E não é que o primeiro golo da Holanda ontem foi marcado em posição LEGAL???
Vejam o vídeo:
Claramente o Van Nistelroy está adiantado em relação aos defesas, tendo apenas o guarda-redes entre ele e a baliza. Logo, está fora de jogo. Ou não está?
Diz a regra do fora-de-jogo que um jogador está em posição irregular se, no momento do passe, estiver mais perto da linha de golo adversária que a bola e o penúltimo defesa.
Acontece que se um jogador sai das 4 linhas sem a autorização do árbitro a sua posição deve ser considerada para efeitos de fora de jogo. Voltem a ver o vídeo. Um defesa italiano caiu para fora do campo. Quando Van Nistelroy recebe o passe estão 2 adversários entre ele e a linha de golo e não apenas 1.
Se não fosse assim, sair das 4 linhas podia ser uma estratégia válida: por um lado um defesa que está perto da linha lateral, por exemplo, e muito recuado em relação aos seus companheiros de equipa, antevendo a possibilidade de passe a desmarcar um jogador adversário, saia do campo para colocar o adversário fora de jogo. Por outro lado, um avançado podia esperar calmamente pela bola fora do campo (e fora de jogo), por exemplo na linha lateral, é feito o passe para o flanco, começa a correr, e só entra em campo quando a bola o ultrapassa, ficando atrás da bola e portanto em jogo.
Ver também: Posição da UEFA sobre o 1º golo da Holanda.
10 junho 2008
09 junho 2008
Dia 3
E ao terceiro dia jogou-se a primeira jornada do "grupo da morte". Itália, França, Holanda, e Roménia. Respectivamente, campeão do mundo, vice-campeão do mundo, a eterna favorita do público que nunca ganha (excepto em 1988) e o outsider a ver se herda um pontinho para não ir para casa de mãos a abanar. Desde cedo começaram as previsões sobre qual seria a equipa a juntar-se à Roménia no regresso a casa.
E eis que... a França acusa a falta de Zidane e empata com a Roménia e a Holanda espeta 3 secas aos campeões do mundo. Com fora de jogo ou sem ele, a nova laranja mecânica já vai à frente do grupo.
Agora, começa a nova onda de previsões, tendo em conta os resultados actuais, já a dar a Holanda como recém-nomeada favorita do grupo.
Por um lado, este grupo faz-me lembrar o nosso grupo no euro 2000: Portugal, Roménia, Alemanha e Inglaterra. Com alemães e ingleses claramente favoritos, passámos nós, em primeiro lugar, e a Roménia em segundo. A Roménia apurou-se com 2 empates e uma vitória contra os ingleses, beneficiando do hat-trick do Sérgio Conceição para fazer a festa. Ingleses e alemães, sem saber bem o que lhes aconteceu, voltaram para casa. Agora temos os 2 grandes favoritos a acusarem dificuldades inesperadas, a Roménia a defender como pode e a conseguir segurar um empate e a Holanda a dar baile aos italianos. Quem sabe se a história não se repete?...
Por outro lado, quer a França, quer a Itália têm uma longa história de apuramentos in extremis e raramente se deixam impressionar com más primeiras jornadas.
A ver vamos, mas seria divertido que os dois melhores há apenas 2 anos ficassem pelo caminho logo na primeira ronda. Seria um óptimo aviso para os futuros campeões: em 2 anos muda muita coisa no futebol e cada vez mais as fases finais são competitivas.
Nos restantes grupos, nada de novo. A Alemanha afirma-se como favorita no grupo B, Portugal assume esse papel no grupo A. Amanhã estreiam-se os campeões europeus, no mesmo grupo de Espanha, Rússia e Suécia. Vamos a ver que mais surpresas nos reserva este europeu.
E eis que... a França acusa a falta de Zidane e empata com a Roménia e a Holanda espeta 3 secas aos campeões do mundo. Com fora de jogo ou sem ele, a nova laranja mecânica já vai à frente do grupo.
Agora, começa a nova onda de previsões, tendo em conta os resultados actuais, já a dar a Holanda como recém-nomeada favorita do grupo.
Por um lado, este grupo faz-me lembrar o nosso grupo no euro 2000: Portugal, Roménia, Alemanha e Inglaterra. Com alemães e ingleses claramente favoritos, passámos nós, em primeiro lugar, e a Roménia em segundo. A Roménia apurou-se com 2 empates e uma vitória contra os ingleses, beneficiando do hat-trick do Sérgio Conceição para fazer a festa. Ingleses e alemães, sem saber bem o que lhes aconteceu, voltaram para casa. Agora temos os 2 grandes favoritos a acusarem dificuldades inesperadas, a Roménia a defender como pode e a conseguir segurar um empate e a Holanda a dar baile aos italianos. Quem sabe se a história não se repete?...
Por outro lado, quer a França, quer a Itália têm uma longa história de apuramentos in extremis e raramente se deixam impressionar com más primeiras jornadas.
A ver vamos, mas seria divertido que os dois melhores há apenas 2 anos ficassem pelo caminho logo na primeira ronda. Seria um óptimo aviso para os futuros campeões: em 2 anos muda muita coisa no futebol e cada vez mais as fases finais são competitivas.
Nos restantes grupos, nada de novo. A Alemanha afirma-se como favorita no grupo B, Portugal assume esse papel no grupo A. Amanhã estreiam-se os campeões europeus, no mesmo grupo de Espanha, Rússia e Suécia. Vamos a ver que mais surpresas nos reserva este europeu.
Despropósito
Sábado ganhámos contra a Turquia. Foi um bom jogo, a nossa equipa fez uma bela exibição e só não marcámos mais golos porque as balizas eram demasiado pequenas.
Jogámos bem, ganhámos 2-0 de forma perfeitamente merecida e ficámos contentes no fim do jogo. Mas... há limites.
Vi o jogo no Marquês de Pombal no ecrã gigante. No fim do jogo, saí satisfeito, como todos, e comecei a ver a malta a juntar-se em torno da estátua do Marquês. E depois comecei a ouvir buzinadelas e na altura em que chegava ao Saldanha já havia trânsito lento em direcção ao Marquês de Pombal para comemorar no bom estilo do euro 2004. As comemorações prolongaram-se bem mais de uma hora, com carros enfeitados com bandeiras, buzinadelas e pessoas de todas as idades a dar vivas à selecção.
E fiquei sem perceber se afinal este jogo era apenas a primeira jornada da fase de grupos ou algo mais importante. Ganhámos um jogo, ainda não nos apurámos para nada. Fazer uma boa fase de grupos é a obrigação da selecção, uma vitória são os serviços mínimos, o apuramento para os quartos de final é o resultado legitimamente esperado. Fazer uma festa como se há 12 anos não ganhássemos um jogo (como fizeram os alemães após ganhar 2-0 à Polónia, mas a sua última vitória num europeu tinha sido a final de 1996!) parece-me algo pindérico. Ganhámos à Turquia. Uma equipa sem os nomes sonantes que tem a nossa, sem os resultados recentes que tem a nossa (excepção feita ao 3º lugar no mundial de 2002, mas já lá vão 6 anos, era outra equipa), sem o frenesim mediático que rodeia a nossa. Se tivéssemos ganho a um dos nossos fantasmas habituais, França, Itália ou Grécia, ainda se percebia. Mas... comemorar a vitória na primeira jornada tendo no palmarés o título de vice-campeão europeu e o 4º lugar no mundial? Não parece algo exagerado? Do vice-campeão espera-se uma forte candidatura ao título, não se espera festa rija por ganhar um jogo.
Eu sou 100% a favor das comemorações de rua. Quando há algo a comemorar. Quando passarmos aos quartos de final a comemoração justifica-se. Com alguma moderação, afinal desde 1996 que chegamos aos quartos de final, pelo menos. O apuramento para as meias finais justifica uma festa maior. A passagem à final merece uma festa de arromba e o título europeu justifica uma bebedeira colectiva de tal ordem que a segunda feira seguinte seja feriado. Ganhar um jogo que em si não qualifica para nada, só merece comemoração se as vitórias forem uma coisa tão rara que se torna necessário aproveitá-las todas. Que o Liechtenstein comemore um empate contra Portugal eu percebo. Que a Grécia tenha comemorado a vitória contra nós no jogo de abertura em 2004 também (foi a sua primeira vitória em europeus ou mundiais); que os alemães tenham comemorado uma vitória pela qual esperaram 12 anos, tudo bem. Se a Polónia tivesse ganho ontem haveria festa de arromba em Varsóvia e Cracóvia, é a primeira presença num europeu e logo contra a Alemanha, o eterno fantasma dos polacos. Mas não me parece que os checos tenham comemorado a vitória sofrida contra os suiços ou que os croatas tenham comemorado nas ruas a vitória contra a Áustria, a equipa teoricamente mais fraca do europeu.
E se os adeptos do Porto, Benfica ou Sporting, em vez de sair à rua para comemorar títulos saíssem à rua a comemorar todas as vitórias? Mesmo as vitórias na Taça contra equipas de II divisão? Ou, usando um paralelo mais justo, que saíssem à rua a comemorar as vitórias nos jogos da fase de grupos da Champions ou na Taça UEFA?
Ganhar à Turquia não é surpreendente. Não é excepcional. Nem sequer é invulgar, há 50 anos que não perdemos contra eles. Se tivéssemos perdido haveríamos de ouvir os ecos do divórcio entre o povo e a selecção bem altos. Somos quartos mundiais e segundos europeus. Ganhar o primeiro jogo é importante, a capacidade de cada equipa é sempre imprevisível. Que buzine quem passa por onde estão os espectadores que viram o jogo no ecrã gigante, é razoável. Pelo que vi parece-me que muita gente saiu à rua de propósito para o poder fazer. E com os combustíveis ao preço a que estão... é despropositado.
Jogámos bem, ganhámos 2-0 de forma perfeitamente merecida e ficámos contentes no fim do jogo. Mas... há limites.
Vi o jogo no Marquês de Pombal no ecrã gigante. No fim do jogo, saí satisfeito, como todos, e comecei a ver a malta a juntar-se em torno da estátua do Marquês. E depois comecei a ouvir buzinadelas e na altura em que chegava ao Saldanha já havia trânsito lento em direcção ao Marquês de Pombal para comemorar no bom estilo do euro 2004. As comemorações prolongaram-se bem mais de uma hora, com carros enfeitados com bandeiras, buzinadelas e pessoas de todas as idades a dar vivas à selecção.
E fiquei sem perceber se afinal este jogo era apenas a primeira jornada da fase de grupos ou algo mais importante. Ganhámos um jogo, ainda não nos apurámos para nada. Fazer uma boa fase de grupos é a obrigação da selecção, uma vitória são os serviços mínimos, o apuramento para os quartos de final é o resultado legitimamente esperado. Fazer uma festa como se há 12 anos não ganhássemos um jogo (como fizeram os alemães após ganhar 2-0 à Polónia, mas a sua última vitória num europeu tinha sido a final de 1996!) parece-me algo pindérico. Ganhámos à Turquia. Uma equipa sem os nomes sonantes que tem a nossa, sem os resultados recentes que tem a nossa (excepção feita ao 3º lugar no mundial de 2002, mas já lá vão 6 anos, era outra equipa), sem o frenesim mediático que rodeia a nossa. Se tivéssemos ganho a um dos nossos fantasmas habituais, França, Itália ou Grécia, ainda se percebia. Mas... comemorar a vitória na primeira jornada tendo no palmarés o título de vice-campeão europeu e o 4º lugar no mundial? Não parece algo exagerado? Do vice-campeão espera-se uma forte candidatura ao título, não se espera festa rija por ganhar um jogo.
Eu sou 100% a favor das comemorações de rua. Quando há algo a comemorar. Quando passarmos aos quartos de final a comemoração justifica-se. Com alguma moderação, afinal desde 1996 que chegamos aos quartos de final, pelo menos. O apuramento para as meias finais justifica uma festa maior. A passagem à final merece uma festa de arromba e o título europeu justifica uma bebedeira colectiva de tal ordem que a segunda feira seguinte seja feriado. Ganhar um jogo que em si não qualifica para nada, só merece comemoração se as vitórias forem uma coisa tão rara que se torna necessário aproveitá-las todas. Que o Liechtenstein comemore um empate contra Portugal eu percebo. Que a Grécia tenha comemorado a vitória contra nós no jogo de abertura em 2004 também (foi a sua primeira vitória em europeus ou mundiais); que os alemães tenham comemorado uma vitória pela qual esperaram 12 anos, tudo bem. Se a Polónia tivesse ganho ontem haveria festa de arromba em Varsóvia e Cracóvia, é a primeira presença num europeu e logo contra a Alemanha, o eterno fantasma dos polacos. Mas não me parece que os checos tenham comemorado a vitória sofrida contra os suiços ou que os croatas tenham comemorado nas ruas a vitória contra a Áustria, a equipa teoricamente mais fraca do europeu.
E se os adeptos do Porto, Benfica ou Sporting, em vez de sair à rua para comemorar títulos saíssem à rua a comemorar todas as vitórias? Mesmo as vitórias na Taça contra equipas de II divisão? Ou, usando um paralelo mais justo, que saíssem à rua a comemorar as vitórias nos jogos da fase de grupos da Champions ou na Taça UEFA?
Ganhar à Turquia não é surpreendente. Não é excepcional. Nem sequer é invulgar, há 50 anos que não perdemos contra eles. Se tivéssemos perdido haveríamos de ouvir os ecos do divórcio entre o povo e a selecção bem altos. Somos quartos mundiais e segundos europeus. Ganhar o primeiro jogo é importante, a capacidade de cada equipa é sempre imprevisível. Que buzine quem passa por onde estão os espectadores que viram o jogo no ecrã gigante, é razoável. Pelo que vi parece-me que muita gente saiu à rua de propósito para o poder fazer. E com os combustíveis ao preço a que estão... é despropositado.
07 junho 2008
Euro 2008
Por motivos de força maior vou ligar pouca importância ao blog nas próximas (espera-se) 4 semanas.
(neste momento a Rep. Checa e a Suiça estão empatadas 0-0 ao intervalo; o jogo está a ser interessante ao ponto de me apetecer dormir a sesta... esperemos que daqui a 2 horas, quando for a nossa vez, a coisa seja mais excitante)
(neste momento a Rep. Checa e a Suiça estão empatadas 0-0 ao intervalo; o jogo está a ser interessante ao ponto de me apetecer dormir a sesta... esperemos que daqui a 2 horas, quando for a nossa vez, a coisa seja mais excitante)
04 junho 2008
Champions
Acontece. Em virtude do castigo por tentativa de corrupção na época 2003/2004, o Porto ficou hoje a saber que não vai participar na Champions no ano que vem.
A UEFA não gosta de casos de corrupção e desde há 2 anos que criou uma regra nova: clubes culpados de corrupção ou tentativa de corrupção ficam suspensos 1 a 3 anos.
A decisão era mais ou menos previsível, mesmo se pode ser discutida juridicamente (a regra é de 2006 ou 2007 mas os factos referem-se a 2003/2004), a UEFA não gosta de ver technicalities jurídicas meterem-se no seu caminho.
Moral da história: o Guimarães, terceiro classificado, acabou de herdar um lugar na fase de grupos da Champions com entrada directa, em vez de ter de disputar uma pré-eliminatória; o Benfica herda o lugar na 3ª pré-eliminatória da Champions; o Braga herda o último lugar na Taça UEFA; e o Belenenses herda o lugar da Taça Intertoto!
Pronto, a notícia tá dada, vem aí o comentário:
1. Independentemente da simpatia clubística, é um facto que o Porto foi considerado culpado de tentativa de corrupção. Foi considerado culpado e não recorreu da decisão;
2. Independentemente da importância dos jogos para o campeonato em questão, que o Porto até ganhou confortavelmente, a tentativa de manipular os resultados é uma falta grave;
3. Independentemente dos apitos de outra cor que poderão aparecer, não se torna o Porto mais inocente por alegar que há outros tão ou mais culpados; tal como o apito dourado começou com denúncias que se vieram a revelar com fundamento, que haja denúncias de casos similares a diferentes latitudes para que haja mais processos;
4. Independentemente da qualidade de cada equipa ou dos seus resultados, a penalização ao Porto é um castigo a um clube; tendo terminado a época 2006/2007 no 6º lugar do ranking da UEFA, Portugal garante a participação de 6 equipas; se uma não pode ou não quer participar, sejam quais forem as razões, a representação do país não deve ser prejudicada.
5. Independentemente dos factos que se guardam na memória e dos que se esquecem, é falsa a ideia que o Porto é de longe a equipa que mais faz pelo ranking de Portugal na UEFA. Ver aqui.
Conclusão: por mais que doa aos adeptos do Porto (e deve doer), não é da UEFA que se devem queixar, nem é da Liga. É dos dirigentes do clube que, pelo menos nos dois jogos em questão, ofereceram bens aos árbitros como contrapartida de um eventual benefício. Esta decisão da UEFA repõe um pouco a justiça: é ridículo que um caso de corrupção não tenha quaisquer consequências desportivas. Que um clube possa corromper ou tentar corromper um árbitro e que a pena não influencie em nada os resultados desportivos. O FCP vai sofrer desportivamente com os erros do passado, e é bem feito.
Para o ano não há Champions, não há o dinheiro da Champions, não há o glamour da Champions. Para compensar será necessário vender jogadores e algumas das estrelas de bom grado mudarão de clube para um que lhes permita disputar taças europeias. Aguardam-se as cenas dos próximos episódios.
A UEFA não gosta de casos de corrupção e desde há 2 anos que criou uma regra nova: clubes culpados de corrupção ou tentativa de corrupção ficam suspensos 1 a 3 anos.
A decisão era mais ou menos previsível, mesmo se pode ser discutida juridicamente (a regra é de 2006 ou 2007 mas os factos referem-se a 2003/2004), a UEFA não gosta de ver technicalities jurídicas meterem-se no seu caminho.
Moral da história: o Guimarães, terceiro classificado, acabou de herdar um lugar na fase de grupos da Champions com entrada directa, em vez de ter de disputar uma pré-eliminatória; o Benfica herda o lugar na 3ª pré-eliminatória da Champions; o Braga herda o último lugar na Taça UEFA; e o Belenenses herda o lugar da Taça Intertoto!
Pronto, a notícia tá dada, vem aí o comentário:
1. Independentemente da simpatia clubística, é um facto que o Porto foi considerado culpado de tentativa de corrupção. Foi considerado culpado e não recorreu da decisão;
2. Independentemente da importância dos jogos para o campeonato em questão, que o Porto até ganhou confortavelmente, a tentativa de manipular os resultados é uma falta grave;
3. Independentemente dos apitos de outra cor que poderão aparecer, não se torna o Porto mais inocente por alegar que há outros tão ou mais culpados; tal como o apito dourado começou com denúncias que se vieram a revelar com fundamento, que haja denúncias de casos similares a diferentes latitudes para que haja mais processos;
4. Independentemente da qualidade de cada equipa ou dos seus resultados, a penalização ao Porto é um castigo a um clube; tendo terminado a época 2006/2007 no 6º lugar do ranking da UEFA, Portugal garante a participação de 6 equipas; se uma não pode ou não quer participar, sejam quais forem as razões, a representação do país não deve ser prejudicada.
5. Independentemente dos factos que se guardam na memória e dos que se esquecem, é falsa a ideia que o Porto é de longe a equipa que mais faz pelo ranking de Portugal na UEFA. Ver aqui.
Conclusão: por mais que doa aos adeptos do Porto (e deve doer), não é da UEFA que se devem queixar, nem é da Liga. É dos dirigentes do clube que, pelo menos nos dois jogos em questão, ofereceram bens aos árbitros como contrapartida de um eventual benefício. Esta decisão da UEFA repõe um pouco a justiça: é ridículo que um caso de corrupção não tenha quaisquer consequências desportivas. Que um clube possa corromper ou tentar corromper um árbitro e que a pena não influencie em nada os resultados desportivos. O FCP vai sofrer desportivamente com os erros do passado, e é bem feito.
Para o ano não há Champions, não há o dinheiro da Champions, não há o glamour da Champions. Para compensar será necessário vender jogadores e algumas das estrelas de bom grado mudarão de clube para um que lhes permita disputar taças europeias. Aguardam-se as cenas dos próximos episódios.
Não me venham com merdas!
O que não falta é gente a reclamar. Reclama-se contra o preço dos combustíveis, com a lei anti-tabaco, com o diploma do Sócrates, com o acordo ortográfico. Reclama-se da situação económica, toda a gente diz que isto está mau, que assim não dá, os juros sobem, os ordenados mantêm-se ou descem, os direitos são desrespeitados, ai, ai, ai, valha-nos Deus, onde é que isto vai parar.
Mas... o que vejo eu?
Hoje soube-se que o Porto vai ficar 1 ano suspenso da Champions (comentário à decisão da UEFA num próximo post).
O site do Público dá a notícia, claro. Essa, e muitas outras.
E o que interessa aos leitores do Público?
E a notícia sobre o FCP é de hoje à hora do almoço!!!
A sério, não me venham com merdas. Aumentem o IVA para 25% e o IRS para 70%. Aumentem a idade da reforma para os 95 anos e retirem o direito a baixa. Prendam todos os jornalistas e sindicalistas, ilegalizem os partidos e dissolvam os parlamentos. Enquanto houver bola, o Zé tá contente. E se Portugal conseguir ganhar o título europeu este ano, o Zé tá-se a borrifar para o resto. Voltem a aumentar o IVA, ponham o gasóleo a 3 euros o litro, acabe-se o peixe nas lotas, matem 30 caloiros nas praxes, com o título europeu nada mais interessa.
Mas... o que vejo eu?
Hoje soube-se que o Porto vai ficar 1 ano suspenso da Champions (comentário à decisão da UEFA num próximo post).
