Corro o ficheiro e recebo uma mensagem a dizer que o computador tem um sector de arranque inválido e correr o fixmbr (o comando que supostamente resolve problemas destes) pode dar cabo das partições.
5. Vai daí, volto ao site da Microsoft para perceber que raio de problemas pode isto dar. A resposta que obtive é: "Ignore a mensagem de erro. O Fixmbr dá sempre essa mensagem, seja o sector de arranque inválido ou não".
A pergunta que se coloca é: se o aviso ocorre sempre, como raio vou saber se alguma vez o sector de arranque estiver mesmo corrompido? Para que raio é que se põe uma mensagem de erro que dá a entender que algo foi testado e falhou no teste se não houve teste nenhum?
E ainda se admiram que a malta saque o Windows? Pudera! Quem no seu perfeito juizo é que paga por aquela merda?
25 agosto 2008
JO2008 - Parte III, A primeira semana
Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.
Há 4 anos Sérgio Paulinho ganhou prata nos Jogos de Atenas. De forma completamente inesperada, mas conseguiu. O ciclismo de estrada corre-se logo nos primeiros dias e em 2004 os portugueses foram surpreendidos com uma notícia invulgar: ainda só estavam decorridos 1 ou 2 dias de jogos e já lá estávamos nós no quadro de medalhas.
Desde o início dos jogos ou melhor, desde o fim da prova de estrada no ciclismo, que ouvi falar, pelo menos 3 ou 4 vezes, nas "esperanças que Portugal suba ao pódio na primeira semana". Como se fosse uma coisa comum. Como se fosse uma coisa expectável. Não fosse a medalha do Sérgio Paulinho há 4 anos, sem lhe tirar valor, mas com uma boa dose de acaso, e em Portugal nem se saberia que havia medalhas na primeira semana.
Dos 5 candidatos sérios a medalhas, 3 só competiam na segunda semana (Nelson Évora, Naide Gomes e Vanessa Fernandes), e Gustavo Lima, estando já em curso a competição de vela, apenas discutiria as medalhas já bem no fim dos jogos.
Só no judo, com a participação de Telma Monteiro, havia alguma esperança de atingir uma medalha e quando essa se desmoronou, foi um rol de entrevistas a atletas candidatos a medalhas a perguntar se o desaire de Telma Monteiro (de que falarei no próximo capítulo) não teria colocado maior pressão sobre os atletas portugueses à luz dos objectivos iniciais. Bom, se a derrota de Telma Monteiro não colocou pressão sobre os atletas, de certeza que as perguntas dos jornalistas fizeram bem esse trabalho!
Mas pronto, para a comunicação social portuguesa (e para a RTP em particular), a esperança de uma medalha na primeira semana tinha de se manter acesa.
Nota: Sérgio Paulinho estava seleccionado para representar Portugal nos Jogos Olímpicos, mas não alinhou na prova. Já ouvi vários comentários sobre o facto, em geral em tom acusatório. Para quem não acompanhou o evoluir dos acontecimentos aqui fica a síntese: Sérgio Paulinho tem asma e precisa de tomar medicação para controlar a doença. Solicitou a autorização ao COI para usar os medicamentos e esta autorização foi negada. Por essa razão recusou participar (e fez ele muito bem!). A medalha de há 4 anos foi fruto de algum acaso e sobretudo das pernas de Sérgio Paulinho. Nada se tinha feito no ciclismo português para o merecer e em 4 anos nada de mais se fez.
Nota 2: O actual recordista mundial da maratona, o etíope Haile Gebrselassie, também sofre de asma. Anunciou que não iria participar nos Jogos Olímpicos devido à má qualidade do ar em Pequim. Não sei como terá sido a reacção na Etiópia, mas nenhum país tem o direito de exigir a um atleta que sacrifique a sua saúde em nome de um qualquer orgulho nacional. No entanto, espero que aqueles que o fazem sejam louvados como herois independentemente dos resultados.
Próximos capítulos (amanhã):
- Telma Monteiro e os árbitros
- Natação
Há 4 anos Sérgio Paulinho ganhou prata nos Jogos de Atenas. De forma completamente inesperada, mas conseguiu. O ciclismo de estrada corre-se logo nos primeiros dias e em 2004 os portugueses foram surpreendidos com uma notícia invulgar: ainda só estavam decorridos 1 ou 2 dias de jogos e já lá estávamos nós no quadro de medalhas.
Desde o início dos jogos ou melhor, desde o fim da prova de estrada no ciclismo, que ouvi falar, pelo menos 3 ou 4 vezes, nas "esperanças que Portugal suba ao pódio na primeira semana". Como se fosse uma coisa comum. Como se fosse uma coisa expectável. Não fosse a medalha do Sérgio Paulinho há 4 anos, sem lhe tirar valor, mas com uma boa dose de acaso, e em Portugal nem se saberia que havia medalhas na primeira semana.
Dos 5 candidatos sérios a medalhas, 3 só competiam na segunda semana (Nelson Évora, Naide Gomes e Vanessa Fernandes), e Gustavo Lima, estando já em curso a competição de vela, apenas discutiria as medalhas já bem no fim dos jogos.
Só no judo, com a participação de Telma Monteiro, havia alguma esperança de atingir uma medalha e quando essa se desmoronou, foi um rol de entrevistas a atletas candidatos a medalhas a perguntar se o desaire de Telma Monteiro (de que falarei no próximo capítulo) não teria colocado maior pressão sobre os atletas portugueses à luz dos objectivos iniciais. Bom, se a derrota de Telma Monteiro não colocou pressão sobre os atletas, de certeza que as perguntas dos jornalistas fizeram bem esse trabalho!
Mas pronto, para a comunicação social portuguesa (e para a RTP em particular), a esperança de uma medalha na primeira semana tinha de se manter acesa.
Nota: Sérgio Paulinho estava seleccionado para representar Portugal nos Jogos Olímpicos, mas não alinhou na prova. Já ouvi vários comentários sobre o facto, em geral em tom acusatório. Para quem não acompanhou o evoluir dos acontecimentos aqui fica a síntese: Sérgio Paulinho tem asma e precisa de tomar medicação para controlar a doença. Solicitou a autorização ao COI para usar os medicamentos e esta autorização foi negada. Por essa razão recusou participar (e fez ele muito bem!). A medalha de há 4 anos foi fruto de algum acaso e sobretudo das pernas de Sérgio Paulinho. Nada se tinha feito no ciclismo português para o merecer e em 4 anos nada de mais se fez.
Nota 2: O actual recordista mundial da maratona, o etíope Haile Gebrselassie, também sofre de asma. Anunciou que não iria participar nos Jogos Olímpicos devido à má qualidade do ar em Pequim. Não sei como terá sido a reacção na Etiópia, mas nenhum país tem o direito de exigir a um atleta que sacrifique a sua saúde em nome de um qualquer orgulho nacional. No entanto, espero que aqueles que o fazem sejam louvados como herois independentemente dos resultados.
Próximos capítulos (amanhã):
- Telma Monteiro e os árbitros
- Natação
JO2008 - Parte II, 4 medalhas
Este post faz parte de uma série dedicada à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. É aconselhável ler também os posts anteriores.
Antes dos Jogos o Comité Olímpico Português tinha anunciado um objectivo ambicioso: 4 medalhas e um total de 60 pontos (há pontos para os 8 primeiros em cada competição). Porque estes objectivos, a serem atingidos, fariam desta participação olímpica a melhor de sempre, não demorou nem 2 dias para se criar o já habitual clima de euforia em torno das possibilidades olímpicas portuguesas. Havia até quem falasse em 8 medalhas, havia quem dissesse que eram possíveis 11! Isto num país que o melhor que conseguiu foram 3 medalhas (em 1984 tivemos 1 ouro e 2 bronze, em 2004 tivemos 2 prata e 1 bronze)!!! Por vezes existe este paradoxo: por um lado somos um país nostálgico, sempre a recordar os grandes feitos dos descobrimentos; por outro lado, esquecemos facilmente a história e sonhamos com possibilidades mirabolantes, como 8 medalhas numa competição em que, até agora, tivémos 20 medalhas em 21 participações (3 ouro, 6 prata, 11 bronze).
Mas onde estavam as tais possibilidades de medalha? Bom, ao contrário da maioria dos comentadores de trazer por casa que descarrega sobre a equipa olímpica as suas frustrações pessoais, eu tenho acompanhado a sério os Jogos. E acompanhar a sério é ver os resultados de todas as eliminatórias dos atletas portugueses, acompanhar em directo o que posso, ver a biografia dos atletas, o seu palmarés e os resultados recentes para poder fazer previsões minimamente realistas. E estas foram as conclusões a que cheguei:
Judo: 1 medalha possível, para Telma Monteiro ou para João Neto. Eventualmente, se a coisa corresse mesmo bem, uma para cada um. Ambos são campeões europeus em título e Telma Monteiro é vice-campeã mundial. Entre os restantes atletas da comitiva (5 no total), não pondo em causa o seu valor, a possibilidade de chegar às medalhas era muito, muito reduzida.
Tiro: o nosso atirador, João Costa, é líder do ranking mundial de tiro com pistola a 50m. Muito se falou que ele era o favorito, esquecendo talvez que este ano tem um único resultado a assinalar: um 7º lugar no torneio de qualificação olímpica. Muito pouco para justificar a histeria em torno das suas reais possibilidades. Embora, no final, a classificação tivesse ficado aquém do desejado, dificilmente poderia ser considerado um candidato sério a medalhas.
Vela: contando com velejadores com experiência em Jogos Olímpicos anteriores e bons resultados recentes, podíamos contar com 1 medalha. O principal candidato era Gustavo Lima em Laser. Entre os restantes, uma presença na regata final (os 10 melhores) seria sempre um bom resultado. Claro que, a correr mesmo bem, até podíamos sair de Pequim com mais de 1 medalha na vela. Mas isso já seria contar com uma boa dose de sorte. Gustavo Lima era o mais sério candidato ao pódio, mas nem de perto nem de longe seriam favas contadas.
Triatlo: 1 medalha para Vanessa Fernandes, pois claro! Haveria decerto muita gente a contar com o ouro como garantido, mas não nos podemos esquecer que no último mundial foi apenas 10º e que desistiu na prova da Taça do Mundo que realizou em Julho. Forte possibilidade de medalha, sim, mas numa prova do estilo maratona nada é garantido, qualquer pequeno problema físico pode implicar uma séria descida na classificação.
Atletismo: Aqui, por mais que vos tentem convencer do contrário, havia 2 possibilidades de medalha. E eram as duas bastante certas: Naide Gomes no salto em comprimento e Nelson Évora no triplo salto. Apesar da sua combatividade, da sua vontade e do talento que lhe reconheço, Obikwelu, agora com 29 anos, teria muito poucas possibilidades de chegar às medalhas, sendo uma presença na final um resultado muito satisfatório.
Então, contemos, tá bem? No melhor cenário possível seriam 2 no judo, 1 no tiro, 2 na vela, 1 no triatlo e 2 no atletismo, o que dá 8. Um cenário mais razoável seria contar com 1 no judo ou vela, 2 no atletismo, 1 no triatlo. O que dá 4. 3 hipóteses mais ou menos certas, 2 mais incertas. E foi este o objectivo traçado.
Antes dos Jogos o Comité Olímpico Português tinha anunciado um objectivo ambicioso: 4 medalhas e um total de 60 pontos (há pontos para os 8 primeiros em cada competição). Porque estes objectivos, a serem atingidos, fariam desta participação olímpica a melhor de sempre, não demorou nem 2 dias para se criar o já habitual clima de euforia em torno das possibilidades olímpicas portuguesas. Havia até quem falasse em 8 medalhas, havia quem dissesse que eram possíveis 11! Isto num país que o melhor que conseguiu foram 3 medalhas (em 1984 tivemos 1 ouro e 2 bronze, em 2004 tivemos 2 prata e 1 bronze)!!! Por vezes existe este paradoxo: por um lado somos um país nostálgico, sempre a recordar os grandes feitos dos descobrimentos; por outro lado, esquecemos facilmente a história e sonhamos com possibilidades mirabolantes, como 8 medalhas numa competição em que, até agora, tivémos 20 medalhas em 21 participações (3 ouro, 6 prata, 11 bronze).
Mas onde estavam as tais possibilidades de medalha? Bom, ao contrário da maioria dos comentadores de trazer por casa que descarrega sobre a equipa olímpica as suas frustrações pessoais, eu tenho acompanhado a sério os Jogos. E acompanhar a sério é ver os resultados de todas as eliminatórias dos atletas portugueses, acompanhar em directo o que posso, ver a biografia dos atletas, o seu palmarés e os resultados recentes para poder fazer previsões minimamente realistas. E estas foram as conclusões a que cheguei:
Judo: 1 medalha possível, para Telma Monteiro ou para João Neto. Eventualmente, se a coisa corresse mesmo bem, uma para cada um. Ambos são campeões europeus em título e Telma Monteiro é vice-campeã mundial. Entre os restantes atletas da comitiva (5 no total), não pondo em causa o seu valor, a possibilidade de chegar às medalhas era muito, muito reduzida.
Tiro: o nosso atirador, João Costa, é líder do ranking mundial de tiro com pistola a 50m. Muito se falou que ele era o favorito, esquecendo talvez que este ano tem um único resultado a assinalar: um 7º lugar no torneio de qualificação olímpica. Muito pouco para justificar a histeria em torno das suas reais possibilidades. Embora, no final, a classificação tivesse ficado aquém do desejado, dificilmente poderia ser considerado um candidato sério a medalhas.
Vela: contando com velejadores com experiência em Jogos Olímpicos anteriores e bons resultados recentes, podíamos contar com 1 medalha. O principal candidato era Gustavo Lima em Laser. Entre os restantes, uma presença na regata final (os 10 melhores) seria sempre um bom resultado. Claro que, a correr mesmo bem, até podíamos sair de Pequim com mais de 1 medalha na vela. Mas isso já seria contar com uma boa dose de sorte. Gustavo Lima era o mais sério candidato ao pódio, mas nem de perto nem de longe seriam favas contadas.
Triatlo: 1 medalha para Vanessa Fernandes, pois claro! Haveria decerto muita gente a contar com o ouro como garantido, mas não nos podemos esquecer que no último mundial foi apenas 10º e que desistiu na prova da Taça do Mundo que realizou em Julho. Forte possibilidade de medalha, sim, mas numa prova do estilo maratona nada é garantido, qualquer pequeno problema físico pode implicar uma séria descida na classificação.
Atletismo: Aqui, por mais que vos tentem convencer do contrário, havia 2 possibilidades de medalha. E eram as duas bastante certas: Naide Gomes no salto em comprimento e Nelson Évora no triplo salto. Apesar da sua combatividade, da sua vontade e do talento que lhe reconheço, Obikwelu, agora com 29 anos, teria muito poucas possibilidades de chegar às medalhas, sendo uma presença na final um resultado muito satisfatório.
Então, contemos, tá bem? No melhor cenário possível seriam 2 no judo, 1 no tiro, 2 na vela, 1 no triatlo e 2 no atletismo, o que dá 8. Um cenário mais razoável seria contar com 1 no judo ou vela, 2 no atletismo, 1 no triatlo. O que dá 4. 3 hipóteses mais ou menos certas, 2 mais incertas. E foi este o objectivo traçado.
24 agosto 2008
JO2008 - Parte I, Introdução
Acabaram os Jogos Olímpicos de Pequim. Decorreu hoje a cerimónia de encerramento, todas as provas estão concluidas, as medalhas estão entregues e está na altura de fazer um balanço.
Muita gente vai fazer balanços em Portugal. Como habitualmente, sempre que cheira a sangue, vão aparecer dezenas de opinadores profissionais que vão usar do seu tempo de antena para ganhar protagonismo e visibilidade e falar sobre tudo o que diz respeito aos Jogos Olímpicos. Infelizmente, como também é habitual, vão falar muito para dizer muito pouco e vão, sobretudo, dizer muita coisa errada. Quer factualmente errada quer apenas errada por serem profundamente ignorantes no assunto sobre o qual agora opinam. Para usar uma analogia futebolística (que vou usar com bastante frequência nos próximos tempos), seria como vermos opinadores de futebol incapazes de dizer quem ganhou o campeonato há dois anos, quem é o campeão europeu em título ou em que clube jogou Cristiano Ronaldo antes de ir para o Manchester.
Já li várias opiniões sobre a nossa participação nestes Jogos Olímpicos e são quase todas unânimes: a nossa participação nos Jogos Olímpicos está envolta em vergonha.
Eu concordo plenamente: a nossa participação nestes Jogos Olímpicos ficou envolta em vergonha. Envergonhei-me por diversas vezes de alguns dos meus compatriotas, envergonhei-me por diversas vezes do meu país. Mas, curiosamente, discordo completamente das causas dessa vergonha. A vergonha que senti não veio de Pequim. A vergonha que senti nestes jogos veio, quase sempre, de Lisboa, de Santarém, do Porto, de Braga, de Fornos de Algodres, do Funchal, de Angra do Heroísmo.
Porque estes jogos me encheram de vergonha, vou dedicar a próxima série de posts à Participação Portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. Era para ser só um post, mas estava já a ficar demasiado grande, por isso resolvi parti-lo aos bocados, por capítulos.
Próximo capítulo: 4 medalhas: As aspirações olímpicas portuguesas
Muita gente vai fazer balanços em Portugal. Como habitualmente, sempre que cheira a sangue, vão aparecer dezenas de opinadores profissionais que vão usar do seu tempo de antena para ganhar protagonismo e visibilidade e falar sobre tudo o que diz respeito aos Jogos Olímpicos. Infelizmente, como também é habitual, vão falar muito para dizer muito pouco e vão, sobretudo, dizer muita coisa errada. Quer factualmente errada quer apenas errada por serem profundamente ignorantes no assunto sobre o qual agora opinam. Para usar uma analogia futebolística (que vou usar com bastante frequência nos próximos tempos), seria como vermos opinadores de futebol incapazes de dizer quem ganhou o campeonato há dois anos, quem é o campeão europeu em título ou em que clube jogou Cristiano Ronaldo antes de ir para o Manchester.
Já li várias opiniões sobre a nossa participação nestes Jogos Olímpicos e são quase todas unânimes: a nossa participação nos Jogos Olímpicos está envolta em vergonha.
Eu concordo plenamente: a nossa participação nestes Jogos Olímpicos ficou envolta em vergonha. Envergonhei-me por diversas vezes de alguns dos meus compatriotas, envergonhei-me por diversas vezes do meu país. Mas, curiosamente, discordo completamente das causas dessa vergonha. A vergonha que senti não veio de Pequim. A vergonha que senti nestes jogos veio, quase sempre, de Lisboa, de Santarém, do Porto, de Braga, de Fornos de Algodres, do Funchal, de Angra do Heroísmo.
