29 outubro 2007

Solidariedade canina

Obviamente que ele concorda comigo no protesto contra o tal artista já nem me lembro de onde, um daqueles sítios onde às vezes há furacões e enxorradas.



(gosto do Van Dog "mora" na porta da frente e ao contrário de todos os outros cães do prédio, este não faz barulho)

Procura-se

Avançado capaz de marcar golos decisivos.

Preferência: assim, mais ou menos como o Adu, que entra e marca quando a o jogo está quase a acabar e a equipa se apresenta sem soluções.

Resposta para: Estádio Alvalade XXI, Departamento de Futebol, Secção de Recrutamento e Recursos Humanos.

26 outubro 2007

Hora de Verão, hora de Inverno

Este fim de semana muda a hora. Amanhã à noite, à 1h volta a ser meia-noite. Eu não me chateio nada com a história da mudança da hora na Primavera, que adianta, mas no Outono, atrasar uma hora... faz-me muita confusão!

Senão, reparem: um gajo vai ao cinema. Por exemplo, ao Colombo. Um determinado filme, com 2:15 de duração está em duas salas, a sala 1 e a sala 2. Há um intervalo de 15 minutos entre sessões. Na sala 1 temos uma sessão às 22h. Logo, a sessão seguinte começa à meia noite e meia. Da hora de Verão. Na sala 2 temos uma sessão às 23. Ou seja, a sessão seguinte começaria à 1:30, mas como mudou a hora, começa à meia noite e meia, na hora de Inverno. Só que esta meia noite e meia é uma hora mais tarde do que a outra meia noite e meia.

O cliente chega ao cinema, olha para o nome do filme, é o filme certo, é a hora certa, entra na sala. Quando se dá por ela temos 400 pessoas numa sala com 200 lugares, tudo a berrar e à porrada e na outra sala, 1 hora mais tarde, não está ninguém para ver o filme!

Ainda pior! Um jogo de futebol. Começa à meia noite. Chega-se à 1 menos um quarto e o árbitro apita para o intervalo. 15 minutos depois começa a segunda parte. Mas é meia noite outra vez, por isso, toca de jogar o jogo todo de início. E ficamos com um jogo de bola com 135 minutos, três partes e dois intervalos.

Ou então, uma cena de bófias: um gajo vai para a esquadra. Como não confessa que roubou os caramelos da mercearia, leva um enxerto de porrada. Nisto é meia noite e meia. O gajo fica todo partido, levam-no para o hospital. Chegam lá à 1 da manhã, é meia noite outra vez. O gajo é registado nas urgências à meia noite e 1 da hora de inverno. Como levou um enxerto de porrada valente, na segunda feira apresenta queixa. E agora é que se lixou fortemente: é que está a tentar alegar que a ida às urgências à meia noite e um foi provocada por um enxerto de porrada que levou à meia noite e meia. E fica o meliante com os seus direitos hipotecados.

É por isso que não gosto de mudanças da hora. A menos que seja sempre a somar. Se é a subtrair causa-me transtorno, dou por mim a combinar com alguém para "daqui a 10 minutos" e depois fico uma hora à espera porque esqueci-me de confirmar se eram dez minutos pela hora de verão ou de inverno.

O que se podia fazer, para não haver este tipo de problemas de causalidade, era, em vez de atrasar uma hora, fazer os relógios andar mais devagar. Por exemplo, chegados à meia noite, começavam os relógios todos a andar a metade da velocidade. Assim, quando se passassem 2 horas todos os relógios marcavam 1 da manhã. É que evitavam-se muitas chatices. E eu havia de aproveitar a primeira mudança da hora destas para correr os 100 metros em 8 segundos ou coisa assim e bater o record do mundo! Aaaaah, seria tão bom!

Vai-te foder!

Porque é que se diz "Vai-te foder!" a alguém como se fosse uma coisa má?