O site do Público dá a notícia, claro. Essa, e muitas outras.
E o que interessa aos leitores do Público?
- Previsão da taxa de desemprego da OCDE 3 décimas acima da do Governo: 18 comentários;
- Barack Obama é o provável candidato democrata à presidência: 63 comentários;
- Reforço dos efectivos do INEM: 0 comentários;
- Campanha Sócio da selecção avançou sem devida autorização da comissão nacional de protecção de dados: 24 comentários;
- Manuela Ferreira Leite vence directas do PSD: 30 comentários;
- FC Porto suspenso da Champions durante 1 ano: 388 comentários.
E a notícia sobre o FCP é de hoje à hora do almoço!!!
A sério, não me venham com merdas. Aumentem o IVA para 25% e o IRS para 70%. Aumentem a idade da reforma para os 95 anos e retirem o direito a baixa. Prendam todos os jornalistas e sindicalistas, ilegalizem os partidos e dissolvam os parlamentos. Enquanto houver bola, o Zé tá contente. E se Portugal conseguir ganhar o título europeu este ano, o Zé tá-se a borrifar para o resto. Voltem a aumentar o IVA, ponham o gasóleo a 3 euros o litro, acabe-se o peixe nas lotas, matem 30 caloiros nas praxes, com o título europeu nada mais interessa.
Serviços mínimos
O último post foi há 3 dias. Entretanto temos nova liderança no PSD, relatório da Autoridade da Concorrência sobre os combustíveis, estágio da selecção, eventual transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, greve dos pescadores,...
E eu, calado que nem um rato.
Nota-se muito que tenho andado ocupado? (esta vida de desempregado tem muito menos tempo livre que eu imaginava...)
E eu, calado que nem um rato.
Nota-se muito que tenho andado ocupado? (esta vida de desempregado tem muito menos tempo livre que eu imaginava...)
01 junho 2008
Gasosa
Volta e meia, quer dizer, quase todas as semanas, há mudança de preço dos combustíveis. Em regra é para subir (ver nota de rodapé 1). Muito de vez em quando é para descer.
E nota-se que muita gente procura desesperadamente atestar o mais barato possível. É já famosa a bomba do Jumbo de Alfragide em que o gasóleo custa uns bons 10 cêntimos a menos que o preço normal e as filas, sobretudo ao fim de semana, são de horas. A sério, horas. Ontem passei por lá. Fui a Alfragide (meti-me numa fila, mas não foi para atestar, foi para comprar bilhetes para o concerto da Madonna) e aproveitei para ver como param as modas na famosa bomba de gasolina. À vontade eram uns 400 ou 500 metros de fila. Ora, havendo 8 bombas (não sei se são 8 ou não, não as contei, tou só a mandar números para o ar), e talvez uns 100 carros na fila, supondo que cada carro demora 5 minutos a atestar, dá uma hora de espera para meter pitrol no depósito.
E tudo isto porquê? Para conseguir atestar um nadita mais barato. 10 cêntimos por litro. O que, num depósito de 40 litros, dá 4 euros de desconto. Sem contar com o tempo que se demora à espera para atestar o depósito (não sei quanto a vocês, mas 4 euros por uma hora, sobretudo ao fim de semana, acho mal pago), 4 euros por depósito é a poupança que se consegue.
O que quer dizer que quem morar a 15 km de distância da bomba ou mais (ver nota de rodapé 2) terá de percorrer 30 km para atestar naquela bomba maravilha. Ora, num carro que consuma 7 litros aos 100 (ver nota de rodapé 3), fazer 30 km gasta, mais ou menos, 2.1 litros. O que, a preços actuais (1,34 para o litro de gasóleo), custa 2.8 euros. O que dá um lucro de 1,20 cêntimos. Ou seja, duas bicas. Que provavelmente irá beber, uma assim que sai de casa e antes de pegar no carro, outra ao chegar a casa, enervado por ter passado a manhã na fila.
Se em vez de perder a manhã na fila para encher o depósito e poupar 4 euros mas por outro lado gastar 2,8 para lá chegar mais 1,20 em café, o(a) senhor(a) proprietário(a) do automóvel atestasse perto de casa e passasse a manhã na marmelada com a(o) esposa(o), gastaria o mesmo dinheiro mas daria o seu tempo por melhor empregue.
Por isso a minha estratégia não é procurar bombas de gasolina baratas para atestar. Mas a subida generalizada dos preços fez-me pensar qual seria a melhor forma de não gastar tanto dinheiro. E percebi que atestar não serve. Eu gasto um depósito por mês, ou seja entre atestar uma vez e a vez seguinte já houve 4 aumentos e o gasóleo está uns 10 cêntimos mais caro. Por isso agora mudei de estratégia: assim que o ponteiro estiver a chegar aos 3/4 de depósito vou logo atestar. Sai-me a 10 ou 15 euros, deve durar uma semana, e assim tenho sempre gasóleo no depósito comprado há 3 ou 4 aumentos atrás. Consigo monitorizar melhor os meus consumos, a intervalos mais curtos, e tenho sempre um depósito cheio. Em caso de azar e não podendo gastar dinheiro em gasóleo, tenho 1 mês de tolerância no meu depósito.
Nota de rodapé 1: há uns tempos fiz as contas aos preços do petróleo em euros e em dólares, porque parecia-me esquisito tanto aumento, sabendo que o dólar está a desvalorizar. Pois, mas é mesmo assim. O dólar pode baixar, mas nem de perto, nem de longe o suficiente. Fiz as minhas contas e cheguei à conclusão que só em 2008 o petróleo terá subido, pelo menos, uns 30%.
Nota de rodapé 2: do Cacém a Alfragide são 12 km, segundo o via michelin; a 2ª circular tem cerca de 13 km de extensão, desde o nó da ponte Vasco da Gama até ao nó da CRIL. 15 km não é muito. Eu moro a uns 7 km da tal bomba e acho que não compensa pelo tempo que tenho de esperar.
Nota de rodapé 3: O meu carro é um daqueles pequeninos, económicos, que anuncia um consumo de apenas 5 litros aos 100. O que é inatingível em trânsito citadino, as minhas médias oscilam entre 6.0 e 7.0 litros aos 100. E olhem que eu ando devaraginho, a tentar fazer boas médias!
E nota-se que muita gente procura desesperadamente atestar o mais barato possível. É já famosa a bomba do Jumbo de Alfragide em que o gasóleo custa uns bons 10 cêntimos a menos que o preço normal e as filas, sobretudo ao fim de semana, são de horas. A sério, horas. Ontem passei por lá. Fui a Alfragide (meti-me numa fila, mas não foi para atestar, foi para comprar bilhetes para o concerto da Madonna) e aproveitei para ver como param as modas na famosa bomba de gasolina. À vontade eram uns 400 ou 500 metros de fila. Ora, havendo 8 bombas (não sei se são 8 ou não, não as contei, tou só a mandar números para o ar), e talvez uns 100 carros na fila, supondo que cada carro demora 5 minutos a atestar, dá uma hora de espera para meter pitrol no depósito.
E tudo isto porquê? Para conseguir atestar um nadita mais barato. 10 cêntimos por litro. O que, num depósito de 40 litros, dá 4 euros de desconto. Sem contar com o tempo que se demora à espera para atestar o depósito (não sei quanto a vocês, mas 4 euros por uma hora, sobretudo ao fim de semana, acho mal pago), 4 euros por depósito é a poupança que se consegue.
O que quer dizer que quem morar a 15 km de distância da bomba ou mais (ver nota de rodapé 2) terá de percorrer 30 km para atestar naquela bomba maravilha. Ora, num carro que consuma 7 litros aos 100 (ver nota de rodapé 3), fazer 30 km gasta, mais ou menos, 2.1 litros. O que, a preços actuais (1,34 para o litro de gasóleo), custa 2.8 euros. O que dá um lucro de 1,20 cêntimos. Ou seja, duas bicas. Que provavelmente irá beber, uma assim que sai de casa e antes de pegar no carro, outra ao chegar a casa, enervado por ter passado a manhã na fila.
Se em vez de perder a manhã na fila para encher o depósito e poupar 4 euros mas por outro lado gastar 2,8 para lá chegar mais 1,20 em café, o(a) senhor(a) proprietário(a) do automóvel atestasse perto de casa e passasse a manhã na marmelada com a(o) esposa(o), gastaria o mesmo dinheiro mas daria o seu tempo por melhor empregue.
Por isso a minha estratégia não é procurar bombas de gasolina baratas para atestar. Mas a subida generalizada dos preços fez-me pensar qual seria a melhor forma de não gastar tanto dinheiro. E percebi que atestar não serve. Eu gasto um depósito por mês, ou seja entre atestar uma vez e a vez seguinte já houve 4 aumentos e o gasóleo está uns 10 cêntimos mais caro. Por isso agora mudei de estratégia: assim que o ponteiro estiver a chegar aos 3/4 de depósito vou logo atestar. Sai-me a 10 ou 15 euros, deve durar uma semana, e assim tenho sempre gasóleo no depósito comprado há 3 ou 4 aumentos atrás. Consigo monitorizar melhor os meus consumos, a intervalos mais curtos, e tenho sempre um depósito cheio. Em caso de azar e não podendo gastar dinheiro em gasóleo, tenho 1 mês de tolerância no meu depósito.
Nota de rodapé 1: há uns tempos fiz as contas aos preços do petróleo em euros e em dólares, porque parecia-me esquisito tanto aumento, sabendo que o dólar está a desvalorizar. Pois, mas é mesmo assim. O dólar pode baixar, mas nem de perto, nem de longe o suficiente. Fiz as minhas contas e cheguei à conclusão que só em 2008 o petróleo terá subido, pelo menos, uns 30%.
Nota de rodapé 2: do Cacém a Alfragide são 12 km, segundo o via michelin; a 2ª circular tem cerca de 13 km de extensão, desde o nó da ponte Vasco da Gama até ao nó da CRIL. 15 km não é muito. Eu moro a uns 7 km da tal bomba e acho que não compensa pelo tempo que tenho de esperar.
Nota de rodapé 3: O meu carro é um daqueles pequeninos, económicos, que anuncia um consumo de apenas 5 litros aos 100. O que é inatingível em trânsito citadino, as minhas médias oscilam entre 6.0 e 7.0 litros aos 100. E olhem que eu ando devaraginho, a tentar fazer boas médias!
30 maio 2008
Contra (?) o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - Parte III
Parte III - o conteúdo do famigerado Acordo Ortográfico da Língua Portugesa e as suas reais implicações na forma de falar e escrever português.
Introdução - O que é a ortografia
Para começar, e porque o que não falta por aí é confusão, ortografia diz respeito apenas à escrita de palavras. A forma como são escritas. Não diz respeito aos seus significados, nem às suas utilizações, nem à sua pronúncia, nem à sintaxe de uma frase.
Não existe NENHUMA alteração introduzida pelo acordo ortográfico que altere a forma como uma determinada palavra é LIDA, apenas altera, eventualmente, a forma como é, ou pode ser, escrita.
Os capítulos que se seguem descrevem as reais implicações do acordo ortográfico, da forma que entendo o texto do acordo (que li, pelo menos na diagonal). O acordo ortográfico tem 21 capítulos. Obviamente não vou tratar todos, quem quiser ler o acordo pode fazê-lo por sua iniciativa (o link está abaixo). Mas vou tentar dar um ou outro exemplo das principais alterações para que se percebam as suas implicações.
Capítulo I - O alfabeto
Com o novo Acordo Ortográfico o alfabeto português passa a ter 26 letras. K, W e Y passam a ser letras do alfabeto português. Curiosamente o K e o Y já existiam antes da reforma ortográfica de 1911, quando foram suprimidas. Portanto, vamos poder escrever whisky, kafkiano ou wagneriano sem ter de criar (mais uma) excepção à ortografia. Sim, quando aprendi a escrever aprendi que o abcedário tinha 23 letras e agora volta e meia escrevo as letras k, w e y que, tanto quanto sei, não fazem parte da ortografia portuguesa.
Capítulo II - O H inicial e final.
Circulam por aí mails a dizer que entre outras coisas, começa a escrever-se úmido em vez de húmido e até, pasme-se, oje em vez de hoje ou omem em vez de homem. Esta informação é FALSA. Para já nem no Brasil se escreve umidade. Escreve-se humidade. O H inicial só desaparece em palavras derivadas em que o H inicial desapareceu da raiz da palavra.
Por exemplo: Erva evoluiu de Herba; As palavras derivadas como Herboso ou Herbanária mantêm o H inicial da raiz. Nestes casos cai o H inicial. Passa a escrever-se Ervanária e Ervoso. A propósito, não sei como vai passar a escrever-se Herbáceo.
Quem escreve Herbanária em vez de Ervanária?
Cai também o H quando duas palavras são aglutinadas, sendo a segunda iniciada por H. Por exemplo, Desumano, Lobisomem, Biebdomadário, Inábil. Alguém quer os H ali espalhados no meio das palavras?
SÓ NESTES CASOS É QUE CAI O H.
Capítulo III - As famigeradas consoantes mudas C e P.
Ao contrário do que circula, palavras como Neptuno, Amígdala, Apto, Aritmética, Indemnização VÃO CONTINUAR A ESCREVER-SE DA MESMA FORMA.
As consoantes só caem quando são MUDAS! E mudas quer dizer que não são pronunciadas.
Citando o texto oficial do acordo, estas consoantes "eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo", mas "conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto".
Há casos em que as consoantes passam a ser opcionais (opcional mantém o P!): aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receçâo. Porque dependendo da pronúncia há quem leia estas consoantes e há quem não as leia.
Naqueles exemplos referidos em que a consoante cai, digam-me: alguém pronuncia a consoante em causa? Alguém lê o P em óptimo ou Egipto, o C em colectivo, director ou exacto, acto ou ação?
As consoantes mudas têm um papel: o de abrir a vogal que as precede. Mas... nesse caso a palavra "actual" não devia ser lida "á-tu-al"? Quem diz "á-tu-a-li-da-de"? Então para que raio está lá o C? E gostaria de relembrar que até 1910 escrevia-se aqui e no Brasil, Diccionário em vez de Dicionário e Prompto em vez de Pronto. Foi a nossa reforma ortográfica de 1911 que começou com esta coisa de eliminar consoantes mudas.
Capítulo IV - Acentuação
Eh pá, aqui é uma salganhada. Mudam imensas regras, ocorrendo a maior parte das mudanças no Português do Brasil, pelo que percebi. Excepção: pára, do verbo parar, perde o acento. Também aqui nada de mal, antigamente escrevia-se Pôrto em vez de Porto, para não confundir com porto do verbo portar, e tôdo (de totalidade) em vez de todo, para não confundir com o todo que era uma espécie de pássaro do Japão ou lá o que é. A existência de regras para a acentuação e a eliminação da quantidade exorbitante de excepções implicava que cada pessoa tinha de conhecer o vocabulário de forma quase enciclopédica para saber como acentuar algumas palavras.
Cai o trema, finalmente! Lingüiça passa a Linguiça. Note-se que a regra diz que em gue e gui, que e qui o U é mudo. Quando não o é, deve usar-se trema. Frequentemente, Linguiça, Aguentar, Bilingue, etc.
Também se deve usar trema, pela norma brasileira (que era a norma portuguesa antiga, antes de a alterarem), em palavras como Saudar, para indicar que au não é um ditongo.
O trema cai em todos os casos, excepto em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros.
Capítulo V - O hífen
Há uma série de novas regras que (finalmente) regulam a utilização de hífen. São aos pontapés, quem quiser que as leia. Do que li, a grande diferença para nós é a utilização com o verbo haver: Hás de, Hei de em vez de Hás-de e Hei-de. Não tenho grandes objecções aqui. E até pode ser que a próxima geração de putos deixe de ler "há-des".
Capítulo VI - Maiúsculas e Minúsculas
Os nomes dos meses do ano, estações do ano, pontos cardeais passam a minúscula. Também passam a minúscula palavras como "santo" ou "engenheiro", colocados antes de um nome: santo António em vez de Santo António, engenheiro Sócrates em vez de Engenheiro Sócrates (supondo que Sócrates é engenheiro).
Capítulo VII - Conclusão
Eh pá, depois de ler (como disse, só na diagonal) o texto do acordo ortográfico não estou assim tão horrorizado.
Este acordo ortográfico, bem como os que o precederam, marcam uma aproximação da língua escrita à língua falada, dando mais importância à pronúncia que à etimologia.
O português antigo era mais fonético e foi após a renascença que um conjunto de iluminados entendeu por bem dar à etimologia o papel fulcral que passou a ter nos séculos XVII e XVIII. Ficámos com uma língua muito erudita e com muito mau aspeto (palavra escrita segundo as regras do Acordo Ortográfico).
EU SOU A FAVOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE 1990.
Referências:
Texto oficial do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Artigo de opinião de Manuel Mendes Carvalho (refere-se ao acordo de 1986 que fracassou, sendo substituido pelo acordo de 1990).
Introdução - O que é a ortografia
Para começar, e porque o que não falta por aí é confusão, ortografia diz respeito apenas à escrita de palavras. A forma como são escritas. Não diz respeito aos seus significados, nem às suas utilizações, nem à sua pronúncia, nem à sintaxe de uma frase.
Não existe NENHUMA alteração introduzida pelo acordo ortográfico que altere a forma como uma determinada palavra é LIDA, apenas altera, eventualmente, a forma como é, ou pode ser, escrita.
Os capítulos que se seguem descrevem as reais implicações do acordo ortográfico, da forma que entendo o texto do acordo (que li, pelo menos na diagonal). O acordo ortográfico tem 21 capítulos. Obviamente não vou tratar todos, quem quiser ler o acordo pode fazê-lo por sua iniciativa (o link está abaixo). Mas vou tentar dar um ou outro exemplo das principais alterações para que se percebam as suas implicações.
Capítulo I - O alfabeto
Com o novo Acordo Ortográfico o alfabeto português passa a ter 26 letras. K, W e Y passam a ser letras do alfabeto português. Curiosamente o K e o Y já existiam antes da reforma ortográfica de 1911, quando foram suprimidas. Portanto, vamos poder escrever whisky, kafkiano ou wagneriano sem ter de criar (mais uma) excepção à ortografia. Sim, quando aprendi a escrever aprendi que o abcedário tinha 23 letras e agora volta e meia escrevo as letras k, w e y que, tanto quanto sei, não fazem parte da ortografia portuguesa.
Capítulo II - O H inicial e final.
Circulam por aí mails a dizer que entre outras coisas, começa a escrever-se úmido em vez de húmido e até, pasme-se, oje em vez de hoje ou omem em vez de homem. Esta informação é FALSA. Para já nem no Brasil se escreve umidade. Escreve-se humidade. O H inicial só desaparece em palavras derivadas em que o H inicial desapareceu da raiz da palavra.
Por exemplo: Erva evoluiu de Herba; As palavras derivadas como Herboso ou Herbanária mantêm o H inicial da raiz. Nestes casos cai o H inicial. Passa a escrever-se Ervanária e Ervoso. A propósito, não sei como vai passar a escrever-se Herbáceo.
Quem escreve Herbanária em vez de Ervanária?
Cai também o H quando duas palavras são aglutinadas, sendo a segunda iniciada por H. Por exemplo, Desumano, Lobisomem, Biebdomadário, Inábil. Alguém quer os H ali espalhados no meio das palavras?
SÓ NESTES CASOS É QUE CAI O H.
Capítulo III - As famigeradas consoantes mudas C e P.
Ao contrário do que circula, palavras como Neptuno, Amígdala, Apto, Aritmética, Indemnização VÃO CONTINUAR A ESCREVER-SE DA MESMA FORMA.
As consoantes só caem quando são MUDAS! E mudas quer dizer que não são pronunciadas.
Citando o texto oficial do acordo, estas consoantes "eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pronúncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo", mas "conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto".
Há casos em que as consoantes passam a ser opcionais (opcional mantém o P!): aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receçâo. Porque dependendo da pronúncia há quem leia estas consoantes e há quem não as leia.
Naqueles exemplos referidos em que a consoante cai, digam-me: alguém pronuncia a consoante em causa? Alguém lê o P em óptimo ou Egipto, o C em colectivo, director ou exacto, acto ou ação?
As consoantes mudas têm um papel: o de abrir a vogal que as precede. Mas... nesse caso a palavra "actual" não devia ser lida "á-tu-al"? Quem diz "á-tu-a-li-da-de"? Então para que raio está lá o C? E gostaria de relembrar que até 1910 escrevia-se aqui e no Brasil, Diccionário em vez de Dicionário e Prompto em vez de Pronto. Foi a nossa reforma ortográfica de 1911 que começou com esta coisa de eliminar consoantes mudas.
Capítulo IV - Acentuação
Eh pá, aqui é uma salganhada. Mudam imensas regras, ocorrendo a maior parte das mudanças no Português do Brasil, pelo que percebi. Excepção: pára, do verbo parar, perde o acento. Também aqui nada de mal, antigamente escrevia-se Pôrto em vez de Porto, para não confundir com porto do verbo portar, e tôdo (de totalidade) em vez de todo, para não confundir com o todo que era uma espécie de pássaro do Japão ou lá o que é. A existência de regras para a acentuação e a eliminação da quantidade exorbitante de excepções implicava que cada pessoa tinha de conhecer o vocabulário de forma quase enciclopédica para saber como acentuar algumas palavras.
Cai o trema, finalmente! Lingüiça passa a Linguiça. Note-se que a regra diz que em gue e gui, que e qui o U é mudo. Quando não o é, deve usar-se trema. Frequentemente, Linguiça, Aguentar, Bilingue, etc.
Também se deve usar trema, pela norma brasileira (que era a norma portuguesa antiga, antes de a alterarem), em palavras como Saudar, para indicar que au não é um ditongo.