Porque estes jogos me encheram de vergonha, vou dedicar a próxima série de posts à Participação Portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim. Era para ser só um post, mas estava já a ficar demasiado grande, por isso resolvi parti-lo aos bocados, por capítulos.
Próximo capítulo: 4 medalhas: As aspirações olímpicas portuguesas
21 agosto 2008
Opinadores
Luís Delgado é um dos opinadores de serviço na SIC Notícias. Opina sobre quase tudo, é sempre o primeiro a ser chamado a comentar um qualquer tema da actualidade. Já o vi opinar sobre armamento, sobre política internacional, sobre bolsas de valores, sobre ciência, sobre futebol, sobre tudo. Nestas semanas tenho visto pouco a SIC Notícias, tenho dedicado mais atenção à RTP1, RTP2, RTPN e EuroSport para acompanhar os Jogos Olímpicos. Por isso ainda não o ouvi opinar sobre os jogos.
Luís Delgado é um opinador único. Consegue sempre ter uma opinião ou um argumento que escapa aos outros opinadores, da SIC e de outros canais. Tem sempre uma qualquer opinião que é verdadeiramente nova. É isso que faz dele um opinador especial. Bom, especialmente parvo, porque em geral as opiniões exóticas de Luís Delgado são um bocado estapafúrdias.
Ontem ouvi-o comentar o veto do PR à lei do divórcio. O PR lá terá as suas razões, ainda não as li, por isso não comento, mas Luís Delgado já as teria lido, já teria formado opinião sobre as razões do PR e já teria também descoberto algo novo, algo em que mais ninguém reparou. Ou não fosse ele o opinador excepcional que é.
E em que reparou Luís Delgado? Na preocupação eleitoral de Cavaco Silva, escondida por baixo dos motivos enunciados. Porque vai a eleições em breve, daqui a pouco mais de um ano, e é um tema polémico, que divide a opinião pública, Cavaco não quer dividir o seu eleitorado na luta por um segundo mandato.
Bom, a bem da sanidade da discussão, vamos supor que as premissas são válidas. Analisemos então a motivação que pode ter o PR para vetar, pensando nas sondagens: daqui a 1 ano ninguém se lembrará que Cavaco vetou a nova lei do divórcio. Além disso, como previsivelmente Cavaco só terá adversários à esquerda, favorável a estas alterações, não vejo como um veto o poderia beneficiar porque todos os candidatos seriam a favor da lei, não o iriam questionar caso ele a tivesse promulgado. Por outro lado, tendo vetado, até é possível que o tema surja nos debates e Cavaco pode passar uma imagem de conservador e retrógrado se não souber gerir bem as suas respostas.
Mais: desde quando é que um PR perde uma eleição em Portugal? Tivémos 3 presidentes desde o 25 de Abril (com eleições e tudo a funcionar) e todos ficaram 10 anos, 2 mandatos, o máximo permitido. Um Presidente, para perder uma re-eleição, só mesmo se cuspisse na cara do Cristiano Ronaldo, violasse freiras, ou fosse apanhado a conduzir bêbado e a atropelar uma turma de um jardim de infância. Fora coisas dessa gravidade, nenhuma questão da governação alguma vez terá qualquer peso na eleição para PR. Mas isso é uma questão de opinião e até dou a Luís Delgado o benefício da dúvida, alguma coisa ele saberá que eu não sei, ele acompanha melhor que eu a política nacional.
Mas eu acima que ia supor que as premissas são válidas, porque de facto, quando ouvi o homem a falar estava a jantar e ia-me engasgando. É que as eleições daqui a ano e pouco de que ele falou são em Janeiro de... 2011. Que, se a matemática não me falha, isso é daqui quase a 2 anos e meio. Eu sei, eu sei que é confuso isto de as autárquicas, europeias e legislativas serem a cada 4 anos e as presidenciais a cada 5. Acredito que faça confusão a muita gente. Se calhar devíamos mudar esta coisa de eleger um presidente a cada 5 anos, para evitar confusões futuras.
O que eu acho é que, já que não terá sido o primeiro a opinar sobre algo argumentando com a proximidade das eleições autárquicas (daqui a 1 ano), nem das legislativas (daqui a 2 anos), quis ser o primeiro a opinar referindo as próximas eleições presidenciais. Para, com isso, manter a sua imagem de opinador único e excepcional. E isso ninguém lhe tira: foi mesmo o primeiro a falar nas presidenciais. E com um tempo que é record do Mundo! Houvesse Jogos Olímpicos do Opinanço e Luís Delgado teria ganho a medalha de ouro na modalidade de Antecipação.
Com a pressa adiantou-se 1 ano. Oh pá, acontece.
Luís Delgado é um opinador único. Consegue sempre ter uma opinião ou um argumento que escapa aos outros opinadores, da SIC e de outros canais. Tem sempre uma qualquer opinião que é verdadeiramente nova. É isso que faz dele um opinador especial. Bom, especialmente parvo, porque em geral as opiniões exóticas de Luís Delgado são um bocado estapafúrdias.
Ontem ouvi-o comentar o veto do PR à lei do divórcio. O PR lá terá as suas razões, ainda não as li, por isso não comento, mas Luís Delgado já as teria lido, já teria formado opinião sobre as razões do PR e já teria também descoberto algo novo, algo em que mais ninguém reparou. Ou não fosse ele o opinador excepcional que é.
E em que reparou Luís Delgado? Na preocupação eleitoral de Cavaco Silva, escondida por baixo dos motivos enunciados. Porque vai a eleições em breve, daqui a pouco mais de um ano, e é um tema polémico, que divide a opinião pública, Cavaco não quer dividir o seu eleitorado na luta por um segundo mandato.
Bom, a bem da sanidade da discussão, vamos supor que as premissas são válidas. Analisemos então a motivação que pode ter o PR para vetar, pensando nas sondagens: daqui a 1 ano ninguém se lembrará que Cavaco vetou a nova lei do divórcio. Além disso, como previsivelmente Cavaco só terá adversários à esquerda, favorável a estas alterações, não vejo como um veto o poderia beneficiar porque todos os candidatos seriam a favor da lei, não o iriam questionar caso ele a tivesse promulgado. Por outro lado, tendo vetado, até é possível que o tema surja nos debates e Cavaco pode passar uma imagem de conservador e retrógrado se não souber gerir bem as suas respostas.
Mais: desde quando é que um PR perde uma eleição em Portugal? Tivémos 3 presidentes desde o 25 de Abril (com eleições e tudo a funcionar) e todos ficaram 10 anos, 2 mandatos, o máximo permitido. Um Presidente, para perder uma re-eleição, só mesmo se cuspisse na cara do Cristiano Ronaldo, violasse freiras, ou fosse apanhado a conduzir bêbado e a atropelar uma turma de um jardim de infância. Fora coisas dessa gravidade, nenhuma questão da governação alguma vez terá qualquer peso na eleição para PR. Mas isso é uma questão de opinião e até dou a Luís Delgado o benefício da dúvida, alguma coisa ele saberá que eu não sei, ele acompanha melhor que eu a política nacional.
Mas eu acima que ia supor que as premissas são válidas, porque de facto, quando ouvi o homem a falar estava a jantar e ia-me engasgando. É que as eleições daqui a ano e pouco de que ele falou são em Janeiro de... 2011. Que, se a matemática não me falha, isso é daqui quase a 2 anos e meio. Eu sei, eu sei que é confuso isto de as autárquicas, europeias e legislativas serem a cada 4 anos e as presidenciais a cada 5. Acredito que faça confusão a muita gente. Se calhar devíamos mudar esta coisa de eleger um presidente a cada 5 anos, para evitar confusões futuras.
O que eu acho é que, já que não terá sido o primeiro a opinar sobre algo argumentando com a proximidade das eleições autárquicas (daqui a 1 ano), nem das legislativas (daqui a 2 anos), quis ser o primeiro a opinar referindo as próximas eleições presidenciais. Para, com isso, manter a sua imagem de opinador único e excepcional. E isso ninguém lhe tira: foi mesmo o primeiro a falar nas presidenciais. E com um tempo que é record do Mundo! Houvesse Jogos Olímpicos do Opinanço e Luís Delgado teria ganho a medalha de ouro na modalidade de Antecipação.
Com a pressa adiantou-se 1 ano. Oh pá, acontece.
Aviões
Caiu um avião em Madrid. É uma tragédia, morreram bem mais de 100 pessoas. São acidentes, acontecem. Mas à margem da tragédia, tenho ouvido nos últimos tempos algumas barbaridades dignas de nota.
1. Os problemas de segurança das companhias Low-cost
A SpanAir NÃO É UMA COMPANHIA LOW-COST! É uma companhia regular regional, tal como o era a Portugália antes de ser absorvida pela TAP. Companhias low-cost são a EasyJet, Germanwings, Air Berlin, Monarch, etc.
2. A qualidade da manutenção
A manutenção não é decidida pelas companhias. Não é como um carro que eu posso escolher a oficina onde vou mudar o óleo ou resolvo mudá-lo só aos 24000 km em vez dos 20000 que manda o livro. Em Portugal manda o INAC, nos restantes estados-membros da UE mandam outros organismos, mas a manutenção é feita segundo padrões que são inimagináveis para, pelos vistos, a quase totalidade das pessoas. Por exemplo: cada peça tem um número de série. A identificação da peça, bem como da pessoa que a colocou no sítio e da pessoa que foi conferir o trabalho faz parte da ficha de manutenção. Cada número de série permite saber em que fábrica, em que máquina e porque pessoa foi fabricada.
3. A segurança dos aviões, em geral
Por mais voltas que dêm. Se caíssem 6 aviões em Portugal (longe vá o agoiro) até ao final do ano, mesmo assim morriam menos pessoas que morrem anualmente nas estradas. O avião é, de muito longe, o meio de transporte mais seguro do mundo! Acidentes acontecem. Por mais que se evite, por mais cuidado que se tenha, acontecem. O problema dos aviões é que quando há um acidente morre muita gente.
4. Os aviões velhos
Outra coisa que se tem referido com insistência é a idade do avião. Tem 15 anos. Bom, um autocarro de passageiros de longo curso tem uma vida útil de 20; um autocarro urbano vive 30 anos. Quantos anos acham que vive um avião? Um de pequeno curso pode viver 20 ou mesmo 30 anos, dependendo do número de ciclos descolagem/aterragem que sofre; um de longo curso chega a viver 40 anos. Ao longo da sua vida todas as peças são trocadas várias vezes, só a fuselagem se mantém. E mesmo essa é sujeita a testes estruturais ao longo da sua vida útil, para garantir que mantém a integridade.
5. As causas do acidente
Um avião tem, sem exagero, milhões de peças. Se há coisa que todos os jornalistas perguntaram a um qualquer entendido foi qual seria a causa do acidente. No dia do acidente, no dia seguinte, para a semana, a única resposta possível é "Sei lá!". Há acidentes que demoram semanas a investigar. Todas as peças são recolhidas, analisadas, até se encontrar a falha.
1. Os problemas de segurança das companhias Low-cost
A SpanAir NÃO É UMA COMPANHIA LOW-COST! É uma companhia regular regional, tal como o era a Portugália antes de ser absorvida pela TAP. Companhias low-cost são a EasyJet, Germanwings, Air Berlin, Monarch, etc.
2. A qualidade da manutenção
A manutenção não é decidida pelas companhias. Não é como um carro que eu posso escolher a oficina onde vou mudar o óleo ou resolvo mudá-lo só aos 24000 km em vez dos 20000 que manda o livro. Em Portugal manda o INAC, nos restantes estados-membros da UE mandam outros organismos, mas a manutenção é feita segundo padrões que são inimagináveis para, pelos vistos, a quase totalidade das pessoas. Por exemplo: cada peça tem um número de série. A identificação da peça, bem como da pessoa que a colocou no sítio e da pessoa que foi conferir o trabalho faz parte da ficha de manutenção. Cada número de série permite saber em que fábrica, em que máquina e porque pessoa foi fabricada.
3. A segurança dos aviões, em geral
Por mais voltas que dêm. Se caíssem 6 aviões em Portugal (longe vá o agoiro) até ao final do ano, mesmo assim morriam menos pessoas que morrem anualmente nas estradas. O avião é, de muito longe, o meio de transporte mais seguro do mundo! Acidentes acontecem. Por mais que se evite, por mais cuidado que se tenha, acontecem. O problema dos aviões é que quando há um acidente morre muita gente.
4. Os aviões velhos
Outra coisa que se tem referido com insistência é a idade do avião. Tem 15 anos. Bom, um autocarro de passageiros de longo curso tem uma vida útil de 20; um autocarro urbano vive 30 anos. Quantos anos acham que vive um avião? Um de pequeno curso pode viver 20 ou mesmo 30 anos, dependendo do número de ciclos descolagem/aterragem que sofre; um de longo curso chega a viver 40 anos. Ao longo da sua vida todas as peças são trocadas várias vezes, só a fuselagem se mantém. E mesmo essa é sujeita a testes estruturais ao longo da sua vida útil, para garantir que mantém a integridade.
5. As causas do acidente
Um avião tem, sem exagero, milhões de peças. Se há coisa que todos os jornalistas perguntaram a um qualquer entendido foi qual seria a causa do acidente. No dia do acidente, no dia seguinte, para a semana, a única resposta possível é "Sei lá!". Há acidentes que demoram semanas a investigar. Todas as peças são recolhidas, analisadas, até se encontrar a falha.
Coisas do caraças, parte III
Agora é o site da missão portuguesa em Pequim que está em baixo. Este país é mesmo de extremos. Passamos de euforia, a desprezo, a histeria colectiva.
Coisas do caraças, parte II
O site do Público também está em baixo. Quando se tenta aceder aparece a versão ultra-leve que é usada quando o site normal não aguentar com o tráfego.
Há coisas do caraças...
Anda-se há 15 dias a insultar atletas e a reclamar do dinheiro gasto, dos apoios do COP, da direcção do COP...
Nelson Évora ganha uma medalha de ouro e o site do Comité Olímpico Português tá em baixo: Too many connections.
Nelson Évora ganha uma medalha de ouro e o site do Comité Olímpico Português tá em baixo: Too many connections.
Évora de Ouro
Nelson Évora mostrou-se digno do nome próprio que ostenta! ;)
1º Lugar no triplo salto, com melhor marca mundial do ano e a 7 cm do record nacional (em dia de muita chuva, duvido que se consigam marcas tão boas como com o tartan seco). É o 4º campeão olímpico da história portuguesa, depois de Carlos Lopes (Maratona, 1984), Rosa Mota (Maratona, 1988) e Fernanda Ribeiro (10000m, 1996).
Mas para que se perceba bem o ataque de nervos que íamos tendo... aqui fica o resumo.
Antes de mais, no triplo salto 17,50 é um grande salto, a melhor marca do ano era, antes do concurso, de 17,58. Os 8 finalistas têm todos, à entrada para a final, melhores marcas do ano entre 17,16 e 17,58 (Idowu, britânico, principal candidato ao ouro a par de Évora é o detentor desse máximo).
1º Ensaio:
Idowu lidera com 17,51;
Évora é segundo com 17,31, a 3cm do que conseguiu fazer na qualificação;
Girat (Cuba) terceiro com 17,27.
2º Ensaio:
Évora melhora para 17,56;
Girat melhora para 17,52;
Idowu não melhora e é terceiro, 17,51;
Só 5 cm separam os três lugares do pódio!
3º Ensaio:
Évora faz nulo;
Idowu melhora para 17,62;
Sands, Bahamas, faz 17,59 e é segundo de forma excepcional. É novo record nacional;
Girat não melhora;
Temos Idowu 1º com 17,62, Sands com 17,59, Évora com 17,56 e Girat com 17,52.
10 cm são a diferença entre ouro e nada. Não me lembro de um concurso assim.
4º Ensaio:
Évora melhora para 17,67 e volta a ser 1º!
Idowu faz nulo;
Sands e Girat não melhoram.
5º Ensaio:
Ninguém melhora. Este concurso não é próprio para cardíacos, os nervos começam a pesar...
6º Ensaio (por ordem inversa da classificação):
Girat não melhorou;
Sands fez nulo;
Idowu, com uma grande chamada e um grande salto, faz 17,41. Não melhorou, Nelson Évora é campeão.
Idowu fica a meros 5cm, Sands falha a prata por 3cm e Girat fica fora do pódio por 5cm. É quarto, sem honra nem glória nem conferência de imprensa, a apenas 15cm do campeão olímpico.
Nelson Évora faz o sexto ensaio, sabe-se lá em que estado de nervos, mas é o seu primeiro salto como novo campeão olímpico. É uma bela bosta, como são todos quando o título já está ganho, ninguém consegue manter a calma: fez 16,52, uma marca que ele era capaz de bater quando estava nos júniores, mas já não interessa. Nelson Évora é Campeão Olímpico, acumulando com o título mundial ganho o ano passado em Osaka e o terceiro lugar nos mundiais de pista coberta em Valência.
Foi um concurso simplesmente perfeito.
Outras notícias:
Na canoagem acabaram-se as provas. Bom, as nossas. Para quem há 4 anos comemorava a primeira participação na canoagem, este ano conseguimos levar 4 atletas: 2 singulares e um par. Conseguiram 4 presenças em meias finais. Um pequeno milagre operado em 4 anos (a propósito, duvido que alguém dê o devido valor a estes resultados, à luz da contestação recente e com a medalha de Évora a ofuscar.
Nos 20 km marcha femininos tivémos um 8º lugar (para uma estreante, ainda por cima!) que podia ser 6º só faltaram pernas na recta final e um 10º. Susana Feitor, já com 33 anos e 5 Jogos Olímpicos no curriculum, desistiu.
Uma última palavra para Lavrentiev, o nosso maratonista dos 10km de natação em águas abertas. Eu nem sabia que isso havia, soube há um mês ou dois, e tivémos uma participação masculina e uma feminina; nos femininos ficámos com o 17º tempo, nos masculinos a prova correu mal e ficámos com 22º, penúltimo entre os que acabaram.
O balanço ainda não está concluído, ainda nos faltam os 50km marcha e a maratona masculina. Poucas ou nenhumas hipóteses de somar uma terceira medalha. Para já, fica o resumo do dia. Segunda-feira emito as opiniões.
1º Lugar no triplo salto, com melhor marca mundial do ano e a 7 cm do record nacional (em dia de muita chuva, duvido que se consigam marcas tão boas como com o tartan seco). É o 4º campeão olímpico da história portuguesa, depois de Carlos Lopes (Maratona, 1984), Rosa Mota (Maratona, 1988) e Fernanda Ribeiro (10000m, 1996).
Mas para que se perceba bem o ataque de nervos que íamos tendo... aqui fica o resumo.
Antes de mais, no triplo salto 17,50 é um grande salto, a melhor marca do ano era, antes do concurso, de 17,58. Os 8 finalistas têm todos, à entrada para a final, melhores marcas do ano entre 17,16 e 17,58 (Idowu, britânico, principal candidato ao ouro a par de Évora é o detentor desse máximo).
