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03 abril 2009

A pergunta do momento!

Foi a Raínha que abraçou Michelle ou Michelle que abraçou a rainha?. Dá que pensar. A importância dada a este episódio pelos media britânicos (e não só, como o comprova o texto do Público) diz-nos que a crise já acabou! Afinal, num país cujo sistema financeiro foi de tal forma abalado pela crise do subprime, com bancos a falir, despedimentos em massa e uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, se este episódio não protocolar provoca tamanhas reacções, só se pode concluir que tudo vai bem, a crise já passou e nada mais preocupa os súbditos de sua Majestade, além de quem são as pessoas que abraçam ou são abraçadas pela sua soberana.

É bom saber que pelo menos num dos países da UE os fait divers já assumem esta importância, depois de um ano em que só se ouviu falar em falências, crise hipotecária, despedimentos, subida dos preços do petróleo e coisas afins. Espera-se para breve uma qualquer especulação acerca da marca da cera depilatória de Angela Merkl ou sobre o tamanho da copa dos soutiens de Carla Bruni para que se possa anunciar oficialmente que a crise acabou, a tranquilidade volte aos mercados financeiros e a retoma seja uma realidade.

Ah, e também parece que houve uma fulana qualquer que morreu há 15 dias e vai amanhã ser enterrada... em directo na TV! (não perguntem, não faço ideia de quem é, nem que história é esta ou porque é que é tão importante assim; apanhei uma meia conversa na diagonal, e ainda não percebo grande coisa)

02 março 2009

Especialistas

Portugal é um país de especialistas! Especialistas em tudo, absolutamente tudo! Pergunte-se em qualquer café quem matou, perdão, raptou a Maddie e todos sabem quem foi, de que forma, o que tinha vestido e se gosta da comida com muito ou pouco sal.

Fale-se de futebol e todos são entendidos na matéria, dissertando sobre qualquer assunto minimamente relacionado. Mesmo que isso implique fazer um diagnóstico aos problemas dos joelhos do Mantorras sem ver uma única radiografia ou ressonância magnética, qualquer tuga que se preze a qualquer momento é capaz de referir, indicando os factos que tal fundamentam, quem são os responsáveis da fraca recuperação de Mantorras, quais as decisões médicas que deviam ter sido tomadas e qual o prognóstico.

Muda-se de assunto, fala-se no Freeport e chovem especialistas em aprovação de projectos de interesse nacional, declarações de impacto ambiental, ecologia da reserva natural do estuário do Tejo, corrupção do poder político e interesses dos grandes grupos económicos. Como se conhecessem todos os intervenientes pessoalmente (se calhar, sei lá, até conhecem!).

O português gosta de opinar e fá-lo sempre com um tal conhecimento de causa que me espanta que Portugal não seja mais desenvolvido que a Noruega, a Finlândia ou a Suécia. Sim, porque também os temos, e podemos encontrá-los em qualquer tasca, especialistas em prospecção de petróleo, desenvolvimento de telemóveis de última geração e concepção de automóveis com elevados padrões de segurança. Admira-me que estejamos tão mal colocados entre os nossos parceiros europeus havendo uma tal concentração de especialistas a residir por cá.

Eu diria que, seja qual for o assunto, há em Portugal dezenas de milhão de especialistas! E não me venham com pormenores sobre a população de Portugal e o disparate que é, aparentemente, esta afirmação, porque há especialistas tão especializados que contam a dobrar ou a triplicar. Temos especialistas de tudo, um pouco por todo o lado, é só procurá-los, o que nem dá muito trabalho.

Mas se há assunto em que todos os portuguese são mesmo peritos, mais que em qualquer outro assunto, é África! Morreu Nino Vieira, presidente da Guiné Bissau, vítima de um golpe de estado. O Opinião Pública, na SIC Notícias, é, naturalmente, dedicado ao assunto. E os espectadores ligam para lá para falar sobre o assunto, sobre a situação na Guiné Bissau, sobre o futuro do país, etc. E devo confessar que fiquei maravilhado. Pois não ouvi nenhum espectador que admitisse desconhecer, pelo menos em parte, qualquer pormenor da situação na Guiné Bissau. Todos os espectadores eram grandes especialistas da história da Guiné Bissau, da economia da Guiné Bissau, da política da Guiné Bissau, do potencial da Guiné Bissau, nomeadamente tecendo comparações com as restantes ex-colónias portuguesas, até mesmo da cultura da Guiné Bissau, das várias etnias que habitam o país e das relações entre elas.

Não há nenhum pormenor da vida ou história da Guiné Bissau que seja desconhecido dos espectadores do Opinião Pública! Sejam dois anos lá colocados durante a guerra colonial ou 20 ou 30 anos que lá moraram antes de voltar para Portugal durante ou após a guerra, qualquer período de convivência com as gentes da Guiné Bissau vale tanto quando um doutoramento em estudos africanos por qualquer das mais conceituadas universidades mundiais.

Mesmo que nenhum dos espectadores consiga responder correctamente a qualquer destas questões básicas:
a) quantas "Guinés" existem?
b) quantas são em África?
c) quantas das "Guinés" africanas foram colónias portuguesas e quem mais as colonizou?