O trema cai em todos os casos, excepto em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros.
Capítulo V - O hífen
Há uma série de novas regras que (finalmente) regulam a utilização de hífen. São aos pontapés, quem quiser que as leia. Do que li, a grande diferença para nós é a utilização com o verbo haver: Hás de, Hei de em vez de Hás-de e Hei-de. Não tenho grandes objecções aqui. E até pode ser que a próxima geração de putos deixe de ler "há-des".
Capítulo VI - Maiúsculas e Minúsculas
Os nomes dos meses do ano, estações do ano, pontos cardeais passam a minúscula. Também passam a minúscula palavras como "santo" ou "engenheiro", colocados antes de um nome: santo António em vez de Santo António, engenheiro Sócrates em vez de Engenheiro Sócrates (supondo que Sócrates é engenheiro).
Capítulo VII - Conclusão
Eh pá, depois de ler (como disse, só na diagonal) o texto do acordo ortográfico não estou assim tão horrorizado.
Este acordo ortográfico, bem como os que o precederam, marcam uma aproximação da língua escrita à língua falada, dando mais importância à pronúncia que à etimologia.
O português antigo era mais fonético e foi após a renascença que um conjunto de iluminados entendeu por bem dar à etimologia o papel fulcral que passou a ter nos séculos XVII e XVIII. Ficámos com uma língua muito erudita e com muito mau aspeto (palavra escrita segundo as regras do Acordo Ortográfico).
EU SOU A FAVOR DO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA DE 1990.
Referências:
Texto oficial do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Artigo de opinião de Manuel Mendes Carvalho (refere-se ao acordo de 1986 que fracassou, sendo substituido pelo acordo de 1990).
27 maio 2008
Tá explicado!
Os asiáticos e em particular os chineses são muito supersticiosos. Tão supersticiosos que procuram sempre explicações para todas as coisas más que acontecem.
E vai daí, já perceberam porque houve um sismo tão forte no país: é a maldição das mascotes olímpicas!
As mascotes são 5: um panda (cujo habitat é a província de Sichuan), um antílope tibetano (relacionado com a revolta que se vive no tibete), a tocha olímpica (que deve estar aborrecida com tantas interrupções à sua marcha por causa de protestos dos apoiantes da causa tibetana), uma andorinha (que parece que tem não sei o quê a ver com um cometa que foi visto este ano) e um peixe. Este último não tem nada a ver com o sismo, mas está sim relacionado com uma forte inundação no sul do país (onde a actividade pesqueira é intensa). Claro que há inundações todos os anos, mas a deste ano foi de certeza provocada pelo peixe.
E tudo isto é suportado, obviamente, pela numerologia! O número 8, que costuma dar sorte, este ano parece que não. São os jogos de 2008 e a 88 dias dos jogos houve o grande tremor de terra. Para ajudar, o sismo foi no dia 12/5 e 1+2+5=8!!! É uma coincidência impressionante que só pode ser explicada, obviamente, por uma maldição do número 8. Isto, claro, se ignorarmos o facto de o calendário chinês ser diferente.
Além disso o sismo foi às 14:28 (ainda estou para perceber porque raio é que isto se associa ao número 8, é mais natural associar ao número 7, já que 14=7x2 e 28=7x4).
E ainda por cima, o sismo marcou 7,8 na escala de Richter. termina em 8, já viram? Mas qual a probabilidade de pelo menos um dígito ser 8 ou a soma dos dígitos ser 8, já que para a interpretação numerológica vai dar ao mesmo? Isto entre sismos fortes, pois dos fracos não reza a história. Entre 6.0 e 9.0 há 31 intensidades distintas; destas 12 têm um dígito 8; Os números cujos dígitos somam 8 são 6.2 e 7.1; E já vamos em 14; mas se quisermos ir mais além, notemos que 7.9 soma 16 que é 8+8. Dá 15. Em 31, ou seja aproximadamente metade. Tá provada a maldição!
E acham que é só isto? Reparem bem: a jornada diária de trabalho é de 8 horas, mas a China não segue esta norma (se calhar devia!). Há 8 dias numa semana, isto se contarmos o domingo como valendo dois, o que é natural, porque é dia santo. As cores do arco-iris são 8, desde que se distinga entre amarelo claro e amarelo torrado. Há 8 planetas no sistema solar, porque Plutão já não é. São neste momento 12:58 e notem bem que 1+2+5=8 (por acaso são 12:57, mas esperei um minuto para a maldição se confirmar) e estamos a 27-05-2008 e 2+7+5+2+0+0+8=24=8+8+8!
Ainda bem que os chineses têm as suas superstições para explicar estas coisas...
E vai daí, já perceberam porque houve um sismo tão forte no país: é a maldição das mascotes olímpicas!
As mascotes são 5: um panda (cujo habitat é a província de Sichuan), um antílope tibetano (relacionado com a revolta que se vive no tibete), a tocha olímpica (que deve estar aborrecida com tantas interrupções à sua marcha por causa de protestos dos apoiantes da causa tibetana), uma andorinha (que parece que tem não sei o quê a ver com um cometa que foi visto este ano) e um peixe. Este último não tem nada a ver com o sismo, mas está sim relacionado com uma forte inundação no sul do país (onde a actividade pesqueira é intensa). Claro que há inundações todos os anos, mas a deste ano foi de certeza provocada pelo peixe.
E tudo isto é suportado, obviamente, pela numerologia! O número 8, que costuma dar sorte, este ano parece que não. São os jogos de 2008 e a 88 dias dos jogos houve o grande tremor de terra. Para ajudar, o sismo foi no dia 12/5 e 1+2+5=8!!! É uma coincidência impressionante que só pode ser explicada, obviamente, por uma maldição do número 8. Isto, claro, se ignorarmos o facto de o calendário chinês ser diferente.
Além disso o sismo foi às 14:28 (ainda estou para perceber porque raio é que isto se associa ao número 8, é mais natural associar ao número 7, já que 14=7x2 e 28=7x4).
E ainda por cima, o sismo marcou 7,8 na escala de Richter. termina em 8, já viram? Mas qual a probabilidade de pelo menos um dígito ser 8 ou a soma dos dígitos ser 8, já que para a interpretação numerológica vai dar ao mesmo? Isto entre sismos fortes, pois dos fracos não reza a história. Entre 6.0 e 9.0 há 31 intensidades distintas; destas 12 têm um dígito 8; Os números cujos dígitos somam 8 são 6.2 e 7.1; E já vamos em 14; mas se quisermos ir mais além, notemos que 7.9 soma 16 que é 8+8. Dá 15. Em 31, ou seja aproximadamente metade. Tá provada a maldição!
E acham que é só isto? Reparem bem: a jornada diária de trabalho é de 8 horas, mas a China não segue esta norma (se calhar devia!). Há 8 dias numa semana, isto se contarmos o domingo como valendo dois, o que é natural, porque é dia santo. As cores do arco-iris são 8, desde que se distinga entre amarelo claro e amarelo torrado. Há 8 planetas no sistema solar, porque Plutão já não é. São neste momento 12:58 e notem bem que 1+2+5=8 (por acaso são 12:57, mas esperei um minuto para a maldição se confirmar) e estamos a 27-05-2008 e 2+7+5+2+0+0+8=24=8+8+8!
Ainda bem que os chineses têm as suas superstições para explicar estas coisas...
Arroz
Ah, que alívio! Após conversações com o Governo o Lidl suspendou o racionamento de arroz. Tinha sido imposto um limite de 10 kg por cliente, mas essa limitação já foi levantada.
Devo dizer que fico muito mais descansado e, pelo sim, pelo não, vou já ao Lidl comprar uns 25 ou 30 kg de arroz. Pelo sim, pelo não.
Devo dizer que fico muito mais descansado e, pelo sim, pelo não, vou já ao Lidl comprar uns 25 ou 30 kg de arroz. Pelo sim, pelo não.
26 maio 2008
Nacionalismos
Num gás ideal a temperatura constante a pressão é inversamente proporcional ao volume.
Este é o enunciado da Lei de Boyle-Mariotte. Ou, como se diz em inglês, da Lei de Boyle. Já em francês diz-se Lei de Mariotte. Obviamente Robert Boyle era inglês e Edme Mariotte era francês.
Este é o enunciado da Lei de Boyle-Mariotte. Ou, como se diz em inglês, da Lei de Boyle. Já em francês diz-se Lei de Mariotte. Obviamente Robert Boyle era inglês e Edme Mariotte era francês.
23 maio 2008
Contra (?) o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - Parte II
Parte II - Acordos Ortográficos em geral: o caso das outras línguas
Uma coisa que tenho ouvido é que isto de haver acordos ortográficos é exclusivo ou quase exclusivo do português. Sem desprimor pelas ilustres e literadas (cuidado com a forma como se lê, não quero que se leia "ilustres iletradas") pessoas das academias responsáveis por este acordo, duvido que tenham sido originais ao ponto de inventar algo nunca antes feito ou imaginado por outros seres humanos. Olhando para a normal evolução das várias línguas e lendo textos antigos facilmente se percebe que não podemos ser os únicos a fazer evoluir a ortografia.
Capítulo 1: O inglês
É frequentemente utilizado o exemplo do inglês como sendo uma língua cuja ortografia não se altera mediante acordos ortográficos e que isso não impede a língua inglesa de ser a mais universal. A afirmação até é mais ou menos correcta, mas não sei até que ponto isso é uma virtude da língua inglesa.
O inglês escrito está estabelecido há vários séculos, com a excepção das alterações introduzidas no século XVIII cujo objectivo era precisamente distanciá-lo do inglês de Inglaterra (coisas de colónia recém-indepentente) e mais umas quantas palavras de evolução distinta entre Inglaterra e EUA.
Pronto, até aqui tudo bem, mas eu pergunto: Como se lê "ou" em inglês? Lê-se como em Loud, Could, Famous, Journey, You, Flour ou Tour? Segundo a wikipedia, que inclui o registo fonético de cada um destes sons, são pelo menos 7 pronúncias diferentes.
E "au"? Como em Augment, ou como em Daughter?
E que tal "ough"? Esta então tem pelo menos 10 pronúncias distintas, 6 das quais hilariantemente retratadas na frase "Though the tough cough and hiccough plough him through".
De facto a ausência de revisões ortográficas que aproxime o inglês escrito do inglês falado ao fim de tantos séculos deu resultados surpreendentes.
Sobre o mérito ou demérito desta forma de escrever, cada um que decida por si, não quero convencer ninguém.
Capítulo 2: o francês
Parecendo uma língua totalmente estática a verdade é que o francês também tem, volta e meia, umas revisões e afinações à sua ortografia. O francês costuma ser apontado como o paradigma da língua que não evolui, pelo menos na forma escrita, mas será tanto assim?
Após algumas revisões ortográficas ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, chegamos ao século XX e temos algumas sugestões de revisões que foram mais ou menos ignoradas, mas a partir dos anos 70 houve pressões no sentido de modernizar a língua e assim chegamos à reforma de 1990 (o mesmo ano que o nosso famigerado acordo!).
Nesta revisão cerca de 2000 palavras são alteradas (mais ou menos o mesmo número que no nosso acordo) e apesar das resistências iniciais são cada vez mais as publicações a aderir às novas regras. E ao que parece os franceses não ficaram a saber escrever nem melhor, nem pior.
Capítulo 3: o alemão
Também o alemão teve várias revisões ortográficas, desde o início. Em 1902 uma ortografia foi estabelecida, mas em 1944 havia planos para a reformar. Os planos cairam por terra devido à guerra cujo fim estava iminente. No pós-guerra há dois principais centros de autoridade no que diz respeito à grafia alemã. E houve alguns atritos que obrigaram o governo federal (lembrem-se que a Alemanha estava dividida em 2) a decretar qual a grafia oficial.
Actualmente há uma revisão em vigor, apenas obrigatória na escola, que data de 1996. Inclui coisas giras como repetições de 3 consoantes iguais. Por exemplo, Schlossstraße.
Capítulo 4: outras línguas
Como qualquer língua o holandês também evoluiu muito e teve várias revisões ortográficas. No século XX teve 3: 1934, 1946/47 e 1996 e em 2006 teve outra. Todas estas revisões têm como objectivo unificar a grafia flamenga (Bélgica) com a grafia holandesa.
O norueguês, inicialmente derivado do dinamarquês, possui actualmente duas grafias distintas, o Bokmal e o Nynorsk, e vários esforços têm sido feitos no sentido de as unificar. Mais controvérsia, menos controvérsia, a tentativa continua.
E o que dizer do turco, que no início do século XX não se limitou a mudar a ortografia, mudou o alfabeto?!!!
Já o japonês também teve uma reforma séria, eliminando muitos símbolos que não tinham relevância fonética.
E outras línguas têm feito evoluções sucessivas da sua grafia, pelas mais variadas razões: indonésio, russo, grego, etc...
Referências:
Revisões ortográficas na Wikipedia e referências dentro deste artigo.
Uma coisa que tenho ouvido é que isto de haver acordos ortográficos é exclusivo ou quase exclusivo do português. Sem desprimor pelas ilustres e literadas (cuidado com a forma como se lê, não quero que se leia "ilustres iletradas") pessoas das academias responsáveis por este acordo, duvido que tenham sido originais ao ponto de inventar algo nunca antes feito ou imaginado por outros seres humanos. Olhando para a normal evolução das várias línguas e lendo textos antigos facilmente se percebe que não podemos ser os únicos a fazer evoluir a ortografia.
Capítulo 1: O inglês
É frequentemente utilizado o exemplo do inglês como sendo uma língua cuja ortografia não se altera mediante acordos ortográficos e que isso não impede a língua inglesa de ser a mais universal. A afirmação até é mais ou menos correcta, mas não sei até que ponto isso é uma virtude da língua inglesa.
O inglês escrito está estabelecido há vários séculos, com a excepção das alterações introduzidas no século XVIII cujo objectivo era precisamente distanciá-lo do inglês de Inglaterra (coisas de colónia recém-indepentente) e mais umas quantas palavras de evolução distinta entre Inglaterra e EUA.
Pronto, até aqui tudo bem, mas eu pergunto: Como se lê "ou" em inglês? Lê-se como em Loud, Could, Famous, Journey, You, Flour ou Tour? Segundo a wikipedia, que inclui o registo fonético de cada um destes sons, são pelo menos 7 pronúncias diferentes.
E "au"? Como em Augment, ou como em Daughter?
E que tal "ough"? Esta então tem pelo menos 10 pronúncias distintas, 6 das quais hilariantemente retratadas na frase "Though the tough cough and hiccough plough him through".
De facto a ausência de revisões ortográficas que aproxime o inglês escrito do inglês falado ao fim de tantos séculos deu resultados surpreendentes.
Sobre o mérito ou demérito desta forma de escrever, cada um que decida por si, não quero convencer ninguém.
Capítulo 2: o francês
Parecendo uma língua totalmente estática a verdade é que o francês também tem, volta e meia, umas revisões e afinações à sua ortografia. O francês costuma ser apontado como o paradigma da língua que não evolui, pelo menos na forma escrita, mas será tanto assim?
Após algumas revisões ortográficas ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, chegamos ao século XX e temos algumas sugestões de revisões que foram mais ou menos ignoradas, mas a partir dos anos 70 houve pressões no sentido de modernizar a língua e assim chegamos à reforma de 1990 (o mesmo ano que o nosso famigerado acordo!).
Nesta revisão cerca de 2000 palavras são alteradas (mais ou menos o mesmo número que no nosso acordo) e apesar das resistências iniciais são cada vez mais as publicações a aderir às novas regras. E ao que parece os franceses não ficaram a saber escrever nem melhor, nem pior.
Capítulo 3: o alemão
Também o alemão teve várias revisões ortográficas, desde o início. Em 1902 uma ortografia foi estabelecida, mas em 1944 havia planos para a reformar. Os planos cairam por terra devido à guerra cujo fim estava iminente. No pós-guerra há dois principais centros de autoridade no que diz respeito à grafia alemã. E houve alguns atritos que obrigaram o governo federal (lembrem-se que a Alemanha estava dividida em 2) a decretar qual a grafia oficial.
Actualmente há uma revisão em vigor, apenas obrigatória na escola, que data de 1996. Inclui coisas giras como repetições de 3 consoantes iguais. Por exemplo, Schlossstraße.
Capítulo 4: outras línguas
Como qualquer língua o holandês também evoluiu muito e teve várias revisões ortográficas. No século XX teve 3: 1934, 1946/47 e 1996 e em 2006 teve outra. Todas estas revisões têm como objectivo unificar a grafia flamenga (Bélgica) com a grafia holandesa.
O norueguês, inicialmente derivado do dinamarquês, possui actualmente duas grafias distintas, o Bokmal e o Nynorsk, e vários esforços têm sido feitos no sentido de as unificar. Mais controvérsia, menos controvérsia, a tentativa continua.
E o que dizer do turco, que no início do século XX não se limitou a mudar a ortografia, mudou o alfabeto?!!!
Já o japonês também teve uma reforma séria, eliminando muitos símbolos que não tinham relevância fonética.
E outras línguas têm feito evoluções sucessivas da sua grafia, pelas mais variadas razões: indonésio, russo, grego, etc...
Referências:
Revisões ortográficas na Wikipedia e referências dentro deste artigo.
Educação e Matemática
Andava eu à procura de uma determinada demonstração de um determinado teorema feita por uma determinada pessoa1, e eis senão quando encontro um texto que merece uma leitura atenta por quem:
a) aprende matemática e gosta
b) aprende matemática mas não gosta
c) não gosta de matemática e nem sabe bem porquê
d) ensina matemática
e) ensina como se ensina matemática
f) decide sobre como se ensina matemática
g) todas as anteriores
O autor é V. I. Arnold, um dos matemáticos mais influentes do Séc. XX, talvez o mais conhecido da "escola russa". E contraria o vulgar preconceito2 que o conjunto das pessoas que fazem investigação em matemática e o conjunto das pessoas que sabe ensinar matemática não têm elementos em comum.
E a propósito lembrei-me de uma frase, cujo autor desconheço: "Quem sabe faz. Quem não sabe ensina", em cuja veracidade me senti tentado em acreditar por diversas vezes enquanto estudava. Agora, a pouco e pouco, consigo imaginar a existência de contra-exemplos.
1 A demonstração do V. I. Arnold do teorema de existência e unicidade de Picard-Lindelöf, que usa só aspectos geométricos do campo de declives.
2 Teorema: Seja P um preconceito; então existe E, uma excepção, tal que E viola P. Corolário: Seja G uma generalização. Então existe P, um preconceito, tal que G é um subconjunto de P. Demonstração: Deixa-se como exercício para o leitor.
a) aprende matemática e gosta
b) aprende matemática mas não gosta
c) não gosta de matemática e nem sabe bem porquê
d) ensina matemática
e) ensina como se ensina matemática
f) decide sobre como se ensina matemática
g) todas as anteriores
O autor é V. I. Arnold, um dos matemáticos mais influentes do Séc. XX, talvez o mais conhecido da "escola russa". E contraria o vulgar preconceito2 que o conjunto das pessoas que fazem investigação em matemática e o conjunto das pessoas que sabe ensinar matemática não têm elementos em comum.
E a propósito lembrei-me de uma frase, cujo autor desconheço: "Quem sabe faz. Quem não sabe ensina", em cuja veracidade me senti tentado em acreditar por diversas vezes enquanto estudava. Agora, a pouco e pouco, consigo imaginar a existência de contra-exemplos.
1 A demonstração do V. I. Arnold do teorema de existência e unicidade de Picard-Lindelöf, que usa só aspectos geométricos do campo de declives.
2 Teorema: Seja P um preconceito; então existe E, uma excepção, tal que E viola P. Corolário: Seja G uma generalização. Então existe P, um preconceito, tal que G é um subconjunto de P. Demonstração: Deixa-se como exercício para o leitor.
21 maio 2008
Contra (?) o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - Parte I
Nota prévia: este post não está escrito segundo a norma do acordo ortográfico de 1990. Tal facto não está relacionado com a minha posição pessoal em relação ao acordo. Simplesmente não conheço ainda a totalidade dos casos em que a ortografia é alterada e por essa razão escrevo como sempre soube escrever, evitando armar-se em esperto e escrever bacoradas desnecessárias.
--
Vem aí o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Em bom rigor, convém dizer que vem aí mais um Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, já que não é o primeiro.
Parte 1 - (Um resumo da) História dos Acordos Ortográficos da Língua Portuguesa
Capítulo 1: 1911-1930
Em 1911 entrou em vigor em Portugal uma norma ortográfica em que foi instituida uma grafia simplificada de muitas palavras. Também o alfabeto foi alterado, desaparecendo o k e y, passando a ter então 23 letras.
Entre as alterações, salientam-se:
Portuguez passou a Português
Lyra passou a Lira
Pharmácia passou a Farmácia.
Caravella passou a Caravela
Diccionário passou a Dicionário
Prompto passou a Pronto
(Hmmm... desapareceu um P antes de um T em 1911 porque era mudo em todas as pronúncias da língua? Óptimo, óptimo! E o C mudo que foi eliminado decerto conferiu actualidade à palavra dicionário...)
A este propósito, escreveu Alexandre Fontes no livro "A Questão Orthographica", Lisboa, 1910): "Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto (...) Affligimo-nos extraordinariamente, quando pensamos que haveriamos de ser obrigados a escrever assim!" (grafia original do autor); in Wikipedia.
O Brasil não adoptou esta norma e começaram as grandes divergências entre a norma portuguesa e a norma brasileira. As divergências que agora tentamos anular foram efectivamente criadas pela reforma ortográfica de 1911, consequência da Implantação da República.