Percebo que se diga "Vai à merda", "Vai levar no cú" ou mesmo "Vai p'ó caralho" (embora nos últimos dois casos convenha saber de antemão se o destinatário da mensagem é ou não apreciador de levar no cú ou de caralhos, respectivamente) em jeito de insulto, mas o "Vai-te foder", assim, dito como se fosse uma coisa má... não percebo. A menos que o interlocutor esteja vinculado por um qualquer voto de castidade (notem a forma sábia como evitei a menção explícita a padres e/ou freiras poupando-me assim à ira dos fans de mais uma religião - por outro lado, borrei a pintura ao usar fans em vez de fieis, já que fans é a abreviatura de fanáticos; para mais falei em ira que é, como toda a gente que viu i Seven sabe, um dos sete pecados capitais), nesse caso é sem dúvida algo desagradável para desejar a alguém, mas para a generalidade das pessoas, não sei, parece-me uma tentativa de insulto condenada ao fracasso.

Se alguém me disser "Vai-te foder" eu agradeço! Quanto muito pergunto com quem ou se o sujeito que me tenta insultar está a pensar em alguém em particular, mas não fico minimamente chateado. Para mim, dizer "Vai-te foder" é como dizer "Felicidades" ou "Que corra tudo bem". Mesmo que "Vai-te foder" queira dizer "Vai-te foder sozinho" não é necessariamente mau! Mais vale só que mal acompanhado, sempre ouvi dizer.

O verbo foder é, aliás, muito injustiçado pelo calão português. Já o "Fodeste-te" usa-se muito quando alguém se encavou fortemente. Quando ouço alguém a dizer "Fodeste-te" a primeira coisa que me ocorre dizer ao destinatário de tal frase é "Parabéns! Que tal foi?".

Enfim, são as pequenas incoerências da língua portuguesa que lhe dão a piada toda.

Pub

E por falar em publicidade... sai mais um intervalo, que parece que é fim de semana, ou quase.

Um gajo esforça-se, esforça-se... para isto?

Foda-se, não há direito!

(Acho que qualquer post que comece com uma indignação, sobretudo temperada com um palavrão merece a atenção de qualquer um! Foi só por isso).

Ontem falei na fusão BPI-BCP. No fim do post refiro o sarilho que era uma fusão BES-BCP-CGD, por causa dos protagonistas das respectivas campanhas publicitárias: Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Scolari.

Foi ontem, por volta da hora do jantar. Depois disso já passaram por cá milhares... milhares?! MILHÕES! Milhões de pessoas. E NINGUÉM REPAROU QUE ME ENGANEI NA SIGLA? Que devia ter sido BES-BPI-CGD, porque o Mourinho aparece nos anúncios do BPI, não é do BCP? Os do BCP são com o Bruno Nogueira!

Ando eu a dar o litro, a arriscar o coiro, com sérios riscos para a minha saúde, física e laboral e não só, p'ra quê? Para vocês, meus ingratos, que nem sequer corrigem uma gralha?

Ou foi porque não prestam atenção nenhuma à publicidade e não fazem ideia de quem é que aparece nos anúncios do quê? Se for isso, eh pá, desculpem, precipitei-me.

25 outubro 2007

Bruno Nogueira e José Mourinho

O que têm em comum estas pessoas? Pouco. Ou talvez nada. Que se saiba o Bruno Nogueira não percebe nada de futebol e o José Mourinho nunca foi visto a rir ou a contar uma piada.

Mas com a proposta fusão entre BCP e BPI o novo banco, o Millenium BPI vai ter alguns problemas: por um lado o Millenium BCP tem investido na sua imagem junto da malta nova com o Bruno Nogueira a dar a cara nos anúncios televisivos. Por outro lado o BPI tem investido numa imagem de sobriedade com anúncios protagonizados pelo José Mourinho.

Hmmmm... acho que o assunto é bem capaz de dividir os accionistas dos dois bancos e se calhar a fusão não se concretiza. Ou estão mesmo a imaginar o José Mourinho a dizer "parecendo que não, facilita" e o Bruno Nogueira a andar de sobretudo?