1º Ensaio:
Idowu lidera com 17,51;
Évora é segundo com 17,31, a 3cm do que conseguiu fazer na qualificação;
Girat (Cuba) terceiro com 17,27.
2º Ensaio:
Évora melhora para 17,56;
Girat melhora para 17,52;
Idowu não melhora e é terceiro, 17,51;
Só 5 cm separam os três lugares do pódio!
3º Ensaio:
Évora faz nulo;
Idowu melhora para 17,62;
Sands, Bahamas, faz 17,59 e é segundo de forma excepcional. É novo record nacional;
Girat não melhora;
Temos Idowu 1º com 17,62, Sands com 17,59, Évora com 17,56 e Girat com 17,52.
10 cm são a diferença entre ouro e nada. Não me lembro de um concurso assim.
4º Ensaio:
Évora melhora para 17,67 e volta a ser 1º!
Idowu faz nulo;
Sands e Girat não melhoram.
5º Ensaio:
Ninguém melhora. Este concurso não é próprio para cardíacos, os nervos começam a pesar...
6º Ensaio (por ordem inversa da classificação):
Girat não melhorou;
Sands fez nulo;
Idowu, com uma grande chamada e um grande salto, faz 17,41. Não melhorou, Nelson Évora é campeão.
Idowu fica a meros 5cm, Sands falha a prata por 3cm e Girat fica fora do pódio por 5cm. É quarto, sem honra nem glória nem conferência de imprensa, a apenas 15cm do campeão olímpico.
Nelson Évora faz o sexto ensaio, sabe-se lá em que estado de nervos, mas é o seu primeiro salto como novo campeão olímpico. É uma bela bosta, como são todos quando o título já está ganho, ninguém consegue manter a calma: fez 16,52, uma marca que ele era capaz de bater quando estava nos júniores, mas já não interessa. Nelson Évora é Campeão Olímpico, acumulando com o título mundial ganho o ano passado em Osaka e o terceiro lugar nos mundiais de pista coberta em Valência.
Foi um concurso simplesmente perfeito.
Outras notícias:
Na canoagem acabaram-se as provas. Bom, as nossas. Para quem há 4 anos comemorava a primeira participação na canoagem, este ano conseguimos levar 4 atletas: 2 singulares e um par. Conseguiram 4 presenças em meias finais. Um pequeno milagre operado em 4 anos (a propósito, duvido que alguém dê o devido valor a estes resultados, à luz da contestação recente e com a medalha de Évora a ofuscar.
Nos 20 km marcha femininos tivémos um 8º lugar (para uma estreante, ainda por cima!) que podia ser 6º só faltaram pernas na recta final e um 10º. Susana Feitor, já com 33 anos e 5 Jogos Olímpicos no curriculum, desistiu.
Uma última palavra para Lavrentiev, o nosso maratonista dos 10km de natação em águas abertas. Eu nem sabia que isso havia, soube há um mês ou dois, e tivémos uma participação masculina e uma feminina; nos femininos ficámos com o 17º tempo, nos masculinos a prova correu mal e ficámos com 22º, penúltimo entre os que acabaram.
O balanço ainda não está concluído, ainda nos faltam os 50km marcha e a maratona masculina. Poucas ou nenhumas hipóteses de somar uma terceira medalha. Para já, fica o resumo do dia. Segunda-feira emito as opiniões.
20 agosto 2008
As Duas Odetes
Há muito tempo havia uma rábula qualquer, da Ivone Silva, que era com a Olívia costureira e a Olívia patroa. Era a mesma Olívia, que era costureira e patroa de si própria.
Acabou agora o programa "Noites Olímpicas" na RTPN, contando com a presença de Odete Santos como convidada. Também lá esteve o Marco Fortes, mas sobre a sua participação, as suas razões, e as polémicas declarações que proferiu, irei falar mais tarde, quando fizer o balanço da nossa participação nestes Jogos (tá a ser escrito, mas vai demorar tempo...). Agora só me apetece falar da participação de Odete Santos.
Odete Santos foi igual a si própria. Claro, nem outra coisa seria de esperar. É uma pessoa notável a muitos níveis. E neste programa isso notou-se. Se, por um lado, quando se falou nas questões estritamente desportivas ou nas questões mais ou menos periféricas em torno da participação portuguesa, interveio de forma ponderada, razoável, inteligente, eis que quando o assunto é a China, a coisa muda totalmente de figura! Já antes tinha ameaçado quando resolve elogiar o patriotismo exacerbado dos atletas cubanos ou o grande sucesso desportivo da União Soviética que caiu por terra com o fim do comunismo.
Foi uma reportagem sobre as limitações à liberdade na China, à liberdade de imprensa, à liberdade de associação, à liberdade de manifestação, que deu a Odete o pretexto procurado. E salta ela, defendendo os méritos do regime, exprimindo a sua solidariedade tendo em conta as enormes contrariedades sofridas pela China nos últimos tempos, a contestação que tem sido sentida por todo o mundo, as manifestações à passagem da tocha olímpica e chega-se à questão do Tibete, claro! E lá vem Odete, munida da sua artilharia pesada, acusando o Dalai Lama de atrocidades cometidas no Tibete, acusando o comité Nobel de lhe ter atribuido o Nobel apenas por questões políticas, um prémio que foi, segundo Odete Santos, muito mal atribuido, referindo os inúmeros relatos (infelizmente não precisou nenhum, gostava de os ler) que enumeram as atrocidades cometidas no Tibete antes de aparecer a China, no seu cavalo branco, a libertar o povo do jugo desses monges budistas tirânicos.
Foi um verdadeiro show das duas Odetes: a Odete moderada e a Odete comunista. A Odete moderada é moderada, mas só quando a Odete comunista não vê. Porque a Odete comunista é acérrima defensora do comunismo e de todos os regimes comunistas da história e não pode, por mais que brade a Odete moderada, abrir mão dos seus princípios para dar os parabéns, por exemplo, ao regime de treino norte-americano em detrimento do regime de treino chinês. Parabéns às duas Odetes, estiveram iguais a si próprias.
Acabou agora o programa "Noites Olímpicas" na RTPN, contando com a presença de Odete Santos como convidada. Também lá esteve o Marco Fortes, mas sobre a sua participação, as suas razões, e as polémicas declarações que proferiu, irei falar mais tarde, quando fizer o balanço da nossa participação nestes Jogos (tá a ser escrito, mas vai demorar tempo...). Agora só me apetece falar da participação de Odete Santos.
Odete Santos foi igual a si própria. Claro, nem outra coisa seria de esperar. É uma pessoa notável a muitos níveis. E neste programa isso notou-se. Se, por um lado, quando se falou nas questões estritamente desportivas ou nas questões mais ou menos periféricas em torno da participação portuguesa, interveio de forma ponderada, razoável, inteligente, eis que quando o assunto é a China, a coisa muda totalmente de figura! Já antes tinha ameaçado quando resolve elogiar o patriotismo exacerbado dos atletas cubanos ou o grande sucesso desportivo da União Soviética que caiu por terra com o fim do comunismo.
Foi uma reportagem sobre as limitações à liberdade na China, à liberdade de imprensa, à liberdade de associação, à liberdade de manifestação, que deu a Odete o pretexto procurado. E salta ela, defendendo os méritos do regime, exprimindo a sua solidariedade tendo em conta as enormes contrariedades sofridas pela China nos últimos tempos, a contestação que tem sido sentida por todo o mundo, as manifestações à passagem da tocha olímpica e chega-se à questão do Tibete, claro! E lá vem Odete, munida da sua artilharia pesada, acusando o Dalai Lama de atrocidades cometidas no Tibete, acusando o comité Nobel de lhe ter atribuido o Nobel apenas por questões políticas, um prémio que foi, segundo Odete Santos, muito mal atribuido, referindo os inúmeros relatos (infelizmente não precisou nenhum, gostava de os ler) que enumeram as atrocidades cometidas no Tibete antes de aparecer a China, no seu cavalo branco, a libertar o povo do jugo desses monges budistas tirânicos.
Foi um verdadeiro show das duas Odetes: a Odete moderada e a Odete comunista. A Odete moderada é moderada, mas só quando a Odete comunista não vê. Porque a Odete comunista é acérrima defensora do comunismo e de todos os regimes comunistas da história e não pode, por mais que brade a Odete moderada, abrir mão dos seus princípios para dar os parabéns, por exemplo, ao regime de treino norte-americano em detrimento do regime de treino chinês. Parabéns às duas Odetes, estiveram iguais a si próprias.
Lightning Bolt
O homem até assusta. Alto, bem mais alto que o típico sprinter, magro, bem menos musculado que o típico sprinter, capaz de um arranque como nunca antes tinha visto, acelera a uma velocidade impressionante e arranca recordes que eu achava que demorariam décadas a atingir.
No sábado foram os 100m, hoje foram os 200. A juntar às habilidades já conhecidas mostrou-se excelente ao curvar (um grande talento que é necessário para fazer boas provas de 200m) e a aguentar o ritmo. Embora desta vez não o tenha feito em ritmo de passeio, o record do mundo estava ao alcance mas por pouco.
Vê-lo a correr na recta, olhar para o cronómetro e com um esgar de esforço acelerar um pouco a passada é, para mim, a imagem destes Jogos Olímpicos. Caiu o record dos 200m, que já tinha 12 anos. Por 2 centésimas. E fez história.
No sábado foram os 100m, hoje foram os 200. A juntar às habilidades já conhecidas mostrou-se excelente ao curvar (um grande talento que é necessário para fazer boas provas de 200m) e a aguentar o ritmo. Embora desta vez não o tenha feito em ritmo de passeio, o record do mundo estava ao alcance mas por pouco.
Vê-lo a correr na recta, olhar para o cronómetro e com um esgar de esforço acelerar um pouco a passada é, para mim, a imagem destes Jogos Olímpicos. Caiu o record dos 200m, que já tinha 12 anos. Por 2 centésimas. E fez história.
19 agosto 2008
Burburinho
Se há coisa que não tem faltado a estes Jogos Olímpicos tem sido burburinho. Opiniões, tomadas de posição, citações polémicas, histórias empoladas pela comunicação social, críticas, queixas, desabafos, enfim, tem havido de tudo um pouco à margem da competição propriamente dita. Já anda gente a fazer os seus balanços à prestação portuguesa, a comentar os resultados, a comentar as medalhas ou falta delas, já há heróis a serem criados e heróis a serem destituídos do seu estatuto.
Por enquanto, não me vou juntar à onda de comentadores que, falando mais alto que os demais, se tentam fazer ouvir.
Os Jogos acabam no próximo domingo, dia 24, e após a conclusão da maratona masculina, última prova dos Jogos Olímpicos, vou fazer o meu balanço. O que gostei e não gostei de ver seja a nível dos atletas, treinadores, dirigentes, comunicação social, público em geral, resultados, expectativas e por aí fora.
Até lá vou continuar a ver os Jogos, e vou continuar a ver as provas dos atletas portugueses. Vou continuar a ver os Jogos porque gosto de ver desporto. E vou continuar a ver as prestações dos atletas portugueses porque o orgulho que sinto ou deixo de sentir pelo meu país bem como a opinião que tenho sobre o meu país ou as gentes do meu país não dependem dos resultados de nenhuma olimpíada.
Por enquanto, não me vou juntar à onda de comentadores que, falando mais alto que os demais, se tentam fazer ouvir.
Os Jogos acabam no próximo domingo, dia 24, e após a conclusão da maratona masculina, última prova dos Jogos Olímpicos, vou fazer o meu balanço. O que gostei e não gostei de ver seja a nível dos atletas, treinadores, dirigentes, comunicação social, público em geral, resultados, expectativas e por aí fora.
Até lá vou continuar a ver os Jogos, e vou continuar a ver as provas dos atletas portugueses. Vou continuar a ver os Jogos porque gosto de ver desporto. E vou continuar a ver as prestações dos atletas portugueses porque o orgulho que sinto ou deixo de sentir pelo meu país bem como a opinião que tenho sobre o meu país ou as gentes do meu país não dependem dos resultados de nenhuma olimpíada.
Acontece...
A Naide Gomes tá de fora da final. Depois de dois saltos ENORMES (que seriam melhor marca do milénio ou muito perto disso) mas nulos, os nervos falaram mais alto no terceiro e decisivo salto e falhou completamente a chamada. Saltou 6.29, a quase meio metro da marca necessária para a qualificação e, à vontade, perto de 1 metro abaixo do seu primeiro salto, caso tivesse sido válido (mesmo descontando 10 cm à chamada teria sido um salto de uns 7.20).
Foi uma grande, grande pena. Pelo que vi quer dos saltos dela, quer das suas oponentes, ela teria ganho a medalha de ouro nas calmas!
Foi uma grande, grande pena. Pelo que vi quer dos saltos dela, quer das suas oponentes, ela teria ganho a medalha de ouro nas calmas!
18 agosto 2008
Prata
Ao fim de semana e meia de jogos chegou a primeira medalha! Tava difícil, han? Foi de prata, para a Vanessa Fernandes (pois claro!).
Valeu a pena ficar acordado até às 5h da manhã para ver a prova, mesmo se o que eu queria era uma medalha de ouro. No entanto, a australiana Snowsill não deu mesmo hipótese, fez um arranque espectacular para a prova de corrida e aos poucos começou a construir uma vantagem que se revelou demasiado grande.
A primeira já está. A Missão Olímpica Portuguesa colocou a fasquia alta, em 4 medalhas (o nosso máximo foram 3, em 2004). O judo e o tiro ficaram um pouco abaixo das expectativas, faltam o atletismo e a vela para completar o ramalhete (temos boas possibilidades de medalha no triplo salto masculino, no salto em comprimento feminino e na vela, sobretudo na classe Laser).
Valeu a pena ficar acordado até às 5h da manhã para ver a prova, mesmo se o que eu queria era uma medalha de ouro. No entanto, a australiana Snowsill não deu mesmo hipótese, fez um arranque espectacular para a prova de corrida e aos poucos começou a construir uma vantagem que se revelou demasiado grande.
A primeira já está. A Missão Olímpica Portuguesa colocou a fasquia alta, em 4 medalhas (o nosso máximo foram 3, em 2004). O judo e o tiro ficaram um pouco abaixo das expectativas, faltam o atletismo e a vela para completar o ramalhete (temos boas possibilidades de medalha no triplo salto masculino, no salto em comprimento feminino e na vela, sobretudo na classe Laser).
17 agosto 2008
Sinal da crise
Vi no outro dia um anúncio que me deixou um nadita preocupado: Numa determinada urbanização oferecessem um carro (!!!) na compra de um apartamento! É caso para perguntar: a coisa tá assim tão má?
De volta
Prontos, acabaram-se as férias... foi bom, mas acabou-se. Enfim, o costume, passa-se o ano, chega o Verão, vamos de férias, sabe bem, mas chega um dia e tem de ser, há que voltar para a labuta diária. O que no meu caso equivale a dizer que agora é que vou começar a acompanhar os Jogos Olímpicos a sério!!! E começa já hoje, com o triatlo feminino, às 3h da manhã.
Até agora tenho acompanhado só algumas transmissões (poucas) e visto as notícias por alto. E houve uma coisa que me chamou a atenção: não sei se era por estar cansada, por ter dormido pouco, por falta de café ou apenas por mau feitio, mas ontem na RTP2, após a eliminação do Francis Obikwelu nos 100m a pivot referiu-se a ele como "o atleta nigeriano", depois como o "luso-nigeriano" e finalmente como o "atleta português de origem nigeriana". Parabéns, RTP, é bonito de se ver! Há 4 anos ele ganhou a medalha de prata nos 100m com novo record da Europa e a notícia de abertura do telejornal foi "Francis Obikwelu ganhou a primeira medalha olímpica portuguesa na velocidade". Claramente Obikwelu era português há 4 anos atrás. Desta vez foi eliminado e passou logo a ser nigeriano. Note-se, tendo em conta a idade do Obikwelu e as marcas conseguidas este ano por ele e pelos seus rivais, que dificilmente se poderia esperar mais da sua prestação, apesar de o próprio ter colocado a fasquia muito alta, dizendo-se na melhor forma de sempre e que ia a Pequim para ganhar. No rescaldo anunciou o fim da sua carreira. E eu só tenho uma coisa a dizer: Obrigado!
Será que, caso Naide Gomes falhe uma presença no pódio do salto em comprimento (eliminatórias amanhã) ou o Nelson Évora falhe uma medalha no triplo salto (eliminatórias esta noite) vão ser referidos, respectivamente, como são tomense e costa marfinense? O que vale é que a Vanessa Fernandes é portuguesa p'raí há umas 10 gerações, senão ainda a despromoviam a outra nacionalidade qualquer caso falhasse a medalha...
Até agora tenho acompanhado só algumas transmissões (poucas) e visto as notícias por alto. E houve uma coisa que me chamou a atenção: não sei se era por estar cansada, por ter dormido pouco, por falta de café ou apenas por mau feitio, mas ontem na RTP2, após a eliminação do Francis Obikwelu nos 100m a pivot referiu-se a ele como "o atleta nigeriano", depois como o "luso-nigeriano" e finalmente como o "atleta português de origem nigeriana". Parabéns, RTP, é bonito de se ver! Há 4 anos ele ganhou a medalha de prata nos 100m com novo record da Europa e a notícia de abertura do telejornal foi "Francis Obikwelu ganhou a primeira medalha olímpica portuguesa na velocidade". Claramente Obikwelu era português há 4 anos atrás. Desta vez foi eliminado e passou logo a ser nigeriano. Note-se, tendo em conta a idade do Obikwelu e as marcas conseguidas este ano por ele e pelos seus rivais, que dificilmente se poderia esperar mais da sua prestação, apesar de o próprio ter colocado a fasquia muito alta, dizendo-se na melhor forma de sempre e que ia a Pequim para ganhar. No rescaldo anunciou o fim da sua carreira. E eu só tenho uma coisa a dizer: Obrigado!
Será que, caso Naide Gomes falhe uma presença no pódio do salto em comprimento (eliminatórias amanhã) ou o Nelson Évora falhe uma medalha no triplo salto (eliminatórias esta noite) vão ser referidos, respectivamente, como são tomense e costa marfinense? O que vale é que a Vanessa Fernandes é portuguesa p'raí há umas 10 gerações, senão ainda a despromoviam a outra nacionalidade qualquer caso falhasse a medalha...
12 agosto 2008
O maior crash de sempre
Acham que o crash bolsista de 1929 foi grande?
Pfffff, isso não é nada! O maior crash de sempre aconteceu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim: um PC crashou e o famoso ecrã azul foi projectado com uns 20 metros de diagonal, para todo o mundo ver! Ao todo 4 mil milhões de pessoas assistiram pela televisão à cerimónia de abertura. E lá estava ele, o Blue Screen of Death, a exibir as suas virtudes.