Capítulo 2: 1931-1970
Cientes da problemática levantada pela existência de duas grafias, a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras tentaram unificar a grafia (para corrigir a merda que NÓS fizemos!) mediante a assinatura de um Acordo Ortográfico em 1931. Foram publicados dois vocabulários, em Portugal em 1940 e no Brasil em 1943 que ainda continham divergências e isso deu origem a um novo acordo ortográfico, em 1945. O Brasil não ratificou este acordo, mantendo-se vigente a norma de 1943. Nos restantes países tornou-se lei.
O vocabulário brasileiro de 1943 continha, por exemplo, a eliminação do H interior das palavras, excepto quando há composição por intermédio de um hífen e a segunda parte da palavra começa por h. Por exemplo, mantém-se o h em contra-harmonia ou sobre-humano mas desaparece em cohabitar, bihebdomadário ou exhausto, passando respectivamente a coabitar, biebdomadário ou exausto.
O acordo de 1945 incluia alterações como a regularização do emprego das consoantes c e p nas sequências cc, cç, ct, pc, pç e pt:
- Eliminam-se nos casos em que a consoante é invariavelmente muda na pronúncia dos dois países;
- Conservam-se nos casos em que são pronunciadas num dos dois países ou em parte de um deles;
- Conservam-se após as vogais a, e e o, nos casos em que não é invariável a sua pronúncia e ocorrem em seu favor outras razões, como a tradição ortográfica, a similaridade do português com as demais línguas românicas e a possibilidade de, num dos dois países, exercerem influência no timbre das vogais anteriores;
Capítulo 3: 1970-1990
Novo entendimento surgiu nos anos 70 e tornou-se efectivo em Portugal em 1971 e no Brasil em 1973. Nomeadamente foram eliminadas as diferenças ao nível da acentuação gráfica. Por exemplo:
sòmente passou a somente
sòzinho passou a sozinho
Em 1975 e depois em 1986 foram tentados novos acordos que eliminassem as restantes divergências, o que não foi possível.
E assim chegamos ao acordo ortográfico de 1990.
Como o post já vai longo, as minhas notas sobre o Acordo Ortográfico de 1990 ficam para o próximo post, amanhã ou depois.
--
Referências recomendadas:
1. Artigo da Wikipedia sobre o acordo ortográfico de 1990
2. Formulário Ortográfico em vigor no Brasil, de 1943 (no site de uma empresa de tradução canadiana, especializada na norma brasileira do português)
3. O acordo ortográfico de 1945 no Portal da Língua Portuguesa
4. FAQ sobre o Acordo Ortográfico no site do Público
5. História da Ortografia do Português, na Wikipedia
6. Alterações ao vocabulário ortográfico brasileiro aprovadas em 1971
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Vem aí o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Em bom rigor, convém dizer que vem aí mais um Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, já que não é o primeiro.
Parte 1 - (Um resumo da) História dos Acordos Ortográficos da Língua Portuguesa
Capítulo 1: 1911-1930
Em 1911 entrou em vigor em Portugal uma norma ortográfica em que foi instituida uma grafia simplificada de muitas palavras. Também o alfabeto foi alterado, desaparecendo o k e y, passando a ter então 23 letras.
Entre as alterações, salientam-se:
Portuguez passou a Português
Lyra passou a Lira
Pharmácia passou a Farmácia.
Caravella passou a Caravela
Diccionário passou a Dicionário
Prompto passou a Pronto
(Hmmm... desapareceu um P antes de um T em 1911 porque era mudo em todas as pronúncias da língua? Óptimo, óptimo! E o C mudo que foi eliminado decerto conferiu actualidade à palavra dicionário...)
A este propósito, escreveu Alexandre Fontes no livro "A Questão Orthographica", Lisboa, 1910): "Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto (...) Affligimo-nos extraordinariamente, quando pensamos que haveriamos de ser obrigados a escrever assim!" (grafia original do autor); in Wikipedia.
O Brasil não adoptou esta norma e começaram as grandes divergências entre a norma portuguesa e a norma brasileira. As divergências que agora tentamos anular foram efectivamente criadas pela reforma ortográfica de 1911, consequência da Implantação da República.
Capítulo 2: 1931-1970
Cientes da problemática levantada pela existência de duas grafias, a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras tentaram unificar a grafia (para corrigir a merda que NÓS fizemos!) mediante a assinatura de um Acordo Ortográfico em 1931. Foram publicados dois vocabulários, em Portugal em 1940 e no Brasil em 1943 que ainda continham divergências e isso deu origem a um novo acordo ortográfico, em 1945. O Brasil não ratificou este acordo, mantendo-se vigente a norma de 1943. Nos restantes países tornou-se lei.
O vocabulário brasileiro de 1943 continha, por exemplo, a eliminação do H interior das palavras, excepto quando há composição por intermédio de um hífen e a segunda parte da palavra começa por h. Por exemplo, mantém-se o h em contra-harmonia ou sobre-humano mas desaparece em cohabitar, bihebdomadário ou exhausto, passando respectivamente a coabitar, biebdomadário ou exausto.
O acordo de 1945 incluia alterações como a regularização do emprego das consoantes c e p nas sequências cc, cç, ct, pc, pç e pt:
- Eliminam-se nos casos em que a consoante é invariavelmente muda na pronúncia dos dois países;
- Conservam-se nos casos em que são pronunciadas num dos dois países ou em parte de um deles;
- Conservam-se após as vogais a, e e o, nos casos em que não é invariável a sua pronúncia e ocorrem em seu favor outras razões, como a tradição ortográfica, a similaridade do português com as demais línguas românicas e a possibilidade de, num dos dois países, exercerem influência no timbre das vogais anteriores;
Capítulo 3: 1970-1990
Novo entendimento surgiu nos anos 70 e tornou-se efectivo em Portugal em 1971 e no Brasil em 1973. Nomeadamente foram eliminadas as diferenças ao nível da acentuação gráfica. Por exemplo:
sòmente passou a somente
sòzinho passou a sozinho
Em 1975 e depois em 1986 foram tentados novos acordos que eliminassem as restantes divergências, o que não foi possível.
E assim chegamos ao acordo ortográfico de 1990.
Como o post já vai longo, as minhas notas sobre o Acordo Ortográfico de 1990 ficam para o próximo post, amanhã ou depois.
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Referências recomendadas:
1. Artigo da Wikipedia sobre o acordo ortográfico de 1990
2. Formulário Ortográfico em vigor no Brasil, de 1943 (no site de uma empresa de tradução canadiana, especializada na norma brasileira do português)
3. O acordo ortográfico de 1945 no Portal da Língua Portuguesa
4. FAQ sobre o Acordo Ortográfico no site do Público
5. História da Ortografia do Português, na Wikipedia
6. Alterações ao vocabulário ortográfico brasileiro aprovadas em 1971
Quantos T existem em "Indiana Jones"?
35 (se não me enganei a contar): " Ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta ta"
Estreia amanhã o novo Indiana Jones, o primeiro blockbuster que tenho vontade de ver desde há muito, muito tempo.
Estreia amanhã o novo Indiana Jones, o primeiro blockbuster que tenho vontade de ver desde há muito, muito tempo.
20 maio 2008
Polémicas
Este vídeo está a gerar uma enorme polémica em França:
(vídeo também disponível no site do Público)
A contestação lembrou-me uma história: há muito, muito tempo, num país muito, muito distante, vivia um rei muito, muito feio. Um dia o rei chamou à sua presença um artista e encomendou-lhe um retrato. O artista assim o fez e pintou o retrato do rei. Terminado o projecto o artista mostrou o seu trabalho ao rei. Este ficou furioso com o retrato da sua fealdade e mandou matar o pintor. E ninguém teve a coragem de dizer ao rei que o retrato era bastante fiel e que o rei era mesmo muito feio. Contesta-se o retrato realista das coisas feias e pune-se o seu autor, mas encolhe-se os ombros perante a fealdade que é retratada.
(vídeo também disponível no site do Público)
A contestação lembrou-me uma história: há muito, muito tempo, num país muito, muito distante, vivia um rei muito, muito feio. Um dia o rei chamou à sua presença um artista e encomendou-lhe um retrato. O artista assim o fez e pintou o retrato do rei. Terminado o projecto o artista mostrou o seu trabalho ao rei. Este ficou furioso com o retrato da sua fealdade e mandou matar o pintor. E ninguém teve a coragem de dizer ao rei que o retrato era bastante fiel e que o rei era mesmo muito feio. Contesta-se o retrato realista das coisas feias e pune-se o seu autor, mas encolhe-se os ombros perante a fealdade que é retratada.
Legalidade
Passa a ser legal no Reino Unido a criação de embriões humano-animal para investigação em células estaminais humanas.
Podem assim ser criados os chamados cíbridos, em que o material genético humano é inserido numa célula animal desprovida de material genético (aaaaah!), humanos transgénicos, com genoma humano e alguns genes animais inseridos (aaaaaaaaaaaah!), as quimeras, obtidas inserindo células animais em embriões humanos (aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!) e híbridos verdadeiros, cruzando gâmetas humanos e de alguns animais (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!).
Os embriões só podem ser mantidos durante 14 dias e não podem ser implantados, nem em humanos, nem em animais. Devo dizer que esta parte me deixa um bocadinho mais descansado. Senão, imaginem bem as conversas bizarras que poderiam ocorrer daqui a uns anos:
- És um porco!
- Não, tecnicamente sou um transgénico, só tenho meia dúzia de genes de porco.
- A tua mãe é uma vaca.
- Pois é, e a tua é um porquinho da índia.
- Mãe, porque é que eu tenho cauda?
- Pois filhinho, vamos ter de conversar sobre uma coisa... lembras-te de eu ter dito que o teu pai tinha sido escolhido por um laboratório?
- O meu gato às vezes até parece uma pessoa.
- O meu é mesmo. Bom, pelo menos o olho esquerdo.
Pesoalmente não sou contra estas criações bizarras, desde que sejam por um bem maior. Fazem-me confusão, mas no início do século XX também fazia confusão a muita gente tirar radiografias a senhoras, por questões de pudor.
Podem assim ser criados os chamados cíbridos, em que o material genético humano é inserido numa célula animal desprovida de material genético (aaaaah!), humanos transgénicos, com genoma humano e alguns genes animais inseridos (aaaaaaaaaaaah!), as quimeras, obtidas inserindo células animais em embriões humanos (aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!) e híbridos verdadeiros, cruzando gâmetas humanos e de alguns animais (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!).
Os embriões só podem ser mantidos durante 14 dias e não podem ser implantados, nem em humanos, nem em animais. Devo dizer que esta parte me deixa um bocadinho mais descansado. Senão, imaginem bem as conversas bizarras que poderiam ocorrer daqui a uns anos:
- És um porco!
- Não, tecnicamente sou um transgénico, só tenho meia dúzia de genes de porco.
- A tua mãe é uma vaca.
- Pois é, e a tua é um porquinho da índia.
- Mãe, porque é que eu tenho cauda?
- Pois filhinho, vamos ter de conversar sobre uma coisa... lembras-te de eu ter dito que o teu pai tinha sido escolhido por um laboratório?
- O meu gato às vezes até parece uma pessoa.
- O meu é mesmo. Bom, pelo menos o olho esquerdo.
Pesoalmente não sou contra estas criações bizarras, desde que sejam por um bem maior. Fazem-me confusão, mas no início do século XX também fazia confusão a muita gente tirar radiografias a senhoras, por questões de pudor.
17 maio 2008
16 maio 2008
Quem faz o que pode...
Por um lado temos o crescimento económico no 1º trimestre abaixo das expectativas e por outro lado 11 pessoas presas por produção de notas falsas.
Andam sempre a falar na importância do empreendedorismo, mas quando alguém arranja formas originais de combater a crise económica espetam com ele na cadeia. São só umas milésimas de ponto do PIB, mas já é um princípio, não? A vida é injusta...
Andam sempre a falar na importância do empreendedorismo, mas quando alguém arranja formas originais de combater a crise económica espetam com ele na cadeia. São só umas milésimas de ponto do PIB, mas já é um princípio, não? A vida é injusta...
Presunção
Porque raio é que a varinha mágica se chama varinha mágica? Quem é que deu um nome desses ao electrodoméstico? Aquilo é tudo menos mágico!
O electrodoméstico que serve para torrar pão chama-se torradeira. O electrodoméstico que serve para refrigerar chama-se frigorífico. O electrodoméstico que serve para fritar chama-se fritadeira. O electrodoméstico que serve para fazer café chama-se máquina de café ou cafeteira. O electrodoméstico que lava a louça chama-se máquina de lavar louça. Mas o electrodoméstico que serve para fazer sopa, triturar legumes, picar cebolas, chama-se... varinha mágica.
Permitam-me discordar desta nomenclatura despropositada e presunçosa. Uma varinha mágica é tudo menos mágica. Uma varinha mágica é aquilo que os ilusionistas usam para tirar coelhos da cartola: pegam na cartola, agitam a varinha mágica e *plim* sai um coelho da cartola. Isso sim, é magia. O electrodoméstico chamado varinha mágica coloca-se dentro de uma panela com cenouras, batatas e mais uns quantos legumes, carrega-se no botão e faz-se sopa. E isso é magia? DÁ PARA VER AS LÂMINAS, PÁ! É assim tão mágico que os legumes se desfaçam em papa por uma lâmina que roda muito depressa? A varinha mágica tem tanta magia como os filmes de naves espaciais dos anos 50, em que se conseguia ver os fios. Isso é que é a grandiosa magia do estúpido electrodoméstico?
Mágica é uma máquina de lavar louça: a louça entra suja, fechamos a tampa, carregamos num botão e passado um bocado a louça sai lavada. Tal como nos truques de ilusionismo em que o voluntário do público entra no armário, o armário é fechado, o mágico diz as palavras mágias e *plim* a pessoa desaparece. Mágico é um forno micro-ondas. Não tem chama, não usa gás, não tem resistências eléctricas e contudo a comida aquece. E o truque do micro-ondas é mesmo sofisticado, é feito à frente dos nossos olhos, podemos ver o que se passa através da portinhola. E mesmo assim não percebemos como é que o micro-ondas consegue. Isto sim, é magia.
Fazer legumes em papa com uma lâmina rotativa é tão mágico como pegar numa faca, cortar uma cebola ao meio e ela ficar em dois pedaços. Imaginem que eu criava um número de ilusionismo. Depois de meia dúzia de truques com aros de metal, pessoas a desaparecer de armários, assistentes a serem cortadas ao meio e coelhos a saltar de cartolas, preparava-me para o grande número final: descascava uma cebola, colocava-a em cima da mesa, pegava numa faca, deslizava a faca sobre a cebola e no fim, quando a cebola ficasse cortada em dois pedaços o público fazia "Oooooooooh!", eu levantava os braços triunfante e recebia uma ovação de pé. Acham mesmo que alguém apreciaria um truque de magia que consiste em cortar uma cebola com uma faca? Então porque merda é que dizemos que a varinha mágica é mágica? Porque corta legumes com lâminas? Eu já experimentei usar a varinha mágica sem a lâmina e acreditem que não funciona. Se fosse assim tão mágica podíamos tirar a lâmina à vontade que continuava a desempenhar a sua função.
Chamem-lhe cortadora, picadora, estraçalhadora, chamem-lhe máquina de fazer sopa, máquina de desfazer coisas, até lhe podem chamar máquina com lâminas rotativas muito rápidas. Todas estas opções são melhores que fingir que é magia. A seguir só falta dizerem-me que acreditam no Pai Natal e que o Harry Potter é baseado numa história verídica.
O electrodoméstico que serve para torrar pão chama-se torradeira. O electrodoméstico que serve para refrigerar chama-se frigorífico. O electrodoméstico que serve para fritar chama-se fritadeira. O electrodoméstico que serve para fazer café chama-se máquina de café ou cafeteira. O electrodoméstico que lava a louça chama-se máquina de lavar louça. Mas o electrodoméstico que serve para fazer sopa, triturar legumes, picar cebolas, chama-se... varinha mágica.
Permitam-me discordar desta nomenclatura despropositada e presunçosa. Uma varinha mágica é tudo menos mágica. Uma varinha mágica é aquilo que os ilusionistas usam para tirar coelhos da cartola: pegam na cartola, agitam a varinha mágica e *plim* sai um coelho da cartola. Isso sim, é magia. O electrodoméstico chamado varinha mágica coloca-se dentro de uma panela com cenouras, batatas e mais uns quantos legumes, carrega-se no botão e faz-se sopa. E isso é magia? DÁ PARA VER AS LÂMINAS, PÁ! É assim tão mágico que os legumes se desfaçam em papa por uma lâmina que roda muito depressa? A varinha mágica tem tanta magia como os filmes de naves espaciais dos anos 50, em que se conseguia ver os fios. Isso é que é a grandiosa magia do estúpido electrodoméstico?
Mágica é uma máquina de lavar louça: a louça entra suja, fechamos a tampa, carregamos num botão e passado um bocado a louça sai lavada. Tal como nos truques de ilusionismo em que o voluntário do público entra no armário, o armário é fechado, o mágico diz as palavras mágias e *plim* a pessoa desaparece. Mágico é um forno micro-ondas. Não tem chama, não usa gás, não tem resistências eléctricas e contudo a comida aquece. E o truque do micro-ondas é mesmo sofisticado, é feito à frente dos nossos olhos, podemos ver o que se passa através da portinhola. E mesmo assim não percebemos como é que o micro-ondas consegue. Isto sim, é magia.
Fazer legumes em papa com uma lâmina rotativa é tão mágico como pegar numa faca, cortar uma cebola ao meio e ela ficar em dois pedaços. Imaginem que eu criava um número de ilusionismo. Depois de meia dúzia de truques com aros de metal, pessoas a desaparecer de armários, assistentes a serem cortadas ao meio e coelhos a saltar de cartolas, preparava-me para o grande número final: descascava uma cebola, colocava-a em cima da mesa, pegava numa faca, deslizava a faca sobre a cebola e no fim, quando a cebola ficasse cortada em dois pedaços o público fazia "Oooooooooh!", eu levantava os braços triunfante e recebia uma ovação de pé. Acham mesmo que alguém apreciaria um truque de magia que consiste em cortar uma cebola com uma faca? Então porque merda é que dizemos que a varinha mágica é mágica? Porque corta legumes com lâminas? Eu já experimentei usar a varinha mágica sem a lâmina e acreditem que não funciona. Se fosse assim tão mágica podíamos tirar a lâmina à vontade que continuava a desempenhar a sua função.
Chamem-lhe cortadora, picadora, estraçalhadora, chamem-lhe máquina de fazer sopa, máquina de desfazer coisas, até lhe podem chamar máquina com lâminas rotativas muito rápidas. Todas estas opções são melhores que fingir que é magia. A seguir só falta dizerem-me que acreditam no Pai Natal e que o Harry Potter é baseado numa história verídica.
15 maio 2008
Mudam-se os tempos
mudam-se as vontades.
Há 15 anos o Primeiro-Ministro era Cavaco Silva e o Presidente da República era Mário Soares. Agora o Primeiro-Ministro é José Sócrates e o presidente é Cavaco Silva.
Quando os dois cargos são ocupados por pessoas de partidos diferentes é normal haver trocas de recados entre São Bento e Belém. Um diz uma coisa, o outro diz outra.
Há 15 anos Cavaco falava de forças de bloqueio e Soares falava em atropelos à democracia. 15 anos depois Sócrates pede desculpa por ter fumado no avião e diz que vai deixar de fumar e Cavaco diz que não fuma e que não se fuma nos seu voos.
É bom ver que não há nada mais importante para se falar no momento. Sei lá, uma crise económica mundial, uma escalada generalizada dos preços dos combustíveis e cereais, um tremor de terra intenso, corrupção no futebol ou coisa assim. Ah, como é bom este tempo, em que todos os graves problemas já estão resolvidos e podemos passar o tempo discutir banalidades!
Há 15 anos o Primeiro-Ministro era Cavaco Silva e o Presidente da República era Mário Soares. Agora o Primeiro-Ministro é José Sócrates e o presidente é Cavaco Silva.
Quando os dois cargos são ocupados por pessoas de partidos diferentes é normal haver trocas de recados entre São Bento e Belém. Um diz uma coisa, o outro diz outra.
Há 15 anos Cavaco falava de forças de bloqueio e Soares falava em atropelos à democracia. 15 anos depois Sócrates pede desculpa por ter fumado no avião e diz que vai deixar de fumar e Cavaco diz que não fuma e que não se fuma nos seu voos.
É bom ver que não há nada mais importante para se falar no momento. Sei lá, uma crise económica mundial, uma escalada generalizada dos preços dos combustíveis e cereais, um tremor de terra intenso, corrupção no futebol ou coisa assim. Ah, como é bom este tempo, em que todos os graves problemas já estão resolvidos e podemos passar o tempo discutir banalidades!
14 maio 2008
Champions
Eh lá...
O FCP perdeu 6 pontos por causa do Apito Final. Até aqui nada de especial, continuam a ser campeões.
Mas acabei de ver na SIC Notícias (vantagens de trabalhar em casa, posso ter a TV sempre ligada) que a UEFA considera impedir o Porto de participar na Champions por causa da condenação!
É que a UEFA não gosta que participem nas competições europeias clubes condenados por falsear ou tentar falsear resultados.
E de repente as sentenças do Apito Final passam a valer alguma coisa... querem ver que o Benfica ainda vai à Champions? E que o Guimarães passa a ter apuramento directo para a fase de grupos? Aguardam-se as cenas dos próximos episódios...
O FCP perdeu 6 pontos por causa do Apito Final. Até aqui nada de especial, continuam a ser campeões.
Mas acabei de ver na SIC Notícias (vantagens de trabalhar em casa, posso ter a TV sempre ligada) que a UEFA considera impedir o Porto de participar na Champions por causa da condenação!