Claro que isso não interessa para nada! O Tuga é especialista em assuntos africanos.
Mesmo que a sua experiência africana tenha sido passada na Guiné Bissau, um país com menos de metade da área de Portugal, quando África tem uma área 2 vezes e meia maior que a da Europa.

26 fevereiro 2009

cHOQUE!

bOM, O PRIMEIRO CHOQUE É QUE TENHO O caps LOCK LIGADO, E POR ISSO AS MAIÚSCULAS E AS MINÚSCULAS ESTÃO A SAIR TROCADAS. sE CALHAR DEVIA DESLIGÁ-LO. eSPEREM SÓ UM BOCADINHO... pronto, já tá. Ah, já se lê melhor.

Mas não é sobre maiúsculas e minúsculas de que venho falar, embora fosse fácil a piada sobre a EXIBIÇÃO do Porto em Madrid e a exibição do sporting em alvalade (desculpem, mas com 5 secas nem o clube nem o estádio merecem maiúscula), para a Champions League.

É sobre taxis. A DECO descobriu que, apesar de significativas melhorias, continuam a registar-se irregularidades nos serviços de taxi. Sobretudo nos taxis da praça do aeroporto de Lisboa.

Dizem eles que, sobretudo com os clientes estrangeiros, continuam a verificar-se os mesmos problemas que dantes, só que em menos quantidade: taxímetros escondidos, tarifas inventadas, recusa de passar recibo e percursos alternativos. E eu fiquei chocado!

Primeiro, porque nem me lembrava que havia entre os taxistas tal hábito de esticar um pouco a corda a ver se aguenta. Segundo porque, sendo Portugal um país em que impera um elevado respeito pelas regras, ao contrário de alguns países mais selvagens do norte da Europa, como a Alemanha ou a Dinamarca, nunca me passaria pela cabeça que tal tipo de práticas fosse cometido que não por imigrantes do cú da Europa (o do outro lado). E terceiro porque, de entre todos os taxistas, sempre imaginei que fossem os do aeroporto, com quem já tive o prazer de conviver uma ou outra vez, os que levassem mais a sério a dignidade da sua profissão.

Acredito que os tais 120 casos de que fala a DECO não passem de um mal entendido já que, como qualquer pessoa que conduza habitualmente em Lisboa sabe, o melhor caminho raramente é o mais curto e aquele que é o caminho aconselhável às 15:30 pode já não o ser às 16:00, não sendo de estranhar ter dar a volta a Badajoz para ir do Aeroporto até Queluz, evitando de uma assentada o trânsito da segunda circular, CRIL, CREL, Eixo N-S e IC19: à hora a que se volta de Badajoz já está tudo calmo e até se pode circular na Baixa a uma velocidade quase igual à dos peões.


NOTA: na verdade não tinha muito para dizer sobre taxis que não fosse semi-óbvio. O grande, o único propósito deste post era, apenas, falar sobre o esportém clube de alvalade e a mão cheia que apanharam na pá.

04 fevereiro 2009

Eh pá, pena de morte, já!!!!

Michael Phelps, o super-homem que ganhou 8 medalhas de ouro nos últimos jogos olímpicos e soma agora a módica quantia de 16 medalhas olímpicas na sua carreira, admitiu ter fumado um charro uns meses depois dos JO de 2008.

E agora anda toda a gente a falar nisso, é notícia de telejornal pelo mundo fora! Porque o gajo fumou um charro!!! Até o xerife lá do sítio diz que vão acusar o Phelps, o que provavelmente implicará o pagamento de uma multa e uma menção no seu cadastro. Porque fumou um charro!!!

A pergunta que eu faço é: o sistema legal americano não tem nada mais importante com que se preocupar? Sei lá, se calhar o facto de 2% da população estar encarcerada, de terem uma das mais altas taxas de homicídios do mundo, de a taxa de reincidência entre a população condenada por crimes ser de quase 100%, a falência do seu sistema financeiro pela ambição desmedida de alguns, condimentada com umas fraudes e desfalques aqui e acolá, a sistemática evasão fiscal entre os mais ricos... com tanto problema a afectar aquela sociedade, será que não há nada mais importante para o xerife daquela terreola que prender o atleta superstar por ter fumado um charro? Que tal multar carros mal estacionados?

Em apoio ao Michael Phelps, eu admito aqui publicamente que também já fumei charros, ocasionalmente. Embora nunca tenha ganho medalhas olímpicas. Agora fico a aguardar as reacções de choque e uma eventual visita das autoridades americanas, possivelmente preocupadas com o mau exemplo que aqui dou aos cidadãos norte-americanos que visitem o Ó faxavor! (será que há algum?)

02 fevereiro 2009

Pluralidade de informação

Aqui há umas semanas a manchete dos jornais desportivos dizia:
"Ano Novo, Porto Velho", "Ano Novo, Velho líder" e "Ano novo, líder velho". Ou qualquer coisa assim. Já não me recordo exactamente qual dizia o quê, mas fiquei impressionado com a espectacular coincidência de todos noticiarem a entrada em 2009 com o FCP à frente do campeonato com a mesma figura de estilo, ou algo parecido. E todas elas tinham fotografias semelhantes, com o Record e O Jogo a terem fotografias tiradas ou pelo mesmo fotógrafo em instantes sucessivos ou por fotógrafos vizinhos um do outro na área a eles destinada no estádio.