Notícia e foto
(obrigado Pedro)
Pfffff, isso não é nada! O maior crash de sempre aconteceu na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim: um PC crashou e o famoso ecrã azul foi projectado com uns 20 metros de diagonal, para todo o mundo ver! Ao todo 4 mil milhões de pessoas assistiram pela televisão à cerimónia de abertura. E lá estava ele, o Blue Screen of Death, a exibir as suas virtudes.
Notícia e foto
(obrigado Pedro)
11 agosto 2008
Máquina do tempo
Tou a pôr o mail em dia, aproveitando o intervalo do intervalo para férias, e dou de caras com uma notícia que diz que as vítimas de violência doméstica vão deixar de pagar taxas moderadoras. E pensei que tava bêbado. Fui ver a data, conferi e não há dúvidas, a notícia é mesmo de 2008! E eu que jurava a pés juntos que já tinha falado no assunto, p'raí há um ano...
Intervalo no intervalo para férias
06 agosto 2008
Férias
É só p'ávisar que vou p'a férias por tempo indeterminado. Portantos, nã me tá a par'cer que isto leve tralha nova nos próximos tempos (que é como quem diz, p'raí uma semana).
04 agosto 2008
Chapa virgem
Tinha de acontecer, mais tarde ou mais cedo. Até foi bom, durou 4 meses e meio. Mas acabou-se: deram um toque no meu carro. Cabrões! O carro estava estacionado (BEM estacionado, diga-se!) e quando vou a sair do estacionamento olho pelo espelho e vejo que está virado ao contrário. Saio do carro para ver o que se passa e estava lá, perfeitamente definida, a marca da passagem de alguém demasiado vesgo/bêbado/azelha para conseguir apontar o carro/camião/motorizada/o que for ao meio da faixa, deixando a necessária margem para não rebentar com os espelhos de ninguém. E para piorar a coisa, descobri um vinco na cava da roda de trás que pode ou não ter sido feito ao mesmo tempo.
Aspectos negativos: o meu carro tem 2 toques, a chapa já está amolgada. Já não é virgem. Se conseguisse apanhar o cabrão (ou cabra) que me fez isto ao meu maravilhoso carro acho que o desfazia à porrada, o que é uma vontade muito pouco saudável.
Aspectos positivos: não encontrei o cabrão (ou cabra) que me fez os riscos no carro, o que é bom, porque como sou um bocado lingrinhas o mais certo era ter sido feito em papa. E também os riscos têm, respectivamente, 0,5 e 1,5 cm. E não é nada de muito sério, basta polir e nem se nota.
Aspectos negativos: o meu carro tem 2 toques, a chapa já está amolgada. Já não é virgem. Se conseguisse apanhar o cabrão (ou cabra) que me fez isto ao meu maravilhoso carro acho que o desfazia à porrada, o que é uma vontade muito pouco saudável.
Aspectos positivos: não encontrei o cabrão (ou cabra) que me fez os riscos no carro, o que é bom, porque como sou um bocado lingrinhas o mais certo era ter sido feito em papa. E também os riscos têm, respectivamente, 0,5 e 1,5 cm. E não é nada de muito sério, basta polir e nem se nota.
01 agosto 2008
Homossexualidade
Um homem foi sujeito a uma operação cirúrgica de transplante dos dois braços.
O doente tinha sofrido um acidente há vários anos e ficou sem ambos os braços e agora puseram-lhe dois braços novos.
E porquê o título deste post? Bom, porque agora estou curioso: como o doente em questão vai viver com os braços (e por conseguinte, as mãos) de outra pessoa, quando ele se masturbar é um acto homossexual? Afinal, são as mãos de outra pessoa! Mais: será um acto de homossexualidade necrófila, já que o dador estará já morto?
Acho que esta questão deveria ter sido debatida antes da operação, em pé de igualdade com as restantes questões de ética médica.
A questão é de extrema importância, senão, notem: um gajo no Irão é condenado à morte por actos homossexuais. Mas não por masturbação. Ora, se este senhor for ao Irão e for apanhado a satisfazer-se sexualmente, poderá ser apedrejado, de um ponto de vista estritamente legal? (supondo que o Irão pode condenar à morte por apedrejamento um cidadão alemão, claro!)
O doente tinha sofrido um acidente há vários anos e ficou sem ambos os braços e agora puseram-lhe dois braços novos.
E porquê o título deste post? Bom, porque agora estou curioso: como o doente em questão vai viver com os braços (e por conseguinte, as mãos) de outra pessoa, quando ele se masturbar é um acto homossexual? Afinal, são as mãos de outra pessoa! Mais: será um acto de homossexualidade necrófila, já que o dador estará já morto?
Acho que esta questão deveria ter sido debatida antes da operação, em pé de igualdade com as restantes questões de ética médica.
A questão é de extrema importância, senão, notem: um gajo no Irão é condenado à morte por actos homossexuais. Mas não por masturbação. Ora, se este senhor for ao Irão e for apanhado a satisfazer-se sexualmente, poderá ser apedrejado, de um ponto de vista estritamente legal? (supondo que o Irão pode condenar à morte por apedrejamento um cidadão alemão, claro!)
Rigor jornalístico
Diz o site do Público:
"Taça UEFA: Adversário do Braga vem da Bósnia-Herzegovina
O Braga SC vai discutir com o NK Zrinjski, da Bósnia-Herzegovina, o acesso à fase de grupos da Taça UEFA 2008/2009, segundo o sorteio realizado hoje de manhã, na Suíça.
O adversário da equipa de Jorge Jesus é um desconhecido das competições europeias, tendo sido 4.º classificado no último campeonato do seu país. A primeira mão disputa-se a 14 de Agosto, com a equipa portuguesa a receber em casa o NK Zrinjski, deslocando-se depois ao terreno do adversário, em Mostar, no dia 28.
Para chegar à fase de grupos, onde já tem lugar garantido o SL Benfica, a equipa do Minho tem de ultrapassar o adversário hoje designado e vencer a eliminatória seguinte. O Braga é um dos sete clubes que chegaram à Taça UEFA via Taça Intertoto. Os minhotos eliminaram os turcos do Sivasspor, com duas vitórias em dois jogos.
A final da Taça UEFA 2008/2009 joga-se em Istambul, Turquia, a 20 de Maio de 2009."
Podem ler a notícia aqui (embora não me surpreenda que o texto seja alterado em breve, tal o chorrilho de disparates).
A notícia é de um rigor estupendo, como nunca tinha antes visto no site do Público: tem pelo menos 3 erros factuais e um de omissão. A saber:
1. O Braga disputa com o tal clube da Bósnia-Herzegovina o acesso à 1ª eliminatória da Taça UEFA, não à fase de grupos. O facto de necessitar de passar a eliminatória seguinte para chegar à fase de grupos é referido de passagem no meio da notícia, mas o lead, que deve dizer o quem, onde, como, etc. dá informações contraditórias.
2. O Braga é uma das 11 equipas, e não 7, que garantiu o acesso à Taça UEFA através da Taça Inter-toto.
3. Na fase de grupos ninguém tem lugar garantido; o Benfica irá disputar o acesso À fase de grupos na 1ª eliminatória, a mesma a que chegará o Braga se eliminar o clube bósnio.
4. Além do Benfica, também o Marítimo e o Vitória de Setúbal têm lugar garantido na 1ª eliminatória, seria bom terem referido esse facto.
Credo, tanto erro numa notícia tão pequena...
"Taça UEFA: Adversário do Braga vem da Bósnia-Herzegovina
O Braga SC vai discutir com o NK Zrinjski, da Bósnia-Herzegovina, o acesso à fase de grupos da Taça UEFA 2008/2009, segundo o sorteio realizado hoje de manhã, na Suíça.
O adversário da equipa de Jorge Jesus é um desconhecido das competições europeias, tendo sido 4.º classificado no último campeonato do seu país. A primeira mão disputa-se a 14 de Agosto, com a equipa portuguesa a receber em casa o NK Zrinjski, deslocando-se depois ao terreno do adversário, em Mostar, no dia 28.
Para chegar à fase de grupos, onde já tem lugar garantido o SL Benfica, a equipa do Minho tem de ultrapassar o adversário hoje designado e vencer a eliminatória seguinte. O Braga é um dos sete clubes que chegaram à Taça UEFA via Taça Intertoto. Os minhotos eliminaram os turcos do Sivasspor, com duas vitórias em dois jogos.
A final da Taça UEFA 2008/2009 joga-se em Istambul, Turquia, a 20 de Maio de 2009."
Podem ler a notícia aqui (embora não me surpreenda que o texto seja alterado em breve, tal o chorrilho de disparates).
A notícia é de um rigor estupendo, como nunca tinha antes visto no site do Público: tem pelo menos 3 erros factuais e um de omissão. A saber:
1. O Braga disputa com o tal clube da Bósnia-Herzegovina o acesso à 1ª eliminatória da Taça UEFA, não à fase de grupos. O facto de necessitar de passar a eliminatória seguinte para chegar à fase de grupos é referido de passagem no meio da notícia, mas o lead, que deve dizer o quem, onde, como, etc. dá informações contraditórias.
2. O Braga é uma das 11 equipas, e não 7, que garantiu o acesso à Taça UEFA através da Taça Inter-toto.
3. Na fase de grupos ninguém tem lugar garantido; o Benfica irá disputar o acesso À fase de grupos na 1ª eliminatória, a mesma a que chegará o Braga se eliminar o clube bósnio.
4. Além do Benfica, também o Marítimo e o Vitória de Setúbal têm lugar garantido na 1ª eliminatória, seria bom terem referido esse facto.
Credo, tanto erro numa notícia tão pequena...
Vêm aí os jogos
Falta 1 semana. Dos nossos vão estar presentes 74 em 17 modalidades:
- Atletismo (27)
- Badminton (2)
- Canoagem (4)
- Ciclismo (3)
- Equestre (3)
- Esgrima (2)
- Judo (5)
- Natação (10)
- Remo (2)
- Taekwondo (1)
- Ténis de mesa (3)
- Tiro (1)
- Tiro com arco (1)
- Tiro com armas de caça (1)
- Trampolins (2)
- Triatlo (3)
- Vela (8)
Lembrando que há 28 desportos olímpicos e que conseguimos o feito de não qualificar nenhuma equipa de desportos colectivos, é uma presença substancial.
E não se trata de uma equipa numerosa mas fraca. Entre estes 74 contam-se uma boa dúzia de campeões ou vice-campeões em título, quer europeus, quer mundiais, uns quantos líderes de rankings mundiais e mais uns quantos com resultados de relevo a nível mundial conseguidos recentemente. É uma participação a ter em conta, haverá talvez uns 10 atletas capazes de lutar de igual para igual pelas medalhas.
Links úteis:
- Site Oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim
- Site Oficial da Missão Portuguesa a Pequim (inclui horário e calendário das provas em que participam atletas portugueses e pequenas biografias)
- Site do Eurosport sobre os Jogos Olímpicos onde podem consultar a programação da emissão, que vai contar com transmissões 24 horas por dia, 15 das quais em directo.
- Atletismo (27)
- Badminton (2)
- Canoagem (4)
- Ciclismo (3)
- Equestre (3)
- Esgrima (2)
- Judo (5)
- Natação (10)
- Remo (2)
- Taekwondo (1)
- Ténis de mesa (3)
- Tiro (1)
- Tiro com arco (1)
- Tiro com armas de caça (1)
- Trampolins (2)
- Triatlo (3)
- Vela (8)
Lembrando que há 28 desportos olímpicos e que conseguimos o feito de não qualificar nenhuma equipa de desportos colectivos, é uma presença substancial.
E não se trata de uma equipa numerosa mas fraca. Entre estes 74 contam-se uma boa dúzia de campeões ou vice-campeões em título, quer europeus, quer mundiais, uns quantos líderes de rankings mundiais e mais uns quantos com resultados de relevo a nível mundial conseguidos recentemente. É uma participação a ter em conta, haverá talvez uns 10 atletas capazes de lutar de igual para igual pelas medalhas.
Links úteis:
- Site Oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim
- Site Oficial da Missão Portuguesa a Pequim (inclui horário e calendário das provas em que participam atletas portugueses e pequenas biografias)
- Site do Eurosport sobre os Jogos Olímpicos onde podem consultar a programação da emissão, que vai contar com transmissões 24 horas por dia, 15 das quais em directo.
Afinal, já não
Parece que os chineses recuaram e decidiram liberalizar o acesso à informação durante os jogos olímpicos. A Great Firewall of China afinal vai ser desactivada ou pelo menos vai usar critérios mais abertos durante os Jogos.
Afinal, parece que a conversa entre os senhores do COI, já com a lágrima ao canto do olho a dizer "oh pá, mas vocês tinham prometido! Maus!" sempre funcionou, e os dirigentes chineses ficaram com alguma pena.
Se calhar era mesmo isto que o PR ia dizer ontem: ia dizer que Portugal devia boicotar os jogos, mas uns 15 minutos antes da comunicação ao país soube-se que os chineses eram capazes de levantar o bloqueio e foi preciso inventar qualquer merda para entreter as televisões quando chegassem as 20h. Afinal, um PR não pode dizer que vai fazer uma comunicação de emergência ao país e depois dizer "ah não, não era nada de especial, deixa tar".
Afinal, parece que a conversa entre os senhores do COI, já com a lágrima ao canto do olho a dizer "oh pá, mas vocês tinham prometido! Maus!" sempre funcionou, e os dirigentes chineses ficaram com alguma pena.
Se calhar era mesmo isto que o PR ia dizer ontem: ia dizer que Portugal devia boicotar os jogos, mas uns 15 minutos antes da comunicação ao país soube-se que os chineses eram capazes de levantar o bloqueio e foi preciso inventar qualquer merda para entreter as televisões quando chegassem as 20h. Afinal, um PR não pode dizer que vai fazer uma comunicação de emergência ao país e depois dizer "ah não, não era nada de especial, deixa tar".
Nem ser preso por ter cão
nem por não ter.
Há já uns tempos que tinha os documentos provisórios do meu carro fora de prazo. Ainda não tinha os documentos definitivos e andava com uma guia, que só tem uma validade de 30 dias. E volta e meia pensava: "se sou mandado parar pela polícia numa operação stop lixo-me".
Pois bem, há umas duas semanas chegaram finalmente os documentos. Agora já ando com tudo legal. Ontem passo por uma operação Stop. E eu todo contente a pensar que me iam mandar parar e podia exibir os documentos todos certinhos. E... não. Mandaram-me seguir. Estavam a mandar parar mais ou menos metade dos carros e nem assim consegui que me pedissem os documentos!
Raios, pá, o que é preciso para ser mandado parar pela polícia neste país?
Há já uns tempos que tinha os documentos provisórios do meu carro fora de prazo. Ainda não tinha os documentos definitivos e andava com uma guia, que só tem uma validade de 30 dias. E volta e meia pensava: "se sou mandado parar pela polícia numa operação stop lixo-me".
Pois bem, há umas duas semanas chegaram finalmente os documentos. Agora já ando com tudo legal. Ontem passo por uma operação Stop. E eu todo contente a pensar que me iam mandar parar e podia exibir os documentos todos certinhos. E... não. Mandaram-me seguir. Estavam a mandar parar mais ou menos metade dos carros e nem assim consegui que me pedissem os documentos!
Raios, pá, o que é preciso para ser mandado parar pela polícia neste país?
PR
Tanta coisa, tanto suspense, o país à espera, a pensar no que aí vinha (eu já tava a pensar que ia ser comunicado um boicote português aos Jogos Olímpicos, um golpe de estado, ou a demissão do PR por ter ganho o Euro-Milhões) e sai-nos uma série de queixinhas por causa do estatuto dos Açores! Quem ouviu ontem o homem deve ter chegado à mesma conclusão que eu: o PR interrompeu-nos a programação normal da hora do jantar para vir dizer que os deputados são maus, que quiseram aprovar uma lei que condicionava os direitos do PR, que obrigava o PR a não sei o quê, que os Açoreanos são todos uma cambada de ladrões, uma cambada de gatunos e uma cambada de chupistas (nota: acho que não foi o PR que disse isto, foram os Gato Fedorento, e era sobre outro assunto qualquer que agora não me alembra, mas vai dar ao mesmo).
Eh pá, ó homem, a malta não votou em si para depois andar por aí a fazer queixinhas! Ainda por cima a pregar-nos um susto desses antes de irmos para férias! Para a próxima, se tem queixinhas a fazer, faça-as ao Tribunal Constitucional que eles têm pachorra para o ouvir e dê o assunto por encerrado.
Ao menos, tivesse a decência de acabar a comunicação ao país desejando boas férias aos portugueses, pá!
Eh pá, ó homem, a malta não votou em si para depois andar por aí a fazer queixinhas! Ainda por cima a pregar-nos um susto desses antes de irmos para férias! Para a próxima, se tem queixinhas a fazer, faça-as ao Tribunal Constitucional que eles têm pachorra para o ouvir e dê o assunto por encerrado.
Ao menos, tivesse a decência de acabar a comunicação ao país desejando boas férias aos portugueses, pá!
Universidade
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior quer um ensino superior retrógrado e governamentalizado. Só assim se explica que depois de ter ordenado o fecho da Universidade Independente, há um ano, tenha feito o mesmo com a Universidade Moderna.
A quem sairá a fava no ano que vem? À Universidade Autónoma, e passamos a ter um ensino superior dependente ou à Universidade Internacional e passamos a ter um ensino superior caseiro e provinciano. Tsc, tsc, tsc...
Adenda: O MCTES retirou o estatuto de Universidade à Internacional. Eu por acaso tinha aberto a página do Público, mas com o caso da Moderna tão recente, li na diagonal e li Moderna. Quando voltei à página do Público e vi que tinha acontecido o mesmo à Internacional nem queria acreditar: o MCTES roubou-me a ideia para um post!!!! Odeio-te, Mariano Gago! bom, falta a Autónoma.
A quem sairá a fava no ano que vem? À Universidade Autónoma, e passamos a ter um ensino superior dependente ou à Universidade Internacional e passamos a ter um ensino superior caseiro e provinciano. Tsc, tsc, tsc...
Adenda: O MCTES retirou o estatuto de Universidade à Internacional. Eu por acaso tinha aberto a página do Público, mas com o caso da Moderna tão recente, li na diagonal e li Moderna. Quando voltei à página do Público e vi que tinha acontecido o mesmo à Internacional nem queria acreditar: o MCTES roubou-me a ideia para um post!!!! Odeio-te, Mariano Gago! bom, falta a Autónoma.
31 julho 2008
Tava para ir... mas já não vou
Tava para ir ao cinema. Mas quando soube que o PR ia fazer uma comunicação ao país, sobre um qualquer assunto que está a ser mantido em segredo, preferi adiar. Nunca se sabe se ele não vem comunicar que o fim do mundo está próximo. Se for esse o caso, vou para Évora ver se ainda vou a tempo de fazer um curso de pára-quedismo este fim de semana, que é uma daquelas coisas que sempre quis fazer antes do Apocalipse.