Pior seria uma fusão BES-BCP-CGD, claro. Além de ficar uma sigla daquelas chatas de ler, era capaz de haver chatices publicitárias acrescidas: quem seria a principal estrela da publicidade do novo banco? Cristiano Ronaldo, José Mourinho ou Scolari?

Maus presságios

Há frases que provocam em mim arrepios, daqueles de ficar com os pêlos da nuca todos em pé. Querem exemplos?

1. "Desenvolvemos uma ferramenta muito eficaz que te vai ajudar, automatiza o teu trabalho". Regra geral a ferramenta tem bugs e não só não ajuda como ainda estraga, porque depois de fazer as coisas tenho de ir verificar a merda que a "ferramenta muito eficaz" fez, corrigi-la e, nos casos piores, começar tudo do zero outra vez.

2. "Eh pá, não temos isso em armazém, mas não te preocupes que para a semana que vem já mandamos". O que costuma acontecer é que depois de uma semana volto a perguntar e dizem-me que A) já não existe B) está de momento indisponível e ainda vai demorar 2 meses ou C) foi descontinuado e substituido por um produto melhor (ver próximo item)

3. "Ah, esse foi substituido por um produto melhor". É comum que o "produto melhor" tenha todas as características do anterior que não me interessam para nada e lhe falte a única que eu achava importante. E tenho de voltar a procurar.

4. "O cheque já está no correio". Acho que esta dispensa explicações.

5. "Essa informação é importante, vamos tê-la em conta e na próxima versão já haverá diferenças". Pois... regra geral as diferenças são tudo menos o que verdadeiramente interessava.

Hoje foi dia de me dizerem a nº 1. Foi um dia bom. Às vezes chego a ouvir 3 ou mais destas frases antes da hora do almoço. Felizmente sou um adepto da máxima "Se queres algo bem feito faz tu, não peças a ninguém" e por isso caguei para a ferramenta muito útil.

Mulheres ao volante

Duas mulheres estão aos comandos da Estação Espacial Internacional e do vai-vém Discovery. Hmmmmm.... querem apostar que elas não conseguem "estacionar" à primeira?

Sondagem nova, novas sondagens

Fartei-me das sondagens do blogger. Foi por uma coisita de nada, um pormenor insignificante: são uma merda.

Vai daí, comecei a usar o Blogpoll. Até ver parece-me melhorzito. Antes usava o Webpollcentral, mas ele não gostava de perguntas e respostas com acentos. E por causa disso, tinha de escrever coisas como á sempre que queria um á ou ç quando queria um ç. E era chato. E eu não tenho tempo para isso. Ok, e acabei de reparar que o Blogpoll tem o mesmo defeito. Bom, para já ficamos com quadradinhos em vez de caracteres com acentos. Depois logo se resolve isso.

Mas prontos, a sondagem nova tá aí, toca a votar. O tema é, obviamente, futebol!

Na sondagem anterior 23% dos votantes disse que o resultado do Portugal-Cazaquistão seria Quinjajero p'ó Benfica, 26% admitiu que não faz ideia onde fica o Cazaquistão e 50% disse que ganhávamos se o Makukula arranjasse chuteiras, o que se veio a revelar um prognóstico mesmo na mouche! E como podem reparar, nesta sondagem a soma das percentagens dá 99%; na anterior parece que dava 120% ou coisa assim. E isso chateia-me um bocadito, por isso deixei-me das sondagens do Blogger. Porque são uma merda.

Actualização: o Blogpoll ainda é pior que o webpollcentral. Não só os caracteres com acentos ficam marados à mesma, a página de resultados ainda tem mais publicidade e por alguma razão parva que agora me escapa, punha-me o título do blog a castanho. Eu sei que isto é um blog de merda, mas não havia necessidade. Vai daí, voltei ao Webpollcentral até encontrar um substituto à altura. (tou a ver que tenho de o fazer eu... ;)

Mas... não tem 3 olhos! Ooooooooh...