Ontem as capas dos jornais desportivos falavam do Benfica e da sua vitória contra o Rio Ave, fruto de um golo de Mantorras.

Dizia a manchete do Record: "Voltou a alegria do povo". Já O Jogo alinhava por uma linha totalmente diferente e a sua manchete era "Voltou a alegria do povo". A Bola dizia somente "A alegria do Povo". Todas as capas tinham também uma fotografia, praticamente idêntica (se calhar era a mesma, não me demorei a procurar as diferenças) de Pedro Mantorras a comemorar o golo.

É bom viver num país democrático, com uma sociedade madura e bem informada, em que a qualidade da informação é assegurada por uma comunicação social que prima pela pluralidade, por um espírito de sã concorrência e em que os padrões de qualidade são permanentemente elevados por jornalistas e proprietários de jornais de alto gabarito!!! Sim, sim, assim dá gosto!

30 janeiro 2009

Uma boa razão para...

1) Piratear filmes
Num filme pirateado não precisamos de esperar 2 minutos pelas mensagens de copyright quando pomos o DVD no leitor e não temos de apanhar com os anúncios a dizer que é ilegal usar cópias piratas.

2) Piratear música
Os CDs originais tornam difícil usar cópias no auto-rádio do carro e dificultam o processo de cópia, ao passo que as músicas pirata podem ser copiadas à vontade para qualquer CD ou qualquer leitor de MP3, sem limitações.

3) Piratear jogos
Quando alguém faz asneira com o esquema de protecção anti-pirataria num jogo, o jogo original deixa de funcionar, mas a versão pirateada não!

Ah, claro, além dos preços exorbitantes cobrados pelos títulos, 99% dos quais revertem a favor dos accionistas das produtoras.


(obrigado pelo link, Pedro)

20 janeiro 2009

Average

Eu nem ia dizer nada, porque quando li a notícia achei que toda a gente concluiria o mesmo que eu. Mas... não!

O Belenenses ficou de fora das meias-finais da Taça da Liga e tentou impugnar o sorteio, alegando que, à luz dos regulamentos, passa a equipa com melhor "goal average", sendo que o Belenenses tem melhor goal average que o Guimarães.

E toda a comunicação social passou o dia (excepto durante as transmissões em directo da tomada de posse do Barack Obama) a referir o "erro nos regulamentos" da Taça da Liga!

Bom, vamos lá por partes... Goal average, definido como quociente entre golos marcados e sofridos, era um critério de desempate usado nos confins do tempo.

À luz desta maravilhosa definição, uma equipa que ganhe 1-0 tem melhor goal average que uma outra que ganhe 100-1, porque 100/1=100 e 1/0 é infinito.

O goal average foi substituido em meados dos anos 70 pela diferença entre golos marcados e sofridos, um critério muito mais justo.

Ora agora o Belenenses, com 2 golos marcados contra 1 sofrido, alega que tem melhor goal average que o Guimarães com 3 golos marcados contra 2 sofridos. O que até é verdade, à luz de uma definição caduca e em desuso há quase 40 anos.

Até na wikipedia, se procurarem por goal average, vão parar a um artigo que se intitula goal difference.

Basicamente o critério mudou, porque não fazia sentido mantê-lo. Contudo, desde sempre que em Portugal se usa a expressão goal average como o critério de desempate do futebol, apesar de, em rigor, esse critério ter sido eliminado do futebol nos anos 70. Nem é caso único uma expressão de uma língua estrangeira ser adoptada com um significado diferente do original. Querem um exemplo? Ciao, quer dizer "olá" ou "adeus" em italiano, mas é usada frequentemente em português somente como "adeus".

Mas, para os juristas que defendem o Belenenses, faz todo o sentido, porque é a única definição que lhes permite justificar a sua pretensão.

A propósito... average traduz-se para média que, não sendo especificado mais nada, é a média aritmética. Ou seja, a soma dos dados a dividir pelo número de eventos. A expressão goal average é bastante infeliz porque não representa nenhuma média, mas sim uma diferença. É comum dizer-se agora diferença de golos ou goal difference, em vez de goal average. A expressão faz sentido em competições em que as várias equipas jogam um número diferente de jogos, por exemplo. Toma-se a diferença entre golos marcados e sofridos e divide-se pelo número de jogos.

Já o quociente entre golos marcados e sofridos é tudo menos uma média. É o resultado de uma divisão, ou seja um quociente ou uma razão.

Bem sei que os juristas têm fraca (ou mesmo nula) formação em matemática. Seguiram humanidades no liceu e depois direito na faculdade. Mas uma vez que quociente é um conceito ensinado no primeiro ciclo, escolaridade obrigatória desde os tempos da primeira república, razão é um conceito ensinado na matemática do 2º ciclo, escolaridade obrigatória desde os anos 80 e média é um conceito ensinado, quer na matemática, quer nos métodos quantitativos, e portanto ensinada a todos os alunos que completem o ensino secundário desde meados dos anos 90, é de estranhar que um jurista consiga argumentar, mesmo sendo pago para isso, que uma razão, quociente ou divisão se possa confundir com uma média.