É que a UEFA não gosta que participem nas competições europeias clubes condenados por falsear ou tentar falsear resultados.
E de repente as sentenças do Apito Final passam a valer alguma coisa... querem ver que o Benfica ainda vai à Champions? E que o Guimarães passa a ter apuramento directo para a fase de grupos? Aguardam-se as cenas dos próximos episódios...
13 maio 2008
Fait divers
E sai mais um: Sócrates a fumar no avião.
Antes de mais, as regras são e já são assim há muito tempo: é proibido fumar em todos os voos que tenham origem ou destino em qualquer estado-membro da União Europeia e também em qualquer voo de companhias da União Europeia, mesmo que voando em destinos fora da UE. É também proibido fumar em qualquer voo de ou para a América do Norte e em qualquer voo de companhias norte-americanas. As regras já são assim há muito, muito tempo. Lembro-me que em 1995 fui ao Canadá e já era proibido fumar no avião, porque ia para a América do Norte. Na UE a proibição terá começado em 99 ou 2000 ou coisa assim. Muito antes até da lei anti-tabaco que entrou em vigor em 2008.
Eu não gosto de atirar pedras a ninguém, até porque tenho telhados de vidro (já conto), mas sabendo o Governo como bem sabe o que a imprensa nacional aprecia estes fait-divers de membros do executivo, sabendo como sabem as várias histórias que têm assombrado este mandato, não conseguiram ter o mínimo de bom senso e não fumar durante o voo? É mesmo preciso mandar mais achas para a fogueira??? Foi a história da licenciatura, depois a história dos projectos, as questões com a liberdade de expressão dentro dos serviços da administração pública, as edições à biografia na wikipedia, agora isto? O Governo não tem consultores ou assim que expliquem porque é que é muito má ideia fumar a bordo de um avião da TAP, ainda por cima numa viagem oficial com um batalhão de jornalistas a bordo?
Última nota: o comandante "não gostou da situação, mas disse para arrranjar uma zona para fumar, se não ainda acabariam a fumar no 'cockpit'". Até parece que as tripulações não fumam...
---
Os meus telhados de vidro: em 95 fui ao Canadá, já era proibido fumar em todos os voos de ou para a América do Norte mas... bom, na altura os alarmes de incêndio não eram tão sensíveis como agora, fui à casa de banho umas quantas vezes fumar um cigarrito; a minha desculpa: tinha 18 anos, era um bocado parvo. Se o alarme tem disparado obrigava a uma descida de emergência e arriscava-me a uma pena de prisão e a uns belos tabefes até porque os meus pais não sabiam que eu fumava na altura. O truque era simples: aponta-se a saída do ar condicionado na direcção do alarme de incêndio, vai-se fumando, afastando o fumo com a mão e puxando o autoclismo várias vezes para provocar a pequena corrente de ar necessária para desanuviar o ambiente; nos tempos que correm não funciona: as saídas de ar condicionado já não são reguláveis nos WC e os alarmes de incêndio têm uma área sensível muito maior, disparam por tudo e por nada.
E em 2002 num voo da TunisAir o senhor comandante assim que descolámos, quando apagou o sinal de cintos de segurança também apagou o sinal de proibido fumar. Parece que em 2002 já era proibido fumar em qualquer voo de ou para a UE mas ou ninguém avisou a TunisAir ou avisaram e eles esqueceram-se de apontar (o voo era Lisboa-Tunis). Quando vi toda a gente a acender cigarros juntei-me à festa.
Hoje em dia já estou perfeitamente acostumado a não fumar durante o voo, já nem me custa. Claro que volta e meia penso em fumar um cigarro, mas pego noutra pastilha, leio o jornal ou então tento dormir e 5 minutos depois passa.
Antes de mais, as regras são e já são assim há muito tempo: é proibido fumar em todos os voos que tenham origem ou destino em qualquer estado-membro da União Europeia e também em qualquer voo de companhias da União Europeia, mesmo que voando em destinos fora da UE. É também proibido fumar em qualquer voo de ou para a América do Norte e em qualquer voo de companhias norte-americanas. As regras já são assim há muito, muito tempo. Lembro-me que em 1995 fui ao Canadá e já era proibido fumar no avião, porque ia para a América do Norte. Na UE a proibição terá começado em 99 ou 2000 ou coisa assim. Muito antes até da lei anti-tabaco que entrou em vigor em 2008.
Eu não gosto de atirar pedras a ninguém, até porque tenho telhados de vidro (já conto), mas sabendo o Governo como bem sabe o que a imprensa nacional aprecia estes fait-divers de membros do executivo, sabendo como sabem as várias histórias que têm assombrado este mandato, não conseguiram ter o mínimo de bom senso e não fumar durante o voo? É mesmo preciso mandar mais achas para a fogueira??? Foi a história da licenciatura, depois a história dos projectos, as questões com a liberdade de expressão dentro dos serviços da administração pública, as edições à biografia na wikipedia, agora isto? O Governo não tem consultores ou assim que expliquem porque é que é muito má ideia fumar a bordo de um avião da TAP, ainda por cima numa viagem oficial com um batalhão de jornalistas a bordo?
Última nota: o comandante "não gostou da situação, mas disse para arrranjar uma zona para fumar, se não ainda acabariam a fumar no 'cockpit'". Até parece que as tripulações não fumam...
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Os meus telhados de vidro: em 95 fui ao Canadá, já era proibido fumar em todos os voos de ou para a América do Norte mas... bom, na altura os alarmes de incêndio não eram tão sensíveis como agora, fui à casa de banho umas quantas vezes fumar um cigarrito; a minha desculpa: tinha 18 anos, era um bocado parvo. Se o alarme tem disparado obrigava a uma descida de emergência e arriscava-me a uma pena de prisão e a uns belos tabefes até porque os meus pais não sabiam que eu fumava na altura. O truque era simples: aponta-se a saída do ar condicionado na direcção do alarme de incêndio, vai-se fumando, afastando o fumo com a mão e puxando o autoclismo várias vezes para provocar a pequena corrente de ar necessária para desanuviar o ambiente; nos tempos que correm não funciona: as saídas de ar condicionado já não são reguláveis nos WC e os alarmes de incêndio têm uma área sensível muito maior, disparam por tudo e por nada.
E em 2002 num voo da TunisAir o senhor comandante assim que descolámos, quando apagou o sinal de cintos de segurança também apagou o sinal de proibido fumar. Parece que em 2002 já era proibido fumar em qualquer voo de ou para a UE mas ou ninguém avisou a TunisAir ou avisaram e eles esqueceram-se de apontar (o voo era Lisboa-Tunis). Quando vi toda a gente a acender cigarros juntei-me à festa.
Hoje em dia já estou perfeitamente acostumado a não fumar durante o voo, já nem me custa. Claro que volta e meia penso em fumar um cigarro, mas pego noutra pastilha, leio o jornal ou então tento dormir e 5 minutos depois passa.
Informação generalizada e sem tabus
Em Portugal existe uma organização chamada Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). Entre outras coisas, promove acções de informação aos jovens sobre o consumo de drogas e tenta alertar para os seus riscos. E para reunir a informação toda têm um site, o Tu, alinhas?.
Hoje li no Público que algumas associações de pais contestam uma parte do site que é um dicionário de calão relacionado com o consumo de drogas. Mostram-se muito preocupados que tal dicionário funcione como um incentivo ao consumo de drogas.
Fiquei preocupado, devo confessar que sim. Por isso fui ao site, cliquei no "Dicionário" e fui ver a lista de termos que tanta preocupação gera. Quando selecciono a lista aparecem as 26 letras do alfabeto (ou melhor, aparecem 22 ou 24 letras porque parece que não há palavras em calão começadas por W, X, Y ou Z nem termos relacionados com droga começados por Y ou Z; a propósito: as 26 letras do alfabeto, segundo o Acordo Ortográfico; até à sua entrada em vigor o nosso alfabeto só tem 23 letras, por isso temos de escrever "uísque"; este parêntesis já vai longo, o melhor é voltarem a ler a frase e saltarem por cima do parêntesis, para isto fazer algum sentido...), à esquerda de cada letra está um sinalzinho de mais, clico lá e... nada! Nada aparece. Pensei "bom, não deve haver palavras começadas por A", o que me pareceu um pouco estranho; clico no sinalzinho de mais à esquerda do B e... nada. No C... nada. No D... nada. Raios, querem ver que logo agora que eu fui ver isto tiraram o dicionário da net?
E depois lembrei-me: e se eu for ver o site em Internet Explorer em vez de usar o Firefox? Será que já funciona? Abri o IE, e meia dúzia de clicks depois estava a ver a listagem de palavras no dicionário de gíria relacionada com drogas. Oba, oba!
Moral da história:
Pais preocupados com o conteúdo do site: instalem o Firefox, ponham-no como browser por defeito e deixem de se preocupar.
Putos filhos dos pais referidos acima: Cliquem em "Iniciar", depois em "Executar" e depois escrevam "iexplore.exe".
Mais a sério: quando tinha 13 ou 14 anos li um livro que havia na biblioteca municipal (na altura eu ia muito à biblioteca; tinha longos intervalos de almoço de 3 horas, poucos amigos e não sabia jogar bem à bola; hoje em dia deixei-me disso dos livros, mas como continuo a ter poucos amigos e a não saber jogar à bola, fico em casa e vou lendo coisas na net; mas adiante...) que era sobre o consumo de drogas. Contado na primeira pessoa. Era a auto-biografia de um toxicodependente recuperado, que contava histórias da sua vida enquanto viciado em heroína. As artimanhas que usava para arranjar dinheiro, as mentiras que contava, as trips boas e más que teve, etc. E no fim havia um dicionário de calão relacionado com drogas. E eu li-o todo. E não me tornei drogado. E até digo mais: na minha turma havia quem consumisse drogas ocasionalmente, alguns vieram a consumir mais que ocasionalmente e desconfio que nenhum desses tipos alguma vez leu o tal livro. Até acho que não leram livro nenhum. O que é pena, aquilo até tinha uma espécie de manual de instruções sobre a preparação da heroína, os cuidados a ter, etc. E as pessoas que conheço que leram o tal livro, o do manual de instruções com dicionário e tudo, não se tornaram drogadas. Da minha parte fumei charros meia dúzia de vezes, não achei piada suficiente para fazer disso um hábito. Nunca tive curiosidade de ir mais além. Aos 13/14 anos li o livro e não fiquei curioso por causa disso, antes pelo contrário. A existência de informação até me retirou alguma da curiosidade. Só bastante mais tarde, aos 17, é que fumei um charro pela primeira vez, numa viagem de Páscoa com a minha turma de liceu. Éramos 6 só eu é que tinha lido livros sobre o consumo de drogas. Também li o "Os filhos da droga", uma autobiografia de uma toxicodependente de Berlim, a Christiane F.; teria também uns 14 ou 15 anos quando o li; devo dizer que me fez alguma confusão, sobretudo a forma como ela descrevia os seus actos de prostituição para arranjar os 40 marcos necessários para comprar uma dose. Esse livro então não se limitava a descrever como se prepara a droga, alertava também para os vários riscos inerentes ao negócio do tráfico: droga demasiado pura, demasiado cortada, com misturas esquisitas, seringas com impurezas, enfim, tudo o que um agarrado com algum sentido de auto-preservação necessita saber. E não foi por ler o livro que tive vontade de me tornar toxicodependente. A informação por si é inofensiva. É o que se faz com ela que pode não ser. E saber é SEMPRE melhor que não saber. É melhor saber que algodão, neste contexto, se refere ao "Algodão utilizado como filtro na preparação da dose injectável de droga. A partir de um algodão usado pode fazer-se uma «lavagem» e recuperar assim resíduos para uma nova dose (filtro)." do que não saber. Quer para os miudos, quer sobretudo para os pais (se começarem a notar que o algodão lá em casa desaparece num instante... errr...). Deixemo-nos de moralismos bestas. Os putos não vão chutar para a veia só porque leram como se prepara uma dose, tal como não vão mandar uma queca só porque lhes distribuem preservativos (embora, se já estão p'raí virados, aproveitam a oferta), tal como não se vão atirar de um prédio só porque viram no Matrix Reloaded o Neo a fazer o mesmo. Bom, um ou outro, talvez. Mas são os pais os responsáveis por desenvolver nos filhos a capacidade de absorver, analisar e filtrar informação. Ou acham que só porque é um mau exemplo para os miudos vai deixar de haver agarrados a injectarem-se nas ruelas de Lisboa, quando há putos a passar ao lado?
Hoje li no Público que algumas associações de pais contestam uma parte do site que é um dicionário de calão relacionado com o consumo de drogas. Mostram-se muito preocupados que tal dicionário funcione como um incentivo ao consumo de drogas.
Fiquei preocupado, devo confessar que sim. Por isso fui ao site, cliquei no "Dicionário" e fui ver a lista de termos que tanta preocupação gera. Quando selecciono a lista aparecem as 26 letras do alfabeto (ou melhor, aparecem 22 ou 24 letras porque parece que não há palavras em calão começadas por W, X, Y ou Z nem termos relacionados com droga começados por Y ou Z; a propósito: as 26 letras do alfabeto, segundo o Acordo Ortográfico; até à sua entrada em vigor o nosso alfabeto só tem 23 letras, por isso temos de escrever "uísque"; este parêntesis já vai longo, o melhor é voltarem a ler a frase e saltarem por cima do parêntesis, para isto fazer algum sentido...), à esquerda de cada letra está um sinalzinho de mais, clico lá e... nada! Nada aparece. Pensei "bom, não deve haver palavras começadas por A", o que me pareceu um pouco estranho; clico no sinalzinho de mais à esquerda do B e... nada. No C... nada. No D... nada. Raios, querem ver que logo agora que eu fui ver isto tiraram o dicionário da net?
E depois lembrei-me: e se eu for ver o site em Internet Explorer em vez de usar o Firefox? Será que já funciona? Abri o IE, e meia dúzia de clicks depois estava a ver a listagem de palavras no dicionário de gíria relacionada com drogas. Oba, oba!
Moral da história:
Pais preocupados com o conteúdo do site: instalem o Firefox, ponham-no como browser por defeito e deixem de se preocupar.
Putos filhos dos pais referidos acima: Cliquem em "Iniciar", depois em "Executar" e depois escrevam "iexplore.exe".
Mais a sério: quando tinha 13 ou 14 anos li um livro que havia na biblioteca municipal (na altura eu ia muito à biblioteca; tinha longos intervalos de almoço de 3 horas, poucos amigos e não sabia jogar bem à bola; hoje em dia deixei-me disso dos livros, mas como continuo a ter poucos amigos e a não saber jogar à bola, fico em casa e vou lendo coisas na net; mas adiante...) que era sobre o consumo de drogas. Contado na primeira pessoa. Era a auto-biografia de um toxicodependente recuperado, que contava histórias da sua vida enquanto viciado em heroína. As artimanhas que usava para arranjar dinheiro, as mentiras que contava, as trips boas e más que teve, etc. E no fim havia um dicionário de calão relacionado com drogas. E eu li-o todo. E não me tornei drogado. E até digo mais: na minha turma havia quem consumisse drogas ocasionalmente, alguns vieram a consumir mais que ocasionalmente e desconfio que nenhum desses tipos alguma vez leu o tal livro. Até acho que não leram livro nenhum. O que é pena, aquilo até tinha uma espécie de manual de instruções sobre a preparação da heroína, os cuidados a ter, etc. E as pessoas que conheço que leram o tal livro, o do manual de instruções com dicionário e tudo, não se tornaram drogadas. Da minha parte fumei charros meia dúzia de vezes, não achei piada suficiente para fazer disso um hábito. Nunca tive curiosidade de ir mais além. Aos 13/14 anos li o livro e não fiquei curioso por causa disso, antes pelo contrário. A existência de informação até me retirou alguma da curiosidade. Só bastante mais tarde, aos 17, é que fumei um charro pela primeira vez, numa viagem de Páscoa com a minha turma de liceu. Éramos 6 só eu é que tinha lido livros sobre o consumo de drogas. Também li o "Os filhos da droga", uma autobiografia de uma toxicodependente de Berlim, a Christiane F.; teria também uns 14 ou 15 anos quando o li; devo dizer que me fez alguma confusão, sobretudo a forma como ela descrevia os seus actos de prostituição para arranjar os 40 marcos necessários para comprar uma dose. Esse livro então não se limitava a descrever como se prepara a droga, alertava também para os vários riscos inerentes ao negócio do tráfico: droga demasiado pura, demasiado cortada, com misturas esquisitas, seringas com impurezas, enfim, tudo o que um agarrado com algum sentido de auto-preservação necessita saber. E não foi por ler o livro que tive vontade de me tornar toxicodependente. A informação por si é inofensiva. É o que se faz com ela que pode não ser. E saber é SEMPRE melhor que não saber. É melhor saber que algodão, neste contexto, se refere ao "Algodão utilizado como filtro na preparação da dose injectável de droga. A partir de um algodão usado pode fazer-se uma «lavagem» e recuperar assim resíduos para uma nova dose (filtro)." do que não saber. Quer para os miudos, quer sobretudo para os pais (se começarem a notar que o algodão lá em casa desaparece num instante... errr...). Deixemo-nos de moralismos bestas. Os putos não vão chutar para a veia só porque leram como se prepara uma dose, tal como não vão mandar uma queca só porque lhes distribuem preservativos (embora, se já estão p'raí virados, aproveitam a oferta), tal como não se vão atirar de um prédio só porque viram no Matrix Reloaded o Neo a fazer o mesmo. Bom, um ou outro, talvez. Mas são os pais os responsáveis por desenvolver nos filhos a capacidade de absorver, analisar e filtrar informação. Ou acham que só porque é um mau exemplo para os miudos vai deixar de haver agarrados a injectarem-se nas ruelas de Lisboa, quando há putos a passar ao lado?
12 maio 2008
O Maestro arrumou as chuteiras
O Benfica até jogou bem (pelo menos para o nível habitual nos útlimos tempos), mas foi pena que a última época de Rui Costa no Benfica tivesse sido tão má para o clube em termos de resultados e instabilidade interna.
Devo confessar que nunca tinha visto um jogador demorar tanto tempo a ser substituido (por menos, muito menos que isso, em 1998 o mesmo Rui Costa viu o segundo amarelo e foi expulso, no último jogo de apuramento para o Mundial de 1998; jogo esse que acabámos por perder, graças a... chamemos-lhe excesso de zelo do árbitro). Quando foi levantada a placa com o número 10, a uns 5 minutos do fim, o estádio de pé aplaude e Rui Costa cumprimenta os colegas de equipa quase todos, os adversários e até o árbitro.
Como ele há poucos, muito poucos. Esperemos que tenha o mesmo sucesso como dirigente que teve como jogador. A integridade que tanto falta aos dirigentes portugueses não falta a Rui Costa, quem sabe se é o começo de uma geração de dirigentes que se preocupa mais em construir equipas capazes de ganhar jogos, em vez de tentar reforçar a equipa com 3 "jogadores" extra.
Devo confessar que nunca tinha visto um jogador demorar tanto tempo a ser substituido (por menos, muito menos que isso, em 1998 o mesmo Rui Costa viu o segundo amarelo e foi expulso, no último jogo de apuramento para o Mundial de 1998; jogo esse que acabámos por perder, graças a... chamemos-lhe excesso de zelo do árbitro). Quando foi levantada a placa com o número 10, a uns 5 minutos do fim, o estádio de pé aplaude e Rui Costa cumprimenta os colegas de equipa quase todos, os adversários e até o árbitro.
Como ele há poucos, muito poucos. Esperemos que tenha o mesmo sucesso como dirigente que teve como jogador. A integridade que tanto falta aos dirigentes portugueses não falta a Rui Costa, quem sabe se é o começo de uma geração de dirigentes que se preocupa mais em construir equipas capazes de ganhar jogos, em vez de tentar reforçar a equipa com 3 "jogadores" extra.
10 maio 2008
A frase do dia
"Estão a pôr em causa um clube com 105 anos de história e que tanto já deu desporto nacional" - João Loureiro, comentando a pena de descida de divisão imposta ao Boavista.
Pois, acho que o problema foi exactamente esse, terem andado a dar coisas ao desporto nacional, em particular aos árbitros desse mesmo desporto. Se não tivessem dado tantas coisas se calhar não desciam.
Pois, acho que o problema foi exactamente esse, terem andado a dar coisas ao desporto nacional, em particular aos árbitros desse mesmo desporto. Se não tivessem dado tantas coisas se calhar não desciam.
09 maio 2008
Apitos
Pronto, pelo menos a parte desportiva já está pronta: U. Leiria perde 3 pontos (e portanto ainda mais último), Porto perde 6 pontos (e portanto fica ligeiramente menos primeiro) e Boavista desde de divisão (é fodido, eu sei... um clube ainda recentemente campeão nacional, pá... é injusto!).
Quanto a dirigentes, saem uns anitos de suspensão para cada um, nada de muito estranho.
Esperam-se para mais logo as reacções dos culpados e depois a procissão segue e continua o julgamento criminal.
Pensamentos sobre o assunto:
1. Relativamente a casos que remontam a 2003/2004 são instaurados processos em 2006 e 2007 e conhece-se a sentença em 2008. Sugere-se uma ligeira aceleração das investigações, faxavor. Não muita, não queremos condenações por corrupção antes do jogo a que dizem respeito, mas assim de repente gostava que referente a um jogo de Abril houvesse condenação ou absolvição até Agosto. Do mesmo ano.