Se for algo assim mais inocente, vou ao cinema na mesma.
Se for algo assim mais inocente, vou ao cinema na mesma.
Mais que fazer
Eu tenho muito que fazer. Mas pouca vontade. E por isso, volta e meia aproveito uma distracção qualquer para fazer outra coisa. Nomeadamente desmentir apelos que chegam por mail.
As histórias são todas sérias, e não falta quem acredite nelas, quanto mais não seja porque "mal, não faz".
Desta vez foi um mail a falar no desaparecimento de um miudo no Alentejo. O mail vem com 3 fotografias de um puto adorável, que terá mais ou menos 1 ano. Só que o mail não diz o nome da criança, o número de telefone de contacto dos pais, o dia do desaparecimento, as circunstâncias, nada... A quem tiver mais informações pede-se para ligar para ... a Câmara Municipal.
Estes apelos são TODOS falsos. Nenhum apelo que chega à minha caixa de correio alguma vez passou após 2 ou 3 minutos de investigação. Nem um. A este bastou procurar no google e logo à primeira encontrei 3 referências precisamente ao mesmo caso. Uma de meados de Junho, uma de Meados de Maio e outra de Maio, mas de... 2006!!! Portanto a história é perfeitamente actual (afinal, são só 2 anos, pá!) e as fotografias do miudo extremamente úteis...
Esta é a crua verdade dos apelos que circulam por mail, sejam pedidos de doação de sangue, sejam donativos para ajudar alguém doente, uma criança desaparecida, qualquer coisa. Por mais tocante que seja a história, por mais razoável que pareça a informação, na altura em que chega à vossa caixa do correio já passaram de prazo. No caso concreto do desaparecimento de crianças, na esmagadora maioria dos casos pela altura em que o primeiro mail é enviado, algo que os pais fazem imediatamente, em pânico, a criança é encontrada... em casa dos avós, dos tios ou outro familiar qualquer. E no restante 1%, das duas uma: ou a polícia apanha imediatamente a criança ou ela nunca mais aparece. Não há registo de alguma vez um apelo distribuido por mail ter surtido efeito. A não ser ocupar espaço em disco e largura de banda.
Não custa nada: sempre que sentirem vontade de distribuir um apelo, por mais sério e tocante que pareça, percam 2 minutos a investigá-lo antes de mandar. É mais ou menos o mesmo tempo que demora a fazer forward da mensagem e seleccionar os destinatários. Neste caso procurei "menino desaparecido Viana do Alentejo", já que a Câmara Municipal de Viana do Alentejo era visada na mensagem. E logo as primeiras 3 ocorrências deram para perceber, só olhando para as datas dos posts. Encontrei uma referência numa página de hi5 e duas em foruns. E pronto, está desmentida a história, escuso de mandar informação falsa.
Até ao momento, e já uso e-mail há uns 15 anos, de todas as histórias que me chegaram por mail, sejam alertas por causa de virus, crianças desaparecidas, estratégias usadas pelos criminosos, comportamento das brigadas de trânsito, acidentes de viação, pedidos de doação de sangue, etc, etc, etc, nem um se aproveitou. Nem um! E olhem que já recebi vários milhares deles.
As histórias são todas sérias, e não falta quem acredite nelas, quanto mais não seja porque "mal, não faz".
Desta vez foi um mail a falar no desaparecimento de um miudo no Alentejo. O mail vem com 3 fotografias de um puto adorável, que terá mais ou menos 1 ano. Só que o mail não diz o nome da criança, o número de telefone de contacto dos pais, o dia do desaparecimento, as circunstâncias, nada... A quem tiver mais informações pede-se para ligar para ... a Câmara Municipal.
Estes apelos são TODOS falsos. Nenhum apelo que chega à minha caixa de correio alguma vez passou após 2 ou 3 minutos de investigação. Nem um. A este bastou procurar no google e logo à primeira encontrei 3 referências precisamente ao mesmo caso. Uma de meados de Junho, uma de Meados de Maio e outra de Maio, mas de... 2006!!! Portanto a história é perfeitamente actual (afinal, são só 2 anos, pá!) e as fotografias do miudo extremamente úteis...
Esta é a crua verdade dos apelos que circulam por mail, sejam pedidos de doação de sangue, sejam donativos para ajudar alguém doente, uma criança desaparecida, qualquer coisa. Por mais tocante que seja a história, por mais razoável que pareça a informação, na altura em que chega à vossa caixa do correio já passaram de prazo. No caso concreto do desaparecimento de crianças, na esmagadora maioria dos casos pela altura em que o primeiro mail é enviado, algo que os pais fazem imediatamente, em pânico, a criança é encontrada... em casa dos avós, dos tios ou outro familiar qualquer. E no restante 1%, das duas uma: ou a polícia apanha imediatamente a criança ou ela nunca mais aparece. Não há registo de alguma vez um apelo distribuido por mail ter surtido efeito. A não ser ocupar espaço em disco e largura de banda.
Não custa nada: sempre que sentirem vontade de distribuir um apelo, por mais sério e tocante que pareça, percam 2 minutos a investigá-lo antes de mandar. É mais ou menos o mesmo tempo que demora a fazer forward da mensagem e seleccionar os destinatários. Neste caso procurei "menino desaparecido Viana do Alentejo", já que a Câmara Municipal de Viana do Alentejo era visada na mensagem. E logo as primeiras 3 ocorrências deram para perceber, só olhando para as datas dos posts. Encontrei uma referência numa página de hi5 e duas em foruns. E pronto, está desmentida a história, escuso de mandar informação falsa.
Até ao momento, e já uso e-mail há uns 15 anos, de todas as histórias que me chegaram por mail, sejam alertas por causa de virus, crianças desaparecidas, estratégias usadas pelos criminosos, comportamento das brigadas de trânsito, acidentes de viação, pedidos de doação de sangue, etc, etc, etc, nem um se aproveitou. Nem um! E olhem que já recebi vários milhares deles.
30 julho 2008
Jogos Olímpicos
Já estamos em contagem decrescente para os jogos (a propósito, a Naide Gomes chega aos JO em excelente forma, este fim de semana bateu a melhor marca do ano por 8cm!). É no dia 08/08/08 às 8 horas da noite (alguém nota aqui um padrão? os chineses são mesmo supersticiosos como o raio...) que tem lugar a cerimónia de abertura, transmitida em directo para todo o mundo e dando início a 1 mês de competições em dezenas de modalidades desportivas com, talvez, mais de meio mundo a assistir pela televisão.
E nestes últimos dias as notícias sucedem-se. Sejam o atleta X que não vai aos jogos porque se lesionou ou porque acusou positivo num controlo anti-doping, seja um qualquer atleta que recuperou a forma e por isso vai aos jogos, ou é uma melhor marca do ano ou um recorde do mundo a criar ou eliminar favoritos às medalhas, ou é o país organizador a censurar o acesso à internet dos jornalistas durante os jogos. Errrr... bom, esta última não é muito habitual em vésperas de um jogos olímpicos (vou deixar de usar maiúscula para me referir aos jogos de 2008).
Aos jornalistas que reclamam da quebra de promessas feitas pela organização, esta responde com "A nossa promessa era que os jornalistas pudessem dispor de Internet para o seu trabalho durante os jogos olímpicos. E nós concedemos acesso suficiente para isso". Claro, eles prometeram Internet, não prometeram Internet livre! Efectivamente a língua chinesa é cheia de subtilezas de linguagem e este tipo de equívocos pode perfeitamente acontecer. Aposto que o símbolo chinês para Internet tem uns 70 traços e o símbolo para Internet livre tem também 70 traços, mas um deles dá uma pequena voltinha no fim, que passa facilmente despercebida para o tradutor.
Entre os sites bloqueados contam-se o da Amnistia Internacional (mais ou menos óbvio), o da BBC (Hmmmm... não se justificaria uma qualquer acção do governo inglês?) ou da Deutsche Welle (hmmmm... e o governo alemão? Fica calado?). Porra, pá! Temos uma organização a meter o bedelho no trabalho dos jornalistas cuja missão é reportar ao mundo o que se passa, o mundo inteiro a ver e o COI não faz nada? E a UE não faz nada? Ninguém boicota? Os EUA boicotaram os jogos de Moscovo em 80, a URSS boicotou os de 84 em Los Angeles, e agora ficam todos calados que nem ratos? Caguem nas medalhas, boicotem os jogos, organizem uma qualquer competição alternativa num qualquer país livre e mostrem que o mundo não tem medo dos chineses! Ah, e de caminho, façam uma forcinha pela libertação do Tibete, se faz favor.
Adenda: em resposta, o COI mostrou-se "decepcionado" com a censura feita pelo governo chinês. Só? Decepcionado? Não ficou ofendido, não ficou escandalizado, não se sentiu ultrajado? Só decepcionado? E continuam a dizer que vão levar a questão "muito a sério". Só isso? Muito a sério? Não vão exigir que o acesso à net seja livre? Não vão dar um ultimato à organização chinesa? Vão levar muito a sério a questão? Uuuuuuuh, aposto que os chineses já estão a ficar nervosos com a promessa do COI de "ter discussões muito sérias com a organização"...
E nestes últimos dias as notícias sucedem-se. Sejam o atleta X que não vai aos jogos porque se lesionou ou porque acusou positivo num controlo anti-doping, seja um qualquer atleta que recuperou a forma e por isso vai aos jogos, ou é uma melhor marca do ano ou um recorde do mundo a criar ou eliminar favoritos às medalhas, ou é o país organizador a censurar o acesso à internet dos jornalistas durante os jogos. Errrr... bom, esta última não é muito habitual em vésperas de um jogos olímpicos (vou deixar de usar maiúscula para me referir aos jogos de 2008).
Aos jornalistas que reclamam da quebra de promessas feitas pela organização, esta responde com "A nossa promessa era que os jornalistas pudessem dispor de Internet para o seu trabalho durante os jogos olímpicos. E nós concedemos acesso suficiente para isso". Claro, eles prometeram Internet, não prometeram Internet livre! Efectivamente a língua chinesa é cheia de subtilezas de linguagem e este tipo de equívocos pode perfeitamente acontecer. Aposto que o símbolo chinês para Internet tem uns 70 traços e o símbolo para Internet livre tem também 70 traços, mas um deles dá uma pequena voltinha no fim, que passa facilmente despercebida para o tradutor.
Entre os sites bloqueados contam-se o da Amnistia Internacional (mais ou menos óbvio), o da BBC (Hmmmm... não se justificaria uma qualquer acção do governo inglês?) ou da Deutsche Welle (hmmmm... e o governo alemão? Fica calado?). Porra, pá! Temos uma organização a meter o bedelho no trabalho dos jornalistas cuja missão é reportar ao mundo o que se passa, o mundo inteiro a ver e o COI não faz nada? E a UE não faz nada? Ninguém boicota? Os EUA boicotaram os jogos de Moscovo em 80, a URSS boicotou os de 84 em Los Angeles, e agora ficam todos calados que nem ratos? Caguem nas medalhas, boicotem os jogos, organizem uma qualquer competição alternativa num qualquer país livre e mostrem que o mundo não tem medo dos chineses! Ah, e de caminho, façam uma forcinha pela libertação do Tibete, se faz favor.
Adenda: em resposta, o COI mostrou-se "decepcionado" com a censura feita pelo governo chinês. Só? Decepcionado? Não ficou ofendido, não ficou escandalizado, não se sentiu ultrajado? Só decepcionado? E continuam a dizer que vão levar a questão "muito a sério". Só isso? Muito a sério? Não vão exigir que o acesso à net seja livre? Não vão dar um ultimato à organização chinesa? Vão levar muito a sério a questão? Uuuuuuuh, aposto que os chineses já estão a ficar nervosos com a promessa do COI de "ter discussões muito sérias com a organização"...
Explicações
Volta e meia um gajo tem de prestar contas à justiça. Não é que tenha feito algo mal, mas por vezes é preciso explicar as suas acções perante um juiz. Foi o que aconteceu a um senhor do Porto (não leiam ainda a notícia, esperem pelo fim do post), acusado de tentativa de homocídio (nota: por lapso escrevi homocídio em vez de homicídio; depois corrigi; mas por razões que em breve se tornarão óbvias, voltei à forma original).
E o que teve ele a dizer em sua defesa? Já leram a notícia? Então, estragaram a piada toda... O homem em questão disparou contra uma vizinha, diga-se que por engano, pensava que no pátio estava o seu outro vizinho, por acreditar que este último, que é homossexual, tivesse sodomizado o seu gato! Claro, está tudo explicado! Se um homossexual tiver contacto com um animal de estimação, deve ser considerado legítima defesa matar o gajo, porque toda a gente sabe que a espécie larilas é depravada e come tudo o que apanha, desde que seja macho. Homem, criança ou animal. Libertem o homem, pá, ele é que sabe como é, conhece-os de gingeira, esses mariconços todos, até é vizinho de um e tudo, e sabe bem que a espécie paneleira não descansa enquanto não converter à paneleiragem tudo o que mexe. Só descansam quando condenarem a espécie humana à extinção, os cabrões dos rabilós...
Nota 1: o maricas que, na opinião deste douto senhor que tinha em casa uma pistola e várias balas e era conhecido como Zé Pistoleiro (porque será?), tentou converter o seu querido bichano à paneleiragem, tinha ajudado a resgatar o gato que tinha fugido não sei bem para onde. Ah, mas esses paneleiros não enganam. De certeza que a bicha ajudou o bicho mas tinha alguma fisgada...
Nota 2: tudo está bem quando acaba bem; ou mais ou menos bem; ou pelo menos quando não acaba muito mal. A vítima sobreviveu, apesar de ferida com alguma gravidade, e o senhor homofóbico (será paneleiro e ainda não o sabe?) foi condenado a uns quantos anos de cadeia. Disse o juiz que "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida". É como diz o outro, os recordes fizeram-se para ser batidos.
(obrigado Gonçalo)
E o que teve ele a dizer em sua defesa? Já leram a notícia? Então, estragaram a piada toda... O homem em questão disparou contra uma vizinha, diga-se que por engano, pensava que no pátio estava o seu outro vizinho, por acreditar que este último, que é homossexual, tivesse sodomizado o seu gato! Claro, está tudo explicado! Se um homossexual tiver contacto com um animal de estimação, deve ser considerado legítima defesa matar o gajo, porque toda a gente sabe que a espécie larilas é depravada e come tudo o que apanha, desde que seja macho. Homem, criança ou animal. Libertem o homem, pá, ele é que sabe como é, conhece-os de gingeira, esses mariconços todos, até é vizinho de um e tudo, e sabe bem que a espécie paneleira não descansa enquanto não converter à paneleiragem tudo o que mexe. Só descansam quando condenarem a espécie humana à extinção, os cabrões dos rabilós...
Nota 1: o maricas que, na opinião deste douto senhor que tinha em casa uma pistola e várias balas e era conhecido como Zé Pistoleiro (porque será?), tentou converter o seu querido bichano à paneleiragem, tinha ajudado a resgatar o gato que tinha fugido não sei bem para onde. Ah, mas esses paneleiros não enganam. De certeza que a bicha ajudou o bicho mas tinha alguma fisgada...
Nota 2: tudo está bem quando acaba bem; ou mais ou menos bem; ou pelo menos quando não acaba muito mal. A vítima sobreviveu, apesar de ferida com alguma gravidade, e o senhor homofóbico (será paneleiro e ainda não o sabe?) foi condenado a uns quantos anos de cadeia. Disse o juiz que "Dar um tiro em alguém por ser homossexual e por supostamente ter tido relações sexuais com um gato que ajudou a resgatar, e por isso o animal ter ficado paneleiro, é talvez o motivo mais torpe que eu já vi na minha vida". É como diz o outro, os recordes fizeram-se para ser batidos.
(obrigado Gonçalo)
27 julho 2008
Já começa!
Tá a começar a época de futebol, com os jogos de preparação habituais e já se começa a repetir a história: Benfica-Sporting no importantíssimo (na óptica do Fernando Santos) torneio do Guadiana, e já está o corpo de intervenção nas bancadas a acalmar os ânimos dos adeptos da porrada. Sim, que não me parece que apreciem futebol por aí além, é mais uma coisa tribal.
PS: por enquanto o jogo está a 0-0 e vai agora para intervalo. Se o Benfica perder a lagartada escusa de vir comentar este post, que jogos particulares não me aquecem nem arrefecem. Por outro lado, se o Benfica ganhar, podem contar com outro post, daqui a bocado, a fazer pouco do Esportém, e podem descarregar as vossas frustrações na caixa de comentários desse.
PS: por enquanto o jogo está a 0-0 e vai agora para intervalo. Se o Benfica perder a lagartada escusa de vir comentar este post, que jogos particulares não me aquecem nem arrefecem. Por outro lado, se o Benfica ganhar, podem contar com outro post, daqui a bocado, a fazer pouco do Esportém, e podem descarregar as vossas frustrações na caixa de comentários desse.
25 julho 2008
1 ano depois
Há um ano Portugal ficou, pela primeira vez na sua história, fora das meias-finais de uma grande competição em Hóquei em Patins. Sejam campeonatos da Europa ou do Mundo, éramos a única equipa com presença em todas as meias-finais. A juntar a isso somos ainda a selecção com mais títulos europeus, mais títulos mundiais, mais finais disputadas, e mais presenças no pódio. Mas algum dia tinha que acontecer, algum dia iríamos perder antes de tempo. De forma inesperada perdemos contra a Suiça nos quartos-de-final e depois ainda voltámos a perder, com a França, no jogo de 5º e 6º lugar. Já lá vão 5 anos que levamos um caneco para casa (mundial de 2003, jogado em casa), e ficar em 6º era demasiado mau para ser verdade. Basta ver que foi a primeira vez que perdemos contra a Suiça e foi a primeira vez que perdemos contra a França.
Agora temos campeonato da Europa. Para ultrapassar o trauma do ano passado, só mesmo ganhar o campeonato, que ainda por cima é em Espanha, a actual campeã europeia e mundial e, de longe, a grande dominadora do hóquei actual.
E a coisa está, pelo menos, com boa cara. Depois de passar sem espinhas em primeiro lugar do grupo, algo que já mais que se esperava, ganhámos à Suiça por 6-3 para servir a vingança do ano passado, e chegámos às meias-finais, que são os serviços mínimos. Calhou-nos a Itália e... espetámos-lhe 5-0! Sem espinhas. Amanhã joga a Espanha, o jogo dá na RTP (provavelmente a 1), provavelmente às 20h. Venham os espanhois, que hoje devem ganhar sem grandes dificuldades contra a França (já lhes ganharam 6-1 na primeira fase).
Nota: As participações da selecção nos campeonatos da Europa e do Mundo mede-se segundo os seguintes critérios:
Fora das meias finais - vergonha nacional, cai o seleccionador, mudam-se os jogadores, há eleições na federação de patinagem.