O desconhecimento da lei não pode ser invocado como justificação para o seu incumprimento. A frequência de cursos de humanidades não pode igualmente ser invocada como justificação para uma profunda ignorância da matemática.

18 dezembro 2008

Ordens

Eu detesto ordens profissionais. Acho que são instituições corporativas e inúteis e, sobretudo, carregadas de mofo, restos de uma sociedade de há muito tempo em que a sua existência era justificada pela necessidade de uma regulação de uma profissão. Mas, na verdade, uma ordem profissional é apenas uma associação de profissionais de uma determinada área. Que procuram, naturalmente, defender os interesses dos seus membros.

Por essa razão, porque são associações de profissionais que procuram defender os interesses dos seus membros, não consigo perceber porque é que em pleno século XXI lhes damos o poder de regular a actividade profissional que esses mesmos membros desempenham! Seria como ter a Associação Socio-Profissional de Polícia a investigar irregularidades dentro da PSP, ou ter os representantes dos operadores de telecomunicações a regular o seu sector em vez da Anacom (bom, neste caso até seria melhor: a Anacom é uma espécie de representante do grupo PT, se o sector fosse regulado por representantes dos vários operadores assegurava-se alguma pluralidade...). Ou, melhor ainda, ter as inspecções sanitárias aos restaurantes reguladas pela associação de estabelecimentos de restauração, em vez de ser por um organismo independente, neste caso a ASAE.

Não se compreende como é que compete à ordem dos médicos decidir quem pode, ou não, exercer medicina. Como é que a Ordem dos Advogados pode fazer depender de um exame criado por si o exercício da advocacia. Como é que a Ordem dos Engenheiros é que decide, segundo critérios que não se dá ao trabalho de pôr à discussão, quem pode, ou não, ser engenheiro. E, pior que tudo, como é que compete a estas mesmas ordens profissionais o direito a decidirem ou a influenciarem as decisões dos vários governos sobre os moldes nos quais podem ou devem exercer a sua actividade.

Mas isso sou eu, que não gosto de ordens profissionais. Talvez por defeito de carácter, mas tenho dificuldades em gostar de associações corporativas, caducas e feudais. Acredito que muita gente goste das ordens profissionais ou concorde com a sua existência e veja nela alguma relevância, com muito boas razões para tal, e não me quero meter nessa discussão (quer dizer, até quereria, mas não há tempo...).

Este post não quer ser sobre ordens profissionais em geral, mas sobre uma em particular: a Ordem dos Dentistas. É que os senhores da Ordem dos Dentistas resolveram impor preços mínimos para os serviços praticados pelos dentistas. E vai daí, a Autoridade da Concorrência multou-os! E eles recorreram. E o tribunal não lhes deu razão. Mas, insatisfeitos com o resultado,resolveram recorrer para as instâncias europeias!

Ora bem, vamos lá por partes: a Ordem dos Dentistas decide quem pode ou não exercer a profissão (não sei se o seu poder é tão absoluto como o da Ordem dos Médicos, dos Advogados ou dos Engenheiros, mas não deve andar muito longe). Deve regular a qualidade dos serviços prestados pelos profissionais seus membros. E como querem eles regular a qualidade? Impondo preços mínimos, preocupados com o aparecimento de clínicas dentárias "low-cost" que, segundo eles, sacrificam a qualidade do serviço para poderem baixar os preços.

A ideia é excelente! Se não conseguem, ou não querem, competir com dentistas e clínicas que praticam preços inferiores, que tal, para não serem obrigados a abdicar dos elevados honorários que praticam, impor preços mínimos? Assim resolve-se o problema de uma vez e ninguém pode depois reclamar que os dentistas são caros, porque é a Ordem dos Dentistas, formada pelos próprios, que a tal obriga! É tão espectacular que não sei como é que as restantes ordens não se tinham lembrado disto antes!!!

De facto eu também estou preocupado com o aparecimento de clínicas low-cost! A diferença de preços é de tal ordem (eu paguei 60 euros por sessão para tratar um dente no meu dentista anterior e agora pago 30 num outro; pago 35 para uma limpeza, 25 para tratar um dente, 30 por um raio X) que das duas uma: ou os serviços low-cost têm qualidade duvidosa, ou os dentistas "standard" estão a meter-nos a mão ao bolso.

Ora, não faz sentido dizer que os dentistas, pessoas sérias, idóneas e, sobretudo, altruistas, andam a meter a mão ao bolso dos utentes! Afinal, eles não marcam consultas com 15 minutos de intervalo para garantir que caso falte um doente já está outro na sala de espera e evitar assim um intervalo em que não estão a facturar; eles não aumentaram os preços em 200% nos últimos 10 anos apesar de a tendência natural seja a da diminuição dos custos de produção de todas as matérias primas; e eles não organizam conferências dedicadas ao tema "rendimento por minuto", uma expressão muito querida dos dentistas. É assim que eles determinam a eficácia do seu consultório: quanto conseguem ganhar por minuto? Se um dentista ganha mais por minuto que um outro é mais eficiente. E fazem conferências (sim, houve uma há pouco tempo) dedicadas ao tema, tentando ajudar-se mutuamente a conseguir aumentar a rentabilidade! O que pode ser feito de duas maneiras: aumentando o preço do serviço cobrado ou diminuindo a quantidade de minutos necessários para o realizar. Hmmmm... onde é que entram as preocupações com a qualidade de serviço quando os dentistas andam a ensinar truques uns aos outros para poderem fazer as coisas mais à pressa?