2. O último classificado, já despromovido, perde pontos. O campeão virtual perde pontos, mantendo-se como campeão virtual. A pena não aquece nem arrefece, não muda nada e, sobretudo, não penaliza. Sugere-se que de futuro que as penas de perda de pontos se refiram somente a casos burocráticos como o caso do Belenenses e do Meyong e que os casos de corrupção passem a ser punidos sempre com descida de divisão (e podem ser várias divisões de uma vez se a coisa o justificar!) a acumular com as naturais consequências desportivas da época em curso. Assim, o FCP desceria de divisão e no próximo ano jogaria a Champions e seria campeão mas jogaria na II Liga. Já o União de Leiria desceria para a II divisão B, uma vez que, consequência dos seus resultados, iria de qualquer forma parar à II Liga.
3. Decerto haverá mais apitos, de ouro e não só, por aí. Tá na hora de os começar a descobrir. E a melhor forma de o fazer é com uma condenação exemplar a um dinossauro: imaginem que o FCP ia parar à II Liga por causa de 2 jogos de 2003/2004. E que o Pinto da Costa era erradicado do futebol. Acham mesmo que ele ia aceitar a pena ficando calado? Claro que não! Daí para a frente todas as semanas haveria envelopes anónimos a aterrar na PGR e não haveria telhado de vidro que não levasse duas ou três valentes pedradas. Isso é que seria bonito de se ver e eu aplaudiria de pé o anónimo denunciante.
4. Pelos mesmos factos o clube é condenado por corrupção na forma tentada e punido com subtracção de pontos e o seu dirigente com 1 ano de suspensão, mas o árbitro é condenado por corrupção consumada e 2 a 10 anos de suspensão (o senhor da Comissão Disciplinar falou muito bem e explicou porque é que é assim e que também acha mal e vão sugerir alterações aos regulamentos). Tá mal. Se há uma oferta a um árbitro com um pedido de contrapartida, se a contrapartida não ocorreu, seja porque não foi necessária ou porque o árbitro não foi na cantiga, ficou com a "prenda" e ignorou o pedido, o clube corrompeu. De forma consumada. Ah, o FCP pagou-me umas férias, mas nem precisei de fazer nada porque espetaram 6 golos limpinhos aos outros gajos. Tá bem, e depois? Houve à mesma um pagamento e houve à mesma um pedido de benefício!!!
E pronto, mais não digo. Nos próximos tempos não faltará quem opine, juridicamente ou não, sobre o caso, e eu não sou preciso.
Quanto a dirigentes, saem uns anitos de suspensão para cada um, nada de muito estranho.
Esperam-se para mais logo as reacções dos culpados e depois a procissão segue e continua o julgamento criminal.
Pensamentos sobre o assunto:
1. Relativamente a casos que remontam a 2003/2004 são instaurados processos em 2006 e 2007 e conhece-se a sentença em 2008. Sugere-se uma ligeira aceleração das investigações, faxavor. Não muita, não queremos condenações por corrupção antes do jogo a que dizem respeito, mas assim de repente gostava que referente a um jogo de Abril houvesse condenação ou absolvição até Agosto. Do mesmo ano.
2. O último classificado, já despromovido, perde pontos. O campeão virtual perde pontos, mantendo-se como campeão virtual. A pena não aquece nem arrefece, não muda nada e, sobretudo, não penaliza. Sugere-se que de futuro que as penas de perda de pontos se refiram somente a casos burocráticos como o caso do Belenenses e do Meyong e que os casos de corrupção passem a ser punidos sempre com descida de divisão (e podem ser várias divisões de uma vez se a coisa o justificar!) a acumular com as naturais consequências desportivas da época em curso. Assim, o FCP desceria de divisão e no próximo ano jogaria a Champions e seria campeão mas jogaria na II Liga. Já o União de Leiria desceria para a II divisão B, uma vez que, consequência dos seus resultados, iria de qualquer forma parar à II Liga.
3. Decerto haverá mais apitos, de ouro e não só, por aí. Tá na hora de os começar a descobrir. E a melhor forma de o fazer é com uma condenação exemplar a um dinossauro: imaginem que o FCP ia parar à II Liga por causa de 2 jogos de 2003/2004. E que o Pinto da Costa era erradicado do futebol. Acham mesmo que ele ia aceitar a pena ficando calado? Claro que não! Daí para a frente todas as semanas haveria envelopes anónimos a aterrar na PGR e não haveria telhado de vidro que não levasse duas ou três valentes pedradas. Isso é que seria bonito de se ver e eu aplaudiria de pé o anónimo denunciante.
4. Pelos mesmos factos o clube é condenado por corrupção na forma tentada e punido com subtracção de pontos e o seu dirigente com 1 ano de suspensão, mas o árbitro é condenado por corrupção consumada e 2 a 10 anos de suspensão (o senhor da Comissão Disciplinar falou muito bem e explicou porque é que é assim e que também acha mal e vão sugerir alterações aos regulamentos). Tá mal. Se há uma oferta a um árbitro com um pedido de contrapartida, se a contrapartida não ocorreu, seja porque não foi necessária ou porque o árbitro não foi na cantiga, ficou com a "prenda" e ignorou o pedido, o clube corrompeu. De forma consumada. Ah, o FCP pagou-me umas férias, mas nem precisei de fazer nada porque espetaram 6 golos limpinhos aos outros gajos. Tá bem, e depois? Houve à mesma um pagamento e houve à mesma um pedido de benefício!!!
E pronto, mais não digo. Nos próximos tempos não faltará quem opine, juridicamente ou não, sobre o caso, e eu não sou preciso.
Salário
A palavra vem de sal. É o pagamento feito pela entidade patronal ao seu funcionário pelos serviços prestados ao longo de um mês.
E no reino da bola anda tudo aborrecido com isto. O sindicato dos jogadores veio dizer alto e bom som que na I Liga só Porto e Benfica tinham os salários em dia e na II Liga só 6 clubes estavam na mesma situação. Os restantes 14 clubes da I Liga e 10 da II estavam já com os seus compromissos em atraso (definição de atraso, segundo o sindicato dos jogadores profissionais de futebol: vencimento de um mês por pagar ao dia 5 do mês seguinte).
E pronto, a coisa azedou. Agora a grande notícia são os desmentidos, uns atrás dos outros em que cada clube, ou por comunicado da administração ou dos próprios jogadores, vem dizer que não e esclarece em que moldes é que é costumeiro pagar os salários.
Devo dizer que fiquei admirado. Admirado, não, incrédulo. Incrédulo, não, chocado. Chocado, não, HORRORIZADO!!!!
Fiquei a saber que:
a) há clubes que por sistema pagam ao dia 8 do mês seguinte;
b) há clubes que pagam ao dia 20 ou 21 do mês seguinte;
c) há clubes que só pagam no fim do mês seguinte;
d) há clubes que pagam o salário anual em 10 prestações, em vez de 14;
e) há clubes em que, mesmo que ocorram atrasos de dias que se vão agravando ao longo da época, as contas acertam-se antes das férias dos jogadores.
Eh pá, não há direito!!! Os desgraçados fartam-se de trabalhar, sabe-se lá em que condições, à chuva e ao frio, muitos deles no estrangeiro, quase arrancados às suas famílias em virtude da necessidade económica, arriscando-se a acidentes de trabalho sérios (fracturas, distenções, entorses), sabendo que um acidente pode ser o fim da sua carreira, são mal pagos e ainda por cima recebem tarde e a más horas?????
Não há direito, não senhor! Não há direito.
Muito melhor estão os gajos que vão trabalhar para a construção civil no estrangeiro ou os trabalhadores da indústria têxtil (chorudos salários, boas condições de alojamento, seguros de saúde, grandes bónus, empresas sólidas e promissoras e, obviamente, salários pagos a tempo e horas).
Os tipos do futebol são os escravos do século XXI!
E no reino da bola anda tudo aborrecido com isto. O sindicato dos jogadores veio dizer alto e bom som que na I Liga só Porto e Benfica tinham os salários em dia e na II Liga só 6 clubes estavam na mesma situação. Os restantes 14 clubes da I Liga e 10 da II estavam já com os seus compromissos em atraso (definição de atraso, segundo o sindicato dos jogadores profissionais de futebol: vencimento de um mês por pagar ao dia 5 do mês seguinte).
E pronto, a coisa azedou. Agora a grande notícia são os desmentidos, uns atrás dos outros em que cada clube, ou por comunicado da administração ou dos próprios jogadores, vem dizer que não e esclarece em que moldes é que é costumeiro pagar os salários.
Devo dizer que fiquei admirado. Admirado, não, incrédulo. Incrédulo, não, chocado. Chocado, não, HORRORIZADO!!!!
Fiquei a saber que:
a) há clubes que por sistema pagam ao dia 8 do mês seguinte;
b) há clubes que pagam ao dia 20 ou 21 do mês seguinte;
c) há clubes que só pagam no fim do mês seguinte;
d) há clubes que pagam o salário anual em 10 prestações, em vez de 14;
e) há clubes em que, mesmo que ocorram atrasos de dias que se vão agravando ao longo da época, as contas acertam-se antes das férias dos jogadores.
Eh pá, não há direito!!! Os desgraçados fartam-se de trabalhar, sabe-se lá em que condições, à chuva e ao frio, muitos deles no estrangeiro, quase arrancados às suas famílias em virtude da necessidade económica, arriscando-se a acidentes de trabalho sérios (fracturas, distenções, entorses), sabendo que um acidente pode ser o fim da sua carreira, são mal pagos e ainda por cima recebem tarde e a más horas?????
Não há direito, não senhor! Não há direito.
Muito melhor estão os gajos que vão trabalhar para a construção civil no estrangeiro ou os trabalhadores da indústria têxtil (chorudos salários, boas condições de alojamento, seguros de saúde, grandes bónus, empresas sólidas e promissoras e, obviamente, salários pagos a tempo e horas).
Os tipos do futebol são os escravos do século XXI!
08 maio 2008
Sony-Ericsson
Parece que o Sven Eriksson é o próximo treinador do Glorioso. Já o andam a dizer todos os jornais, desportivos e não só, e pelos vistos, Luis Filipe Vieira e Rui Costa até foram filmados por uma equipa de reportagem da SIC que, por mera coincidência, estava em Manchester à porta do hotel onde se encontraram com o treinador (notícia no site d'A Bola).
Como bom benfiquista que sou já começo a ficar farto dos anúncios messiânicos. Cada novo treinador é o homem que nos vai tirar da crise, cada época que começa é que vai ser em grande, cada jogador contratado é um novo Rui Costa, um novo Simão, um novo Eusébio. O regresso de Camacho não deixa saudades a ninguém, mas a sua saída é lamentada, pelo menos à posteriori, por todos. Com Camacho parecia que tínhamos batido no fundo mas Chalana conseguiu mostrar-nos que o fundo ainda estava longe.
Na verdade a tarefa de Eriksson até está facilitada: esta época acabou tão mal, mas tão mal, que com Eriksson a coisa só pode melhorar. A ver vamos, mas tendo em conta as últimas épocas, mais vale aguardar o princípio da nova época com alguma cautela. E espera-se que para o ano que vem a direcção do clube evite anunciar grandes planos como "vamos ganhar a Taça UEFA" (nota: já não estou a contar com o apuramento para a Liga dos Campeões) ou "Somos o maior clube do mundo" ou ainda "Esta equipa é a melhor dos últimos 300 anos".
Como bom benfiquista que sou já começo a ficar farto dos anúncios messiânicos. Cada novo treinador é o homem que nos vai tirar da crise, cada época que começa é que vai ser em grande, cada jogador contratado é um novo Rui Costa, um novo Simão, um novo Eusébio. O regresso de Camacho não deixa saudades a ninguém, mas a sua saída é lamentada, pelo menos à posteriori, por todos. Com Camacho parecia que tínhamos batido no fundo mas Chalana conseguiu mostrar-nos que o fundo ainda estava longe.
Na verdade a tarefa de Eriksson até está facilitada: esta época acabou tão mal, mas tão mal, que com Eriksson a coisa só pode melhorar. A ver vamos, mas tendo em conta as últimas épocas, mais vale aguardar o princípio da nova época com alguma cautela. E espera-se que para o ano que vem a direcção do clube evite anunciar grandes planos como "vamos ganhar a Taça UEFA" (nota: já não estou a contar com o apuramento para a Liga dos Campeões) ou "Somos o maior clube do mundo" ou ainda "Esta equipa é a melhor dos últimos 300 anos".
07 maio 2008
The Black Donnellys
Estreou hoje na Fox Crime uma série que me chamou particularmente a atenção. Chama-se Os Irmãos Donnelly e merece um olhar atento. Acho que já arranjei programa para este fim de semana.
E mais não digo, vejam.
Se não tiverem a Fox Crime, há sempre uma ou outra solução para o vosso caso. (links fornecidos exclusivamente para fins educacionais; qualquer utilização é por conta e risco do utilizador que deve verificar a legalidade das suas acções)
E mais não digo, vejam.
Se não tiverem a Fox Crime, há sempre uma ou outra solução para o vosso caso. (links fornecidos exclusivamente para fins educacionais; qualquer utilização é por conta e risco do utilizador que deve verificar a legalidade das suas acções)
Grand Theft Auto
Na Nacional 1 um grupo de peregrinos a caminho de Fátima foi atropelado por um carro. Foram 9, todos de seguida. Ninguém morreu, mas um peregrino está em estado grave no hospital. Parece que o condutor adormeceu ao volante, passou para a faixa contrária e literalmente varreu os peregrinos todos de enfiada.
Há uns anos apareceu um jogo de computador, o Grand Theft Auto, em que se ganhavam pontos roubando carros, provocando acidentes e atropelando pessoas. Carros mais caros davam mais pontos, acidentes em que um camião cisterna explodia davam muito mais pontos e atropelar muita gente de seguida dava pontos de bónus. Havia mesmo uma situação no jogo em que se passava por um grupo de pessoas a andar a pé, em fila indiana (uma procissão, ou um grupo de escuteiros ou lá o que era). Se os conseguíssemos atropelar todos de uma assentada dava uma catrefada de pontos.
Enfim, em geral a ficção imita a realidade, mas às vezes os papéis invertem-se. A grande diferença aqui é que no jogo os atropelamentos em série eram de propósito.
Há uns anos apareceu um jogo de computador, o Grand Theft Auto, em que se ganhavam pontos roubando carros, provocando acidentes e atropelando pessoas. Carros mais caros davam mais pontos, acidentes em que um camião cisterna explodia davam muito mais pontos e atropelar muita gente de seguida dava pontos de bónus. Havia mesmo uma situação no jogo em que se passava por um grupo de pessoas a andar a pé, em fila indiana (uma procissão, ou um grupo de escuteiros ou lá o que era). Se os conseguíssemos atropelar todos de uma assentada dava uma catrefada de pontos.
Enfim, em geral a ficção imita a realidade, mas às vezes os papéis invertem-se. A grande diferença aqui é que no jogo os atropelamentos em série eram de propósito.
Karma
Sempre que lavo o carro o tempo fica de chuva. Tava tão bonitinho ontem, todo brilhante, e hoje dá-me a ideia que vai chover...
06 maio 2008
05 maio 2008
Darwinismo
Diz a teoria da evolução das espécies que a selecção dos mais aptos, dos mais fortes, dos mais capazes, garante as melhores hipótese de sobrevivência da espécie. Somente os indivíduos dominantes conseguirão reproduzir-se, produzindo assim descendência mais forte.
Pois bem, este vídeo mostra que:
a) ou a espécie humana não tem grandes hipóteses de sobrevivência
b) ou a teoria de Darwin está claramente errada
(Um shot normal de tequilla segue um ritual em três etapas: lambe-se sal da mão; bebe-se a tequila; trinca-se o limão. Estes senhores acham que isso é para meninos e vai daí, o sal é snifado em vez de bebido e o limão é espremido para dentro dos olhos em vez de trincado... só de pensar que estes seres possuem os mesmos 46 cromossomas que eu... arrepia!)
Pois bem, este vídeo mostra que:
a) ou a espécie humana não tem grandes hipóteses de sobrevivência
b) ou a teoria de Darwin está claramente errada
(Um shot normal de tequilla segue um ritual em três etapas: lambe-se sal da mão; bebe-se a tequila; trinca-se o limão. Estes senhores acham que isso é para meninos e vai daí, o sal é snifado em vez de bebido e o limão é espremido para dentro dos olhos em vez de trincado... só de pensar que estes seres possuem os mesmos 46 cromossomas que eu... arrepia!)
01 maio 2008
Há coisas que não se fazem
Uma delas é usar uma ferramenta de tradução automática para criar versões traduzidas dum site. Caso contrário, aparecem mensagens como:
"Seu browser não aceita bolinhos. Se você quiser pôr produtos em seu carro e os comprar você necessita permitir bolinhos."
(bolinhos são as cookies)
"Estale aqui para comprar"
(estale é click)
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Cenas dos próximos capítulos
Os próximos dias serão muito agitados por terras lusas. Eis a minha previsão para os acontecimentos:
1. Santana Lopes é convidado pela SIC Notícias para uma entrevista, como candidato à liderança do PSD. Vai responder a perguntas, expor a sua estratégia para vencer as eleições legislativas dentro de 1 ano, mostrar porque é um bom candidato a líder da oposição e a Primeiro-Ministro.
2. No decorrer da entrevista os jornalistas insistem no facto de Santana Lopes já ter perdido umas legislativas e ser, aliás, o único primeiro-ministro a fazê-lo. Santana Lopes mostra-se irritado.
3. Ao fim de uma boa meia hora de entrevista o jornalista informa Santana Lopes que vão ter de interromper uns minutos. Vão passar a emissão em directo para a casa de José Mourinho, porque o Special One foi ao jardim regar a relva e querem ver se ele está a amuado por o Chelsea ter chegado à final da Champions, coisa que ele não conseguiu fazer em três anos.
4. É retomada a emissão em estúdio, depois de 3 minutos a filmar José Mourinho a ligar e desligar a água e a brincar com o cão, em que respondeu meio torto a uma ou outra pergunta e pelo meio ainda disse "Mas você é parvo, não?" a um jornalista que lhe perguntou na cara se não sentia o seu orgulho ferido por o Chelsea ter chegado mais longe sem Mourinho que chegou com Mourinho.
5. Santana Lopes mostra-se indignado com a falta de educação da SIC Notícias e abandona a entrevista, não sem antes dar uma lição de moral que dura um bom quarto de hora.
6. Os dias seguintes são passados a ler na blogosfera e nos jornais de grande tiragem as opiniões de todos os opinadores de serviço a mostrarem a sua solidariedade para com Pedro Santana Lopes. Toda a gente concorda que foi muito feio.
7. Passada uma semana já ninguém se lembra do caso.
8. Pedro Santana Lopes perde as eleições para líder do PSD e anuncia a sua retirada da vida política. Abandona a liderança do grupo parlamentar do PSD e renuncia ao seu mandato de deputado.
9. Em 2009 Pedro Santana Lopes volta a aparecer nas listas do PSD, desta vez pelo círculo eleitoral da Madeira, cujo PSD local não aceita as estratégias emanadas de Lisboa e age por conta própria.
Então, o que acham? É mais ou menos isso?
Vou de fim de semana prolongado, aproveitar a ponte. Depois digam-me se tinha razão...
1. Santana Lopes é convidado pela SIC Notícias para uma entrevista, como candidato à liderança do PSD. Vai responder a perguntas, expor a sua estratégia para vencer as eleições legislativas dentro de 1 ano, mostrar porque é um bom candidato a líder da oposição e a Primeiro-Ministro.
2. No decorrer da entrevista os jornalistas insistem no facto de Santana Lopes já ter perdido umas legislativas e ser, aliás, o único primeiro-ministro a fazê-lo. Santana Lopes mostra-se irritado.
3. Ao fim de uma boa meia hora de entrevista o jornalista informa Santana Lopes que vão ter de interromper uns minutos. Vão passar a emissão em directo para a casa de José Mourinho, porque o Special One foi ao jardim regar a relva e querem ver se ele está a amuado por o Chelsea ter chegado à final da Champions, coisa que ele não conseguiu fazer em três anos.
4. É retomada a emissão em estúdio, depois de 3 minutos a filmar José Mourinho a ligar e desligar a água e a brincar com o cão, em que respondeu meio torto a uma ou outra pergunta e pelo meio ainda disse "Mas você é parvo, não?" a um jornalista que lhe perguntou na cara se não sentia o seu orgulho ferido por o Chelsea ter chegado mais longe sem Mourinho que chegou com Mourinho.
5. Santana Lopes mostra-se indignado com a falta de educação da SIC Notícias e abandona a entrevista, não sem antes dar uma lição de moral que dura um bom quarto de hora.
6. Os dias seguintes são passados a ler na blogosfera e nos jornais de grande tiragem as opiniões de todos os opinadores de serviço a mostrarem a sua solidariedade para com Pedro Santana Lopes. Toda a gente concorda que foi muito feio.
7. Passada uma semana já ninguém se lembra do caso.
8. Pedro Santana Lopes perde as eleições para líder do PSD e anuncia a sua retirada da vida política. Abandona a liderança do grupo parlamentar do PSD e renuncia ao seu mandato de deputado.
9. Em 2009 Pedro Santana Lopes volta a aparecer nas listas do PSD, desta vez pelo círculo eleitoral da Madeira, cujo PSD local não aceita as estratégias emanadas de Lisboa e age por conta própria.
Então, o que acham? É mais ou menos isso?
Vou de fim de semana prolongado, aproveitar a ponte. Depois digam-me se tinha razão...
28 abril 2008
Use sempre o cinto
Este fim de semana houve muitos acidentes e vários mortos. No próximo fim de semana, ajudem a inverter as estatísticas. Usem o cinto!
(obrigado Mariana)
(obrigado Mariana)
Adeus 2007, viva 2008!
O Verão de 2007 foi uma bela merda. Choveu, as temperaturas foram em média baixas, o sol quase não se viu e só em Setembro é que a coisa arrebitou, altura em que quase toda a gente já tinha voltado à labuta diária.