Presença nas meias-finais - desilusão, cumprem-se apenas os serviços mínimos.
Presença na final - prestação razoável, não desilude, não deslumbra.
Vitória na final - objectivo atingido, parabéns à equipa.
Vitória em todos os jogos por pelo menos 5-0 - motivo de festa, sobretudo se a vitória na final for contra Espanha.
Se o campeonato for organizado por nós, o mínimo que se espera é um título. Afinal, ainda não perdemos um único mundial em casa e só perdemos um europeu, em 85.
Agora temos campeonato da Europa. Para ultrapassar o trauma do ano passado, só mesmo ganhar o campeonato, que ainda por cima é em Espanha, a actual campeã europeia e mundial e, de longe, a grande dominadora do hóquei actual.
E a coisa está, pelo menos, com boa cara. Depois de passar sem espinhas em primeiro lugar do grupo, algo que já mais que se esperava, ganhámos à Suiça por 6-3 para servir a vingança do ano passado, e chegámos às meias-finais, que são os serviços mínimos. Calhou-nos a Itália e... espetámos-lhe 5-0! Sem espinhas. Amanhã joga a Espanha, o jogo dá na RTP (provavelmente a 1), provavelmente às 20h. Venham os espanhois, que hoje devem ganhar sem grandes dificuldades contra a França (já lhes ganharam 6-1 na primeira fase).
Nota: As participações da selecção nos campeonatos da Europa e do Mundo mede-se segundo os seguintes critérios:
Fora das meias finais - vergonha nacional, cai o seleccionador, mudam-se os jogadores, há eleições na federação de patinagem.
Presença nas meias-finais - desilusão, cumprem-se apenas os serviços mínimos.
Presença na final - prestação razoável, não desilude, não deslumbra.
Vitória na final - objectivo atingido, parabéns à equipa.
Vitória em todos os jogos por pelo menos 5-0 - motivo de festa, sobretudo se a vitória na final for contra Espanha.
Se o campeonato for organizado por nós, o mínimo que se espera é um título. Afinal, ainda não perdemos um único mundial em casa e só perdemos um europeu, em 85.
As boas notícias (e as más, que são dadas entre parêntesis)
As boas notícias: ainda não fui multado por excesso de velocidade (o que se avizinha cada vez mais provável: é que os senhores da autoridade estão a ser cada vez mais imaginativos na escolha de viaturas descaracterizadas com radares instalados para controlo de velocidade; ontem vi um Nissan Primera de 2004 com radar instalado no tablier, e que é impossível de identificar numa ultrapassagem. É que o carro tem os vidros fumados e um autocolante enorme no óculo traseiro de uma qualquer marca de equipamentos de som para automóveis; ou seja, um carro à la xuning! Se havia coisa com que se podia contar era o facto de a polícia só usar carros standard, sem alterações visuais que não fossem da marca. A cena dos vidros fumados então deixou-me de boca aberta, além de tornar quase impossível ver o radar no tablier quando estamos atrás do carro, é algo que não se espera de um carro da autoridade... ponham-se a pau que eles andam aí!).
24 julho 2008
23 julho 2008
100%
Eu gosto de chocolate preto. Mas isto de gostar de chocolate preto não é assim tão... preto e branco. Há varias gradações de cinzento, que se medem em percentagem de cacau. Existe chocolate com 68% de cacau, com 74%, 78%. Estes valores encontram-se na maior parte dos supermercados. Mas depois há coisas mais elaboradas que só se encontram em sítios mais ou menos especializados.
Aqui há tempos ofereceram-me uns quadradinhos com 86% de cacau e digo-vos que é muito, mesmo muito amargo. Tão amargo que aos primeiros quadrados fiz uma careta. Depois habituei-me e a coisa não é assim tão má. Depois experimentei um outro, que tinha quadrados de diferentes graduações na mesma embalagem. Provar um de 70%, amargo como o chocolate negro que se arranja no supermercado, depois de ter experimentado um chocolate com 90% de cacau é a coisa mais enjoativa que se pode imaginar. O chocolate de 90% é mesmo estupidamente amargo. Ao ponto de não se sentir uma pitadinha de doce. Ao pé desse, chocolate de 70% é mais doce que um palmier coberto com mel por cima. Até enjoa.
Mas... e que tal "chocolate" de 100%? É que nem sequer diz chocolate na embalagem, diz cacau! 100% cacau. Tenho aqui uma embalagem em casa. É algo de... diferente. Eu gosto muito de chocolate amargo ao ponto de conseguir comer uma tablete inteira de seguida (com o café, de preferência), mas tenho sérias dificuldades em comer algo cujo saber só consigo definir como a total ausência de doce. Ao pé deste cacau 100% um café sem acúcar é dulcíssimo. Tenta-se encontrar desesperadamente um qualquer travo doce, algo que nos indique que estamos a comer alguma coisa que poderia ser servida à sobremesa e nada. Simplesmente não está lá. Aconselho todos a experimentar. Cacau 100% encontra-se nalgumas lojas gourmet. Mas preparem-se, o dono da loja vai perguntar se sabem o que aquilo é e se têm a certeza. É que parece que há muitas reclamações...
Aqui há tempos ofereceram-me uns quadradinhos com 86% de cacau e digo-vos que é muito, mesmo muito amargo. Tão amargo que aos primeiros quadrados fiz uma careta. Depois habituei-me e a coisa não é assim tão má. Depois experimentei um outro, que tinha quadrados de diferentes graduações na mesma embalagem. Provar um de 70%, amargo como o chocolate negro que se arranja no supermercado, depois de ter experimentado um chocolate com 90% de cacau é a coisa mais enjoativa que se pode imaginar. O chocolate de 90% é mesmo estupidamente amargo. Ao ponto de não se sentir uma pitadinha de doce. Ao pé desse, chocolate de 70% é mais doce que um palmier coberto com mel por cima. Até enjoa.
Mas... e que tal "chocolate" de 100%? É que nem sequer diz chocolate na embalagem, diz cacau! 100% cacau. Tenho aqui uma embalagem em casa. É algo de... diferente. Eu gosto muito de chocolate amargo ao ponto de conseguir comer uma tablete inteira de seguida (com o café, de preferência), mas tenho sérias dificuldades em comer algo cujo saber só consigo definir como a total ausência de doce. Ao pé deste cacau 100% um café sem acúcar é dulcíssimo. Tenta-se encontrar desesperadamente um qualquer travo doce, algo que nos indique que estamos a comer alguma coisa que poderia ser servida à sobremesa e nada. Simplesmente não está lá. Aconselho todos a experimentar. Cacau 100% encontra-se nalgumas lojas gourmet. Mas preparem-se, o dono da loja vai perguntar se sabem o que aquilo é e se têm a certeza. É que parece que há muitas reclamações...
22 julho 2008
Estragaram uma boa piada...
"Como é que se sabe que uma loura usou o computador? Porque apagou com corrector no ecrã."
E agora vêm estes gajos e estragam a piada! Inventaram um transistor em papel. Se a moda pega, a seguir temos circuitos integrados em papel e, quem sabe, computadores todos feitos em papel. E perde-se uma piada que, sem ser excepcional, era uma boa piada.
E agora vêm estes gajos e estragam a piada! Inventaram um transistor em papel. Se a moda pega, a seguir temos circuitos integrados em papel e, quem sabe, computadores todos feitos em papel. E perde-se uma piada que, sem ser excepcional, era uma boa piada.
Priiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Acabou-se o apito dourado! Ufa! Tava a ver que nunca mais (já acabou há uns 4 dias, mas tenho tido pouco tempo para vir cá).
No fim de contas, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa foram condenados. Mas só por crimes de abuso de poder, foram absolvidos do crime de corrupção. Pronto, o tribunal lá saberá as suas razões, não é para isso que trago o assunto à baila.
O que queria perguntar é só isto: se um tipo é condenado por 25 crimes de abuso de poder e leva 2 meses por cada crime, o que dá pouco mais de 4 anos de prisão, porque é que no fim de contas fica com uma pena suspensa de 3 anos e pouco? Até concordo com a pena única, inferior às somas das penas individuais, mas... suspensa? Porquê? Porque se acredita que o criminoso (eh eh eh, já podemos chamar criminoso ao Valentim Loureiro! Quer dizer, poder, poder, ainda não podemos, só depois de a sentença transitar em julgado) ficará reabilitado com uma pena suspensa, que na prática é apenas um cartão amarelo? Afinal, não foi uma nem duas vezes que o major valentão passou a linha da legalidade para o lado de lá, foram 25!!! Isso não chega para mostrar que só não foram mais porque não se propiciou, ou que houve mais casos mas não se descobriram? Agora é que o Vale e Azevedo fica pior que estragado... ao coitado do homem andam sempre a acrescentar mais uns anitos de prisão e nem um cúmulo jurídico lhe fazem, ao major valentão dão um puxão de orelhas e mandam-no para casa, para continuar a sua vida (excepto na Câmara de Gondomar, que também foi condenado a perda de mandato).
Enfim, a justiça tem razões que a razão (pelo menos a minha) desconhece.
No fim de contas, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa foram condenados. Mas só por crimes de abuso de poder, foram absolvidos do crime de corrupção. Pronto, o tribunal lá saberá as suas razões, não é para isso que trago o assunto à baila.
O que queria perguntar é só isto: se um tipo é condenado por 25 crimes de abuso de poder e leva 2 meses por cada crime, o que dá pouco mais de 4 anos de prisão, porque é que no fim de contas fica com uma pena suspensa de 3 anos e pouco? Até concordo com a pena única, inferior às somas das penas individuais, mas... suspensa? Porquê? Porque se acredita que o criminoso (eh eh eh, já podemos chamar criminoso ao Valentim Loureiro! Quer dizer, poder, poder, ainda não podemos, só depois de a sentença transitar em julgado) ficará reabilitado com uma pena suspensa, que na prática é apenas um cartão amarelo? Afinal, não foi uma nem duas vezes que o major valentão passou a linha da legalidade para o lado de lá, foram 25!!! Isso não chega para mostrar que só não foram mais porque não se propiciou, ou que houve mais casos mas não se descobriram? Agora é que o Vale e Azevedo fica pior que estragado... ao coitado do homem andam sempre a acrescentar mais uns anitos de prisão e nem um cúmulo jurídico lhe fazem, ao major valentão dão um puxão de orelhas e mandam-no para casa, para continuar a sua vida (excepto na Câmara de Gondomar, que também foi condenado a perda de mandato).
Enfim, a justiça tem razões que a razão (pelo menos a minha) desconhece.
Ume petição com pés e cabeça
Chegou-me à caixa do correio (mandada pel'A Tua Amiga, pois claro) uma petição que tem como objectivo a legalização da prostituição em casas de passe e a ilegalização da prostituição de rua (sabiam que a prostituição de rua é ilegal, mas pode-se fazer? E o que acontece a quem o faz? Nada! Mas é proibido. Só que pode-se fazer...).
Devo dizer que nos tempos que correm, em que por tudo e por nada se fazem petições e se lançam apelos, tantas vezes sem qualquer tipo de fundamento, ou circulam abaixo-assinados sem qualquer valor legal por e-mail, é bom ler o texto de uma petição que cita as leis, decretos e respectivos artigos em que se fundamenta.
Concorde-se ou não com o assunto, vale a pena ler a petição, para ver como se escreve uma petição à Assembleia da República. Pode vir a dar jeito no futuro. E, caso se concorde, vale a pena assinar porque esta tem pernas para andar.
Petição para legalização das casas de passe (para assinar a petição usem o link do fundo da página)
Devo dizer que nos tempos que correm, em que por tudo e por nada se fazem petições e se lançam apelos, tantas vezes sem qualquer tipo de fundamento, ou circulam abaixo-assinados sem qualquer valor legal por e-mail, é bom ler o texto de uma petição que cita as leis, decretos e respectivos artigos em que se fundamenta.
Concorde-se ou não com o assunto, vale a pena ler a petição, para ver como se escreve uma petição à Assembleia da República. Pode vir a dar jeito no futuro. E, caso se concorde, vale a pena assinar porque esta tem pernas para andar.
Petição para legalização das casas de passe (para assinar a petição usem o link do fundo da página)
Relevância
No outro dia li no Portal do Cidadão que os selos de correio vão aumentar. E pus-me a pensar: quando foi a última vez que comprei ou usei selos de correio? A verdade é que não me lembro! É sempre bom ler más notícias que não me dizem respeito. P'ra variar.
18 julho 2008
Cenas de gaja
Há uns dias mandaram-me (obrigado, Ricardo) um artigo sobre Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago. Presidente, não. Presidenta, porque é mulher! A gaja acha que só porque é gaja devia ser presidenta e não presidente. E tá-se a borrifar para o facto de a palavra não existir. Porque é que uma mulher ministro é ministra e uma mulher presidente não é presidenta, pergunta Pilar del Rio? Ao que eu respondo: porque seria estúpido. Há palavras cujo género se pode mudar facilmente e outras que não. Mas vão lá dizer isso à gaja que ela passa-se dos carretos. Começa logo com merdas à la anos 60 sobre a supremacia dos homens, a opressão sobre as mulheres e mais não sei o quê.
A gaja queixa-se, queixa-se, mas ela não sabe o que é ser discriminado pela língua. Eu sou canhoto. Por oposição a ser dextro. Uso a mão esquerda em vez da mão direita para escrever, uso o pé esquerdo em vez do pé direito para dar pontapés em pedras ou putos reguilas ou gajas com a mania que são presidentas em vez de presidentes. E não me queixo de discriminação, isto apesar de ela existir a um grau que a senhora Pilar del Rio nem sequer imagina. Ouvir esta senhora protestar contra o machismo da língua é como os negros norte-americanos durante os motins de Los Angeles ouvirem a comunidade gay de São Francisco queixar-se de discriminação por não se poderem casar legalmente na Califórnia (agora já podem). Diz o larilas "ah e tal, a gente não se pode casar, somos muitos discriminados". Responde o preto: "ó mariconço! Nós levamos porrada da polícia, ainda há dias um gajo foi parar ao hospital só porque apeteceu aos polícias fazerem o gajo em merda ao biqueiro". Numa cidade em que os pretos são tratados ao pontapé pela polícia alguém se preocupa com a discriminação contra os gays? Claro que não, temos gente a levar enxertos de porrada, há que definir prioridades. Ou então o menino gordo da escola primária a queixar-se ao menino cigano que os outros meninos chamam-no gordo e não o deixam jogar futebol. Ao que o cigano responde que ele tem sorte; quando um dos outros putos perde um lápis chamam a judiciária para fazer buscas na casa do cigano. Mas já me estou a distrair um bocado, é melhor mudar de parágrafo.
Ah, muito melhor. Estava eu a falar da discriminação contra canhotos. Por exemplo, estudar leis é estudar Direito. Não é Esquerdo, é Direito. O lado direito em inglês diz-se Right, que também significa correcto, certo, bom. Destreza, sinónimo de habilidade, de jeito, vem de destro, que é direito. Em italiano Esquerda é Sinistra, cujo significado em português é tudo menos abonatório. Um canhoto é sinistro, um destro é habilidoso. Estas palavras magoam! (neste momento tenho um ar triste e uma lágrima ao canto do olho) Por isso não me venha uma gaja dizer que a língua discrimina as gajas porque Presidente não tem feminino.
Mas Pilar del Rio lá reclama que devia ser presidenta porque é gaja. Acham que o Rei Juan Carlos reclama quando alguém diz "Sua Majestade"? Acham que Cavaco Silva, quando alguém o trata por "Sua Excelência, o Presidente da República" vem com merdas a dizer "Seu Excelêncio, porque sou muito macho!"? Mas esta gaja vem p'raí chatear porque quer à força toda ser Presidenta. Reclama ela que quando alguém se refere a um grupo composto por mulheres e homens referimo-nos ao grupo sempre no masculino, usando o feminino apenas quando todos os elementos são femininos. Mesmo que o grupo tenha mulheres e animais de género masculino dizemos "eles" e não "elas", dando primazia ao género do animal em vez do género da gaja. E??? Qual é o espanto? Se um gajo chega a casa às 4h da manhã a tresandar a cerveja e com duas putas moldavas uma de cada lado, um cão recebe-o sempre com o rabo a abanar, todo contente. Está há horas sem comer, tem fome, reclama um bocado, assim que lhe damos comida fica todo contente e já nem se lembra das horas de jejum. Não fica com ciumes das putas moldavas ou romenas e até as cumprimenta efusivamente, desde que lhe façam festas. E se o chamarmos vem logo para a cama do dono e lá fica, todo contente, a partilhar o espaço com o dono e duas mulheres de vida pouco católica. Já uma gaja se um tipo chega a casa a tresandar a cerveja às 4h da manhã com duas fulanas de saias curtas pelo braço, recebe-nos de trombas, dá um enxerto de porrada nas putas, põe-nos a dormir no sofá e não pensem que no dia a seguir já se esqueceu, não senhor! No dia a seguir temos de levar com Sua Excelência ainda de trombas, a amuar e a fazer birras, põe as nossas coisas todas em caixas, tipicamente a monte, e ala pela janela! E um gajo que ature estas merdas!
Ó mulher, vá mas é para casa lavar a roupa e cozer meias e deixe-se dessas reivindicações feministas, que isso era bom era nos anos 60 para gajas feias e sem mamas que não tinham intenções de casar e a maior parte até virou lésbica porque não conseguiu arranjar um homem que as quisesse.
A gaja queixa-se, queixa-se, mas ela não sabe o que é ser discriminado pela língua. Eu sou canhoto. Por oposição a ser dextro. Uso a mão esquerda em vez da mão direita para escrever, uso o pé esquerdo em vez do pé direito para dar pontapés em pedras ou putos reguilas ou gajas com a mania que são presidentas em vez de presidentes. E não me queixo de discriminação, isto apesar de ela existir a um grau que a senhora Pilar del Rio nem sequer imagina. Ouvir esta senhora protestar contra o machismo da língua é como os negros norte-americanos durante os motins de Los Angeles ouvirem a comunidade gay de São Francisco queixar-se de discriminação por não se poderem casar legalmente na Califórnia (agora já podem). Diz o larilas "ah e tal, a gente não se pode casar, somos muitos discriminados". Responde o preto: "ó mariconço! Nós levamos porrada da polícia, ainda há dias um gajo foi parar ao hospital só porque apeteceu aos polícias fazerem o gajo em merda ao biqueiro". Numa cidade em que os pretos são tratados ao pontapé pela polícia alguém se preocupa com a discriminação contra os gays? Claro que não, temos gente a levar enxertos de porrada, há que definir prioridades. Ou então o menino gordo da escola primária a queixar-se ao menino cigano que os outros meninos chamam-no gordo e não o deixam jogar futebol. Ao que o cigano responde que ele tem sorte; quando um dos outros putos perde um lápis chamam a judiciária para fazer buscas na casa do cigano. Mas já me estou a distrair um bocado, é melhor mudar de parágrafo.