Viva a qualidade dos serviços dos dentistas e viva a Ordem dos Dentistas, grande baluarte da defesa dos direitos dos utentes!

Preocupado com estas questões, e com as dificuldades que os dentistas enfrentam, o Ó faxavor! vai iniciar uma campanha intitulada "Este Natal, ajude o seu dentista a sorrir!". E o que proponho é o seguinte: porque os dentistas estão preocupados com a qualidade dos serviços prestados e porque necessitam de fixar preços mínimos de modo a conseguirem pagar as avultadas despesas inererentes ao exercício da sua actividade, este Natal ajudem o vosso dentista. Marquem uma consulta, mesmo que não necessitem, e deixem-lhe uma nota de 50 euros na caixa das gorjetas. Pode não ser muito, e de certeza que não vos faz falta, mas se todos contribuirmos podemos fazer a diferença. Retribuam a dedicação do vosso dentista e, neste Natal, sejam vocês a melhorar o seu sorriso!

15 outubro 2008

Buraco negro

Há uma anedota que reza assim:

"Dois homens e uma freira sobrevivem a um naufrágio. Descobrem uma ilha deserta e lá vão vivendo. Passado um ano, envergonhada com a vida que levava, a freira suicida-se. Passado mais um ano, envergonhados com a vida que levavam, os homens resolvem enterrar a freira. Passado outro ano, envergonhados com a vida que levavam, resolvem desenterrá-la".

Bom, parece que vamos assistir a um remake desta anedota: "Há uns anos Pedro Santana Lopes decidiu candidatar-se à Câmara de Lisboa. Passado um ano, envergonhado com a vida que levava, saiu para ir para o Governo. Passados 6 meses, envergonhados com a vida que levaram, os portugueses tiram-no de lá. Passados 3 anos, envergonhado com a vida que levava, PSL resolve recandidatar-se".

O cenário para as próximas autárquicas é mau de qualquer das formas. Se PSL perde demite-se de todos os cargos políticos, ofendido com os eleitores, amua durante 3 meses e depois volta a líder parlamentar do PSD e ainda se recandidata a líder do partido (outra vez). E lá temos nós de aturar as birras do menino (o menino guerreiro, lembram-se?), e ouvi-lo nos noticiários a toda a hora. Se PSL ganha o melhor que toda a gente tem a fazer é mudar-se para Oeiras, Vila Franca ou Almada, porque tá-me a parece que não demora nem 2 anos até nascerem 3 ou 4 projectos essenciais para a cidade de Lisboa: (1) pôr a segunda circular toda em túnel desde o aeroporto até Pina Manique; (2) substituir a ponte 25 de Abril por um túnel Alcântara-Almada; (3) fazer um túnel através de Monsanto, desde o nó da CRIL até às Amoreiras para retirar a A5 do parque e (4) pôr o aeroporto todo debaixo de terra, com os aviões a entrarem no sub-solo ao pé dé dos Jerónimos e a fazerem o percurso através da cidade todo em túnel.

09 outubro 2008

Espanto!

Acabei de ouvir na televisão: a propósito do Suécia-Portugal, Zlatan Ibrahimovic, reconhecido como o melhor jogador sueco, afirma-se um admirador de José Mourinho. É de admirar, sobretudo porque Ibrahimovic é treinado por... José Mourinho! Que espanto, pá, nem consigo disfarçar a minha surpresa por tais declarações, tão inesperadas!

09 setembro 2008

Não tou a perceber

Quando as notas dos exames são más e chumbam muitos alunos é sinal que o ensino está mau.

Quando o número de chumbos desce para valores históricos, é sinal que os exames foram fáceis e o ensino está mau.

Alguém pode explicar-me como é que vou perceber que o ensino está bom? Ou é incontornável que esteja sempre mau?


Nota: dispenso comentários de quem ache mesmo que o ensino está mau ou de quem ache mesmo que o ensino está bom. Não faço ideia como está o ensino (por acaso até faço, mas a minha ideia não é para aqui chamada), só queria mesmo perceber é que indicadores me servem para analisar a situação.

18 julho 2008

Cenas de gaja

Há uns dias mandaram-me (obrigado, Ricardo) um artigo sobre Pilar del Rio, presidente da Fundação José Saramago. Presidente, não. Presidenta, porque é mulher! A gaja acha que só porque é gaja devia ser presidenta e não presidente. E tá-se a borrifar para o facto de a palavra não existir. Porque é que uma mulher ministro é ministra e uma mulher presidente não é presidenta, pergunta Pilar del Rio? Ao que eu respondo: porque seria estúpido. Há palavras cujo género se pode mudar facilmente e outras que não. Mas vão lá dizer isso à gaja que ela passa-se dos carretos. Começa logo com merdas à la anos 60 sobre a supremacia dos homens, a opressão sobre as mulheres e mais não sei o quê.