Descobriu-se uma espécie nova de peixes no Trancão. Quando li a notícia imaginei logo um peixe com 3 olhos e com pernas em vez de barbatanas, mas afinal não. Tanta merda que o Trancão tava super-poluído e ai, ai, ai, o perigo, e afinal quando se descobre uma espécie nova é um peixe perfeitamente banal. Não tem nenhum veneno poderosíssimo capaz de matar um homem só de o olhar de longe, não tem poderes hipnóticos, não tem dentes de tigre nem cauda como os hipopótamos. É apenas um peixe. Parecido com tantos outros.

A foto do bicho, roubada descaradamente do site do Público:


Ainda não é desta que a realidade ultrapassa a ficção: no lago de Springfield há peixes com 3 olhos por causa da central nuclear do Montgomery Burns.

Conversa entre pai e filho

Jardim Gonçalves Filho: Pai, preciso de 15 milhões de euros.
Jardim Gonçalves Pai: E... já falaste com o teu banco?
Jardim Gonçalves Filho: Não, falei com o teu.

24 outubro 2007

Conselhos úteis

Mas se calhar já vêm tarde.

Fica a história cujo título até poderia ser "Missing Driver's Licence Printer's Missing Drivers". Mas seria uma confusão, e ninguém percebia, né?

(obrigado Pedro)

23 outubro 2007

Arte?

Há gajos para tudo. Com 6,5 mil milhões de pessoas no mundo, há sempre alguém capaz de fazer qualquer coisa de que me lembre, por mais bizarra, asquerosa, revoltante ou nojenta.

Um senhor "artista" resolveu fazer uma "performance" "artística" numa exposição de "arte" na Nicarágua. E para a sua performance o que é que ele resolve fazer? Deixar um cão morrer de fome e sede. Porque é "arte". Porque pode. E porque sim.

Agora, e graças à sua "obra" vai participar numa bienal de "artistas" como ele e de artistas que não serão como ele nas Honduras. E porque o "senhor" "artista" é uma besta imbeciloide cujo único adjectivo que arranjo para descrever é monte de merda (eu sei que não é um adjectivo, mas não nos vamos focar na gramática, ok?), algumas pessoas que não estão para aturar certos tipos de "arte" fizeram uma petição a ver se o comité de organização de tal actividade "artística" volta atrás e retira o convite ao referido "artista". Porque há coisas que simplesmente metem nojo.

Mas... haverá limites para a "arte"? Quem sou eu para dizer que deixar morrer à fome e à sede um animal, seja um cão ou outro qualquer, não é "arte"? Bom, vou pôr a questão de outra forma: se eu resolver construir um campo, podemos chamar de concentração, colocar lá dentro 1 milhão de pessoas, subnutri-las, usá-las como cobaias médicas, torturá-las, executá-las, esquartejá-las, queimá-las vivas, gaseá-las mas cobrar bilhetes para que quem quiser possa assistir a esta manifestação e lhe chamar "performance", passa a ser arte? Ah, claro, mas eu não sou "artista". Tudo bem, conheço uns quantos artistas, vou-me juntar a eles e propor-lhes isto. Que tal? 30 e tal artistas a defenderem a construção de um campo de concentração e um novo holocausto chamando-lhe "arte"? Não me venham com tribunais de direitos humanos, pá! ISTO É ARTE E NINGUÉM PODE CENSURAR UM ARTISTA, QUE É UM ATENTADO CONTRA OS SEUS DIREITOS, PÁ! É UMA VISÃO RETRÓGRADA E CASTRADORA DO DESENVOLVIMENTO ARTÍSTICO DA HUMANIDADE!!!

Houve há uns tempos uma manifestação "artística" que discuti com alguns amigos (alguns dos quais artistas) que consistia em matar um coelho e depois andar pela galeria com o coelho morto ao colo a explicar-lhe a arte. A "mensagem" era que até um coelho morto percebe aquela merda, por isso se as pessoas não percebem é que são estúpidas. Claro que coelhos não discordam nem dizem que não percebem, sobretudo se estiverem mortos, por isso não há grande maneira de saber se o coelho morto percebeu ou não. Já esta manifestação "artística" é muito mas mesmo muito questionável e o coelho até morreu de forma semi-pacífica, sem dor desnecessária e isso tudo. Mas... matar um cão à fome e à sede? É "arte"?