Ah, muito melhor. Estava eu a falar da discriminação contra canhotos. Por exemplo, estudar leis é estudar Direito. Não é Esquerdo, é Direito. O lado direito em inglês diz-se Right, que também significa correcto, certo, bom. Destreza, sinónimo de habilidade, de jeito, vem de destro, que é direito. Em italiano Esquerda é Sinistra, cujo significado em português é tudo menos abonatório. Um canhoto é sinistro, um destro é habilidoso. Estas palavras magoam! (neste momento tenho um ar triste e uma lágrima ao canto do olho) Por isso não me venha uma gaja dizer que a língua discrimina as gajas porque Presidente não tem feminino.
Mas Pilar del Rio lá reclama que devia ser presidenta porque é gaja. Acham que o Rei Juan Carlos reclama quando alguém diz "Sua Majestade"? Acham que Cavaco Silva, quando alguém o trata por "Sua Excelência, o Presidente da República" vem com merdas a dizer "Seu Excelêncio, porque sou muito macho!"? Mas esta gaja vem p'raí chatear porque quer à força toda ser Presidenta. Reclama ela que quando alguém se refere a um grupo composto por mulheres e homens referimo-nos ao grupo sempre no masculino, usando o feminino apenas quando todos os elementos são femininos. Mesmo que o grupo tenha mulheres e animais de género masculino dizemos "eles" e não "elas", dando primazia ao género do animal em vez do género da gaja. E??? Qual é o espanto? Se um gajo chega a casa às 4h da manhã a tresandar a cerveja e com duas putas moldavas uma de cada lado, um cão recebe-o sempre com o rabo a abanar, todo contente. Está há horas sem comer, tem fome, reclama um bocado, assim que lhe damos comida fica todo contente e já nem se lembra das horas de jejum. Não fica com ciumes das putas moldavas ou romenas e até as cumprimenta efusivamente, desde que lhe façam festas. E se o chamarmos vem logo para a cama do dono e lá fica, todo contente, a partilhar o espaço com o dono e duas mulheres de vida pouco católica. Já uma gaja se um tipo chega a casa a tresandar a cerveja às 4h da manhã com duas fulanas de saias curtas pelo braço, recebe-nos de trombas, dá um enxerto de porrada nas putas, põe-nos a dormir no sofá e não pensem que no dia a seguir já se esqueceu, não senhor! No dia a seguir temos de levar com Sua Excelência ainda de trombas, a amuar e a fazer birras, põe as nossas coisas todas em caixas, tipicamente a monte, e ala pela janela! E um gajo que ature estas merdas!
Ó mulher, vá mas é para casa lavar a roupa e cozer meias e deixe-se dessas reivindicações feministas, que isso era bom era nos anos 60 para gajas feias e sem mamas que não tinham intenções de casar e a maior parte até virou lésbica porque não conseguiu arranjar um homem que as quisesse.
16 julho 2008
Nuclear? Sim, obrigado.
O assunto voltou à baila e cá tou eu a mandar a minha posta de pescada.
É verdade, eu sou pró-nuclear. E estou a falar a sério, sou mesmo. Apesar de não me sentir confortável com o aumento do nível de radiação na vizinhança nem com o risco de acidente, acho que são uma solução extremamente eficaz para resolver, a prazo, a crise energética. E não estou a ver nenhuma outra forma de ultrapassar a dependência dos combustíveis fósseis, nem daqui a 50 anos. Não há centrais solares nem eólicas, nem das ondas ou marés, nem da biomassa, nem nenhuma fonte de energia "limpa" que nos valha tendo em conta a nossa factura energética. Por isso, a energia nuclear apresenta-se como uma opção, que deve ser analisada.
Com uma ou várias centrais nucleares conseguimos a auto-suficiência energética, e conseguimos produzir electricidade para mover, por exemplo, carros eléctricos (a propósito, a Nissan lança o primeiro em Portugal em 2010; dependendo de como param as modas sou capaz de pensar nisso muito a sério). Pelo menos servirá enquanto a fusão nuclear não arranca (isso sim, era serviço! Limpo, seguro, 0% de risco, sem resíduos e praticamente inesgotável). Só que se estamos à espera da fusão nuclear o melhor é arranjar umas almofadas confortáveis para o nalguedo, precisamos de uma solução para o entretanto. Nota: por favor, não confundir centrais nucleares, expressão que se usa para designar centrais de fissão nuclear, com fusão nuclear; são processos totalmente opostos, a primeira tem riscos, embora baixos mas tem riscos e quando ocorrem acidentes têm consequências graves; a segunda é 100% limpa, 100% segura, se houver crise a reacção desliga-se por si. Recomenda-se uma leitura dos artigos relevantes na wikipedia.
Não me está a parecer que a instalação de uma central nuclear em Portugal vá ser pacífica, contudo. É cá um palpite que eu tenho, ainda me lembro do que se passou em Souselas. É que quando se fala em nuclear as pessoas pensam imediatamente em Hiroshima e Chernobyl. Bom, não lhes levo a mal, eu lembro-me do acidente de Chernobyl e houve receio, às primeiras notícias, que a contaminação radioactiva na Europa fosse mesmo extensa e pudesse causar malefícios à saude de todos os europeus. Mas se Hiroshima foi de propósito, e por isso não conta para atestar da segurança da energia nuclear (tou sempre a ver filmes em que explodem carros e não é por isso que deixo de andar de automóvel; e nunca vi um carro explodir depois de bater numa parede ou ravina), Chernobyl é a grande fonte de preocupação das populações. Claro que para que o acidente acontecesse (recomendo também a leitura dos artigos relevantes na wikipedia e fontes indicadas), foi necessário que: (a) a central fosse usada para um fim que não o projectado inicialmente, (b) tivessem sido desligados alguns sistemas de segurança, (c) outros que, por falta de manutenção, se desligaram sozinhos, (d) que alguém fizesse asneira da grossa e (e) que quem supervisionava o fulano que fez asneira estivesse ausente/de férias/doente/distraido. Efectivamente, para que haja um acidente nuclear é preciso uma grande combinação de coisas más a acontecer ao mesmo tempo. E desde que ninguém tenha a ideia parva de desligar sistemas de segurança só porque estão a apitar, nada de mau acontece. Há muitas centrais nucleares no mundo que nunca registaram qualquer tipo de problemas, acidentes tivémos 1, incidentes devem ter sido umas centenas (incidente = quando algo corre mal mas não tem consequências porque as medidas de segurança funcionaram).
Mas na minha opinião, o maior argumento pró-nuclear para combater o argumento anti-nuclear baseado no medo de acidentes é o seguinte: Espanha já tem. E se eles tiverem um acidente (longe vá o agoiro), Fodemo-nos à mesma (assim, com F grande). Tenha Portugal assumido a opção não-nuclear ou tenha 400 centrais instaladas no território. É que radiação nuclear não conhece fronteiras, que o digam as populações apanhadas na nuvem de Chernobyl. Ora, se já partilhamos os riscos das centrais espanholas, que tenhamos também o benefício da energia produzida! (e, além disso, qualquer central construída agora, por ser mais recente, é muito mais segura que as espanholas).
É verdade, eu sou pró-nuclear. E estou a falar a sério, sou mesmo. Apesar de não me sentir confortável com o aumento do nível de radiação na vizinhança nem com o risco de acidente, acho que são uma solução extremamente eficaz para resolver, a prazo, a crise energética. E não estou a ver nenhuma outra forma de ultrapassar a dependência dos combustíveis fósseis, nem daqui a 50 anos. Não há centrais solares nem eólicas, nem das ondas ou marés, nem da biomassa, nem nenhuma fonte de energia "limpa" que nos valha tendo em conta a nossa factura energética. Por isso, a energia nuclear apresenta-se como uma opção, que deve ser analisada.
Com uma ou várias centrais nucleares conseguimos a auto-suficiência energética, e conseguimos produzir electricidade para mover, por exemplo, carros eléctricos (a propósito, a Nissan lança o primeiro em Portugal em 2010; dependendo de como param as modas sou capaz de pensar nisso muito a sério). Pelo menos servirá enquanto a fusão nuclear não arranca (isso sim, era serviço! Limpo, seguro, 0% de risco, sem resíduos e praticamente inesgotável). Só que se estamos à espera da fusão nuclear o melhor é arranjar umas almofadas confortáveis para o nalguedo, precisamos de uma solução para o entretanto. Nota: por favor, não confundir centrais nucleares, expressão que se usa para designar centrais de fissão nuclear, com fusão nuclear; são processos totalmente opostos, a primeira tem riscos, embora baixos mas tem riscos e quando ocorrem acidentes têm consequências graves; a segunda é 100% limpa, 100% segura, se houver crise a reacção desliga-se por si. Recomenda-se uma leitura dos artigos relevantes na wikipedia.
Não me está a parecer que a instalação de uma central nuclear em Portugal vá ser pacífica, contudo. É cá um palpite que eu tenho, ainda me lembro do que se passou em Souselas. É que quando se fala em nuclear as pessoas pensam imediatamente em Hiroshima e Chernobyl. Bom, não lhes levo a mal, eu lembro-me do acidente de Chernobyl e houve receio, às primeiras notícias, que a contaminação radioactiva na Europa fosse mesmo extensa e pudesse causar malefícios à saude de todos os europeus. Mas se Hiroshima foi de propósito, e por isso não conta para atestar da segurança da energia nuclear (tou sempre a ver filmes em que explodem carros e não é por isso que deixo de andar de automóvel; e nunca vi um carro explodir depois de bater numa parede ou ravina), Chernobyl é a grande fonte de preocupação das populações. Claro que para que o acidente acontecesse (recomendo também a leitura dos artigos relevantes na wikipedia e fontes indicadas), foi necessário que: (a) a central fosse usada para um fim que não o projectado inicialmente, (b) tivessem sido desligados alguns sistemas de segurança, (c) outros que, por falta de manutenção, se desligaram sozinhos, (d) que alguém fizesse asneira da grossa e (e) que quem supervisionava o fulano que fez asneira estivesse ausente/de férias/doente/distraido. Efectivamente, para que haja um acidente nuclear é preciso uma grande combinação de coisas más a acontecer ao mesmo tempo. E desde que ninguém tenha a ideia parva de desligar sistemas de segurança só porque estão a apitar, nada de mau acontece. Há muitas centrais nucleares no mundo que nunca registaram qualquer tipo de problemas, acidentes tivémos 1, incidentes devem ter sido umas centenas (incidente = quando algo corre mal mas não tem consequências porque as medidas de segurança funcionaram).
Mas na minha opinião, o maior argumento pró-nuclear para combater o argumento anti-nuclear baseado no medo de acidentes é o seguinte: Espanha já tem. E se eles tiverem um acidente (longe vá o agoiro), Fodemo-nos à mesma (assim, com F grande). Tenha Portugal assumido a opção não-nuclear ou tenha 400 centrais instaladas no território. É que radiação nuclear não conhece fronteiras, que o digam as populações apanhadas na nuvem de Chernobyl. Ora, se já partilhamos os riscos das centrais espanholas, que tenhamos também o benefício da energia produzida! (e, além disso, qualquer central construída agora, por ser mais recente, é muito mais segura que as espanholas).
15 julho 2008
Serviços mínimos
Eu sei, eu sei, não tenho ligado nenhuma ao blog. É que tenho tido alguns problemas de índole pessoal, familiar, doméstica e financeira. Por outras palavras, não me tem apetecido.
Mas hoje a situação mudou, porque dei de caras com isto! E devo dizer-vos que assim que li os fundamentos deste processo judicial a primeira coisa que me ocorreu foi "Claro! Mas porque é que eu não pensei nisso antes???". É que é tão óbvio, tão óbvio, que era uma questão de tempo até alguém unir os pontos todos e dar de caras com esta maquiavélica conspiração.
O próximo parágrafo só deve ser lido depois de lerem o texto do link indicado acima. Já leram? A sério? Então tá bem, podem continuar.
Claro que o queixoso se esqueceu de um pormenor: o objectivo não é conseguir 1 criança de cada país, mas sim 2, um menino e uma menina. Com isto os arguidos terão tudo o que necessitam para criar uma espécie de Arca de Jolie-Pitt e após o degelo provocado pelo aquecimento global (que será responsável por um novo dilúvio, que não haja dúvidas), repovoar a terra. A ideia até parece simpática, mas não sei se me agrada o regime político que o celebérrimo casal escolheria para a nova Terra. Provavelmente iriam fundar um império e eles seriam imperadores da Terra. Se bem que a família real seria no mínimo fotogénica, tenho pena do mau cinema que esse novo mundo iria produzir, um mundo só de blockbusters com argumentos tão profundos quanto os vales da Holanda, histórias tão sinuosas como as auto-estradas do deserto norte-americano, personagens tão intrigantes quanto uma fatia de pão bolorento.
Outro pormenor de que o autor se esqueceu é que, com a independência do Montenegro passaram a existir 193 países e se contarmos com o Kosovo, que também declarou a sua independência, são agora 194. Mais o Vaticano, embora perceba que o tenham deixado de lado (os mais jovens habitantes do Vaticano terão mais de 60 anos, levá-los traria mau ambiente à arca).
(obrigado pelo link Pedro)
Mas hoje a situação mudou, porque dei de caras com isto! E devo dizer-vos que assim que li os fundamentos deste processo judicial a primeira coisa que me ocorreu foi "Claro! Mas porque é que eu não pensei nisso antes???". É que é tão óbvio, tão óbvio, que era uma questão de tempo até alguém unir os pontos todos e dar de caras com esta maquiavélica conspiração.
O próximo parágrafo só deve ser lido depois de lerem o texto do link indicado acima. Já leram? A sério? Então tá bem, podem continuar.
Claro que o queixoso se esqueceu de um pormenor: o objectivo não é conseguir 1 criança de cada país, mas sim 2, um menino e uma menina. Com isto os arguidos terão tudo o que necessitam para criar uma espécie de Arca de Jolie-Pitt e após o degelo provocado pelo aquecimento global (que será responsável por um novo dilúvio, que não haja dúvidas), repovoar a terra. A ideia até parece simpática, mas não sei se me agrada o regime político que o celebérrimo casal escolheria para a nova Terra. Provavelmente iriam fundar um império e eles seriam imperadores da Terra. Se bem que a família real seria no mínimo fotogénica, tenho pena do mau cinema que esse novo mundo iria produzir, um mundo só de blockbusters com argumentos tão profundos quanto os vales da Holanda, histórias tão sinuosas como as auto-estradas do deserto norte-americano, personagens tão intrigantes quanto uma fatia de pão bolorento.
Outro pormenor de que o autor se esqueceu é que, com a independência do Montenegro passaram a existir 193 países e se contarmos com o Kosovo, que também declarou a sua independência, são agora 194. Mais o Vaticano, embora perceba que o tenham deixado de lado (os mais jovens habitantes do Vaticano terão mais de 60 anos, levá-los traria mau ambiente à arca).
(obrigado pelo link Pedro)
10 julho 2008
Votos de felicidades
Cristian Rodriguez já chegou ao Porto, transferido do Benfica.
Havia de lhe nascer um pessegueiro no cú. Um pessegueiro que desse pêssegos do tamanho de melancias. Traidor d'um cabrão...
Havia de lhe nascer um pessegueiro no cú. Um pessegueiro que desse pêssegos do tamanho de melancias. Traidor d'um cabrão...
Metam-se na vossa vida!
Cristiano Ronaldo e o Real Madrid. Até ver já houve opiniões favoráveis à transferência vindas de: Pepe, jogador do Real Madrid, Zidane, 3 vezes bola de ouro e ex-jogador do Real Madrid, Figo, Bola de Ouro e ex-jogador do Real Madrid, Scolari, ex-seleccionador nacional e actual treinador do Chelsea e agora... Joseph Blatter, presidente da FIFIA... oops, FIFA. Ao que parece toda a gente quer que o Cristiano Ronaldo vá para Madrid, tirando quem está ligado ao Manchester United.
Por esta altura deve andar o Sir Alex Ferguson a perguntar-se porque raio é que esta gente não se mete na sua vida???
Por esta altura deve andar o Sir Alex Ferguson a perguntar-se porque raio é que esta gente não se mete na sua vida???
08 julho 2008
07 julho 2008
Coincidências...
Alguns factos:
- Pinto da Costa foi suspenso por 2 anos.
- A pena foi confirmada pelo Conselho de Justiça da FPF.
- O FCP reclama da ilegalidade das decisões desta reunião.
- Entre os apoiantes do FCP não falta quem grite "Nós só queremos Lisboa a arder".
- A sede da FPF é na R. Alexandre Herculano, transversal à Av. da Liberdade.
- Esta noite ardeu um prédio na Av. da Liberdade e o incêndio propagou-se a prédios vizinhos.
Coincidências? Ou será que o Apito Dourado vai dar origem ao Apito Chamuscado?
- Pinto da Costa foi suspenso por 2 anos.
- A pena foi confirmada pelo Conselho de Justiça da FPF.
- O FCP reclama da ilegalidade das decisões desta reunião.
- Entre os apoiantes do FCP não falta quem grite "Nós só queremos Lisboa a arder".
- A sede da FPF é na R. Alexandre Herculano, transversal à Av. da Liberdade.
- Esta noite ardeu um prédio na Av. da Liberdade e o incêndio propagou-se a prédios vizinhos.
Coincidências? Ou será que o Apito Dourado vai dar origem ao Apito Chamuscado?
Cannot compute!
A UEFA está confusa com o que se passou na reunião do Conselho de Justiça (deliberação sobre os recursos do caso Apito Final). Pudera! Eu li algumas das notícias sobre o caso e percebo a confusão deles. Pelo que me pareceu, tá a haver uma qualquer revolução no interior da FPF. De um lado o Presidente do Conselho de Justiça, do outro um vogal, um acusa o outro de estar a mando do FCP o outro responde com acusações de serviço prestado ao SLB. E assim vai a vida, nada de extraordinário, mesmo.
O que mais me confunde, é a confusão que a UEFA sente. Por esta altura já deviam ter percebido que estas trocas de acusações, moções cuja aprovação ou fundamento legal são duvidosos são "business as usual" por estes lados. Quando a UEFA deixar de estar confundida e perceber como as coisas funcionam ainda os vamos ouvir dizer (e não deve faltar muito) que em virtude do ambiente que se vive na Federação Portuguesa de Futebol e que não dá grandes garantias que a justiça desportiva funcione, a UEFA decidiu suspender todos os clubes portugueses das competições europeias por um ano. A ver vamos...
O que mais me confunde, é a confusão que a UEFA sente. Por esta altura já deviam ter percebido que estas trocas de acusações, moções cuja aprovação ou fundamento legal são duvidosos são "business as usual" por estes lados. Quando a UEFA deixar de estar confundida e perceber como as coisas funcionam ainda os vamos ouvir dizer (e não deve faltar muito) que em virtude do ambiente que se vive na Federação Portuguesa de Futebol e que não dá grandes garantias que a justiça desportiva funcione, a UEFA decidiu suspender todos os clubes portugueses das competições europeias por um ano. A ver vamos...