A gaja queixa-se, queixa-se, mas ela não sabe o que é ser discriminado pela língua. Eu sou canhoto. Por oposição a ser dextro. Uso a mão esquerda em vez da mão direita para escrever, uso o pé esquerdo em vez do pé direito para dar pontapés em pedras ou putos reguilas ou gajas com a mania que são presidentas em vez de presidentes. E não me queixo de discriminação, isto apesar de ela existir a um grau que a senhora Pilar del Rio nem sequer imagina. Ouvir esta senhora protestar contra o machismo da língua é como os negros norte-americanos durante os motins de Los Angeles ouvirem a comunidade gay de São Francisco queixar-se de discriminação por não se poderem casar legalmente na Califórnia (agora já podem). Diz o larilas "ah e tal, a gente não se pode casar, somos muitos discriminados". Responde o preto: "ó mariconço! Nós levamos porrada da polícia, ainda há dias um gajo foi parar ao hospital só porque apeteceu aos polícias fazerem o gajo em merda ao biqueiro". Numa cidade em que os pretos são tratados ao pontapé pela polícia alguém se preocupa com a discriminação contra os gays? Claro que não, temos gente a levar enxertos de porrada, há que definir prioridades. Ou então o menino gordo da escola primária a queixar-se ao menino cigano que os outros meninos chamam-no gordo e não o deixam jogar futebol. Ao que o cigano responde que ele tem sorte; quando um dos outros putos perde um lápis chamam a judiciária para fazer buscas na casa do cigano. Mas já me estou a distrair um bocado, é melhor mudar de parágrafo.

Ah, muito melhor. Estava eu a falar da discriminação contra canhotos. Por exemplo, estudar leis é estudar Direito. Não é Esquerdo, é Direito. O lado direito em inglês diz-se Right, que também significa correcto, certo, bom. Destreza, sinónimo de habilidade, de jeito, vem de destro, que é direito. Em italiano Esquerda é Sinistra, cujo significado em português é tudo menos abonatório. Um canhoto é sinistro, um destro é habilidoso. Estas palavras magoam! (neste momento tenho um ar triste e uma lágrima ao canto do olho) Por isso não me venha uma gaja dizer que a língua discrimina as gajas porque Presidente não tem feminino.

Mas Pilar del Rio lá reclama que devia ser presidenta porque é gaja. Acham que o Rei Juan Carlos reclama quando alguém diz "Sua Majestade"? Acham que Cavaco Silva, quando alguém o trata por "Sua Excelência, o Presidente da República" vem com merdas a dizer "Seu Excelêncio, porque sou muito macho!"? Mas esta gaja vem p'raí chatear porque quer à força toda ser Presidenta. Reclama ela que quando alguém se refere a um grupo composto por mulheres e homens referimo-nos ao grupo sempre no masculino, usando o feminino apenas quando todos os elementos são femininos. Mesmo que o grupo tenha mulheres e animais de género masculino dizemos "eles" e não "elas", dando primazia ao género do animal em vez do género da gaja. E??? Qual é o espanto? Se um gajo chega a casa às 4h da manhã a tresandar a cerveja e com duas putas moldavas uma de cada lado, um cão recebe-o sempre com o rabo a abanar, todo contente. Está há horas sem comer, tem fome, reclama um bocado, assim que lhe damos comida fica todo contente e já nem se lembra das horas de jejum. Não fica com ciumes das putas moldavas ou romenas e até as cumprimenta efusivamente, desde que lhe façam festas. E se o chamarmos vem logo para a cama do dono e lá fica, todo contente, a partilhar o espaço com o dono e duas mulheres de vida pouco católica. Já uma gaja se um tipo chega a casa a tresandar a cerveja às 4h da manhã com duas fulanas de saias curtas pelo braço, recebe-nos de trombas, dá um enxerto de porrada nas putas, põe-nos a dormir no sofá e não pensem que no dia a seguir já se esqueceu, não senhor! No dia a seguir temos de levar com Sua Excelência ainda de trombas, a amuar e a fazer birras, põe as nossas coisas todas em caixas, tipicamente a monte, e ala pela janela! E um gajo que ature estas merdas!

Ó mulher, vá mas é para casa lavar a roupa e cozer meias e deixe-se dessas reivindicações feministas, que isso era bom era nos anos 60 para gajas feias e sem mamas que não tinham intenções de casar e a maior parte até virou lésbica porque não conseguiu arranjar um homem que as quisesse.

27 maio 2008

Tá explicado!

Os asiáticos e em particular os chineses são muito supersticiosos. Tão supersticiosos que procuram sempre explicações para todas as coisas más que acontecem.

E vai daí, já perceberam porque houve um sismo tão forte no país: é a maldição das mascotes olímpicas!

As mascotes são 5: um panda (cujo habitat é a província de Sichuan), um antílope tibetano (relacionado com a revolta que se vive no tibete), a tocha olímpica (que deve estar aborrecida com tantas interrupções à sua marcha por causa de protestos dos apoiantes da causa tibetana), uma andorinha (que parece que tem não sei o quê a ver com um cometa que foi visto este ano) e um peixe. Este último não tem nada a ver com o sismo, mas está sim relacionado com uma forte inundação no sul do país (onde a actividade pesqueira é intensa). Claro que há inundações todos os anos, mas a deste ano foi de certeza provocada pelo peixe.