Na primavera e início do Verão parecia que os deuses brincavam connosco, dando-nos sol e algum calor de segunda a sexta-feira e brindando-nos com aguaceiros no fim de semana.
Pois bem, ainda nem sequer chegámos a Maio e 2008 já está a ter um verão melhor que o de 2007. O de semana prolongado teve Sol e calor, o tempo piorou hoje, prevê-se um tempo fraquinho até quarta e é capaz de arrebitar lá para o fim da semana, mesmo a tempo de outro fim de semana prolongado, desta vez de 4 dias.
Por mim, tudo bem, agora o que não me falta é tempo para apanhar sol.
Na primavera e início do Verão parecia que os deuses brincavam connosco, dando-nos sol e algum calor de segunda a sexta-feira e brindando-nos com aguaceiros no fim de semana.
Pois bem, ainda nem sequer chegámos a Maio e 2008 já está a ter um verão melhor que o de 2007. O de semana prolongado teve Sol e calor, o tempo piorou hoje, prevê-se um tempo fraquinho até quarta e é capaz de arrebitar lá para o fim da semana, mesmo a tempo de outro fim de semana prolongado, desta vez de 4 dias.
Por mim, tudo bem, agora o que não me falta é tempo para apanhar sol.
Fénix
Eis que ele volta!
Depois de ter saído da política tantas vezes que já lhe perdi a conta, depois de ter perdido as eleições para líder do PSD uma ou duas vezes, depois de ter sido "chumbado" por Sampaio enquanto primeiro-ministro, depois de se ter tornado o primeiro primeiro-ministro a perder umas eleições e ter praticamente oferecido ao PS a maioria absoluta, eis que ele volta!
Mais uma vez, Pedro Santana Lopes assume-se como candidato a qualquer coisa para gáudio de quem acha que a política pode mesmo ter piada.
Eu aguardo, com excitação, o momento em que Pedro Santana Lopes poderá tornar-se líder do maior partido da oposição ganhando umas eleições. Decerto a campanha eleitoral para as próximas legislativas será bastante mais interessante com PSL que com Manuela Ferreira Leite. A mulher não tem graça nenhuma, leva tudo tão a sério que até parece que as eleições são para alguma coisa importante, como o futuro de um país ou assim.
Depois de ter saído da política tantas vezes que já lhe perdi a conta, depois de ter perdido as eleições para líder do PSD uma ou duas vezes, depois de ter sido "chumbado" por Sampaio enquanto primeiro-ministro, depois de se ter tornado o primeiro primeiro-ministro a perder umas eleições e ter praticamente oferecido ao PS a maioria absoluta, eis que ele volta!
Mais uma vez, Pedro Santana Lopes assume-se como candidato a qualquer coisa para gáudio de quem acha que a política pode mesmo ter piada.
Eu aguardo, com excitação, o momento em que Pedro Santana Lopes poderá tornar-se líder do maior partido da oposição ganhando umas eleições. Decerto a campanha eleitoral para as próximas legislativas será bastante mais interessante com PSL que com Manuela Ferreira Leite. A mulher não tem graça nenhuma, leva tudo tão a sério que até parece que as eleições são para alguma coisa importante, como o futuro de um país ou assim.
25 abril 2008
25de Abril, sempre!
Hoje é 25 de Abril. É sexta-feira e está bom tempo, prevêm-se perto de 30 graus para o fim de semana.
Por isso, os portugueses resolveram comemorar a liberdade indo para o Algarve apanhar Sol. Todos. Ou quase. E que melhor forma para começar o fim de semana prolongado do 25 de Abril que passar 3 horas na fila para a ponte... 25 de Abril? Tem o seu quê de poético, não tem?
Por isso, os portugueses resolveram comemorar a liberdade indo para o Algarve apanhar Sol. Todos. Ou quase. E que melhor forma para começar o fim de semana prolongado do 25 de Abril que passar 3 horas na fila para a ponte... 25 de Abril? Tem o seu quê de poético, não tem?
24 abril 2008
Só não acontece
a quem não tenta.
É o assunto do dia, Ronaldo falhou um penalty.
O outro assunto do dia, as próximas eleições no PSD, já não interessa assim tanto.
É o assunto do dia, Ronaldo falhou um penalty.
O outro assunto do dia, as próximas eleições no PSD, já não interessa assim tanto.
22 abril 2008
Dia da Terra
21 abril 2008
E a merda do campeonato que nunca mais acaba...
Tudo na vida tem um lado positivo e um lado negativo.
O lado negativo da derrota por 5-3 em Alvalade é a eliminação da Taça de Portugal, não podendo disputar a final com o Porto. O lado positivo é não ter de jogar com o Porto outra vez esta época.
Por outro lado, para a lagartagem, o lado negativo de terem perdido 4-1 em Leiria, além da humilhação de ser goleado pelo último classificado que, não é demais repetir, só contava com duas vitórias em 26 jogos, foi ficar mais longe do Guimarães e portanto mais longe do apuramento directo para a Champions. O lado positivo de terem perdido 4-1 em Leiria é que para a semana, em princípio, só podem melhorar.
Para o Leiria, último classificado a 9 pontos da linha de água (tantos quanto faltam disputar), o lado positivo de ter ganho 4-1 ao Sporting é poder continuar a sonhar com a permanência. A 3 jornadas do fim basta ganhar os jogos todos e esperar que o Paços de Ferreira e o Leixões percam os jogos todos também (nem um empate é permitido). O lado negativo de ter ganho 4-1 ao Sporting é poder continuar a sonhar com a permanência, ao fim de tanto tempo a fazer as contas à II Liga na próxima época. (e se conseguem aguentar-se? a confusão que isso vai dar...)
PS: Sou adepto do Leiria. E do Benfica também. Tenho um cachecol de cada um e já fui ao Estádio da Luz ver um Benfica-Leiria com ambos os cachecois e aplaudi os lances de ataque de ambas as equipas e comemorei todos os golos. Acho que é escusado dizer o prazer que tive em ver o Leiria-Sporting ontem.
O lado negativo da derrota por 5-3 em Alvalade é a eliminação da Taça de Portugal, não podendo disputar a final com o Porto. O lado positivo é não ter de jogar com o Porto outra vez esta época.
Por outro lado, para a lagartagem, o lado negativo de terem perdido 4-1 em Leiria, além da humilhação de ser goleado pelo último classificado que, não é demais repetir, só contava com duas vitórias em 26 jogos, foi ficar mais longe do Guimarães e portanto mais longe do apuramento directo para a Champions. O lado positivo de terem perdido 4-1 em Leiria é que para a semana, em princípio, só podem melhorar.
Para o Leiria, último classificado a 9 pontos da linha de água (tantos quanto faltam disputar), o lado positivo de ter ganho 4-1 ao Sporting é poder continuar a sonhar com a permanência. A 3 jornadas do fim basta ganhar os jogos todos e esperar que o Paços de Ferreira e o Leixões percam os jogos todos também (nem um empate é permitido). O lado negativo de ter ganho 4-1 ao Sporting é poder continuar a sonhar com a permanência, ao fim de tanto tempo a fazer as contas à II Liga na próxima época. (e se conseguem aguentar-se? a confusão que isso vai dar...)
PS: Sou adepto do Leiria. E do Benfica também. Tenho um cachecol de cada um e já fui ao Estádio da Luz ver um Benfica-Leiria com ambos os cachecois e aplaudi os lances de ataque de ambas as equipas e comemorei todos os golos. Acho que é escusado dizer o prazer que tive em ver o Leiria-Sporting ontem.
18 abril 2008
PSD
Aviso: Embora possa não parecer, este post é sobre bola.
Menezes bateu com a porta. Acha que não tem condições para continuar à frente. Quer eleições e já disse que não se recandidata.
Também acho que Menezes não tem condições para continuar à frente do partido. As críticas à sua liderança são abundantes, as sondagens não auguram grande saúde ao seu partido e nas conferências de imprensa dá sempre a sensação que o partido lhe foge das mãos, que não o controla. Fala-se desde o início em liderança bicéfala, partilhada por Menezes e Pedro Santana Lopes e é por vezes difícil perceber afinal quem manda no partido. Isto apesar de Pedro Santana Lopes continuar a afirmar o seu apoio incondicional a Menezes.
Faz lembrar um bocado o Benfica. Chalana é criticado por todo o lado, os resultados da equipa são catastróficos, nas conferências de imprensa passa o tempo a lamentar-se de tudo e de todos e com um ar de criança ferida que é de ir às lágrimas e tem de disputar a real liderança da equipa com Rui Costa, nunca se percebendo bem se é o treinador que dá instruções ao nº 10 ou se é Rui Costa que manda na equipa e Chalana se limita a transmitir recados. Isto apesar de Rui Costa manifestar o seu apoio incondicional ao treinador.
A única diferença entre as duas situações é que Chalana é treinador a prazo (felizmente curto, embora os dias pareçam semanas e as semanas pareçam anos) e Menezes era líder efectivo do partido, não se tendo candidatado com a intenção de sair ao fim de meia dúzia de meses. Fora isso, só mesmo o bigode os distingue.
Menezes bateu com a porta. Acha que não tem condições para continuar à frente. Quer eleições e já disse que não se recandidata.
Também acho que Menezes não tem condições para continuar à frente do partido. As críticas à sua liderança são abundantes, as sondagens não auguram grande saúde ao seu partido e nas conferências de imprensa dá sempre a sensação que o partido lhe foge das mãos, que não o controla. Fala-se desde o início em liderança bicéfala, partilhada por Menezes e Pedro Santana Lopes e é por vezes difícil perceber afinal quem manda no partido. Isto apesar de Pedro Santana Lopes continuar a afirmar o seu apoio incondicional a Menezes.
Faz lembrar um bocado o Benfica. Chalana é criticado por todo o lado, os resultados da equipa são catastróficos, nas conferências de imprensa passa o tempo a lamentar-se de tudo e de todos e com um ar de criança ferida que é de ir às lágrimas e tem de disputar a real liderança da equipa com Rui Costa, nunca se percebendo bem se é o treinador que dá instruções ao nº 10 ou se é Rui Costa que manda na equipa e Chalana se limita a transmitir recados. Isto apesar de Rui Costa manifestar o seu apoio incondicional ao treinador.
A única diferença entre as duas situações é que Chalana é treinador a prazo (felizmente curto, embora os dias pareçam semanas e as semanas pareçam anos) e Menezes era líder efectivo do partido, não se tendo candidatado com a intenção de sair ao fim de meia dúzia de meses. Fora isso, só mesmo o bigode os distingue.
Análise Complexa
Amanhã há um teste de Análise Complexa lá para os lados do IST. Por isso esta semana tenho a sala cheia de livros de análise complexa e de malta que precisa de meter pelo menos 10 valores na cabeça para ter a sensação de dever cumprido. Tá a ter a sua piada.
O mais difícil é convencê-los que a análise real é complexa mas a análise complexa é simples. É que é mesmo. A análise complexa é estupidamente simples. Os integrais são quase todos zero ou perto disso, e as funções se são deriváveis são deriváveis uma catrefada de vezes (um número infinito delas).
O mais difícil é convencê-los que a análise real é complexa mas a análise complexa é simples. É que é mesmo. A análise complexa é estupidamente simples. Os integrais são quase todos zero ou perto disso, e as funções se são deriváveis são deriváveis uma catrefada de vezes (um número infinito delas).
17 abril 2008
Pequenos paradoxos
Como é que duas equipas que têm jogado tão mal conseguiram fazer um jogo tão bom?
(mau grado o resultado que me caiu um bocado mal)
(mau grado o resultado que me caiu um bocado mal)
16 abril 2008
(inserir título aqui)
Aviso: este post é sobre bola.
Em tempos imemoriais as tribos andavam à porrada. Os guerreiros preparavam as armas, faziam as suas pinturas de guerra para intimidar o adversário, vestiam-se para o combate e após todos estes preparativos procuravam os seus adversários e começava a batalha. A excitação da tribo ia aumentando à medida que os preparativos avançavam e atingiam o seu auge nos instantes antes do embate.
Hoje em dia a guerra tem muito pouco que ver com estas guerras ancestrais. Os uniformes são standardizados, as armas são hi-tech, as pinturas têm como objectivo a camuflagem e a tribo moderna, o país, pouco se importa que esteja prestes a começar uma batalha. Vêem-se as notícias na televisão lê-se sobre isso nos jornais e pouco mais.
O herdeiro das batalhas tribais do antigamente é o futebol. Bom, é o desporto em geral, mas neste cantinho à beira-mar plantado, além de futebol pouca coisa importa (sabiam que já começou o Estoril Open? Um dos grandes eventos desportivos que têm lugar em Portugal, contando com a presença do nº1 mundial, tem honras de página 47 nos jornais desportivos, ao passo que o campeonato da III divisão de futebol ocupa páginas mais ou menos centrais). Quando há um jogo grande a excitação vai crescendo entre a tribo que se vai preparando para essa grande batalha. Vestem-se a rigor, alguns pintam-se, e, porque há transmissões televisivas de todos os jogos, quem não pode assistir in loco procura uma daquelas caixinhas que mudaram o mundo (ou então tenta uma ligação pirata à Sport TV através do computador) para assistir ao confronto.
Eu também sou um bocado assim. Em vésperas de jogo grande vou contando as horas que faltam para o jogo começar, planeio o sítio onde vou ver o jogo com alguma antecedência, faço prognósticos, leio nos jornais o que dizem os entendidos sobre as duas equipas e, à medida que a hora do jogo se aproxima, a excitação cresce, cresce, até que, no momento do apito inicial, só tenho olhos e ouvidos para o que se passa em campo, cada jogada é uma questão de vida ou morte, cada falta do adversário um crime que merece castigo exemplar, cada falta contra a minha equipa (é o Benfica, caso não se lembrem) uma tremenda injustiça do senhor do apito que prontamente merece insultos que não me atreveria a pronunciar contra o meu pior inimigo.
Hoje há jogo grande. É um Sporting-Benfica para as meias-finais da Taça de Portugal. O vencedor irá defrontar o Porto, já campeão, no estádio nacional, tentando impedi-lo de chegar à dobradinha e salvar a época conquistando um trofeu.
E no fim de semana que vem há jogo grande outra vez: é um Porto-Benfica, o Porto joga pelo brio profissional, o Benfica joga para salvar a honra e tentando ainda atingir o 2º lugar do campeonato.
Em apenas 4 dias há dois jogos grandes, os maiores, daqueles jogos que me fariam, em situações normais, tremer em antecipação com as emoções que experimentaria à medida que a bola rola.
Mas, por alguma razão que me ultrapassa de momento, nem por isso. Não sinto nenhuma excitação pelo jogo de hoje à noite nem pelo jogo de domingo. Se pudesse ia dormir e só acordava segunda-feira, com a esperança que os resultados não fossem muito maus ou, caso o tivessem sido, que ninguém se lembrasse.
Há razões que a razão desconhece...
Em tempos imemoriais as tribos andavam à porrada. Os guerreiros preparavam as armas, faziam as suas pinturas de guerra para intimidar o adversário, vestiam-se para o combate e após todos estes preparativos procuravam os seus adversários e começava a batalha. A excitação da tribo ia aumentando à medida que os preparativos avançavam e atingiam o seu auge nos instantes antes do embate.
Hoje em dia a guerra tem muito pouco que ver com estas guerras ancestrais. Os uniformes são standardizados, as armas são hi-tech, as pinturas têm como objectivo a camuflagem e a tribo moderna, o país, pouco se importa que esteja prestes a começar uma batalha. Vêem-se as notícias na televisão lê-se sobre isso nos jornais e pouco mais.
O herdeiro das batalhas tribais do antigamente é o futebol. Bom, é o desporto em geral, mas neste cantinho à beira-mar plantado, além de futebol pouca coisa importa (sabiam que já começou o Estoril Open? Um dos grandes eventos desportivos que têm lugar em Portugal, contando com a presença do nº1 mundial, tem honras de página 47 nos jornais desportivos, ao passo que o campeonato da III divisão de futebol ocupa páginas mais ou menos centrais). Quando há um jogo grande a excitação vai crescendo entre a tribo que se vai preparando para essa grande batalha. Vestem-se a rigor, alguns pintam-se, e, porque há transmissões televisivas de todos os jogos, quem não pode assistir in loco procura uma daquelas caixinhas que mudaram o mundo (ou então tenta uma ligação pirata à Sport TV através do computador) para assistir ao confronto.
Eu também sou um bocado assim. Em vésperas de jogo grande vou contando as horas que faltam para o jogo começar, planeio o sítio onde vou ver o jogo com alguma antecedência, faço prognósticos, leio nos jornais o que dizem os entendidos sobre as duas equipas e, à medida que a hora do jogo se aproxima, a excitação cresce, cresce, até que, no momento do apito inicial, só tenho olhos e ouvidos para o que se passa em campo, cada jogada é uma questão de vida ou morte, cada falta do adversário um crime que merece castigo exemplar, cada falta contra a minha equipa (é o Benfica, caso não se lembrem) uma tremenda injustiça do senhor do apito que prontamente merece insultos que não me atreveria a pronunciar contra o meu pior inimigo.
Hoje há jogo grande. É um Sporting-Benfica para as meias-finais da Taça de Portugal. O vencedor irá defrontar o Porto, já campeão, no estádio nacional, tentando impedi-lo de chegar à dobradinha e salvar a época conquistando um trofeu.
E no fim de semana que vem há jogo grande outra vez: é um Porto-Benfica, o Porto joga pelo brio profissional, o Benfica joga para salvar a honra e tentando ainda atingir o 2º lugar do campeonato.
Em apenas 4 dias há dois jogos grandes, os maiores, daqueles jogos que me fariam, em situações normais, tremer em antecipação com as emoções que experimentaria à medida que a bola rola.
Mas, por alguma razão que me ultrapassa de momento, nem por isso. Não sinto nenhuma excitação pelo jogo de hoje à noite nem pelo jogo de domingo. Se pudesse ia dormir e só acordava segunda-feira, com a esperança que os resultados não fossem muito maus ou, caso o tivessem sido, que ninguém se lembrasse.
Há razões que a razão desconhece...
15 abril 2008
Tortura
O União de Leiria está em último. Ontem tinha uns módicos 9 pontos, já a 14 do 16º lugar que permitirá a permanência. Ora, com 5 jogos por disputar isso implica que o União de Leiria está condenado. Tem de ganhar todos os jogos que faltam e o Paços de Ferreira e o Leixões têm de perder todos.
Já estava mentalizado, ontem íamos jogar a Braga, perdíamos 2-0 (é o resultado mais habitual) e ficávamos matematicamente na II Liga.
Atão, e não é que ganhámos??? Agora temos 12 pontos, estamos a 11 da linha de água e, por incrível que pareça, a esperança (pelo menos matemática) continua acesa. Pelo menos até ao próximo fim de semana, em que recebemos o Sporting e caso não ganhemos o jogo ficamos logo arrumados.
Já estava mentalizado, ontem íamos jogar a Braga, perdíamos 2-0 (é o resultado mais habitual) e ficávamos matematicamente na II Liga.
Atão, e não é que ganhámos??? Agora temos 12 pontos, estamos a 11 da linha de água e, por incrível que pareça, a esperança (pelo menos matemática) continua acesa. Pelo menos até ao próximo fim de semana, em que recebemos o Sporting e caso não ganhemos o jogo ficamos logo arrumados.
Microwave oven
As refeições de micro-ondas dão jeito. Muito jeito, mesmo. Quando se chega tarde a casa, quando não apetece cozinhar (o que ultimamente tem sido muito comum), é só pegar na embalagem, pôr no micro-ondas e esperar uns minutos, em geral não mais de 10. Et voilá.
Mas acho que não é preciso dizer como se prepara uma refeição no micro-ondas, já toda a gente deve ter alguma experiência no caso.
Este post é escrito na esperança que alguém que trabalhe na indústria das refeições de micro-ondas (e demais comida pré-confeccionada) o leia: é que quando abro a embalagem e olho para as instruções acho sempre que o empacotamento é planeado por alguém com apenas meio cérebro a funcionar. Sempre que as indicações dizem que a comida deve ser posta, ainda congelada, numa posição específica, é preciso virar aquilo ao contrário. Por exemplo, ontem fiz um bacalhau à braz ultra-congelado. Não é para micro-ondas, mas o argumento é o mesmo. As instruções diziam para deitar a comida numa frigideira com as batatas para cima. Abro a embalagem e o que vejo? As batatas estão para cima. Ou seja, tenho de virar a embalagem e depois virar a comida ao contrário. E isto está sempre a acontecer! Se tenho de preparar as coisas numa posição específica, ponham-nas na embalagem de pernas para o ar, faxavor. Se pusessem o bacalhau na caixa virado com as batatas para baixo bastava abrir a embalagem e virá-la ao contrário para cima da frigideira, ficava logo com as batatas para cima! É preciso ser um génio para se lembrar disto? Não, não é. Basta ter alguns neurónios a funcionar devidamente...
Mas acho que não é preciso dizer como se prepara uma refeição no micro-ondas, já toda a gente deve ter alguma experiência no caso.
Este post é escrito na esperança que alguém que trabalhe na indústria das refeições de micro-ondas (e demais comida pré-confeccionada) o leia: é que quando abro a embalagem e olho para as instruções acho sempre que o empacotamento é planeado por alguém com apenas meio cérebro a funcionar. Sempre que as indicações dizem que a comida deve ser posta, ainda congelada, numa posição específica, é preciso virar aquilo ao contrário. Por exemplo, ontem fiz um bacalhau à braz ultra-congelado. Não é para micro-ondas, mas o argumento é o mesmo. As instruções diziam para deitar a comida numa frigideira com as batatas para cima. Abro a embalagem e o que vejo? As batatas estão para cima. Ou seja, tenho de virar a embalagem e depois virar a comida ao contrário. E isto está sempre a acontecer! Se tenho de preparar as coisas numa posição específica, ponham-nas na embalagem de pernas para o ar, faxavor. Se pusessem o bacalhau na caixa virado com as batatas para baixo bastava abrir a embalagem e virá-la ao contrário para cima da frigideira, ficava logo com as batatas para cima! É preciso ser um génio para se lembrar disto? Não, não é. Basta ter alguns neurónios a funcionar devidamente...