Gostava de encontrar o dito "artista" para lhe propor uma nova manifestação da sua "arte": em vez de matar à fome o cão, que se calhar nem aprecia a "arte" do "senhor", que tal ser o próprio a deixar-se morrer à fome e à sede? Se o objectivo é ver o que acontece, ter alguém com sensibilidade "artística" a sentir tudo na primeira pessoa e a pode descrever e explicar o que sente tem sérias vantagens para a consolidação da "obra", não?

(este deve ser o post com mais aspas na história; e mesmo assim, acho que me falharam umas quantas)

Cuidado com a língua!

Há palavras que me aborrecem. A maior parte delas são advérbios. Mas hoje descobri uma nova: tarado. Não o adjectivo mas o particípio passado do verbo tarar. Eh pá, é que já não se pode conjugar um verbo correctamente sem passar uma vergonha, pá.

Este verbo é uma desgraça. A sua importância é evidente, sobretudo em restaurantes que vendem comida a peso (é preciso tarar a balança para não pagar o prato ao preço da carne), mas tem alguns tempos verbais que podem originar confusão.

Por exemplo, taremos, 1ª pessoa do plural do imperativo do verbo tarar ou 1ª pessoa do plural do futuro do indicativo do verbo estar na sua forma abreviada coloquial, tar. Ou tarem, 3ª pessoa do plural do presente do conjuntivo do verbo tarar e também 3ª pessoa to plural do presente do indicativo do verbo tar, quando mal conjugado ("eles tarem aí", por analogia com "eles andem aí").

Já sei qual é o provérbio que mais me irrita (que é comummente), qual o substantivo que mais me irrita (é substantivo, mesmo) e agora sei também qual é o verbo que mais me irrita. É o verbo tarar.

E não me venham com merdas que tou a conjugar mal o verbo, que fui copiá-lo do Dicionário online da Priberam. Se está mal, reclamem com a Texto.

22 outubro 2007

Alta finança

Não tenho o hábito de reproduzir piadas que ouço no café, mas a esta não resisto: "Se não tens pais ricos vai ao BES; se tens vai ao BCP!"

Telhados de vidro

"It would have been paradoxical if a driver had won with a car that was judged irregular and suspended", disse Luca di Montzemolo, grande chefe da Ferrari, referindo-se à eventualidade de Hamilton ganhar o mundial.

Curiosamente o carro da Maclaren nunca foi considerado ilegal. O que se provou foi que a Maclaren teve acesso a informação confidencial da Ferrari mas também se provou que essa informação não foi usada no desenvolvimento do carro deste ano. Aliás, nem podia, tais as diferenças de premissas base nos dois projectos (maior distância entre eixos no Ferrari implica sérias diferenças a todos os níveis: aerodinâmica, suspensão, caixa, posição do motor, etc.). O carro do ano que vem é que estará sob escrutínio para saber se usa ou não tecnologia roubada - mas não ilegal à luz dos regulamentos técnicos.

Mais curiosamente ainda, o carro da Ferrari _foi_ considerado irregular na primeira corrida. Aliás, o conteúdo dos documentos roubados à Ferrari incluia o desenho de uma peça feita com o intuito de permitir que o fundo do carro fosse móvel (o que é proibido) e que tal característica fosse indetectável nos testes da FIA. Tivesse a ferrari sido desqualificada na primeira corrida e o campeão do mundo seria Hamilton.

Mas pronto, a F1 é o sítio onde toda a gente atira pedras, mesmo tendo telhados de vidro. A única coisa que convém garantir é que ninguém descubra. E se descobrirem, que se consegue desviar as atenções rapidamente.

Azarado?