Conspirações
No outro dia fui ao aeroporto buscar uma pessoa. Como moro a uns 15 minutos de distância, abro a página da ANA, procuro o número do voo e espero pela informação que o avião aterrou, para então sair de casa. Evito assim meia hora ou mais de espera.
Só que o voo era para aterrar às 21:15, a informação no site dizia "Previsto 21:20", já eram 21:30 e eu pensei que o melhor era sair de casa. Fui para o aeroporto, e lá descobri que, apesar de previsto às 21:20 só aterrou às 21:47, as malas demoraram 45 minutos e com isso saímos do aeroporto quase às 22h.
Ao todo paguei 3 euros de estacionamento. E foi aí que percebi! É DE PROPÓSITO!!! A ANA, a Groundforce, a Portway e a EMEL ou lá quem é que administra o parque das chegadas fazem de propósito para conseguir cobrar mais uns cêntimos de estacionamento a cada um!!! Até porque a malta que vai de carro para o aeroporto buscar alguém provavelmente não está muito habituada a essas andanças, quem já conhece os seus truques e fintas por viajar com frequência provavelmente faz viagens de trabalho e quando chega ao aeroporto apanha um taxi para ir para casa ou aluga um carro. Não fica por aí a pagar 3 euros de parque.
Chega-se o Verão, é só malta a ir de férias, voltar de férias ou a vir cá passar férias, vão os familiares todos buscar os entes queridos ao aeroporto, chegam com antecedência e nem reparam que a fortuna que pagam no estacionamento dava para alimentar uma família durante uma semana! Bom, pelo menos uma família de hamsters... sem filhos.
A alternativa é ficar a dar voltas (porque não se pode parar o carro à porta do terminal) à espera, mas com o gasóleo ao preço que está, fica mais barato pagar o parque.
Quem também anda metido na conspiração são os operadores de telemóveis: a malta tá à espera dos familiares ou amigos ou lá o que é, é o que faz? Telefona a saber se já chegaram. Se for para o voice mail é porque ainda não aterraram. Se atender, é porque já está no chão, já ligou o telemóvel. Acontece que assim que a chamada vai parar ao voice mail, já se está a pagar roaming! O telemóvel ainda está registado no operador estrangeiro, a chamada vai para o operador estrangeiro só para depois voltar e ser desviada para o voice mail. E toca de pagar uma chamada de voz desviada para o voice mail a preços de roaming. O truque é não ligar, mas mandar um SMS: a recepção de SMS em roaming é gratuita e se o telemóvel está desligado, recebemos o aviso que o SMS não foi entregue. Quando o telemóvel for ligado, regista-se novamente no operador local, recebe o SMS e já sabemos que o avião aterrou.
Só que o voo era para aterrar às 21:15, a informação no site dizia "Previsto 21:20", já eram 21:30 e eu pensei que o melhor era sair de casa. Fui para o aeroporto, e lá descobri que, apesar de previsto às 21:20 só aterrou às 21:47, as malas demoraram 45 minutos e com isso saímos do aeroporto quase às 22h.
Ao todo paguei 3 euros de estacionamento. E foi aí que percebi! É DE PROPÓSITO!!! A ANA, a Groundforce, a Portway e a EMEL ou lá quem é que administra o parque das chegadas fazem de propósito para conseguir cobrar mais uns cêntimos de estacionamento a cada um!!! Até porque a malta que vai de carro para o aeroporto buscar alguém provavelmente não está muito habituada a essas andanças, quem já conhece os seus truques e fintas por viajar com frequência provavelmente faz viagens de trabalho e quando chega ao aeroporto apanha um taxi para ir para casa ou aluga um carro. Não fica por aí a pagar 3 euros de parque.
Chega-se o Verão, é só malta a ir de férias, voltar de férias ou a vir cá passar férias, vão os familiares todos buscar os entes queridos ao aeroporto, chegam com antecedência e nem reparam que a fortuna que pagam no estacionamento dava para alimentar uma família durante uma semana! Bom, pelo menos uma família de hamsters... sem filhos.
A alternativa é ficar a dar voltas (porque não se pode parar o carro à porta do terminal) à espera, mas com o gasóleo ao preço que está, fica mais barato pagar o parque.
Quem também anda metido na conspiração são os operadores de telemóveis: a malta tá à espera dos familiares ou amigos ou lá o que é, é o que faz? Telefona a saber se já chegaram. Se for para o voice mail é porque ainda não aterraram. Se atender, é porque já está no chão, já ligou o telemóvel. Acontece que assim que a chamada vai parar ao voice mail, já se está a pagar roaming! O telemóvel ainda está registado no operador estrangeiro, a chamada vai para o operador estrangeiro só para depois voltar e ser desviada para o voice mail. E toca de pagar uma chamada de voz desviada para o voice mail a preços de roaming. O truque é não ligar, mas mandar um SMS: a recepção de SMS em roaming é gratuita e se o telemóvel está desligado, recebemos o aviso que o SMS não foi entregue. Quando o telemóvel for ligado, regista-se novamente no operador local, recebe o SMS e já sabemos que o avião aterrou.
04 julho 2008
É mais fácil dizer...
Disse Manuela Ferreira Leite que "a família tem por objectivo a procriação".
O Ó faxavor! soube que quando esta frase foi proferida o marido de Manuela Ferreira Leite estava na audiência. Ao ver que todos olhavam para ele, disse: "Pois, falar é fácil, mas há muitos anos que só de olhar para ela... não consigo!"
Com uma frase destas a 1 ano das eleições, há dois cenários a considerar, caso Manuela Ferreira Leite se torne Primeiro-Ministro de Portugal em 2009:
Cenário A: o número de casamentos cai em flecha, dos habituais quarenta e poucos mil por ano para 8.
Cenário B: os casamentos continuam ao ritmo normal, sendo que a natalidade esperada em 2010 será de 13 ou 14 nascimentos por mil habitantes, em vez dos habituais 9 e tal, assistindo-se assim a um novo baby boom, que tanto jeito faria à minha futura reforma. Isto porque a malta que se casa terá no máximo 1 ano para procriar, sob pena de ter a sua casa confiscada pelo fisco (aposto que a Manuela gostava de implementar uma medida destas).
O Ó faxavor! soube que quando esta frase foi proferida o marido de Manuela Ferreira Leite estava na audiência. Ao ver que todos olhavam para ele, disse: "Pois, falar é fácil, mas há muitos anos que só de olhar para ela... não consigo!"
Com uma frase destas a 1 ano das eleições, há dois cenários a considerar, caso Manuela Ferreira Leite se torne Primeiro-Ministro de Portugal em 2009:
Cenário A: o número de casamentos cai em flecha, dos habituais quarenta e poucos mil por ano para 8.
Cenário B: os casamentos continuam ao ritmo normal, sendo que a natalidade esperada em 2010 será de 13 ou 14 nascimentos por mil habitantes, em vez dos habituais 9 e tal, assistindo-se assim a um novo baby boom, que tanto jeito faria à minha futura reforma. Isto porque a malta que se casa terá no máximo 1 ano para procriar, sob pena de ter a sua casa confiscada pelo fisco (aposto que a Manuela gostava de implementar uma medida destas).
Arqueologia fiscal
Tenho de ir à Segurança Social. E levar os comprovativos de inícios e cessações de actividade. Mesmo os de há 10 anos atrás. Por isso primeiro vou pegar na trouxa e vou fazer um bocadinho de arqueologia para a repartição de finanças. Descobrir algumas relíquias do meu passado contributivo, datá-las, catalogá-las e finalmente entregá-las para exposição no grande museu da caixa de previdência. Como se não tivesse nada de mais produtivo para fazer... Porque é que estes gajos não falam uns com os outros em vez de fazerem de mim estafeta do estado, a levantar papeis num sítio para levar para o outro?
03 julho 2008
Jogos de computador
Respondam a esta questão, faxavor.
Os jogos de computador são:
a) uma diversão como outra qualquer
b) inofensivos
c) perigosos
d) alienantes
Já responderam? Agora vejam o vídeo
Respondam novamente à questão, faxavor.
Os jogos de computador são:
a) uma diversão como outra qualquer
b) inofensivos
c) perigosos
d) alienantes
Já responderam? Agora vejam o vídeo
Respondam novamente à questão, faxavor.
Bate-chapa e seguro
Não, não é sobre o meu carro. Esse continua com a chapa impecável.
É muito mais sério! Ao que parece, o Sistema Solar tem uma amolgadela. O que é complicado, por várias razões, que passo a enumerar:
1. A amolgadela é muito para lá do Cú de Judas, duvido que alguém tenha visto quem é que nos bateu;
2. Isto tem ar de ser uma panada antiga, provavelmente já não vamos a tempo de participar à seguradora do indivíduo em questão;
3. Não faço ideia onde se arranja um bate-chapa para reparar amolgadelas em heliosferas. Sei que rolamentos têm esferas lá dentro, mas são de aço. Uma helioesfera será uma esfera de Hélio? Seria um bocado parvo se assim fosse, o Hélio é um gás (por acaso conheci em tempos um gajo chamado Hélio; não era um gás, mas emitia gases);
4. Mesmo depois de reparada a amolgadela, é possível que a heliosfera não fique em condições. E encomendar uma heliosfera para trocar esta é complicado, estamos um bocado longe do centro da Galáxia, o tempo de entrega é capaz de ser grande. Uns 2 ou 3 mil milhões de anos ou assim;
5. Se a amolgadela der para reparar, depois é preciso pintá-la; e com as temperaturas daquela zona (p'raí uns -250 ºC) aquilo nunca mais seca.
Tou a ver que tão cedo não temos o Sistema Solar em condições outra vez...
É muito mais sério! Ao que parece, o Sistema Solar tem uma amolgadela. O que é complicado, por várias razões, que passo a enumerar:
1. A amolgadela é muito para lá do Cú de Judas, duvido que alguém tenha visto quem é que nos bateu;
2. Isto tem ar de ser uma panada antiga, provavelmente já não vamos a tempo de participar à seguradora do indivíduo em questão;
3. Não faço ideia onde se arranja um bate-chapa para reparar amolgadelas em heliosferas. Sei que rolamentos têm esferas lá dentro, mas são de aço. Uma helioesfera será uma esfera de Hélio? Seria um bocado parvo se assim fosse, o Hélio é um gás (por acaso conheci em tempos um gajo chamado Hélio; não era um gás, mas emitia gases);
4. Mesmo depois de reparada a amolgadela, é possível que a heliosfera não fique em condições. E encomendar uma heliosfera para trocar esta é complicado, estamos um bocado longe do centro da Galáxia, o tempo de entrega é capaz de ser grande. Uns 2 ou 3 mil milhões de anos ou assim;
5. Se a amolgadela der para reparar, depois é preciso pintá-la; e com as temperaturas daquela zona (p'raí uns -250 ºC) aquilo nunca mais seca.
Tou a ver que tão cedo não temos o Sistema Solar em condições outra vez...
02 julho 2008
Má publicidade
É habitual dizer-se que não há má publicidade. Toda a publicidade é boa publicidade. Mas... será?
Hoje houve um atentado em Jerusalém: um homem numa retro-escavadora provocou o pânico quando resolveu usar aquela máquina para atacar os automóveis que circulavam na rua. Ainda bateu nuns quantos. No site do Público pode ver-se o vídeo (não ponho o link porque o raio dos endereços vai mudando, raisparta o Público) do ataque e lê-se perfeitamente a marca do bicho: Caterpillar. Será que esta forma de publicidade também é boa?
Hoje houve um atentado em Jerusalém: um homem numa retro-escavadora provocou o pânico quando resolveu usar aquela máquina para atacar os automóveis que circulavam na rua. Ainda bateu nuns quantos. No site do Público pode ver-se o vídeo (não ponho o link porque o raio dos endereços vai mudando, raisparta o Público) do ataque e lê-se perfeitamente a marca do bicho: Caterpillar. Será que esta forma de publicidade também é boa?
À falta de notícias...
fala-se de qualquer coisa.
Diz o Público que no Hospital da Guarda foi aberto um processo de averiguações para determinar em que circunstâncias um doente foi mandado para casa todo nú, apenas embrulhado num lençol.
Ao que o Ó Faxavor! pôde apurar, o processo destina-se a determinar a que centro de custos será imputada a despesa, pois os lençóis custam dinheiro e os hospitais não podem andar por aí a distribuir roupa de cama em tempo de contenção orçamental.
Um responsável do hospital disse ainda que nos dias de calor até é normal que os doentes estejam apenas com uma fralda e um lençol, não sendo a situação assim tão caricata. O que fica por explicar é: Onde pára a fralda deste homem, porque ao que parece só levou o lençol para casa.
Diz o Público que no Hospital da Guarda foi aberto um processo de averiguações para determinar em que circunstâncias um doente foi mandado para casa todo nú, apenas embrulhado num lençol.
Ao que o Ó Faxavor! pôde apurar, o processo destina-se a determinar a que centro de custos será imputada a despesa, pois os lençóis custam dinheiro e os hospitais não podem andar por aí a distribuir roupa de cama em tempo de contenção orçamental.
Um responsável do hospital disse ainda que nos dias de calor até é normal que os doentes estejam apenas com uma fralda e um lençol, não sendo a situação assim tão caricata. O que fica por explicar é: Onde pára a fralda deste homem, porque ao que parece só levou o lençol para casa.
01 julho 2008
O que fazer quando...
Toca o telemóvel e assim que se atende ouve-se música? É que nem ouvi ninguém do outro lado, nem nada. Chamada de número desconhecido e do outro lado, só música. Ou seja, ligaram-me para me colocar em espera, seja lá quem for... assim que me tiraram da espera (o que demorou 1 minuto)... a chamada FOI ABAIXO!!! AAAAAAARGH!
Para piorar a coisa, a música é o cânone de Pachabel, o que me lembrou deste vídeo, que eu já tinha posto aqui, mas fica outra vez, porque não?
(gostava de saber qual foi a primeira piada, devia ser boa...)
Para piorar a coisa, a música é o cânone de Pachabel, o que me lembrou deste vídeo, que eu já tinha posto aqui, mas fica outra vez, porque não?
(gostava de saber qual foi a primeira piada, devia ser boa...)
Tanto tempo, tão pouco que fazer...
Grande parte da população do mundo queixa-se do oposto: muito que fazer e pouco tempo.
Mas o autor deste vídeo de certeza que acha que a coisa é ao contrário.
Já aqui tinha mostrado há um ano e tal alguns exemplos de gente que se entreteve a fazer o mesmo com equipamentos diferentes; vejam os vídeos relacionados no youtube, alguns são verdadeiras pérolas; isto, claro, se também têm pouco que fazer e muito tempo livre.
(obrigado, Tânia)
Mas o autor deste vídeo de certeza que acha que a coisa é ao contrário.
Já aqui tinha mostrado há um ano e tal alguns exemplos de gente que se entreteve a fazer o mesmo com equipamentos diferentes; vejam os vídeos relacionados no youtube, alguns são verdadeiras pérolas; isto, claro, se também têm pouco que fazer e muito tempo livre.
(obrigado, Tânia)
Enunciados parvos
Problema: escrever um enunciado que seja resolvido pela seguinte proporção: "1 está para 7, assim como 1/2 está para x".
Solução parva: "Um homem demora uma semana a cavar um buraco. Quanto tempo demora a cavar meio buraco?"
(às vezes tenho pouco que fazer e dá-me para isto...)
Solução parva: "Um homem demora uma semana a cavar um buraco. Quanto tempo demora a cavar meio buraco?"
(às vezes tenho pouco que fazer e dá-me para isto...)
O europeu, 2 dias depois
Acabou-se o Euro 2008. Ganharam os espanhois e ainda bem. Os alemães eliminaram-nos sobretudo pelas nossas falhas defensivas, mais que pelo mérito do seu ataque (excepção feita ao primeiro golo), eliminaram a Turquia e ainda hoje se está para perceber como, e tava mesmo a ver que na final, entre tantas oportunidades desperdiçadas pelos espanhois, os alemães ainda empatavam aquilo e acabavam por levar o caneco para Berlim.
Afinal, por mais que custe, há que dar razão a Gary Lineker (avançado internacional inglês nos anos 80 e 90), quando diz que "Football is a simple game: 22 men chase a ball for 90 minutes and at the end, the Germans win".
Mas não, o adágio não se confirmou, e os espanhois ganharam mesmo. E sem dúvida que o mereceram. Passearam-se pela fase de grupos, tiveram a sorte do seu lado (e quem é campeão sem sorte?) ao eliminar a Itália nos penalties, massacraram a Rússia nas meias finais e dominaram a Alemanha na final. A Taça fica bem entregue, bem melhor que há quatro anos quando os gregos apanharam a Europa toda adormecida e ganharam o título, mesmo tendo empatado com Espanha e perdido contra a Rússia, ganhando os 3 jogos da fase final por 1-0, e com a rara proeza de ter menos posse de bola, menos remates, menos cantos e menos oportunidades que o seu adversário nesses três jogos.
Sobre Gary Lineker: teve uma carreira longa, jogou em grandes clubes europeus, ganhou uns quantos títulos, foi internacional pelo seu país. No fim, feitas as contas, totalizou ZERO cartões vermelhos e ZERO cartões amarelos. Em toda a carreira. Jogos oficiais e particulares incluídos. É um dos exemplos a seguir no que toca a fair-play.
Afinal, por mais que custe, há que dar razão a Gary Lineker (avançado internacional inglês nos anos 80 e 90), quando diz que "Football is a simple game: 22 men chase a ball for 90 minutes and at the end, the Germans win".
Mas não, o adágio não se confirmou, e os espanhois ganharam mesmo. E sem dúvida que o mereceram. Passearam-se pela fase de grupos, tiveram a sorte do seu lado (e quem é campeão sem sorte?) ao eliminar a Itália nos penalties, massacraram a Rússia nas meias finais e dominaram a Alemanha na final. A Taça fica bem entregue, bem melhor que há quatro anos quando os gregos apanharam a Europa toda adormecida e ganharam o título, mesmo tendo empatado com Espanha e perdido contra a Rússia, ganhando os 3 jogos da fase final por 1-0, e com a rara proeza de ter menos posse de bola, menos remates, menos cantos e menos oportunidades que o seu adversário nesses três jogos.
Sobre Gary Lineker: teve uma carreira longa, jogou em grandes clubes europeus, ganhou uns quantos títulos, foi internacional pelo seu país. No fim, feitas as contas, totalizou ZERO cartões vermelhos e ZERO cartões amarelos. Em toda a carreira. Jogos oficiais e particulares incluídos. É um dos exemplos a seguir no que toca a fair-play.
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