E tudo isto é suportado, obviamente, pela numerologia! O número 8, que costuma dar sorte, este ano parece que não. São os jogos de 2008 e a 88 dias dos jogos houve o grande tremor de terra. Para ajudar, o sismo foi no dia 12/5 e 1+2+5=8!!! É uma coincidência impressionante que só pode ser explicada, obviamente, por uma maldição do número 8. Isto, claro, se ignorarmos o facto de o calendário chinês ser diferente.

Além disso o sismo foi às 14:28 (ainda estou para perceber porque raio é que isto se associa ao número 8, é mais natural associar ao número 7, já que 14=7x2 e 28=7x4).

E ainda por cima, o sismo marcou 7,8 na escala de Richter. termina em 8, já viram? Mas qual a probabilidade de pelo menos um dígito ser 8 ou a soma dos dígitos ser 8, já que para a interpretação numerológica vai dar ao mesmo? Isto entre sismos fortes, pois dos fracos não reza a história. Entre 6.0 e 9.0 há 31 intensidades distintas; destas 12 têm um dígito 8; Os números cujos dígitos somam 8 são 6.2 e 7.1; E já vamos em 14; mas se quisermos ir mais além, notemos que 7.9 soma 16 que é 8+8. Dá 15. Em 31, ou seja aproximadamente metade. Tá provada a maldição!

E acham que é só isto? Reparem bem: a jornada diária de trabalho é de 8 horas, mas a China não segue esta norma (se calhar devia!). Há 8 dias numa semana, isto se contarmos o domingo como valendo dois, o que é natural, porque é dia santo. As cores do arco-iris são 8, desde que se distinga entre amarelo claro e amarelo torrado. Há 8 planetas no sistema solar, porque Plutão já não é. São neste momento 12:58 e notem bem que 1+2+5=8 (por acaso são 12:57, mas esperei um minuto para a maldição se confirmar) e estamos a 27-05-2008 e 2+7+5+2+0+0+8=24=8+8+8!

Ainda bem que os chineses têm as suas superstições para explicar estas coisas...

Arroz

Ah, que alívio! Após conversações com o Governo o Lidl suspendou o racionamento de arroz. Tinha sido imposto um limite de 10 kg por cliente, mas essa limitação já foi levantada.

Devo dizer que fico muito mais descansado e, pelo sim, pelo não, vou já ao Lidl comprar uns 25 ou 30 kg de arroz. Pelo sim, pelo não.

24 março 2008

Manuais de instruções

Tou a ler o manual de instruções do meu carro (devo ser a única pessoa no mundo que lê manuais de instruções, mas já que tiveram o trabalho de o escrever acho que é o mínimo lê-lo). Como é habitual a qualidade dos textos é asquerosa. Desconfio que as marcas de automóveis traduzem os manuais com ferramentas de tradução automática.

A páginas tantas dou com a seguinte frase: "Ao transportar objectos volumosos, não conduza com a bagageira aberta ou entreaberta, por causa do risco da entrada de gases de escape tóxicos no habitáculo". Ah, é por isso? Um gajo leva um sofá na bagageira e não deve conduzir com a porta aberta por causa dos gases de escape! E eu a pensar que era pelo risco de queda de objectos para cima dos outros carros... afinal é só uma precaução contra o monóxido de carbono!!!

17 março 2008

Zon

Quem é Zon está On.

É este o fabuloso slogan da Zon Multimédia, anteriormente conhecida como PT Multimédia. Tá bem que quando se muda o nome e a identidade é preciso fazer campanhas maciças para que a nova imagem seja assimilada pelo público, mas... Quem é Zon está On? Quem é que inventou esta merda de slogan? Ao menos venham a público dizer que não pagaram pelo slogan, que foi de borla e que a cavalo dado não se olha o dente.

Já agora, deixo-vos umas sugestões de novos slogans para a Zon multimédia, que podem usar no futuro e nem sequer têm de pagar nenhuma fee criativa (mandem-me só um mail a avisar, faxavor). Só é preciso mudarem outra vez o nome da empresa (mas também Zon não é grande nome...):
- Zin: Quem tem Zin está In
- Zout: Se não tens Zout estás Out
- Zoff: Mete Zoff para não ficares Off
E esta, ao melhor estilo da agência publicitária de Chelas:
- Zalho: Instala esta m"#$% ou então vai p'ó ca#$%*&

Mas se fizerem questão em manter o nome de Zon, que tal:
- Zon: A net do Camón
- Zon: Uma velocidade do colhón
- Zon: A net a bombar que é uma curtiçón
- Zon: TV, net e telefón

12 março 2008

Nacionalismos

Os nacionalistas existem. É um daqueles factos da vida. Existem os nacionalistas, tal como existem as micoses e os aumentos de impostos. Não estou aqui a querer comparar os nacionalistas a micoses ou a aumentos de impostos, foi só para dar um exemplo de coisas que existem. Também existem arco-íris, só que não me lembrei de escrever que os nacionalistas existem tal como existem os arco-íris.

Existem e andam aí. Há grupos organizados de nacionalistas e tudo. Alguns até raparam o cabelo todo, não sei se será por questões de higiene ou coisa assim. Pelo que li não sei onde na segunda guerra mundial rapava-se o cabelo todo aos prisioneiros dos campos de concentração para evitar os piolhos. Também não estou a tentar com isto dizer que os nacionalistas têm piolhos ou que deixam de os ter, ou a compará-los com os prisioneiros dos campos de concentração até porque acho que eles não gostam.