Kimi Raikonnen foi, durante uns anos, o piloto de Fórmula 1 com o maior azar (indiscutivelmente) de todo o pelotão.

Foi por duas ou três vezes vice-campeão, falhando o título por uma sucessão anormal (quando comparado com o seu companheiro de equipa, por exemplo) de problemas mecânicos. Desde partir um motor quando liderava um GP com 30 segundos de avanço a rebentar uma suspensão a 1 volta do fim quando era o líder destacadíssimo, a ser "colhido" logo no arranque por um senhor que tem o mesmo apelido de um certo hepta-campeão do mundo, os azares foram muitos e apesar disso falhou os títulos (que merecia) por poucos pontos. Frequentemente a rondar a meia dúzia.

Desta vez tinha tudo contra ele: ao Alonso bastava-lhe ser segundo e Raikonnen não seria campeão; a Hamilton bastava ser quinto. Mas desta vez, por uma vez, a sorte esteve com ele. O Hamilton teve um problema de caixa (e uma péssima decisão estratégica!*) que o deixou no 7º lugar e com Alonso em terceiro depois dos dois Ferrari, sagrou-se campeão por 1 ponto!

Mas... será mesmo?

É que pouco depois do fim do GP surgiu uma notícia algo... bombástica: a Williams e a BMW eram suspeitas de utilização de gasolina irregular. Se fossem consideradas culpadas e fossem desqualificadas Hamilton passava para o 4º lugar no GP e seria campeão do mundo. O Colégio de Comissários Desportivos não penalizou as equipas por achar que havia dúvidas razoáveis sobre a fiabilidade das amostras recolhidas devido ao calor (36º ontem em São Paulo) mas a Maclaren parece que vai interpor recurso da decisão.

E agora... agora é que são elas!

Eu acho que mesmo que as equipas em questão confessassem que usaram gasolina ilegal, o que só aconteceria num anúncio do B! Maracujá, a FIA nunca iria penalizar os pilotos com o mesmo argumento do costume: os coitadinhos não sabiam de nada; porque não irão tirar um título obtido na pista para o entregar a outro na secretaria. Muito menos tratando-se de um título a um piloto Ferrari.

Raikonnen é campeão do mundo e com justiça. Mesmo se o campeão "moral" é o rookie Lewis Hamilton: se Massa não tem deixado passar o Raikonnen, numa manobra bem disfarçada (para não ferir susceptibilidades como aconteceu há uns anos com o estacionamento do Barrichelo para deixar passar Schumacher), Raikonnen seria segundo e ficava com 108 pontos, a 1 de Alonso e de Hamilton; e a vantagem ia para o segundo por desempate: o desempate é pelo número de vitórias; neste caso são 4 para cada lado; então desempata-se pelo número de segundos lugares e Hamilton tem 5 contra 4 do Alonso.

* A péssima decisão estratégica da Maclaren: com Hamilton a ficar em 18º depois de ter rodado quase meia volta com a caixa encravada decidiram mudar a estratégia de corrida, passando de 2 paragens para 3. A primeira paragem foi à volta 22. Em vez das previsíveis 25 voltas de combustível resolveu pôr apenas 15. Aqui Hamilton perdeu todas as hipóteses de ganhar o mundial de pilotos. Hamilton cai para 14º e tem de recuperar posições. Como os adversários à sua frente já começam a estar longe uns dos outros, o tempo necessário para recuperar é grande. E tratando-se de adversários com bons ritmos de corrida as ultrapassagens são extremamente difíceis, mesmo com o depósito mais vazio. Ou seja, era inevitável que Hamilton passasse, como passou, umas boas voltas atrás de adversários que só o tapavam. Terá passado talvez 10 voltas assim, um segundo ou um segundo e meio mais lento que o seu ritmo normal de corrida. Perdendo portanto 10 segundos ou mais. E acontece que a estratégia de uma paragem extra só ganha em pista o tempo necessário para fazer a terceira paragem. No fim de contas, Hamilton terá perdido pelo menos 10 segundos e foi mais ou menos essa a distância a que ficou do 5º lugar que lhe dava o título.