11 abril 2008
Férias forçadas
É só para avisar que sou capaz de ir de férias até ao fim do campeonato. Hoje devo ter comido qualquer coisa que me fez mal, não sei bem o que foi...
Sobre o jogo:
1. Quim acabou por ser o melhor jogador do Benfica. O que é algo muito mau para se dizer de uma equipa que perde 3-0.
2. Como já vem sendo hábito, o Benfica dá-se mal com as deslocações ao estádio da Luz. O que só me deixa contente por este ano ainda não ter ido à bola.
3. Nuno Gomes pode ter muitos defeitos mas ao menos é coerente: na área adversária chega sempre atrasado aos lances e deixa-se antecipar pelos defesas; na área do Benfica chegou atrasado ao lance e deixou-se antecipar para o 2-0.
4. Luisão mostrou-se um verdadeiro líder do balneário e quis mostrar a Luís Filipe que não está sozinho. Por isso resolveu fazer um passe a desmarcar o adversário, como o Luís Filipe fez em Nuremberga.
5. Cardozo é um grande jogador. Após 90 minutos em que fez 6 remates e não acertou na baliza em nenhum ao menos teve a decência de dizer "Para fazer esta merda mais valia ir embora" e foi. Saiu de campo no início dos descontos (alegadamente com uma dor, deve ser no orgulho).
6. Chalana, sobre a sua decisão de usar Bynia e Luisão na equipa titular, algo que é invulgar esta época, disse que é como os melões. Só depois de abertos é que se sabe se estão bons. Penso que a ideia para a metáfora ter-lhe-á surgido no pensamento após olhar para as bancadas e ver o melão com que estavam os adeptos.
7. No post de ontem sobre a eliminação do Sporting da UEFA um leitor disse que as contas fazem-se no fim. Este jogo veio dar-me razão: fosse esperar pelo fim para fazer as contas e nunca tinha oportunidade de me rir à custa dos outros. Ao menos assim sempre consigo ter umas alegrias, mesmo que durem pouco tempo.
Sobre o jogo:
1. Quim acabou por ser o melhor jogador do Benfica. O que é algo muito mau para se dizer de uma equipa que perde 3-0.
2. Como já vem sendo hábito, o Benfica dá-se mal com as deslocações ao estádio da Luz. O que só me deixa contente por este ano ainda não ter ido à bola.
3. Nuno Gomes pode ter muitos defeitos mas ao menos é coerente: na área adversária chega sempre atrasado aos lances e deixa-se antecipar pelos defesas; na área do Benfica chegou atrasado ao lance e deixou-se antecipar para o 2-0.
4. Luisão mostrou-se um verdadeiro líder do balneário e quis mostrar a Luís Filipe que não está sozinho. Por isso resolveu fazer um passe a desmarcar o adversário, como o Luís Filipe fez em Nuremberga.
5. Cardozo é um grande jogador. Após 90 minutos em que fez 6 remates e não acertou na baliza em nenhum ao menos teve a decência de dizer "Para fazer esta merda mais valia ir embora" e foi. Saiu de campo no início dos descontos (alegadamente com uma dor, deve ser no orgulho).
6. Chalana, sobre a sua decisão de usar Bynia e Luisão na equipa titular, algo que é invulgar esta época, disse que é como os melões. Só depois de abertos é que se sabe se estão bons. Penso que a ideia para a metáfora ter-lhe-á surgido no pensamento após olhar para as bancadas e ver o melão com que estavam os adeptos.
7. No post de ontem sobre a eliminação do Sporting da UEFA um leitor disse que as contas fazem-se no fim. Este jogo veio dar-me razão: fosse esperar pelo fim para fazer as contas e nunca tinha oportunidade de me rir à custa dos outros. Ao menos assim sempre consigo ter umas alegrias, mesmo que durem pouco tempo.
Trintinho
Dó, Dó, Ré, Dó, Fá, Mi
Dó, Dó, Ré, Dó, Sol, Fá
Dó, Dó, O outro Dó a seguir, Lá, Fá, Mi, Ré
Si, Si, Lá, Fá, Sol, Fá.
Parabéns mano!
(por mais que tente evitá-lo segue sempre as minhas pisadas. Demorou um ano e pouco mas também já entrou nos trinta)
Dó, Dó, Ré, Dó, Sol, Fá
Dó, Dó, O outro Dó a seguir, Lá, Fá, Mi, Ré
Si, Si, Lá, Fá, Sol, Fá.
Parabéns mano!
(por mais que tente evitá-lo segue sempre as minhas pisadas. Demorou um ano e pouco mas também já entrou nos trinta)
10 abril 2008
Em cima do acontecimento
O Sporting foi eliminado da Taça UEFA. Não que fique muito feliz por isso, até fico com pena que sejam eliminados, mas quis aproveitar para vir dar a notícia em primeira mão. Tão em primeira mão que o jogo nem acabou e já estou a escrever o post! ;)
The Simpsons
Vi agora no site do Público (até punha o link, mas é um dos vídeos e os endereços vão mudando à medida que os vídeos são postos online) uma notícia que me deixou de boca aberta: na Venezuela uma estação de televisão transmitia os Simpsons. Às 11h. A "polícia" da comunicação social lá do sítio ordenou que deixassem de transmitir os Simpsons porque dão um mau exemplo às crianças. E em vez disso passaram a transmitir... as Marés Vivas.
Até percebo que se considere que os Simpsons não são uma série de desenhos animados própria para crianças. É uma série de animação para adultos. Mas... alguém que me explique qual é o bom exemplo dado pelas Marés Vivas que os Simpsons não conseguem dar, faxavor, que eu sinceramente não percebo. Uma série de caricatura inteligente e sátira é um mau exemplo. Uma série com gajas de mamas siliconizadas e diálogos que promovem a inactividade cerebral é um bom exemplo.
Se ao menos a Venezuela estivesse no hemisfério Sul eu ainda percebia, porque, citando esse grande filósofo dos tempos modernos que é Homer Simpson, o hemisfério Sul é a terra dos opostos: o Verão é Inverno, a neve quente cai para cima, os ladrões prendem os polícias, os gatos mordem nos cães.
Até percebo que se considere que os Simpsons não são uma série de desenhos animados própria para crianças. É uma série de animação para adultos. Mas... alguém que me explique qual é o bom exemplo dado pelas Marés Vivas que os Simpsons não conseguem dar, faxavor, que eu sinceramente não percebo. Uma série de caricatura inteligente e sátira é um mau exemplo. Uma série com gajas de mamas siliconizadas e diálogos que promovem a inactividade cerebral é um bom exemplo.
Se ao menos a Venezuela estivesse no hemisfério Sul eu ainda percebia, porque, citando esse grande filósofo dos tempos modernos que é Homer Simpson, o hemisfério Sul é a terra dos opostos: o Verão é Inverno, a neve quente cai para cima, os ladrões prendem os polícias, os gatos mordem nos cães.
09 abril 2008
Suplementos
Tenho a televisão ligada na RTPN. Não sei porquê, mas tá. E começou agora um documentário a falar no caso da Depuralina. Para quem não sabe a Depuralina é um suplemento alimentar que alega (segundo diz a publicidade) que consegue eliminar os resíduos acumulados no nosso corpo e que podem chegar a 20 kg de... bom, de lixo que vai por cá ficando. Garante efeitos milagrosos, perda de peso de forma saudável, 100% natural e por aí fora.
Acontece que na semana passada a Depuralina foi retirada do mercado com o Infarmed a indicar que havia sérios indícios de relação causa-efeito entre a Depuralina e casos de toxicidade. Até ao momento são 8 os casos contabilizados. Em Espanha, não havendo casos no género, seguiram o nosso exemplo e também interditaram a Depuralina.
E tou a achar piada a alguns argumentos invocados pela pessoa que está no debate a defender a depuralina (não sei o nome dele).
Por exemplo: A Depuralina é um produto natural, não é um medicamento. É feito à base de plantas, ao contrário dos medicamentos. Serve este argumento para justificar o bem que faz e o facto de ser inócuo.
Mas eu de repente lembro-me de algumas coisas naturais e à base de plantas: por exemplo, a nicotina, 100% natural e produzida pela planta do tabaco. Ou a cicuta, uma deliciosa beberagem (perguntem ao Sócrates ou ao Platão ou lá quem foi o grego que apanhou um pifo com isto) segregada também por uma planta.
Outro argumento é o facto de os produtos naturais terem uma reputação que fala por si e que as pessoas os tomam e efectivamente se sentem bem. E vai daí, ocorreu-me: o haxixe é:
a) natural
b) à base de uma planta
c) faz as pessoas sentirem-se bem.
Porque não podemos comercializar o haxixe como suplemento alimentar? Porque é que quem quer vender Depuralina pode estar ao balcão de uma farmácia e quem quer vender haxixe tem de andar por becos e ruelas sempre a tentar fintar a bófia?
Disclaimer: a Depuralina merece-me o mesmo crédito que qualquer outro suplemento alimentar que promete perda de peso sem esforço, exercício, ou restrições alimentares e com resultados garantidos e milagrosos: NENHUM. Não estou a discriminar a Depuralina e aos fans da Depuralina que lêem este blog gostaria de garantir pessoalmente que iria atacar qualquer outro produto que tivesse sido interditado e em cuja defesa fossem usados argumentos igualmente imbecis.
Acontece que na semana passada a Depuralina foi retirada do mercado com o Infarmed a indicar que havia sérios indícios de relação causa-efeito entre a Depuralina e casos de toxicidade. Até ao momento são 8 os casos contabilizados. Em Espanha, não havendo casos no género, seguiram o nosso exemplo e também interditaram a Depuralina.
E tou a achar piada a alguns argumentos invocados pela pessoa que está no debate a defender a depuralina (não sei o nome dele).
Por exemplo: A Depuralina é um produto natural, não é um medicamento. É feito à base de plantas, ao contrário dos medicamentos. Serve este argumento para justificar o bem que faz e o facto de ser inócuo.
Mas eu de repente lembro-me de algumas coisas naturais e à base de plantas: por exemplo, a nicotina, 100% natural e produzida pela planta do tabaco. Ou a cicuta, uma deliciosa beberagem (perguntem ao Sócrates ou ao Platão ou lá quem foi o grego que apanhou um pifo com isto) segregada também por uma planta.
Outro argumento é o facto de os produtos naturais terem uma reputação que fala por si e que as pessoas os tomam e efectivamente se sentem bem. E vai daí, ocorreu-me: o haxixe é:
a) natural
b) à base de uma planta
c) faz as pessoas sentirem-se bem.
Porque não podemos comercializar o haxixe como suplemento alimentar? Porque é que quem quer vender Depuralina pode estar ao balcão de uma farmácia e quem quer vender haxixe tem de andar por becos e ruelas sempre a tentar fintar a bófia?
Disclaimer: a Depuralina merece-me o mesmo crédito que qualquer outro suplemento alimentar que promete perda de peso sem esforço, exercício, ou restrições alimentares e com resultados garantidos e milagrosos: NENHUM. Não estou a discriminar a Depuralina e aos fans da Depuralina que lêem este blog gostaria de garantir pessoalmente que iria atacar qualquer outro produto que tivesse sido interditado e em cuja defesa fossem usados argumentos igualmente imbecis.
Desconto
Acabei de ver esta história nas notícias: um condutor é mandado parar por um agente da BT. O carro não tinha a inspecção periódica obrigatória em dia e o militar da GNR disse que lhe ia passar uma multa. Mas depois propôs que o condutor lhe pagasse 200 euros para fechar os olhos.
O condutor não vai de modas, combina um local para entregar o dinheiro ao homem, faz queixa e apanham o GNR com a boca na botija a receber um suborno.
Isto é:
a) corrupção
b) estupidez
À primeira vista a opção correcta pode parecer a opção a, mas na verdade a resposta certa é a b. É que se a multa por não ter a inspecção em dia é de 250 e para um gajo se safar da multa tem de pagar 200... quer dizer, 20% de desconto não é grande incentivo à corrupção passiva, pois não?
Ai, por mais que a GNR tente vencer o estereótipo aparece sempre um agente a confirmar o fundamento das anedotas...
O condutor não vai de modas, combina um local para entregar o dinheiro ao homem, faz queixa e apanham o GNR com a boca na botija a receber um suborno.
Isto é:
a) corrupção
b) estupidez
À primeira vista a opção correcta pode parecer a opção a, mas na verdade a resposta certa é a b. É que se a multa por não ter a inspecção em dia é de 250 e para um gajo se safar da multa tem de pagar 200... quer dizer, 20% de desconto não é grande incentivo à corrupção passiva, pois não?
Ai, por mais que a GNR tente vencer o estereótipo aparece sempre um agente a confirmar o fundamento das anedotas...
Considerações
Mário Machado, diz que não se considera racista. Diz ele que orgulho numa raça não é o mesmo que ódio por outra raça. Sente-se orgulhoso por ser branco, mas não odeia os negros. E nem sequer defende a supremacia de uma raça em relação a outra, seja em termos físicos ou em inteligência.
Acho que já encontrámos um forte candidato ao prémio Semântica 2008.
É que, mais à frente na notícia, pode ler-se que o excelentíssimo Mário Machado também acha que "há a propensão da raça negra para o crime". E ainda, a cereja no topo do bolo tendo em conta que está acusado de uns quantos crimes de agressão, diz que "Não há problemas que se resolvam com a violência". Bravo! Estou maravilhado.
Acho que já encontrámos um forte candidato ao prémio Semântica 2008.
É que, mais à frente na notícia, pode ler-se que o excelentíssimo Mário Machado também acha que "há a propensão da raça negra para o crime". E ainda, a cereja no topo do bolo tendo em conta que está acusado de uns quantos crimes de agressão, diz que "Não há problemas que se resolvam com a violência". Bravo! Estou maravilhado.
Ideia cinematográfica
À semelhança de grandes clássicos, como Freddy vs. Jason ou Alien vs. Predator, em que personagens de filmes famosos se confrontam a ver quem ganha, acho que era importante que alguém fizesse um filme em que dois personagens míticos, o Big Mac e o Whopper, entram numa luta até à morte. Quem ganharia? De um lado o Whopper tem maior massa e portanto maior força. Por outro lado, o Big Mac tem o molho especial capaz de lançar um ataque químico no seu inimigo. No final tudo se resumia a um tiroteio de sementes de sésamo e quem tivesse mais sementes ganhava! Acham que um filme destes era capaz de chegar ao Fantasporto?
07 abril 2008
Lembram-se da Valentina?
A Valentina, a fulana que cantava o Ken Lee no Ídolos da Bulgária? Eh pá, o vídeo está lá para baixo, procurem-no que tenho mais que fazer.
Bom, este tipo deve ser o primo dela:
Se não conseguiram reconhecer a música (eu também não), o original é este:
Bom, este tipo deve ser o primo dela:
Se não conseguiram reconhecer a música (eu também não), o original é este:
Medos
A quantas perguntas consegues responder negativamente?
1. Tens medo de apanhar um taxi?
2. Mesmo que seja um Mercedes com 20 anos?
3. E se for às três da manhã?
4. No bairro alto?
5. Conduzido por um motorista russo?
6. Que não sabe o caminho (era para perto do Saldanha) e pede que lhe dês indicações?
7. E que depois diz que só está a trabalhar há 1 semana?
8. E mal fala português?
9. Que não faz piscas para mudar de faixa?
10. E passa dois sinais vermelhos em avenidas principais?
11. E nem sequer reparou?
Eu consigo responder pela negativa até à pergunta 6. Às perguntas 7 e 8 já não sei bem o que responder, às perguntas 9, 10 e 11 respondo que sim e felizmente a viagem acabou ali, porque à próxima manobra esquisita que ele fizesse acho que me mijava pelas pernas abaixo...
1. Tens medo de apanhar um taxi?
2. Mesmo que seja um Mercedes com 20 anos?
3. E se for às três da manhã?
4. No bairro alto?
5. Conduzido por um motorista russo?
6. Que não sabe o caminho (era para perto do Saldanha) e pede que lhe dês indicações?
7. E que depois diz que só está a trabalhar há 1 semana?
8. E mal fala português?
9. Que não faz piscas para mudar de faixa?
10. E passa dois sinais vermelhos em avenidas principais?
11. E nem sequer reparou?
Eu consigo responder pela negativa até à pergunta 6. Às perguntas 7 e 8 já não sei bem o que responder, às perguntas 9, 10 e 11 respondo que sim e felizmente a viagem acabou ali, porque à próxima manobra esquisita que ele fizesse acho que me mijava pelas pernas abaixo...
04 abril 2008
Can't touch this
Há coisas estranhas. Uma delas é o instrumento "tocado" neste vídeo. São 19 minutos que valem a pena.
Para perceber como raio funciona aquela coisa leiam o artigo na Wikipedia.
(obrigado Mariana)
Para perceber como raio funciona aquela coisa leiam o artigo na Wikipedia.
(obrigado Mariana)
03 abril 2008
Ken Lee
Depois de ver este vídeo tive um pesadelo: estava no meio de pessoas que falavam comigo numa língua que eu devia conhecer, mas não conseguia perceber o que diziam.
(gostava de agradecer à pessoa que me falou neste vídeo mas já foi há uns tempos e já não me lembro...)
(gostava de agradecer à pessoa que me falou neste vídeo mas já foi há uns tempos e já não me lembro...)
01 abril 2008
Sugestão musical du jour
M-pex, alter ego de Marco Miranda, lançou agora o seu primeiro CD. De Música electrónica com... guitarra portuguesa. Muito bom, vale a pena ouvir. Além disso foi meu colega de curso e é, grosso modo, um gajo porreiro ;)
Podem ouvir algumas músicas no seu MySpace.
Se não podem ou não querem ouvir, leiam o que dizem dele no Expresso e na Time Out.
Podem ouvir algumas músicas no seu MySpace.
Se não podem ou não querem ouvir, leiam o que dizem dele no Expresso e na Time Out.
Chatos
Foram os piolhos púbicos assim baptizados por serem incomodativos como as pessoas chatas ou foram as pessoas aborrecidas chamadas chatas por chatearem como os chatos?
Será esta uma dúvida do mesmo estilo da pergunta da galinha e do ovo?
E será que alguém se importa?
Será esta uma dúvida do mesmo estilo da pergunta da galinha e do ovo?
E será que alguém se importa?
Conspirações
Pacheco Pereira, auto do famosíssimo Abrupto, diz que Menezes tem de sair da liderança do PSD e que vai mesmo ter de ser à «bomba». A sorte dele é que o Presidente do PSD é Menezes, que não estrebucha muito. Pacheco Pereira pode dizer que esta frase... «bombástica» está em sentido figurado e fica o assunto arrumado. Agora, fosse Pacheco Pereira o presidente do PSD e bem podia Pacheco Pereira dizer que era só em sentido figurado que seria logo apelidado de conspirador contra a liberdade e pluralismo democrático. O que vale a Pacheco Pereira, é que só há um Pacheco Pereira.
(para os mais distraídos: há um ano, mais ou menos, o Abrupto teve uns problemas; por alguma razão estranha um outro utilizador do blogger conseguiu registar um blog no mesmo endereço do Abrupto; por causa disso, sempre que o segundo autor publicava um post o Abrupto desaparecia e era substituido por este novo blog. Quando Pacheco Pereira publicava um post a situação era reposta. Mas acham que as explicações serviram a Pacheco Pereira? Claro que não! Durante um mês e tal só se ouviu falar no "rapto" do Abrupto, que Pacheco Pereira tinha sido vítima de um ataque concertado com a intenção de o fazer calar, que era o fim da liberdade de expressão, da democracia e de mais umas duas ou três coisas que agora não me lembra)
(para os mais distraídos: há um ano, mais ou menos, o Abrupto teve uns problemas; por alguma razão estranha um outro utilizador do blogger conseguiu registar um blog no mesmo endereço do Abrupto; por causa disso, sempre que o segundo autor publicava um post o Abrupto desaparecia e era substituido por este novo blog. Quando Pacheco Pereira publicava um post a situação era reposta. Mas acham que as explicações serviram a Pacheco Pereira? Claro que não! Durante um mês e tal só se ouviu falar no "rapto" do Abrupto, que Pacheco Pereira tinha sido vítima de um ataque concertado com a intenção de o fazer calar, que era o fim da liberdade de expressão, da democracia e de mais umas duas ou três coisas que agora não me lembra)
Madrugar
Hoje levantei-me às 6:30 da manhã. E fiz um belo pequeno almoço que até incluiu sumo de laranja acabado de fazer (belo espremedor de citrinos que o meu mano me deu há uns anos pelo Natal). Devo dizer que acordar assim tão cedo é doloroso e desagradável. Não tenciono repetir a brincadeira.
PS: isto é verdade. Hoje é dia 1 de Abril, por isso não minto. O dia 1 de Abril é um dia reservado aos amadores e acho que é incorrecto da minha parte usurpar-lhes esse dia. Eu tenho os outros 364 dias (este ano são 365) para pregar petas.
PS: isto é verdade. Hoje é dia 1 de Abril, por isso não minto. O dia 1 de Abril é um dia reservado aos amadores e acho que é incorrecto da minha parte usurpar-lhes esse dia. Eu tenho os outros 364 dias (este ano são 365) para pregar petas.
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