E alguns grupos de nacionalistas gostam de usar a sua liberdade de expressão escrevendo grafitis em paredes. Não tenho nada contra a liberdade de expressão, mas preferia que usassem, por exemplo, folhetos que se podem mandar fora, em vez de pintar paredes que aquilo até é chato de limpar. Também neste caso, e para que fique bem claro, não estou a dizer que deitaria os panfletos dos nacionalistas todos fora ou de qualquer outra forma a comparar a sua literatura com lixo. É só para fazer o paralelo com as paredes, que não dá jeito deitar fora.

Outra característica que é comum encontrar entre os nacionalistas é um orgulho exacerbado na pátria. Têm orgulho de Portugal, da história de Portugal, do povo português, da língua de Portugal, da bandeira de Portugal, do hino de Portugal. Também com este parágrafo não estou a querer insultar de algum modo o meu país ou os seus símbolos nem de algum modo a criticar o orgulho que se pode sentir em ser português. Sou português, gosto de Portugal, gosto da língua que falo, não queria ser de outra nacionalidade, identifico-me com a bandeira e até sei a letra do hino toda.

Mas hoje vi um grafiti que dizia "brazileiros fora de Portugal", que eu presumo tenha sido feito por algum nacionalista. Mas se não foi, desde já peço desculpa pela minha assumpção que denota algum preconceito contra nacionalistas. Eh pá, não me levem a mal os nacionalistas que eventualmente leiam o Ó Faxavor, que não tou aqui para ofender ninguém, mas não podiam ao menos escrever "brasileiros fora de Portugal"? É que em português, seja em português de Portugal ou em português do Brasil, escreve-se Brasil e não Brazil e como consequência, escreve-se brasileiro e não brazileiro.

É que acho que fica um bocado mal, num grafiti nacionalista, mandar uma barda deste gabarito. Suscitam a risota alheia (os brasileiros que lerem aquilo são capazes de achar piada) e ninguém os leva a sério.

Um destes dias arranjo um spray de tinta preta e vou lá corrigir o grafiti.

Nota: Não vale a pena corrigir as bardas deste post. Eu sei que mando bardas em português, algumas intencionais, outras não. Só acho incoerente mandar bardas em português quando se sente tão superlativo orgulho na pátria ao ponto de a querer preservar só para aqueles que são parecidos consigo, segundo uns quaisquer critérios de nacionalidade de difícil justificação (sobretudo se considerarmos que, por exemplo, os brasileiros são todos descendentes de portugueses e portanto também são portugueses num certo sentido).

Nota para nacionalistas irados que tenham aqui caído de pára-quedas sabe-se lá porquê: não estou interessado em discutir idiologias nacionalistas nem em entrar em argumentações sobre questões relacionadas com fronteiras, vistos de residência e trabalho, emprego ou a falta dele, herança genética, diferenças biológicas ou de outro tipo entre as várias etnias, etc. Se se sentirem ofendidos pelo teor deste post basta um comentário a dizer "Olá, eu sou o (escrever nome), sou nacionalista e fiquei ofendido". Se quiserem até podem assinar como anónimos que eu não me chateio.

25 fevereiro 2008

Querer!

Diz Soares Franco, presidente do Sporting que queremos ganhar mais campeonatos que o Benfica, queremos ganhar ao Benfica, queremos ser melhores que o Benfica.

Pois, só que ganhar mais campeonatos que o Benfica, ganhar ao Benfica e ser melhor que o Benfica não é para quem quer. É para quem pode. E o Sporting, está visto, não pode.

11 fevereiro 2008

Correcção factual!

Se há coisa que aprecio é rigor jornalístico. Por isso apreciei bastante a notícia do Mais Futebol, que afinal serve para mais que apenas futebol, dando conta da lista de atletas portugueses já apurados para os Jogos Olímpicos de Pequim. Isto por ocasião do apuramento de Marcos Fortes, no lançamento do peso.

Gostei de ler a notícia, sobretudo a parte que diz que também se apurou para os mundiais de pista coberta que decorrerão em Março, também na capital chinesa. Que, segundo a IAAF (International Association of Athletics Federations) vai decorrer em Março, sim, mas em Valência.

Tanta coisa e a China é aqui tão perto...

01 fevereiro 2008

Choque

Tou chocado!

Atão não é que andam por aí a dizer que o Sócrates assinou projectos de outros? É uma vergonha...

Sim, porque toda a gente sabe que nos 300 e tal municípios do país são os verdadeiros autores dos projectos que os assinam e submetem para aprovação nas Câmaras Municipais, não há casos de engenheiros a assinar projectos realizados por pessoas que, por falta de habilitações ou outros impedimentos legais, não o podem fazer! Ninguém assina projectos alheios, não senhor! Não se pagam assinaturas a engenheiros e arquitectos. Não, não, em Portugal não há corrupção na submissão de projectos, não há funcionários camarários a receber por projectos que não podem submeter, não há desenhadores técnicos a fazer projectos que depois levam a casa do senhor arquitecto ou do senhor engenheiro só para recolher a assinatura. O caso do Sócrates é único e excepcional. Pede-se uma punição exemplar!