A situação é bem diferente de quando um piloto de topo tem de fazer uma corrida de trás para a frente desde o início: primeiro troço curto para ultrapassar muita gente até aos primeiros reabastecimentos quando toda a gente ainda circula em pelotão. Dependendo da pista até se pode optar por uma só paragem, mas no Brasil essa hipótese não se coloca por não haver pneu que aguente, sobretudo com o calor que se verificou. Só se faz uma paragem a mais numa situação: saindo da pole position e com o carro afinado para pouca gasolina; aí ganha-se 1 segundo por volta aos adversários até à primeira paragem, fazendo o reabastecimento com uns confortáveis 15 ou 16 segundos de avanço; no segundo troço não se perde tempo no início e ganha-se na parte final; pára-se a segunda vez com cerca de 20 segundos de avanço; a vantagem continua a aumentar até uns bons 30 segundos na terceira paragem, garantindo que se sai à frente.

Sopa dos pobres

A Taça da Liga devia mudar de nome. O seu nome oficial é Taça Carlsberg, mas não me parece que seja um nome adequado a uma competição que mais parece uma Sopa dos Pobres. Taça Sagres, Taça Mini, ou Taça Copo de Tinto seriam nomes mais adequados.

É que depois da eliminação do Porto pelo Fátima, do Belenenses pelo Portimonense e mais umas quantas eliminações surpresa de equipas da I Liga tivémos na 4ª eliminatória resultados... hmmmm... eu diria surpreendentes, mas se calhar não são: o Sportin perde em casa (casa emprestada que o relvado deles tá outra vez na revisão) 2-1 contra o Fátima; o Benfica empata em casa (e sem a desculpa de ser casa emprestada) contra o Setúbal por 1-1 e o Leiria da I Liga (preguiçosos d'um raio!) perdeu fora contra o Penafiel da II Liga por 3-1 (e só marcaram nos descontos!). O quarto jogo foi entre Beira-Mar e Portimonense, mas sendo as duas equipas de II Liga não há grande espanto.

Ou seja, podemos vir a ter uma "final four" com 4 grandes nomes do futebol português: o Setúbal como único representante da I Liga, o Fátima, o Penafiel e o Beira-Mar ou o Portimonense, todos da II Liga. Sim senhor, estão garantidas as audiências televisivas para esta estrondosa competição!

19 outubro 2007

Dia E

Hoje é o Dia E. E de Europa. Porque lá se conseguiu chegar a acordo para o tratado reformador da União. Oba, oba, podemos finalmente deixar a defunta constituição europeia descansar em paz, já ninguém quer saber dela!

O Sócrates está todo contente, já que foi na presidência portuguesa que o acordo foi conseguido, os outros chefes de governo também, porque vão ficar (ou pelo menos querem) na história da União Europeia, mas no fundo, no fundo, tudo se resumiu a um regateio. A Itália contentou-se com mais um deputado no parlamento europeu, a Polónia ficou contente com um lugar no tribunal europeu e é assim que a Europa avança: todos juntos, cada um puxando para seu lado, e bora lá regatear lugares, condições e benefícios, como se estivéssemos a comprar tapetes em Marrocos.

Por falar em Marrocos, eles também queriam entrar na União Europeia. Até fizeram o pedido de adesão formal e tudo. Foram chumbados porque... não são um país europeu. É pena que por um pormenor técnico de somenos importância se tenha chumbado a entrada de Marrocos na, na altura, CEE. Afinal, a sua vasta experiência seria útil para regatear acordos no futuro. Com 15 já era complicado assinar um papel, com 27 está a tornar-se um pesadelo e no futuro com uns 30 e tal vai ser mesmo preciso pedir ajuda a Marrocos, Tunísia, Mauritânia e Argélia para conseguir pôr as assinaturas todas no papel.

Valha-nos a Alemanha que continua a pagar e não reclama.